quinta-feira, 5 de novembro de 2026

VALENTE

 


VALENTE


Não me resta tempo. Na verdade, não quero perder mais tempo...

A intensidade sempre me maltratou. Minha mãe sempre me disse que me cobro demais.

Distraio-me em uma rotina complexa de sobrevivência e de aventuras.

A solidão sempre foi a fuga da realidade, e o silêncio, meu amigo e companheiro.

Por mais que a independência sempre tenha sido meu maior objetivo, ela não seria plena sem a liberdade e a paz interior.

Negociar com a razão, às vezes, é um ato em vão, porque o coração insiste em desviar as funções e as emoções. Na verdade, o Universo nos atropela, porque a razão explica, define e propõe, mas é o coração que faz valer a pena a jornada, quando aceitamos que o caminho precisa ser apreciado e que sempre existem novos contextos.

Então, na busca por uma paz interior plena, apego-me à aceitação, talvez o maior aprendizado da humanidade. O ego nos leva à dependência e ao apego àquilo que nos transborda de imediato. Mas como viver sem aquilo que tanto ansiamos? Como aceitar o não e, ainda assim, ser altruísta o suficiente para acreditar que o melhor está por vir?

Nós, seres humanos, não possuímos fundo. Por mais plenos que estejamos, ainda queremos. E como queremos...

Existe uma dor profunda em amar... Simplesmente amar... Amar sem esperar nada em troca... Amar e deixar ir, deixar fluir... Amar e deixar que o Universo providencie. Amar na convicção de que está tudo certo e de que aquilo que me pertence já existe aqui... Aqui e agora, no presente.

Aceito, assumo e liberto...

Simplesmente amo!

Há manhãs em que sou como o girassol, seguindo o astro-rei, vibrando e absorvendo sua luz. Um oportunista que se esquece da própria beleza e vislumbra a Luz maior.

Outras vezes, sou como a noite sem lua, envolta em uma névoa densa, que só deseja não ser vista, não ser reconhecida e que anseia apenas pelo silêncio.

Dor e paz, melancolia e ansiedade, ego e apego... Crenças...

Deixe ir, deixe estar...

Sustente o desconforto...

O amor existe em si, assim como a paz.

O restante é apenas uma ilusão do ego, que, em algum momento, serviu para nos defender, mas que agora só serve para nos limitar...

Acolha-se, conecte-se, transborde, aproveite o caminho, esteja presente... Simplesmente ame e transcenda em amor. Distribua o amor em sua plenitude.

Não espere nada. Deseje, mas não exija. Semeie o seu jardim. Não perca tempo!

Os despertos para o amor nunca temem. Às vezes, erram por amar demais, mas sempre em nome do amor e por amor.

 

Por: Lucileyma Carazza

 Uma observação literária: o título “VALENTE” combina muito bem com a mensagem. O texto fala de uma coragem que vai além de enfrentar o mundo: a coragem de aceitar, sentir, soltar e continuar amando. ❤

Estudos e reflexões: Jung

O ego e o apego na perspectiva de Jung:

Para Jung, o ego é o centro da consciência. É a estrutura que nos permite reconhecer quem somos, construir nossa identidade e nos relacionar com o mundo.

Entretanto, o ego não representa a totalidade da nossa psique.

Jung estabelece uma distinção entre:

Ego: aquilo que reconhecemos conscientemente como nosso eu.

Self (Si-mesmo): a totalidade da psique, abrangendo consciente e inconsciente. É um princípio de integração e totalidade.

O problema começa quando acreditamos que somos apenas o nosso ego e passamos a organizar toda a nossa existência em torno das suas necessidades.

É nesse contexto que podemos compreender o apego.

Por exemplo:

Apego à necessidade de ser amado.

Apego à aprovação e ao reconhecimento.

Apego a uma pessoa que acreditamos ser responsável pela nossa felicidade.

Apego a uma determinada imagem de nós mesmos.

Apego ao controle dos acontecimentos.

Apego às expectativas sobre como a vida deveria acontecer.

Em muitas dessas situações, não estamos apenas amando algo ou alguém: estamos tentando preservar uma condição emocional que consideramos necessária para nos sentirmos inteiros.

Jung diferencia o ego do Self justamente para mostrar que nossa totalidade não depende exclusivamente daquilo que conseguimos controlar conscientemente.

O apego e as projeções inconscientes:

Aqui encontramos uma das contribuições mais interessantes de Jung.

Às vezes, não nos apegamos somente à pessoa que está diante de nós, mas também àquilo que projetamos nela.

