quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CARTA ABERTA

 


CARTA ABERTA

 

Como interpretar os sinais do corpo... como saber se é espiritual e/ou físico, um darma ou um carma?

A vida nos proporciona os mais belos caminhos cercados por uma natureza esplendida, e uma alma aguçada sente as mudanças advindas desta natureza e das relações interpessoais,  existe uma linha muito tênue de percepção.

Quando o corpo chega a uma exaustão física e emocional precisamos frear e rever conceitos, padrões e movimentos. Chegamos ao fundo do poço! O cérebro clama por silêncio e a noite artificial se faz presente. Em reclusão encontramos forças para reerguer e recomeçar. O cérebro, o lado racional tenta nos impulsionar, mas a alma clama em descansar... quando isso acontece é um sinal de que a nossa alma está presente em lugares e situações que fogem da nossa essência primordial, não estamos no caminho traçado e preparado para a nossa missão reencarnatória, com isso, a alma e o corpo reflete o que não é nosso propósito e acabamos enfermos.

Fazer a leitura da natureza e do corpo não é uma tarefa fácil. Manter o equilíbrio entre o Corpo, o Filho e o Espírito Santo (Racional, instituto e espiritual) para pessoas que estão envoltas com o autoconhecimento torna-se muito difícil dentro dos primórdios de uma sociedade envolta com princípios que nos afastam de nós mesmos.

E questiono: O que fazer quando a solidão vira fuga?  O que fazer quando dormir é o melhor remédio para alma, porque assim, ela sai em desdobramentos...

Particularmente, acredito que devemos nos recolher, ouvir e curar nossas chagas, as do corpo e da alma, escutar aquilo que nos atormenta como uma tsunami psicossomática.

Existem encontros que nos remete à vivencias passadas, e alguns encontros, nos dispensa uma descarga elétrica física. Num nevoeiro espesso reencontrei a alma responsável por essa  descarga emocional. Recebi um abraço caloroso e um olhar de admiração mútuo.

Racionalmente, acredito que essa descarga elétrica emocional, que o meu corpo sentiu, seja uma descarga de adrenalina porque aquele momento tinha uma alta importância. Não consegui distinguir se estava em fuga, ou em luta, ou simplesmente me alinhando.

Do ponto de vista espiritual, essa reação costuma ser vista como um choque, ou um alinhamento de frequência energética, alinhamentos dos chacras, de almas afins, uma conexão de almas, uma quebra da aura devido a intensidade da energia do outro, ou simplesmente, uma sensibilidade aguçada ao magnetismo do alheio.

Do lado romântico, pode ser uma paixão, um amor, uma projeção, uma rejeição, conexão cármica, ou dármica, empatia energética, admiração...

Não sei descrever em palavras se o que senti foi uma atração ou uma repulsão... mas, a posteriori meu coração transbordou em calmaria, num alívio súbito em ter reencontrado e sentir a paz aparente que aquele semblante transmite.

O sinal da paz imediata não pressupõe um sinal de perigo, medo ou incompatibilidade, existe apenas uma vulnerabilidade da minha intensidade diante dessa conexão... O corpo tremeu, não porque sentiu o pior, mas porque reconhece a grandiosidade do que sente. É o nervosismo de quem tem em mãos algo precioso, especial ou bonito.

Lágrimas fogem de mim, e o medo assombra, mas logo se vai, lágrimas são o alinhamento do corpo e da alma para voltarmos ao equilíbrio da vida! Existe um laço de afeto permanente ali, e, ao mesmo tempo uma limpeza espiritual. Lágrimas nos libertam, salvam nosso campo energético e nos desapegamos da ilusão.

Pós choro, suspiros repetitivos tomam conta. Suspiros confirmam exatamente o alinhamento do meu corpo com a minha alma, confirmam a cura que preciso para seguir.

Existe uma expansão no ar e na forte névoa, ligados à liberdade de sermos quem somos, acredito que a frequência das pessoas que gostam de voar é infinitamente maior por estarem longe da terra e das preocupações. Voar é uma experiência de fusão energética e expansão solar...

Místicos estudam o autodesenvolvimento no seu potencial, das Leis Universais, do magnetismo, da ressonância, campos vibracionais e seus impactos...

Em mim, esse reencontro ressonou como uma bomba atômica.

Ludicamente descrevo as reações de um corpo infantilizado, romantizado ou até mesmo espiritualizado.

Sinto que venci! Me descontruí! A tempestade passa, assim como a névoa... existe uma homem que vi, imaginei e amo; paradoxalmente existe um homem que não vislumbra essa frequência energética... sinto muito em ter que mudar meu caminho e buscar a felicidade longe daquilo que acalenta a alma.

