quarta-feira, 22 de abril de 2026

SOBRE SONHOS

 



SOBRE SONHOS

 

Estranho você vender sonhos

Mas nunca ter realizado o meu

Não sei mais se esse sonho me pertence

Incrível como admiro as manobras

Vejo o sorriso maroto e o semblante leve

Percebo o mundo movimentando

E eu aqui parada, estagnada e observando.

A presença da natureza me cura[

Acredito na generosidade dos desconhecidos

Deleito com o encontro do humano com o Divino, ou místico...

Palavras não possuem coerência

Lagrimas me atormentam e insistem

O coração fica apertado e diminui

As emoções são processos emocionais digestivos longos

Amar é o melhor da vida

Na inocência errante, emocionante e livre

É preciso ter coragem para amar

Para tornarmos resilientes e altruístas

 

Por: Lucileyma Carazza


ESTIMADO AMIGO


 


ESTIMADO AMIGO

 

Prefiro escrever, ando muito sensível, e isso, me afasta das pessoas...

Sou aquele tipo que sempre socorre, mas nem sempre sou convidada para as festas, ou socorrida, desde da infância esse pensamento me ronda.

Tenho dificuldades em me relacionar, entregar, confiar e sei de todos os meus defeitos, sair sozinha, ou ficar sozinha, foi um abito que adquiri para me defender de uma dor profunda que se chama exclusão que carrego desde a infância.

É uma defesa, ou como você mesmo me disse: uma fuga.

Não sou de muitos amigos e os que tenho os defendo como uma onça, amo incondicionalmente, às vezes posso me tora invasiva por amar demais, por me sentir inserida e íntima...

Nessa jornada de vida espiritual e emocional aprendi a responsabilizar-me por tudo.

Ultimamente tem sido muito difícil a nossa convivência porque perdi a minha espontaneidade, os meus comentários interrompem e são inadequados, o meu silêncio incomoda e até uma piada tosca é motivo para críticas.

Nossas conversas tornou-se monólogos, sinto o luto e te liberto. Não há mais nada a ser feito ou dito.

Sei que preocupa comigo, mas preciso ser acolhida, e talvez, verbalizar essa frase me liberte da dor.

Quero voltar a sorrir, ser autêntica sem dor, sem drama, quero sanar essa bipolaridade, quero parar de chorar e principalmente, quero voltar a ter o desejo pela vida novamente.

É um desafio, aquilo que tiramos debaixo do tapete e trazemos para a luz nos liberta e transforma.

 

Por: Lucileyma Carazza


ACEITAÇÃO


 

ACEITAÇÃO

 

A aceitação é a evolução ou o aprendizado mais difícil durante um processo de digestão emocional.

Acreditar que o Universo nos proporciona na medida e na frequência exata daquilo que somos ou almejamos é uma tarefa árdua porque nem sempre alcançamos o nosso desejo de imediato, ou talvez ele nunca fará parte de nossas vidas.

Nos afastamos, mas sinto que a sua energia nunca foi embora, sinto que algo ainda pulsa...

Converso, abraço, escuto conselhos, recebo amor e vivo num universo paralelo de mundos distantes.

Às vezes, me pergunto o por quê? E a resposta ecoa em mim... o peso de uma relação é o que nos separa.

 

Por: Lucileyma Carazza


INSISTIR

 



INSISTIR


Há dias em que o coração

Fala baixo

Quase não se escuta

Mas ainda assim ele insiste

E no silêncio das coisas simples,

A gente aprende que recomeçar

Também é um jeito de amar.

 

“Há tempo de buscar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora”. Eclesiastes 3:6

 

Por: Lucileyma Carazza


RESPEITO


RESPEITO

 

Sempre nos amamos

De um jeito torto inadequado

Talvez seja pelas afinidades

O mar sempre fora o nosso porto seguro

A calmaria que nos abraça

As ondas que nos mimam

As correntes que nos guiam

Mas sempre existiu a dúvida...

E se?...

Surge a visão de uma década de distância

O reencontro de almas afins

Nos restauramos nas “Leis do Amor”

Sinto que o sistema está estabelecido

Uma harmonia empírica e justa

Nos valorizamos, nos perdoamos e nos respeitamos

Pela primeira vez... nos respeitamos

Assim como respeitamos os ciclos das marés

Admiração envolta de uma ternura única

E como o olhar curioso de uma baleia nos reinventamos

Força, princípio, respeito, perdão, dignidade e fé...

