Como interpretar os sinais do corpo... como saber se é espiritual
e/ou físico, um darma ou um carma?
A vida nos proporciona os mais belos caminhos cercados por
uma natureza esplendida, e uma alma aguçada sente as mudanças advindas desta
natureza e das relações interpessoais, existe
uma linha muito tênue de percepção.
Quando o corpo chega a uma exaustão física e emocional
precisamos frear e rever conceitos, padrões e movimentos. Chegamos ao fundo do
poço! O cérebro clama por silêncio e a noite artificial se faz presente. Em
reclusão encontramos forças para reerguer e recomeçar. O cérebro, o lado
racional tenta nos impulsionar, mas a alma clama em descansar... quando isso
acontece é um sinal de que a nossa alma está presente em lugares e situações
que fogem da nossa essência primordial, não estamos no caminho traçado e
preparado para a nossa missão reencarnatória, com isso, a alma e o corpo
reflete o que não é nosso propósito e acabamos enfermos.
Fazer a leitura da natureza e do corpo não é uma tarefa fácil.
Manter o equilíbrio entre o Corpo, o Filho e o Espírito Santo (Racional, instituto
e espiritual) para pessoas que estão envoltas com o autoconhecimento torna-se
muito difícil dentro dos primórdios de uma sociedade envolta com princípios que
nos afastam de nós mesmos.
E questiono: O que fazer quando a solidão vira fuga? O que fazer quando dormir é o melhor remédio
para alma, porque assim, ela sai em desdobramentos...
Particularmente, acredito que devemos nos recolher, ouvir e
curar nossas chagas, as do corpo e da alma, escutar aquilo que nos atormenta
como uma tsunami psicossomática.
Existem encontros que nos remete à vivencias passadas, e
alguns encontros, nos dispensa uma descarga elétrica física. Num nevoeiro
espesso reencontrei a alma responsável por essadescarga emocional. Recebi um abraço caloroso e um olhar de admiração mútuo.
Racionalmente, acredito que essa descarga elétrica emocional,
que o meu corpo sentiu, seja uma descarga de adrenalina porque aquele momento
tinha uma alta importância. Não consegui distinguir se estava em fuga, ou em
luta, ou simplesmente me alinhando.
Do ponto de vista espiritual, essa reação costuma ser vista
como um choque, ou um alinhamento de frequência energética, alinhamentos dos
chacras, de almas afins, uma conexão de almas, uma quebra da aura devido a intensidade
da energia do outro, ou simplesmente, uma sensibilidade aguçada ao magnetismo
do alheio.
Do lado romântico, pode ser uma paixão, um amor, uma
projeção, uma rejeição, conexão cármica, ou dármica, empatia energética,
admiração...
Não sei descrever em palavras se o que senti foi uma atração
ou uma repulsão... mas, a posteriori meu coração transbordou em calmaria, num
alívio súbito em ter reencontrado e sentir a paz aparente que aquele semblante
transmite.
O sinal da paz imediata não pressupõe um sinal de perigo,
medo ou incompatibilidade, existe apenas uma vulnerabilidade da minha
intensidade diante dessa conexão... O corpo tremeu, não porque sentiu o pior,
mas porque reconhece a grandiosidade do que sente. É o nervosismo de quem tem
em mãos algo precioso, especial ou bonito.
Lágrimas fogem de mim, e o medo assombra, mas logo se vai,
lágrimas são o alinhamento do corpo e da alma para voltarmos ao equilíbrio da
vida! Existe um laço de afeto permanente ali, e, ao mesmo tempo uma limpeza
espiritual. Lágrimas nos libertam, salvam nosso campo energético e nos desapegamos
da ilusão.
Pós choro, suspiros repetitivos tomam conta. Suspiros confirmam
exatamente o alinhamento do meu corpo com a minha alma, confirmam a cura que
preciso para seguir.
Existe uma expansão no ar e na forte névoa, ligados à
liberdade de sermos quem somos, acredito que a frequência das pessoas que
gostam de voar é infinitamente maior por estarem longe da terra e das preocupações.