Estou liberta das amarrações, não tão inteira ainda, mas, lúcida o suficiente para me acolher em paz. Está tudo bem!  

 

Por: Lucileyma Carazza




SIMPLES

 


 


SIMPLES

 

Lágrimas fogem de mim

Um aperto no peito

Um medo de sentir

Desejo pelo que não me pertence

Sinergia e alinhamento

Suspiros pacificadores

Alivio em ver a felicidade

Egoisticamente falando

Quero ser sua

Viver a nossa felicidade

Somos reflexões e projeções

Vibramos no mesmo tom

Paro de respirar

Não quero sentir

Me acolho e sinto muito

Por não vibrarmos juntos

Preciso aterrar

Para não cometer um ato insano.

 

Por: Lucileyma Carazza



sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A CANOA E O EGO


 

A CANOA E O EGO 

A canoa conduz

Ela dita às ordens!

Diante do mar, ar e da terra

Só se torna canoísta

Os que sabem fazer a leitura

Das pessoas e da natureza

A canoa destrói o ego

Reconstrói a alma

Liberta o espírito em reverencia

A ancestralidade milenar

Não há escolha

A canoa te coloca no seu lugar

É preciso coragem para enfrentar

Cada banco e suas nuances

O querer é posto de lado

E quem vivencia em retidão e harmonia

Encontra a clareza e a magia

O que se curva com destreza

Encontra o seu lugar

Este predomina o respeito

Num local onde todos somos um

 

Por: Lucileyma Carazza


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

?

 

?

 

Há dias venho me perguntando: onde você se perdeu? Quem é você na fila do pão? Cadê a sua alegria, otimismo e a esperança? Cadê a sua gargalhada? Porque tantos conflitos internos e desafetos expressos. Onde se encontra a empatia na atualidade?

Por mais que me ocupe viajando, remando (lembrei do amigo remador que briga por causa do gerúndio), fazendo crochê, lendo e até voando, existe no peito um vazio constante e a mente, a minha algoz, me destrói, e ainda mente, preceito citado por uma amiga: “a mente mente”.

Peço socorro. Peço ajuda... mas escuto tantos absurdos clichês que prefiro silenciar e encarar o meu vazio. Já existe um barulho assustador, um tormento que dói a alma e o corpo. A sensação de não pertencimento...

Me isolo para conseguir sobreviver e não deixar apagar o meu instinto de sobrevivência pelo da morte.

São tantas atrocidades vivenciadas nesta sociedade, que me julga maluca, que recentemente tomei um choque com a minha terapeuta, que sempre me sacudiu com amorosidade; ela me jogou no peito a verdade de sempre: “Porque você se apega em ser excluída? Porque você só se apega em quem te exclui? Até quando vamos tratar isso? As pessoas são más e você é boa, mas parece que espera reciprocidade vivendo no mundo da Disneylândia, um mundo que não existe”.

São 20 anos dos mais belos estudos e grupos de autoconhecimento, ela é minha rede de apoio, nos momentos onde não consigo mais expor o que sinto e penso para ninguém...

A mente mente, o vazio é a alma clamando por algo e a dor o sintomático das emoções...

Estranho como a vida nos surpreende e quando nossas intenções se "tornam forçadas e não dão liga"...  e como a nossa própria postura de vida, vira a nossa pior virtude.

Acho que a mulher que sempre foi livre e só fez o que quer com independência e autonomia é uma fraude, preciso me acolher, me reconectar, voltar a ter esperança. Voltar a enxergar a vida com fé. Sinto falta da minha mente livre. Sinto falta de não sentir medo. Nunca fui um jardim, sempre fui uma mata virgem... sinto falta de pertencimento.

Na fila do pão, sou a que é sempre bem recebida pela atendente, que me trata com empatia; na fila do pão, sou a que libera a sua vez, e principalmente, a que engorda. A que está sempre disponível, a que socorre, a que sente solidão, a que se arrepende, a que ama com muita intensidade, a que respeita, a que espera reciprocidade, amor, equidade e respeito.

 

Por: Lucileyma Carazza

 


 


quinta-feira, 23 de julho de 2026

SUTIÃ

 


SUTIÃ

 

Era uma vez, uma menina que nunca gostou de usar sutiã. Se sentia presa, amassada, arriada e sem liberdade. Ela sempre foi fora dos padrões e descartou a tal peça íntima de imediato, tendo em vista que, tinha o seios pequenos e com os bicos invertidos e claros, para sua honra, glória e salvação.