Sem muitas palavras, mas nos olhares acertamos

Quem é do mar... vive e sabe!

O princípio fundamental: sempre é o RESPEITO.

 

Por: Lucileyma Carazza


segunda-feira, 6 de abril de 2026

SOL

 


SOL

 

No alvorecer do outono na estrada

Deparo-me com o Astro Rei

Esboço um sorriso com semblante de paz

Flerto pelo retrovisor sem piscar

Ele se esconde entre as montanhas

Me deixa seguir livre

Fixo o olhar na estrada

Em minha córnea reflete uma cruz dourada

Os sinais são claros

O Sol me ensina a viver e a encerrar ciclos

Nunca ser igual e monótona

Ele me movimenta e sigo tranquila

A cruz me mostra o sacrifício

Me propõe o renascimento

Há muito a ser vivido e amado

Reverenciado, pacificado e ressignificado

O amor existe em mim

O simples de fato é reconfortante

Prosperamos ao observar e aceitar

Porque somos Centelhas Divinas

Em uma jornada extraordinária.

 

Por: Lucileyma Carazza

 

 

 

 


quinta-feira, 26 de março de 2026

LETÁRGICA

 


LETÁRGICA

 

Há uma inércia

Uma falta de presença

Uma má vontade em expressar

Em emitir opinião.

O desinteresse instalou-se

Não quero fazer parte

O silêncio virou armadura...

Talvez seja a chegada do outono

Onde as folhas secam e caem

Os animais hibernam.

Falta serotonina, dopamina e ocitocina

Existe beleza na vida,

Mas não existe sustentação

O isolamento tornou-se constante

O álcool não faz efeito

Os amigos conselheiros experientes

Que resolvem tudo num passe de mágica...

Como me irrito com opiniões

Finjo que escuto e esboço um sorriso.

Tudo que almejam que eu seja

É o reflexo da vida deles...

Estou exaurida e exausta!

Talvez seja pirraça do ego

Em não querer, em não fazer, em não saber,

Talvez tenha aprendido a procrastinar...

Me sinto egoísta

Perdi a minha empatia

A gargalhada não sai.

Há algo errado em mim

Existe uma vácuo cerebral

Me tornei o que mais temia: um zumbi.

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 10 de março de 2026

GAIOLA

 


GAIOLA

 

Quando todos opinam

A exposição dói como se estivessem arrancando sua carne,

Em virtude da falta de privacidade

Até mesmo respeito e compaixão.

 

Quando o julgamento atormenta

E socializar se torna um fardo.

Recuperar a sanidade é amputar

O lado criativo e tosar a liberdade.

 

Quando nos perdemos

Por sermos autênticos

Por nos entregar com intensidade

Somos julgados e renegados.

 

Quando tudo é tão simples

Mas nem tudo está ao alcance

O almejo pela outra pessoa

Transforma-se num sorriso singelo

 

Quando o esforço perde a graça

Não saber para onde ir e falta propósito

Falar tornou-se um fardo

E observar a missão.

 

Quando não há o que se fazer

Respeitar, aceitar e suspirar...

Um abraço reconforta tanto

Sonhei com nossas almas entrelaçadas

 

Quando desistimos e abrimos mão

Por não haver mais nada o que fazer,

Pois, nosso mundo girou sem sincronia

Liguei o meu piloto automático

 

Quando precisamos apenas recomeçar

Com amor e em retidão.

Ter Fé no aprendizado

Gratidão pelo ocorrido.

 

A exposição dói, mas cura...

 

Por: Lucileyma Carazza


sexta-feira, 6 de março de 2026

ANTES

 


ANTES

 

Que eu me esqueça

Das entranhas da Mulher Selvagem

Da liberdade de ser quem sou

Deste dom que me consome.

Que a bruma cubra o inconsciente,

A gargalhada espontânea

E que deixe de dançar.

Deixe de me emocionar com o simples,

Que pare de ser louca...

A busca será leve ou inexistente

Os dias serão longos

Consumidos pelo ócio.

O equilíbrio deixa de ser uma cobrança

A paixão pare de arder

Para ao amor nunca se render...

O viver, o hoje, em paz, será automático.