Podemos projetar em alguém:

Nossa necessidade de segurança.

Nosso desejo de completude.

A imagem do amor idealizado.

A esperança de sermos finalmente compreendidos.

Partes de nós mesmos que ainda não reconhecemos.

Assim, a pessoa passa a representar muito mais do que ela realmente é.

E quando ela se afasta, não sentimos apenas sua ausência. Podemos sentir que perdemos também aquilo que depositamos nela.

Esse mecanismo está relacionado ao conceito junguiano de projeção.

O processo de amadurecimento envolve reconhecer essas projeções e recuperar para nós mesmos os conteúdos psíquicos que depositamos no outro.

A individuação: aprender a amar sem se perder.

Um dos conceitos centrais de Jung é a individuação.

É o processo pelo qual nos tornamos quem somos em nossa totalidade, integrando aspectos conscientes e inconscientes da personalidade.

Isso não significa tornar-se independente de todos, deixar de precisar de afeto ou viver isolado.

Significa não depender exclusivamente do outro para reconhecer a própria existência e encontrar sentido na vida.

É compreender que podemos amar profundamente sem transformar o amor em posse.

Podemos desejar sem exigir.

Podemos sentir saudade sem nos aprisionar à ausência.

Podemos permitir que alguém siga seu caminho sem interpretar isso como uma perda da nossa própria identidade.

A individuação não elimina os vínculos: transforma a maneira como nos relacionamos com eles.

O ego quer possuir; a consciência aprende a acolher

Podemos fazer uma interpretação inspirada na psicologia junguiana:


Quando o ego está identificado com o apego

Quando desenvolvemos maior consciência

Quero que fique.

Aceito que o outro é livre.

Preciso ser correspondido.

Reconheço meu sentimento sem exigir reciprocidade.

Tenho medo de perder.

Compreendo que a impermanência faz parte da vida.

Quero controlar.

Aprendo a confiar e a tolerar a incerteza.

Preciso do outro para me sentir completo.

Reconheço minha própria individualidade.

Resisto à realidade.

Aprendo a acolher o que é.

 

Isso não significa que o sofrimento desapareça. Significa que deixamos de transformar todo sofrimento em uma luta contra a realidade.

Existe uma diferença entre amar e estar apegado?

Essa é uma reflexão especialmente bonita.

O amor permite reconhecer a individualidade do outro. O apego excessivo pode transformar o outro em uma extensão das nossas necessidades.

O amor comporta liberdade. O apego excessivo frequentemente busca garantias.

O amor pode coexistir com a ausência. O apego excessivo pode interpretar a ausência como uma ameaça à própria existência.

E talvez uma das grandes tarefas do amadurecimento psicológico seja aprender a reconhecer quando estamos amando alguém e quando estamos tentando preencher, por meio dessa pessoa, algo que ainda não conseguimos encontrar em nós mesmos.

Aceitar é reconhecer a realidade sem precisar negá-la.

Assumir é responsabilizar-se pelos próprios sentimentos, desejos, projeções e escolhas.

Libertar é compreender que amar não significa possuir, controlar ou determinar o destino do outro.

E amar é permitir que o sentimento exista sem necessariamente transformá-lo em exigência.

Talvez a verdadeira liberdade não esteja em deixar de desejar, mas em deixar de ser prisioneiro daquilo que desejamos.

O ego deseja garantias. A vida oferece possibilidades.

O ego busca permanência. A vida nos apresenta transformações.

O ego quer respostas. A consciência aprende a conviver com perguntas.

E a individuação nos convida a integrar essas contradições, sem precisar negar nossa humanidade.

Será que, muitas vezes, aquilo que chamamos de dificuldade de desapegar não é, na verdade, a dificuldade do ego em aceitar que não temos o controle sobre aquilo que amamos?

Talvez a liberdade interior comece justamente quando compreendemos que não precisamos deixar de amar para deixar de possuir.

E essa é uma distinção profunda: desapegar não é amar menos. É permitir que o amor deixe de ser uma prisão.

️


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MORTE

 

MORTE

 

O luto me ronda

Está tudo igual

Apesar de, existir movimento

Tive a sorte de crescer em meio a natureza

A lama que sujava

Os rios que puxavam e limpavam

Os raios que amedrontavam

A chuva querida e tímida

Num fim de tarde vermelho

Noites frias e dias quentes...