Voar é uma experiência de fusão energética e expansão solar...
Místicos estudam o autodesenvolvimento no seu potencial, das
Leis Universais, do magnetismo, da ressonância, campos vibracionais e seus impactos...
Em mim, esse reencontro ressonou como uma bomba atômica.
Ludicamente descrevo as reações de um corpo infantilizado,
romantizado ou até mesmo espiritualizado.
Sinto que venci! Me descontruí! A tempestade passa, assim como
a névoa... existe uma homem que vi, imaginei e amo; paradoxalmente existe um
homem que não vislumbra essa frequência energética... sinto muito em ter que
mudar meu caminho e buscar a felicidade longe daquilo que acalenta a alma.
Estou liberta das amarrações, não tão inteira ainda, mas,
lúcida o suficiente para me acolher em paz. Está tudo bem!
Há dias venho me perguntando: onde você se perdeu? Quem é
você na fila do pão? Cadê a sua alegria, otimismo e a esperança? Cadê a sua
gargalhada? Porque tantos conflitos internos e desafetos expressos. Onde se
encontra a empatia na atualidade?
Por mais que me ocupe viajando, remando (lembrei do amigo
remador que briga por causa do gerúndio), fazendo crochê, lendo e até voando,
existe no peito um vazio constante e a mente, a minha algoz, me destrói, e
ainda mente, preceito citado por uma amiga: “a mente mente”.
Peço socorro. Peço ajuda... mas escuto tantos absurdos
clichês que prefiro silenciar e encarar o meu vazio. Já existe um barulho
assustador, um tormento que dói a alma e o corpo. A sensação de não
pertencimento...
Me isolo para conseguir sobreviver e não deixar apagar o meu
instinto de sobrevivência pelo da morte.
São tantas atrocidades vivenciadas nesta sociedade, que me
julga maluca, que recentemente tomei um choque com a minha terapeuta, que
sempre me sacudiu com amorosidade; ela me jogou no peito a verdade de sempre:
“Porque você se apega em ser excluída? Porque você só se apega em quem te
exclui? Até quando vamos tratar isso? As pessoas são más e você é boa, mas
parece que espera reciprocidade vivendo no mundo da Disneylândia, um mundo que
não existe”.
São 20 anos dos mais belos estudos e grupos de
autoconhecimento, ela é minha rede de apoio, nos momentos onde não consigo mais
expor o que sinto e penso para ninguém...
A mente mente, o vazio é a alma clamando por algo e a dor o
sintomático das emoções...
Estranho como a vida nos surpreende e quando nossas intenções
se "tornam forçadas e não dão liga"...e como a nossa própria postura de vida, vira
a nossa pior virtude.
Acho que a mulher que sempre foi livre e só fez o que quer
com independência e autonomia é uma fraude, preciso me acolher, me reconectar,
voltar a ter esperança. Voltar a enxergar a vida com fé. Sinto falta da minha mente
livre. Sinto falta de não sentir medo. Nunca fui um jardim, sempre fui uma mata
virgem... sinto falta de pertencimento.
Na fila do pão, sou a que é sempre bem recebida pela
atendente, que me trata com empatia; na fila do pão, sou a que libera a sua
vez, e principalmente, a que engorda. A que está sempre disponível, a que
socorre, a que sente solidão, a que se arrepende, a que ama com muita
intensidade, a que respeita, a que espera reciprocidade, amor, equidade e
respeito.
Era uma vez, uma menina que nunca gostou de usar sutiã. Se
sentia presa, amassada, arriada e sem liberdade. Ela sempre foi fora dos
padrões e descartou a tal peça íntima de imediato, tendo em vista que, tinha o
seios pequenos e com os bicos invertidos e claros, para sua honra, glória e salvação.
Ela sempre se amou ao natural e era o avesso dos modismos,
nunca se importou com as estéticas irritantes e trivialistas.