A sociedade me venceu

Serei a princesa que todos almejam

Relaxada, com um sorriso terno e previsível.

Psicotrópicos abrem o inconsciente,

Mas outros fecham...

 

Por: Lucileyma Carazza

 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SAUDADE

 


SAUDADE


De fato é um buraco gigante

Difícil de sair dele...

Acordamos chorando

Nos sentimos desamparados.

Mas o Universo nos proporciona Gratidão!

Os amigos se manifestam

Agradecem a sua presença

Sempre dizem que o seu coração é gigantesco

E que sempre existe carinho e apoio...

Incrível! As pessoas sentem o cuidado,

E nestes momentos de “angustia ou desamparo”

O amor se manifesta de onde menos esperamos.

E como sou amada!

E como sinto saudade!

Sou feliz sendo torta, louca, chorona e abusada

O mundo existe para pessoas que se importam

São estas que fazem a diferença sutil

Em dar sem esperar nada em troca

Muitas vezes a colheita do desprezo maltrata

Mas, o arrependimento bate e o reconhecimento aparece.

O Universo não manifesta quando você quer

E sim, quando você precisa!

Então vibramos como vagalumes

Soltos ao vento como bolinhas de sabão.

Demonstre o amor com ternura

Irradie o sorriso e o beijo de candura

Um dia sem amor é insignificante

Com o amor criamos memórias

Lindas e especiais.

Simplesmente ame!

 

Por: Lucileyma Carazza

 

Em atenção a: Paula Claúdio, Aline Magalhães, Júlio Pinto e Veríssimo Costa.  

FUGA


 FUGA

 

Gosto de ficar sozinha

Não porque não me importo

Mas porque encontro paz

Não me forço a conversas forçadas

Gosto de manhãs tranquilas

Do alvorecer ao som dos pássaros

E o sol vermelho a brilhar

Sem muitas expectativas

Gosto de longas caminhadas na natureza

Onde apenas ouço a natureza

E as vozes do meu coração

São momentos que pertencem exclusivamente a mim

Anseio pelo silêncio

Porque quando você percebe que não precisa de ninguém

Para preencher um vazio

Você percebe que nunca foi vazio

Solidão não é solidão, é clareza.

No silêncio que conheci a pessoa que estive procurando:

A mim mesma.

Silêncio não é vazio, é encontro

O inconsciente não é silencioso

Ele se manifesta o tempo todo

Sem estímulo algo manifesta:

Sintomas, sonhos, angústias, lapsos, memórias...

O problema é que o ego máscara

Fazemos pirraça para não sentir...

Mas, memórias antigas surgem

O corpo grita e as sensações ficam perceptíveis

A ansiedade maltrata

Porque sempre imagino e sinto a rejeição

 

Por: Lucileyma Carazza


SOLTE



 SOLTE

 

Ouvindo a discografia da Marisa Monte

Deparei-me com uma música desconhecida:

“Vai sem direção

Vai ser livre

A tristeza não

Não resiste

Solte os seus cabelos aos ventos

Não olhe para trás”...

Deletei-me ao imaginar o que a poeta sentia

Ao descrever tamanha realidade

Com tanta sensibilidade...

Uma musicalidade que acalma

Tranquiliza e pacifica a alma

Percebemos o quanto precisamos nos acolher

Assumir quem somos e estar abertos ao imprevisível.

A falta de controle do ego em querer e querer

Nos leva para longe de nós...

Nestes momentos precisamos afastar e silenciar.

A dor latente que grita precisa de tratamento

Num semblante calmo entregue a exaustão

O coração pesa, a garganta seca, as vistas pesam

O desconforto me leva para bem longe.

Fujo da dor mas a acolho em amorosidade

Aos olhos dos outros não quero me expor.

Preciso parar de querer...

Ir sem direção, não significa uma falta de propósito

É apenas o descanso de uma alma cansada

Que quer viver sem cobrança, leve e sempre em busca...

A busca do despertar!

Tornei-me mestre na arte em ser invisível.

A rejeição é uma dor sem cura,

Como vitamina que faltou na infância.

Melhor recolher-me a insignificância

Pois, nada mais importa...

Dance o ventre na madruga a beira mar

Para muitos, a dor do dançar é libertar-se.

Reverencie o mais belo que existe no mundo: a natureza;

E sobre a vida, saúdo o ventre.