Vagalumes sobrevoam como um ato de esperança

Sapos cantam serenatas

Lagartas motivam a metamorfose

Dançava nas matas onde ninguém via

Mordaças nunca me pertenceram

Taxada de louca ou errada

Andei cambaleante em saltos altos

Frequentei igreja dentro dos padrões

Me senti faminta e sufoca

Estava tal como uma trilha estreita

Que atravessa a floresta e vai esvaindo

Não aceitei ser esculpida

Entrei em colapso

O espírito anseia transcender

Sou atraída pelo por do sol

Vibro de acordo com a melodia

Escrevo por rebeldia

A minha essência é o meu lar

Vozes uivando na minha mente

Vou tirar você dela

Quebro o vínculo

Me entrego ao caos

Estamos distantes

Tudo foi uma fração de segundo

Sigo em frente com a intuição restabelecida.

A morte ameniza a boa nova

 

Por: Lucileyma Carazza

 

 

 

 

 


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CARTA ABERTA

 


CARTA ABERTA

 

Como interpretar os sinais do corpo... como saber se é espiritual e/ou físico, um darma ou um carma?

A vida nos proporciona os mais belos caminhos cercados por uma natureza esplendida, e uma alma aguçada sente as mudanças advindas desta natureza e das relações interpessoais,  existe uma linha muito tênue de percepção.

Quando o corpo chega a uma exaustão física e emocional precisamos frear e rever conceitos, padrões e movimentos. Chegamos ao fundo do poço! O cérebro clama por silêncio e a noite artificial se faz presente. Em reclusão encontramos forças para reerguer e recomeçar. O cérebro, o lado racional tenta nos impulsionar, mas a alma clama em descansar... quando isso acontece é um sinal de que a nossa alma está presente em lugares e situações que fogem da nossa essência primordial, não estamos no caminho traçado e preparado para a nossa missão reencarnatória, com isso, a alma e o corpo reflete o que não é nosso propósito e acabamos enfermos.

Fazer a leitura da natureza e do corpo não é uma tarefa fácil. Manter o equilíbrio entre o Corpo, o Filho e o Espírito Santo (Racional, instituto e espiritual) para pessoas que estão envoltas com o autoconhecimento torna-se muito difícil dentro dos primórdios de uma sociedade envolta com princípios que nos afastam de nós mesmos.

E questiono: O que fazer quando a solidão vira fuga?  O que fazer quando dormir é o melhor remédio para alma, porque assim, ela sai em desdobramentos...

Particularmente, acredito que devemos nos recolher, ouvir e curar nossas chagas, as do corpo e da alma, escutar aquilo que nos atormenta como uma tsunami psicossomática.

Existem encontros que nos remete à vivencias passadas, e alguns encontros, nos dispensa uma descarga elétrica física. Num nevoeiro espesso reencontrei a alma responsável por essa  descarga emocional. Recebi um abraço caloroso e um olhar de admiração mútuo.

Racionalmente, acredito que essa descarga elétrica emocional, que o meu corpo sentiu, seja uma descarga de adrenalina porque aquele momento tinha uma alta importância. Não consegui distinguir se estava em fuga, ou em luta, ou simplesmente me alinhando.

Do ponto de vista espiritual, essa reação costuma ser vista como um choque, ou um alinhamento de frequência energética, alinhamentos dos chacras, de almas afins, uma conexão de almas, uma quebra da aura devido a intensidade da energia do outro, ou simplesmente, uma sensibilidade aguçada ao magnetismo do alheio.

Do lado romântico, pode ser uma paixão, um amor, uma projeção, uma rejeição, conexão cármica, ou dármica, empatia energética, admiração...

Não sei descrever em palavras se o que senti foi uma atração ou uma repulsão... mas, a posteriori meu coração transbordou em calmaria, num alívio súbito em ter reencontrado e sentir a paz aparente que aquele semblante transmite.

O sinal da paz imediata não pressupõe um sinal de perigo, medo ou incompatibilidade, existe apenas uma vulnerabilidade da minha intensidade diante dessa conexão... O corpo tremeu, não porque sentiu o pior, mas porque reconhece a grandiosidade do que sente. É o nervosismo de quem tem em mãos algo precioso, especial ou bonito.

Lágrimas fogem de mim, e o medo assombra, mas logo se vai, lágrimas são o alinhamento do corpo e da alma para voltarmos ao equilíbrio da vida! Existe um laço de afeto permanente ali, e, ao mesmo tempo uma limpeza espiritual. Lágrimas nos libertam, salvam nosso campo energético e nos desapegamos da ilusão.

Pós choro, suspiros repetitivos tomam conta. Suspiros confirmam exatamente o alinhamento do meu corpo com a minha alma, confirmam a cura que preciso para seguir.