Quando jovem os meninos da sua idade sempre diziam que ela
parecia com as garotas de propaganda de margarina, ela, com uma timidez
disfarçada esboçava um sorriso e saía de perto sem graça. A timidez era apenas um
disfarce, ela só queria ficar quieta no seu canto em paz.
Essa menina foi crescendo, desenvolvendo, mudando, mudando,
mudando... sempre em evolução, envolta a livros, fenômenos, natureza e animais,
nunca gostou de ambientes com muitas pessoas e julgava tudo muito fútil...
A idade veio... os seios já não são tão lindos porque a
gravidade fez o seu trabalho, mas, mesmo assim, ela insistia em ser livre sem
os insuportáveis sutiãs e também possui certa aversão a procedimentos estéticos.
Ela sempre se amou ao natural...
Certo dia, já madura, conheceu um homem com uma altivez fora
do comum, com uma capacidade intelectual elevada, com um cheiro de liberdade,
com olhar astuto, um sorriso maroto e uma aura que ele não conseguia ler.
Foi um pega para capar, não se sabe se é porque ela é
escorpiana, e estes sabem muito bem apreciar e a degustar uma boa volúpia,
conjunção carnal, ato libidinoso... sexo, sexo e sexo...
Esse “borogodó” a trouxe um rebolado diferente, mudanças e
mais mudanças, ela se deu conta que não tinha uma peça íntima sensual para
seduzir o tal moço... nunca havia se preocupado com isso, mas tentou mudar e foi
até uma loja e comprou várias peças íntimas, comprou até uma vermelha
(risos)...
As ilusões, os sonhos, o gosto do gozo são necessárias para o
corpo e a alma de uma mulher, as fazem ficar mais bonitas e até mesmo interessantes,
surge um mistério um encantamento perceptível aos olhos dos outros.
O mais incrível desse doce conto Shakespiriano é que ela
nunca usou as tais peças para esse homem maroto, nem para nenhum outro e custou a vestir para si própria...
O encontro foi exclusivamente sexual, a intensidade talvez
não tenha sido tão recíproca, talvez tenham se tornado amigos, talvez... pois a
estima, a admiração nunca saiu do seu coração e o mais fantástico é que ela fez
as pazes com os sutiãs e passou a compra-los cada vez mais para deleito
próprio.
Se sentia mais bonita e confortável, com suas roupas íntimas
novas, diversificadas, vivenciando algo novo, vestindo-as sempre e exclusivamente
para si mesma, pois a beleza, a leveza, o amor, a sensualidade estão em si...
talvez tenha se tornado uma narcisista com seus sutiãs novos se achando a pessoa
mais incrível do mundo em sua solitude.
Por
mais que acreditemos que estamos despertos, sinto que, no fundo, estamos
acorrentados às nossas próprias crenças; somos o nosso próprio limite diante de
uma infinitude existente.
Irônico:
Somos, ao mesmo tempo, prisão e limite diante de uma infinitude que nos
atravessa.
Olho para Jesus e vejo
a sua dor enquanto humano. Sinto os julgamentos, as vivências, as experiências
— o místico profeta que mostrou, com a vida, o exemplo a ser seguido. Um ser
livre das projeções de espaço e tempo. Pergunto-me, consternada: de onde saiu
tanta sabedoria, benevolência e vivência? Por que nós, mortais, seres imperfeitos,
ainda contamos essa história omitindo um período terreno? Por que nunca
aprendemos? Por que não confiamos e não nos entregamos àquilo que a vida está
nos proporcionando?
Simples. Construímos
uma máscara para a sociedade e nos enclausuramos em nossas crenças e em mundos
absurdamente perfeitos. Não conseguimos tratá-lo como ser humano. Ele precisa
ser divino, especial, impecável, perfeito e satisfatório para a sociedade que
nos circunda. Percebo que o nosso inconsciente faz isso o tempo todo: somos o
nosso próprio algoz. Temos medo de sermos descobertos...