Não há como ficar

Não há como conquistar

Não há como competir

Não há mudança.

Mas, na discografia há uma frase recorrente da poeta:

“As portas e janelas estão abertas para o novo e o bem entrar”...

 

Por: Lucileyma Carazza


sábado, 21 de fevereiro de 2026

TESÃO

 





TESÃO

 

O corte do instrutor,

O corte do homem autoritário.

O corte terapêutico e energético...

O corte do corte..

Existe um nunca mais muito taxativo...

Vês e outra se esbarram,

Olhares estreitos

Mundos opostos e distantes.

Existe admiração, segredos,

Malevolência e maldade...

Corpos ardentes, envolventes e libidinosos.

O erótico se manifesta no cio, no coito,

Na temperatura guiada pela saliva do desejo,

Na delícia do tesão,

Quero teu suco,

Teu sumo e teu leite!

O gosto do gozo,

O cheiro do profano

Um suspiro exemplificativo,

Ou aliviante.

 

Por: Lucileyma Carazza

Foto: Lysias Leitão (in memorian)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SENTIR

 



SENTIR

 

Sou pequena, me sinto minúscula...

Parece que o tempo passou

E sobrevivi, não vivi.

Clamo paz

Talvez tenha me tocado a alma,

Quando disse:

Tenha um caminho feliz!

Imaginava que eu fosse feliz

Nos meus caminhos com um sorriso largo.

Ando sem energia e exaurida

E vários gatilhos emocionais me assombram

O buraco no peito sempre existira

A humanidade medíocre

Perambulo em mundos que não me cabe.

Estamos todos perdidos

Sempre na busca de algo.

E...

Me cobram um propósito!

- Eu eu?

Não quero nada, além de paz!

Sou como água e transito em quatro estados

Talvez esteja congelada

A morte sempre foi a companheira

Em ciclos que se fecham e se abrem...

O arquétipo de Fénix, não pertence aos que voam

E sim, aos que sobrevivem às cinzas

Limpo as cinzas e as transformo,

Sensibilidade sem fronteira,

Vira escravidão, confusão e escolhas ruins.

Desisto de reverencias às bençãos

Perdi em minha própria maldição

Queimei, ardi e estou nas cinzas...

Por enquanto!

 

Por: Lucileyma Carazza


GRANDEZA

 


GRANDEZA

 

Ele sempre vence

A dor é silenciosa,

O estrago devastador.

Você é um instrumento,

Não é parceiro, e sim, um palco

Precisa ser admirado mesmo errado...

Existe vitimismo, se faz de coitado.

Há distorção de conversas

Não existe diálogo,

Existe domínio,

Inteligência, articulação e persuasão

Existe uma destruição com classe

Com ironia, desprezo e silêncio calculado

A guerra nunca acaba

Ele sempre precisa vencer

Ele vê apenas um cenário da própria grandeza

Não se olha no espelho

Não se reconhece como mostro

Prefere quebra-lo...

Saia antes que tudo se destrua...

Ele apenas se ama...

Cada um só entrega o tem...

 

Por: Lucileyma Carazza


Song of the future - U2


 

Letra da música:

 

O futuro, como todos sabem,
é onde passaremos o resto de nossas vidas.
Quem disse que o futuro está fechado
jamais viu a promessa em seus olhos… liberdade.
E eu estou falando demais,
falando demais.
Não é poesia.
E estou falando demais de novo.

Sarina, Sarina,
ela é a música do futuro,
tocando na minha mente.
Preciso saber, preciso encontrar um jeito de chegar até ela.
Ela está segurando a placa.
Completamente sozinha,
completamente sozinha,

mas não sozinha.
Sim, nós não estamos sozinhos.
Sarina, Sarina,
ela é a música do futuro.
Sim.

Imagem – o paraíso está fechado.
Todos os profetas da sala de aula sumiram.
A aluna diz que todo mundo sabe
que amor é um verbo e não um substantivo.
Ou pelo menos é o que parece.
Isso me faz falar demais.
Falar demais.
Não é poesia,
mas estou falando demais de novo.

Sarina, Sarina,
ela é a canção do futuro,
tocando na minha mente.
Preciso saber, preciso encontrar um jeito de chegar até ela.
Ela está segurando a placa.
Completamente sozinha,
completamente sozinha,
mas não sozinha.
Sim, nós não estamos sozinhos.
Sarina, Sarina,
ela é a canção do futuro.