Existe uma expansão no ar e na forte névoa, ligados à liberdade de sermos quem somos, acredito que a frequência das pessoas que gostam de voar é infinitamente maior por estarem longe da terra e das preocupações. Voar é uma experiência de fusão energética e expansão solar...

Místicos estudam o autodesenvolvimento no seu potencial, das Leis Universais, do magnetismo, da ressonância, campos vibracionais e seus impactos...

Em mim, esse reencontro ressonou como uma bomba atômica.

Ludicamente descrevo as reações de um corpo infantilizado, romantizado ou até mesmo espiritualizado.

Sinto que venci! Me descontruí! A tempestade passa, assim como a névoa... existe uma homem que vi, imaginei e amo; paradoxalmente existe um homem que não vislumbra essa frequência energética... sinto muito em ter que mudar meu caminho e buscar a felicidade longe daquilo que acalenta a alma.

Estou liberta das amarrações, não tão inteira ainda, mas, lúcida o suficiente para me acolher em paz. Está tudo bem!  

 

Por: Lucileyma Carazza




SIMPLES

 


 


SIMPLES

 

Lágrimas fogem de mim

Um aperto no peito

Um medo de sentir

Desejo pelo que não me pertence

Sinergia e alinhamento

Suspiros pacificadores

Alivio em ver a felicidade

Egoisticamente falando

Quero ser sua

Viver a nossa felicidade

Somos reflexões e projeções

Vibramos no mesmo tom

Paro de respirar

Não quero sentir

Me acolho e sinto muito

Por não vibrarmos juntos

Preciso aterrar

Para não cometer um ato insano.

 

Por: Lucileyma Carazza



sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A CANOA E O EGO


 

A CANOA E O EGO 

A canoa conduz

Ela dita às ordens!

Diante do mar, ar e da terra

Só se torna canoísta

Os que sabem fazer a leitura

Das pessoas e da natureza

A canoa destrói o ego

Reconstrói a alma

Liberta o espírito em reverencia

A ancestralidade milenar

Não há escolha

A canoa te coloca no seu lugar

É preciso coragem para enfrentar

Cada banco e suas nuances

O querer é posto de lado

E quem vivencia em retidão e harmonia

Encontra a clareza e a magia

O que se curva com destreza

Encontra o seu lugar

Este predomina o respeito

Num local onde todos somos um

 

Por: Lucileyma Carazza


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

?

 

?

 

Há dias venho me perguntando: onde você se perdeu? Quem é você na fila do pão? Cadê a sua alegria, otimismo e a esperança? Cadê a sua gargalhada? Porque tantos conflitos internos e desafetos expressos. Onde se encontra a empatia na atualidade?

Por mais que me ocupe viajando, remando (lembrei do amigo remador que briga por causa do gerúndio), fazendo crochê, lendo e até voando, existe no peito um vazio constante e a mente, a minha algoz, me destrói, e ainda mente, preceito citado por uma amiga: “a mente mente”.

Peço socorro. Peço ajuda... mas escuto tantos absurdos clichês que prefiro silenciar e encarar o meu vazio. Já existe um barulho assustador, um tormento que dói a alma e o corpo. A sensação de não pertencimento...

Me isolo para conseguir sobreviver e não deixar apagar o meu instinto de sobrevivência pelo da morte.

São tantas atrocidades vivenciadas nesta sociedade, que me julga maluca, que recentemente tomei um choque com a minha terapeuta, que sempre me sacudiu com amorosidade; ela me jogou no peito a verdade de sempre: “Porque você se apega em ser excluída? Porque você só se apega em quem te exclui? Até quando vamos tratar isso? As pessoas são más e você é boa, mas parece que espera reciprocidade vivendo no mundo da Disneylândia, um mundo que não existe”.

São 20 anos dos mais belos estudos e grupos de autoconhecimento, ela é minha rede de apoio, nos momentos onde não consigo mais expor o que sinto e penso para ninguém...

A mente mente, o vazio é a alma clamando por algo e a dor o sintomático das emoções...

Estranho como a vida nos surpreende e quando nossas intenções se "tornam forçadas e não dão liga"...  e como a nossa própria postura de vida, vira a nossa pior virtude.

Acho que a mulher que sempre foi livre e só fez o que quer com independência e autonomia é uma fraude, preciso me acolher, me reconectar, voltar a ter esperança. Voltar a enxergar a vida com fé. Sinto falta da minha mente livre. Sinto falta de não sentir medo. Nunca fui um jardim, sempre fui uma mata virgem... sinto falta de pertencimento.

