quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LIBERDADE


 

LIBERDADE

 

Nossa consciência é o que nada sabe ao nosso respeito, mas o inconsciente, esse esperneia e grita, já tem uma conclusão, ele tem uma capacidade de examinar, analisar, concluir e até o de antecipar resultados “sine qua non”.

O corpo fica inquieto quando estamos fora da nossa essência, a dor vem como um sopro de um tufão, os sinais são claros e escolhemos não sentir, parar de respirar é mais fácil do que enfrentar a dor manifestada, e, se acolher no seu próprio flagelo humano não é uma atividade comum.

Silenciar e nos escutar é uma tarefa árdua, uma vez que: parar, respirar e apenas sentir nos levam a lugares os quais não queremos estar, como dizia o poeta Bráulio Bessa: “dar um ré nem sempre significa andar para trás, mas, recomeçar”.

Na psicologia de Jung, quando paramos de respirar paramos de sentir, nos anulamos e a dor fica no nosso inconsciente. É sobre isso que manifesto neste texto. Não podemos parar de sentir e precisamos respirar para conectar com o Supremo...

Não quero justificar e nem preciso me expor para assumir quem eu sou. Na intimidade eu sei quem eu sou. Profunda, complexa, articulada, livre, brava, simbólica, pensante e caminho em retidão, às vezes, um pouco libertina, mas consciente e sei dar nomes às emoções. Reconheço a minha intuição e a quero clara e vibrante, mesmo que pareça uma louca aos olhos dos outros, obedeço o meu instinto e acredito fielmente nos sinais e em toda simbologia expressa. A racionalidade foge de mim e as emoções se manifestam em todos os campos. Prefiro ser autêntica e deixei de programar e me entreguei ao que tem para hoje. Estar no presente sem propósito parece ser instabilidade emocional, mas é aonde tudo acontece sem que tenhamos combinado nada.

Quando adolescente, me propus a conhecer e a aprender algo novo todos os dias e assim caminho: Conhecendo, observando, aprendendo, degustando e sobrevivendo. Escolhi ser inteira (= solteira), em solitude (não é ausência, é presença concentrada), às vezes vomito palavras que não deveria, mas, no contexto, isso, é ser humano, também escolho o silêncio e tenho dificuldades com muito barulho e pessoas. Tenho uma vida expressa em sensibilidade, uma história de quem pensa, sente, escreve, aprende, ensina, transforma e isso é um lastro.

Esse preceito que me levou a uma vida ativa e expressa com muita sensibilidade. Minha vida nunca seguiu o padrão estabelecido pela sociedade vigente e aprendi a viver assim. Não sei viver de outra forma, talvez, não queira enfrentar o desconforto do meu corpo ao adentrar em ambientes e conviver com determinadas pessoas, eventos e até mesmo família.

Soa como um egoísmo, mas egoisticamente falando, sou egoísta. Meu egoísmo gira em torno da solitude e do meu equilibro, mas no fundo devo estar numa numa zona de conforto extremamente confortável.

Recentemente saltei de paraquedas e pude perceber que pela primeira vez, que não tive controle de absolutamente nada, a mente esvaziou, a realidade foi invadida por um silêncio avassalador e não tive medo, nem histeria... a adrenalina veio, mas pacificou-se rapidamente e desse momento em diante me refiz... voar me ensinou o que há muito tentei fazer e nunca consegui: entrega.

Entreguei-me ao descontrole e foi libertador. A vida cansa e há cansaços existenciais que nem sempre temos a oportunidade de descansar. O descanso ocorre em algumas frações de tempo: num abraço de Urso, num  saltar ao desconhecido, no amor a vida e as pessoas que encontramos pelo caminho.

E como amo!

Não existe falta de honra em demonstrar e reverenciar o aprendizado. O amor não correspondido deve ser manifestado para que ele se transforme e seja relembrado em reverência. Não me servi numa bandeja, me entreguei ao movimento da vida e confiei na doçura daquele olhar, na personalidade forte, que ordena e que voa. Quem voa não consegue se espelhar no que é profundo, talvez, eu tenha sido o seu pior espelho... devido a intensidade, ternura, inteligência e sensibilidade...

Finalmente consegui transformar essa dor de não ser correspondida em lágrimas...verbalizar o necessário, o desnecessário e estou inteira.

Foi um encontro de almas de fato! Isso exige escuta interna, disposição para entrar no mundo do outro sem manual, ressignificar valores e momentos. Viver em comunhão com o outro significa uma mudança de vida e graças a sua racionalidade, te agradeço. Não estou pronta para isso, nunca estive. Ressignifico o amor que sinto e aceito o limite imposto. Nos libertamos e seguimos em nossos mundos tão distantes...

Quem vive no ar não combina com quem vive nas profundezas... os espelhos se reconhecem, vivem, e escolhem seus destinos livres e soltos porque foi assim que ambos sempre escolheram ser... Reconheço a sua luz e sigo o meu caminho.

A reciprocidade só existe em solidariedade e amor, que estabelecem que só podemos receber na medida em que estamos dispostos a dar... no mais, a sabedoria se abre a todos cuja sinceridade é profunda e cuja humildade é verdadeira (adaptação de uma fraternidade antiga)...

 

Por: Lucileyma Carazza