Sarina, Sarina,
ela é a música do futuro,
tocando na minha mente.
Preciso saber, preciso encontrar um jeito de chegar até ela.
Ela está segurando a placa: "
Sozinha,
sozinha".
Você não está sozinha.
É, nós não estamos sozinhos.
Sarina, Sarina,
ela é a música do futuro,
tocando na minha mente.


“O U2 surpreendeu o público ao lançar, na Quarta-feira de Cinzas, o EP “Days Of Ash”, um projeto independente com seis faixas inéditas que marca o retorno da banda às composições autorais e antecipa um novo álbum previsto para o final de 2026.

Mas se a linha oficial fala em “resposta imediata aos acontecimentos atuais”, a realidade nua e crua é ainda mais direta: o U2 decidiu mirar, sem metáforas excessivas, em episódios recentes de violência política ao redor do mundo”.

 

Fonte: https://www.antena1.com.br/noticias/u2-lanca-ep-de-surpresa-em-tom-de-protesto


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LIBERDADE


 

LIBERDADE

 

Nossa consciência é o que nada sabe ao nosso respeito, mas o inconsciente, esse esperneia e grita, já tem uma conclusão, ele tem uma capacidade de examinar, analisar, concluir e até o de antecipar resultados “sine qua non”.

O corpo fica inquieto quando estamos fora da nossa essência, a dor vem como um sopro de um tufão, os sinais são claros e escolhemos não sentir, parar de respirar é mais fácil do que enfrentar a dor manifestada, e, se acolher no seu próprio flagelo humano não é uma atividade comum.

Silenciar e nos escutar é uma tarefa árdua, uma vez que: parar, respirar e apenas sentir nos levam a lugares os quais não queremos estar, como dizia o poeta Bráulio Bessa: “dar um ré nem sempre significa andar para trás, mas, recomeçar”.

Na psicologia de Jung, quando paramos de respirar paramos de sentir, nos anulamos e a dor fica no nosso inconsciente. É sobre isso que manifesto neste texto. Não podemos parar de sentir e precisamos respirar para conectar com o Supremo...

Não quero justificar e nem preciso me expor para assumir quem eu sou. Na intimidade eu sei quem eu sou. Profunda, complexa, articulada, livre, brava, simbólica, pensante e caminho em retidão, às vezes, um pouco libertina, mas consciente e sei dar nomes às emoções. Reconheço a minha intuição e a quero clara e vibrante, mesmo que pareça uma louca aos olhos dos outros, obedeço o meu instinto e acredito fielmente nos sinais e em toda simbologia expressa. A racionalidade foge de mim e as emoções se manifestam em todos os campos. Prefiro ser autêntica e deixei de programar e me entreguei ao que tem para hoje. Estar no presente sem propósito parece ser instabilidade emocional, mas é aonde tudo acontece sem que tenhamos combinado nada.

Quando adolescente, me propus a conhecer e a aprender algo novo todos os dias e assim caminho: Conhecendo, observando, aprendendo, degustando e sobrevivendo. Escolhi ser inteira (= solteira), em solitude (não é ausência, é presença concentrada), às vezes vomito palavras que não deveria, mas, no contexto, isso, é ser humano, também escolho o silêncio e tenho dificuldades com muito barulho e pessoas. Tenho uma vida expressa em sensibilidade, uma história de quem pensa, sente, escreve, aprende, ensina, transforma e isso é um lastro.

Esse preceito que me levou a uma vida ativa e expressa com muita sensibilidade. Minha vida nunca seguiu o padrão estabelecido pela sociedade vigente e aprendi a viver assim. Não sei viver de outra forma, talvez, não queira enfrentar o desconforto do meu corpo ao adentrar em ambientes e conviver com determinadas pessoas, eventos e até mesmo família.

Soa como um egoísmo, mas egoisticamente falando, sou egoísta. Meu egoísmo gira em torno da solitude e do meu equilibro, mas no fundo devo estar numa numa zona de conforto extremamente confortável.

Recentemente saltei de paraquedas e pude perceber que pela primeira vez, que não tive controle de absolutamente nada, a mente esvaziou, a realidade foi invadida por um silêncio avassalador e não tive medo, nem histeria... a adrenalina veio, mas pacificou-se rapidamente e desse momento em diante me refiz... voar me ensinou o que há muito tentei fazer e nunca consegui: entrega.