Na fila do pão, sou a que é sempre bem recebida pela atendente, que me trata com empatia; na fila do pão, sou a que libera a sua vez, e principalmente, a que engorda. A que está sempre disponível, a que socorre, a que sente solidão, a que se arrepende, a que ama com muita intensidade, a que respeita, a que espera reciprocidade, amor, equidade e respeito.

 

Por: Lucileyma Carazza

 


 


quinta-feira, 23 de julho de 2026

SUTIÃ

 


SUTIÃ

 

Era uma vez, uma menina que nunca gostou de usar sutiã. Se sentia presa, amassada, arriada e sem liberdade. Ela sempre foi fora dos padrões e descartou a tal peça íntima de imediato, tendo em vista que, tinha o seios pequenos e com os bicos invertidos e claros, para sua honra, glória e salvação.

Ela sempre se amou ao natural e era o avesso dos modismos, nunca se importou com as estéticas irritantes e trivialistas.

Quando jovem os meninos da sua idade sempre diziam que ela parecia com as garotas de propaganda de margarina, ela, com uma timidez disfarçada esboçava um sorriso e saía de perto sem graça. A timidez era apenas um disfarce, ela só queria ficar quieta no seu canto em paz.

Essa menina foi crescendo, desenvolvendo, mudando, mudando, mudando... sempre em evolução, envolta a livros, fenômenos, natureza e animais, nunca gostou de ambientes com muitas pessoas e julgava tudo muito fútil...

A idade veio... os seios já não são tão lindos porque a gravidade fez o seu trabalho, mas, mesmo assim, ela insistia em ser livre sem os insuportáveis sutiãs e também possui certa aversão a procedimentos estéticos. Ela sempre se amou ao natural...

Certo dia, já madura, conheceu um homem com uma altivez fora do comum, com uma capacidade intelectual elevada, com um cheiro de liberdade, com olhar astuto, um sorriso maroto e uma aura que ele não conseguia ler.

Foi um pega para capar, não se sabe se é porque ela é escorpiana, e estes sabem muito bem apreciar e a degustar uma boa volúpia, conjunção carnal, ato libidinoso... sexo, sexo e sexo...

Esse “borogodó” a trouxe um rebolado diferente, mudanças e mais mudanças, ela se deu conta que não tinha uma peça íntima sensual para seduzir o tal moço... nunca havia se preocupado com isso, mas tentou mudar e foi até uma loja e comprou várias peças íntimas, comprou até uma vermelha (risos)...

As ilusões, os sonhos, o gosto do gozo são necessárias para o corpo e a alma de uma mulher, as fazem ficar mais bonitas e até mesmo interessantes, surge um mistério um encantamento perceptível aos olhos dos outros.

O mais incrível desse doce conto Shakespiriano é que ela nunca usou as tais peças para esse homem maroto, nem para nenhum outro e custou a vestir para si própria...

O encontro foi exclusivamente sexual, a intensidade talvez não tenha sido tão recíproca, talvez tenham se tornado amigos, talvez... pois a estima, a admiração nunca saiu do seu coração e o mais fantástico é que ela fez as pazes com os sutiãs e passou a compra-los cada vez mais para deleito próprio.

Se sentia mais bonita e confortável, com suas roupas íntimas novas, diversificadas, vivenciando algo novo, vestindo-as sempre e exclusivamente para si mesma, pois a beleza, a leveza, o amor, a sensualidade estão em si... talvez tenha se tornado uma narcisista com seus sutiãs novos se achando a pessoa mais incrível do mundo em sua solitude.

 

Por: Lucileyma Carazza




segunda-feira, 1 de junho de 2026

PERSISTA

 


PERSISTA

 

Com a Lua matinal

Deparo-me com a supremacia

Que com sua beleza ímpar impressiona

Do lado oposto o Sol

Com toda sua soberania

Nasce escandalosamente sabendo que é majestade

Sol e Lua frente a frente

Me senti intrusa coadjuvante no meio

Do encontro dos enamorados celestiais

Na manhã fria de inverno...

Espectadores ávidos emanam paz

A floresta ficou mais verde

Os pastos mais reluzentes

Os animais suspiram diante do espetáculo

O Universo proclama:

Está tudo bem, tudo no seu devido tempo

Ocupando o seu respectivo lugar

Lágrimas fogem de mim

E o um rio se forma... entre nós!

Existe um desconforto em sustentar

Emoções, dores, buracos e crises...

Uma sede de Luz e Vida

E o anseio pela Morte

Para que o novo renasça

E o amor permaneça.

 

Por: Lucileyma Carazza