LIBERDADE
Nossa consciência é o que
nada sabe ao nosso respeito, mas o inconsciente, esse esperneia e grita, já tem
uma conclusão, ele tem uma capacidade de examinar, analisar, concluir e até o
de antecipar resultados “sine qua non”.
O corpo fica inquieto
quando estamos fora da nossa essência, a dor vem como um sopro de um tufão, os
sinais são claros e escolhemos não sentir, parar de respirar é mais fácil do
que enfrentar a dor manifestada, e, se acolher no seu próprio flagelo humano
não é uma atividade comum.
Silenciar e nos escutar é
uma tarefa árdua, uma vez que: parar, respirar e apenas sentir nos levam a
lugares os quais não queremos estar, como dizia o poeta Bráulio Bessa: “dar um
ré nem sempre significa andar para trás, mas, recomeçar”.
Na psicologia de Jung,
quando paramos de respirar paramos de sentir, nos anulamos e a dor fica no
nosso inconsciente. É sobre isso que manifesto neste texto. Não podemos parar
de sentir e precisamos respirar para conectar com o Supremo...
Não quero justificar e
nem preciso me expor para assumir quem eu sou. Na intimidade eu sei quem eu
sou. Profunda, complexa, articulada, livre, brava, simbólica, pensante e
caminho em retidão, às vezes, um pouco libertina, mas consciente e sei dar
nomes às emoções. Reconheço a minha intuição e a quero clara e vibrante, mesmo
que pareça uma louca aos olhos dos outros, obedeço o meu instinto e acredito
fielmente nos sinais e em toda simbologia expressa. A racionalidade foge de mim
e as emoções se manifestam em todos os campos. Prefiro ser autêntica e deixei
de programar e me entreguei ao que tem para hoje. Estar no presente sem
propósito parece ser instabilidade emocional, mas é aonde tudo acontece sem que
tenhamos combinado nada.
Quando adolescente, me
propus a conhecer e a aprender algo novo todos os dias e assim caminho:
Conhecendo, observando, aprendendo, degustando e sobrevivendo. Escolhi ser
inteira (= solteira), em solitude (não é ausência, é presença concentrada), às
vezes vomito palavras que não deveria, mas, no contexto, isso, é ser humano,
também escolho o silêncio e tenho dificuldades com muito barulho e pessoas. Tenho
uma vida expressa em sensibilidade, uma história de quem pensa, sente, escreve,
aprende, ensina, transforma e isso é um lastro.
Esse preceito que me
levou a uma vida ativa e expressa com muita sensibilidade. Minha vida nunca
seguiu o padrão estabelecido pela sociedade vigente e aprendi a viver assim.
Não sei viver de outra forma, talvez, não queira enfrentar o desconforto do meu
corpo ao adentrar em ambientes e conviver com determinadas pessoas, eventos e
até mesmo família.
Soa como um egoísmo, mas
egoisticamente falando, sou egoísta. Meu egoísmo gira em torno da solitude e do
meu equilibro, mas no fundo devo estar numa numa zona de conforto extremamente
confortável.
Recentemente saltei de
paraquedas e pude perceber que pela primeira vez, que não tive controle de
absolutamente nada, a mente esvaziou, a realidade foi invadida por um silêncio avassalador
e não tive medo, nem histeria... a adrenalina veio, mas pacificou-se rapidamente
e desse momento em diante me refiz... voar me ensinou o que há muito tentei
fazer e nunca consegui: entrega.
Entreguei-me ao descontrole
e foi libertador. A vida cansa e há cansaços existenciais que nem sempre temos
a oportunidade de descansar. O descanso ocorre em algumas frações de tempo: num
abraço de Urso, num saltar ao
desconhecido, no amor a vida e as pessoas que encontramos pelo caminho.
E como amo!
Não existe falta de honra
em demonstrar e reverenciar o aprendizado. O amor não correspondido deve ser
manifestado para que ele se transforme e seja relembrado em reverência. Não me
servi numa bandeja, me entreguei ao movimento da vida e confiei na doçura
daquele olhar, na personalidade forte, que ordena e que voa. Quem voa não
consegue se espelhar no que é profundo, talvez, eu tenha sido o seu pior
espelho... devido a intensidade, ternura, inteligência e sensibilidade...
Finalmente consegui transformar
essa dor de não ser correspondida em lágrimas...verbalizar o necessário, o
desnecessário e estou inteira.
Foi um encontro de almas
de fato! Isso exige escuta interna, disposição para entrar no mundo do outro
sem manual, ressignificar valores e momentos. Viver em comunhão com o outro
significa uma mudança de vida e graças a sua racionalidade, te agradeço. Não
estou pronta para isso, nunca estive. Ressignifico o amor que sinto e aceito o
limite imposto. Nos libertamos e seguimos em nossos mundos tão distantes...
Quem vive no ar não
combina com quem vive nas profundezas... os espelhos se reconhecem, vivem, e
escolhem seus destinos livres e soltos porque foi assim que ambos sempre
escolheram ser... Reconheço a sua luz e sigo o meu caminho.
A reciprocidade só existe
em solidariedade e amor, que estabelecem que só podemos receber na medida em
que estamos dispostos a dar... no mais, a sabedoria se abre a todos cuja
sinceridade é profunda e cuja humildade é verdadeira (adaptação de uma fraternidade
antiga)...
Por: Lucileyma Carazza