Entreguei-me ao descontrole e foi libertador. A vida cansa e há cansaços existenciais que nem sempre temos a oportunidade de descansar. O descanso ocorre em algumas frações de tempo: num abraço de Urso, num  saltar ao desconhecido, no amor a vida e as pessoas que encontramos pelo caminho.

E como amo!

Não existe falta de honra em demonstrar e reverenciar o aprendizado. O amor não correspondido deve ser manifestado para que ele se transforme e seja relembrado em reverência. Não me servi numa bandeja, me entreguei ao movimento da vida e confiei na doçura daquele olhar, na personalidade forte, que ordena e que voa. Quem voa não consegue se espelhar no que é profundo, talvez, eu tenha sido o seu pior espelho... devido a intensidade, ternura, inteligência e sensibilidade...

Finalmente consegui transformar essa dor de não ser correspondida em lágrimas...verbalizar o necessário, o desnecessário e estou inteira.

Foi um encontro de almas de fato! Isso exige escuta interna, disposição para entrar no mundo do outro sem manual, ressignificar valores e momentos. Viver em comunhão com o outro significa uma mudança de vida e graças a sua racionalidade, te agradeço. Não estou pronta para isso, nunca estive. Ressignifico o amor que sinto e aceito o limite imposto. Nos libertamos e seguimos em nossos mundos tão distantes...

Quem vive no ar não combina com quem vive nas profundezas... os espelhos se reconhecem, vivem, e escolhem seus destinos livres e soltos porque foi assim que ambos sempre escolheram ser... Reconheço a sua luz e sigo o meu caminho.

A reciprocidade só existe em solidariedade e amor, que estabelecem que só podemos receber na medida em que estamos dispostos a dar... no mais, a sabedoria se abre a todos cuja sinceridade é profunda e cuja humildade é verdadeira (adaptação de uma fraternidade antiga)...

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Mente Inabalável – Tiago Cardozo

 


Estimado Tiago,

Por tempos os livros que lia eu sempre fazia um registro público para que nunca esquecesse da experiência. Talvez, você me tenha feito resgatar um hábito antigo...

Li o seu e-book, tendo em vista que sou sedenta por conhecimento e estava curiosa para ler o quê, um garoto tão jovem, extrovertido e até mesmo atrevido, teria a me ensinar, atrevido sim, porque a sua profissão não é para qualquer um.

Ainda existia algo que me intrigava e era justamente o fato de não ter escrito nada sobre o meu salto, que era um sonho desde a adolescência. Não saiu um verso, uma prosa, uma poesia e não consegui pensar em nada.

Meus registros são feitos em poesia, minha vida é poesia...

Refletindo sobre suas palavras, passei por uma breve digestão emocional, pois, em seu livro são feitas algumas perguntas das quais não soube responder, por não ter respostas no íntimo da minha alma. Uma pergunta simples: “Quais foram os momentos mais marcantes da sua vida”? – Não consegui elencar... não sei quais foram... mas vou digerir isso ainda...

Há muitos anos aprendi que não possuímos o controle absoluto da vida, aliás, não possuímos controle de nada. O “caos” transforma o planejado desde que tenhamos equilíbrio.

E o que seria o equilíbrio? Até hoje não sei.

Existe um termo utilizado por terapeutas/psiquiatras que diz o seguinte: “inflama que sara”, desta forma lidamos com o caos, no meu caso com a loucura. Fiz uma analogia do caos com a loucura... Ainda, dentro do descrito no livro nos deparamos com o medo. Medo para os estudiosos citados acima, nada mais é do que o desejo mais profundo do inconsciente.

No mais, a citação de que a “ansiedade é excesso de futuro e que a culpa excesso de passado”, distorce um pouco a realidade. De fato, a ansiedade é excesso de futuro, mas o passado é o excesso de melancolia, a culpa, essa daí, prefiro dizer que é apenas uma palavra. Culpa de quê e para quê? A culpa só serve para julgamentos...

Saltar de paraquedas me deu a sensação única de desconstrução. Talvez tenha sido o único momento da minha vida em que não me preocupei com absolutamente nada, a mente esvaziou e cheguei a pensar que talvez essa seja a iluminação descrita pelos Budistas. Pós voo senti a adrenalina, mas durante, uma paz profunda.