Olho para o horizonte
e suspiro. O pensamento surge como uma flecha: eu não quero ser assim. Viver em
uma bolha, acorrentada, voando e acreditando que sou livre... Neste mundo,
estamos em modo de sobrevivência, e é difícil viver livre de amarras,
julgamentos e cobranças. Precisamos correr atrás da matéria que nos rodeia, da
aceitação de uma sociedade hipócrita, para termos um mínimo de dignidade e
conforto. Nessa corrida pela sobrevivência, colocamos a nossa melhor máscara, a
melhor defesa, a melhor roupa para lidar com situações e pessoas.
Tornei-me
um flagelo; meu corpo grita em dores, e eu me pergunto: por quê? Se o meu corpo
sofre, o inconsciente se manifesta, a alma transborda e a natureza grita:
aceite e vá, sem julgamentos. Pare de procurar tantas respostas; apenas confie.
Entregue a angústia, a frustração, as projeções e confie no seu instinto e na
sua trajetória, porque, de fato, eu sou eu, e você é você — mas, no fundo,
somos todos um.
Ser livre está
intrinsecamente ligado a um estado de espírito que só alcançamos quando
sentimos, de fato, a gratidão e a compaixão. Precisamos estar conectados e
perceber como o nosso inconsciente se manifesta. É aqui que florescemos livres,
porque assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e confiamos à energia
suprema a entrega do que almejamos.
Ser livre não é um
conceito enraizado para os olhos de quem está preso às coisas do mundo. Ser
livre é caminhar sem garantias. Ser livre está ligado às coisas da vida — e
que, de fato, não são coisas. Ser livre é olhar para um novo caminho e aceitar
que nem sempre a sua escolha é a mais propícia para o aprendizado que você
almeja. Ser livre é aceitar, confiar, entregar e deixar-se ir — ou simplesmente
ir. Ir sem histeria, mas em aceitação.
Prefiro escrever, ando muito
sensível, e isso, me afasta das pessoas...
Sou aquele tipo que sempre
socorre, mas nem sempre é convidada para as festas, ou socorrida, desde da
infância esse pensamento me ronda.
Tenho dificuldades em me
relacionar, entregar, confiar e sei de todos os meus defeitos, sair sozinha, ou
ficar sozinha, foi um habito que adquiri para me defender de uma dor profunda
que se chama exclusão que carrego desde a infância.
É uma defesa, ou como você mesmo
me disse: uma fuga.
Não sou de muitos amigos e os que
tenho os defendo como uma onça, amo incondicionalmente, às vezes posso me tornar invasiva por amar demais, por me sentir inserida e íntima...
Nessa jornada de vida espiritual
e emocional aprendi a responsabilizar-me por tudo.
Ultimamente tem sido muito
difícil a nossa convivência porque perdi a minha espontaneidade, os meus
comentários interrompem e são inadequados, o meu silêncio incomoda e até uma
piada tosca é motivo para críticas.
Nossas conversas tornou-se
monólogos, sinto o luto e te liberto. Não há mais nada a ser feito ou dito.
Sei que preocupa comigo, mas
preciso ser acolhida, e talvez, verbalizar essa frase me liberte da dor.
Quero voltar a sorrir, ser
autêntica sem dor, sem drama, quero sanar essa bipolaridade, quero parar de
chorar e principalmente, quero voltar a ter o desejo pela vida novamente.
É um desafio, aquilo que tiramos
debaixo do tapete e trazemos para a luz nos liberta e transforma.
A aceitação é a evolução ou o
aprendizado mais difícil durante um processo de digestão emocional.
Acreditar que o Universo nos
proporciona na medida e na frequência exata daquilo que somos ou almejamos é
uma tarefa árdua porque nem sempre alcançamos o nosso desejo de imediato, ou
talvez ele nunca fará parte de nossas vidas.
Nos afastamos, mas sinto que a
sua energia nunca foi embora, sinto que algo ainda pulsa...
Converso, abraço, escuto
conselhos, recebo amor e vivo num universo paralelo de mundos distantes.
Às vezes, me pergunto o por quê?
E a resposta ecoa em mim... o peso de uma relação é o que nos separa.