Existem possicionamentos lindíssimos e minimalistas na abordagem do seu livro, e estas  me marcaram: “Ler transforma, mas viver liberta” e “Eu já me sinto livre, hoje eu quero é sentir que eu livro”.

Acredito que existe um lugar onde todos são loucos e felizes e que gente feliz não incomoda ninguém.

Como disse no início do texto, você é um garoto que transforma vidas, com a sua educação, dedicação, cuidado, alegria, pela sua luz e principalmente pela liberdade de ser você.

Muito obrigada por ter me despertado duplamente: no salto e na leitura.

Por: Lucileyma Carazza

 

E-book: Mente Inabalável – Tiago Cardozo

Escola de paraquedismo: Skydriveespíritosanto









segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PASSARIM

 


PASSARIM

 

É com ternura que clamo por você

Oscilo entre o amor e o distanciamento

Proclamei para o Universo os meus desejos mais íntimos

Ele me presenteou com você...

Um encontro que mexeu com a libido, inteligência e digestões emocionais

A intriga maior seria em não conseguir fazer uma leitura comportamental clara

Existe um escudo protetor da sua aura o qual fui bloqueada

Interessante... instigante... desafiador

Percepção que tive com elevado teor ébrio

Ao adentrar no meu portal

Passei por uma maremoto de emoções

Das quais ainda não sei lidar muito bem ainda

A indisponibilidade não é do outro, sempre fora minha

O encontro mexeu tanto que me senti exposta

Como uma ferida purulenta aberta aos vermes

Me libertei de vícios, busquei qualidade de vida, mais autoconhecimento

Perdi o controle tantas vezes em um período de tempo curtíssimo

Não tivemos tempo para nos conhecermos de fato

Talvez tenha sido apenas a tal da técnica do alinhamento coital

Ou, o encontro de linhas invisíveis precedida pelo Universo,

Sentida por mim exclusivamente

Deve ter ocorrido em virtude do celibato que me propus...

Sou péssima na arte de me relacionar...

Me enfraqueci emocionalmente

Preciso de muita ajuda, estou exaurida

Preciso de abraço, acolhimento e amor...

Sim! Estou carente e com excesso de futuro

Assumo a minha fraqueza para que ela se transforme.

O que julguei afinidades, não foram suficientes

O que julguei qualidades, menos ainda

O que julguei amor, não era recíproco.

Senti raiva, tratei e fui tratada com rispidez

As lágrimas não se despuseram a sair, congelei...

Emoções tão primitivas...

Busquei um corte energético, acredito em magia

Em vidas passadas, no desconhecido e confio na intuição.

Ele voou e eu fiquei sem coragem de olhar para o céu

Certamente nos encontramos em outras vidas, apesar da relutância.

Me acolhi, me despedacei, me reconstruí em compaixão

O amor próprio renasce a duras penas lentamente.

Não éramos melhores amigos,

Não éramos amantes,

Não éramos da mesma família,

Muito menos almas gêmeas...

Essa desconstrução energética advém de algo que pouco se fala

Você fora o meu algoz em algum momento

Você tirou a minha vida de maneira fria e cruel...

É daí que vem a minha dor e a sua fuga

Inconscientemente não conseguimos nos olhar

Não consegui fazer a sua leitura de imediato e você convicto que precisávamos apenas daquele momento

Uma mente turva oscila demais, não descansa, a exaustão chega

Reajo, ainda ferida, mais inteira em minhas convicções...

Estou livre e liberta, ainda existe uma obsessão nos pensamentos

Não precisamos ser nada

Precisamos apenas nos reverenciar em perdão com gratidão calmamente

Respirar, viver no presente e acreditar que tudo está bem

Há um recomeço e talvez tenhamos nos libertado de um carma ruim

Um destino maduro gerenciado pelas almas

Talvez a inconsciência tenha nos apresentado uma nova visão, ou não.

Somos almas antigas que observam e evoluem

Vivendo o livre arbítrio com consciência, ou não...

Existe dualidade, dor e muito ego, ainda...

Me coração clama pelo Pássaro pousar na minha janela

Para que eu o acaricie em amorosidade e gratidão...

Transbordo... o amor predomina porque existe dor,

Ainda não aprendemos amar sem dor.

 

Por: Lucileyma Carazza