Ela sempre se amou ao natural e era o avesso dos modismos, nunca se importou com as estéticas irritantes e trivialistas.

Quando jovem os meninos da sua idade sempre diziam que ela parecia com as garotas de propaganda de margarina, ela, com uma timidez disfarçada esboçava um sorriso e saía de perto sem graça. A timidez era apenas um disfarce, ela só queria ficar quieta no seu canto em paz.

Essa menina foi crescendo, desenvolvendo, mudando, mudando, mudando... sempre em evolução, envolta a livros, fenômenos, natureza e animais, nunca gostou de ambientes com muitas pessoas e julgava tudo muito fútil...

A idade veio... os seios já não são tão lindos porque a gravidade fez o seu trabalho, mas, mesmo assim, ela insistia em ser livre sem os insuportáveis sutiãs e também possui certa aversão a procedimentos estéticos. Ela sempre se amou ao natural...

Certo dia, já madura, conheceu um homem com uma altivez fora do comum, com uma capacidade intelectual elevada, com um cheiro de liberdade, com olhar astuto, um sorriso maroto e uma aura que ele não conseguia ler.

Foi um pega para capar, não se sabe se é porque ela é escorpiana, e estes sabem muito bem apreciar e a degustar uma boa volúpia, conjunção carnal, ato libidinoso... sexo, sexo e sexo...

Esse “borogodó” a trouxe um rebolado diferente, mudanças e mais mudanças, ela se deu conta que não tinha uma peça íntima sensual para seduzir o tal moço... nunca havia se preocupado com isso, mas tentou mudar e foi até uma loja e comprou várias peças íntimas, comprou até uma vermelha (risos)...

As ilusões, os sonhos, o gosto do gozo são necessárias para o corpo e a alma de uma mulher, as fazem ficar mais bonitas e até mesmo interessantes, surge um mistério um encantamento perceptível aos olhos dos outros.

O mais incrível desse doce conto Shakespiriano é que ela nunca usou as tais peças para esse homem maroto, nem para nenhum outro e custou a vestir para si própria...

O encontro foi exclusivamente sexual, a intensidade talvez não tenha sido tão recíproca, talvez tenham se tornado amigos, talvez... pois a estima, a admiração nunca saiu do seu coração e o mais fantástico é que ela fez as pazes com os sutiãs e passou a compra-los cada vez mais para deleito próprio.

Se sentia mais bonita e confortável, com suas roupas íntimas novas, diversificadas, vivenciando algo novo, vestindo-as sempre e exclusivamente para si mesma, pois a beleza, a leveza, o amor, a sensualidade estão em si... talvez tenha se tornado uma narcisista com seus sutiãs novos se achando a pessoa mais incrível do mundo em sua solitude.

 

Por: Lucileyma Carazza




segunda-feira, 1 de junho de 2026

PERSISTA

 


PERSISTA

 

Com a Lua matinal

Deparo-me com a supremacia

Que com sua beleza ímpar impressiona

Do lado oposto o Sol

Com toda sua soberania

Nasce escandalosamente sabendo que é majestade

Sol e Lua frente a frente

Me senti intrusa coadjuvante no meio

Do encontro dos enamorados celestiais

Na manhã fria de inverno...

Espectadores ávidos emanam paz

A floresta ficou mais verde

Os pastos mais reluzentes

Os animais suspiram diante do espetáculo

O Universo proclama:

Está tudo bem, tudo no seu devido tempo

Ocupando o seu respectivo lugar

Lágrimas fogem de mim

E o um rio se forma... entre nós!

Existe um desconforto em sustentar

Emoções, dores, buracos e crises...

Uma sede de Luz e Vida

E o anseio pela Morte

Para que o novo renasça

E o amor permaneça.

 

Por: Lucileyma Carazza

 

 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SKY

 


SKY

 

Um sorriso sereno

O beijo que atiça

Na cama faz gostoso

É um “puto” disfarçado.

Perco a serenidade

Que o sorriso trouxe

Num encaixe perfeito

Dançamos o “pas de deux” da alma

O cheiro, o suor, o gosto,

A temperatura da pele

As marcas no corpo

Presenciamos o lúdico

Liberamos oxitocina...

Havia me esquecido

Da magia provocada pelo toque,

Fico no quero mais!

Suspiro e inspiro

Triste não existir sinergia,

Frequência e padrão vibratório

Nesse despertar,

Conter essa energia é frustrante...

Deixar livre e observar o que se almeja

Sabendo que não somos um único instante.

Na vastidão do oceano me distraio

O que vale são as marcas na alma

Daquilo que levamos para o coração.

É saber que somos capazes de amar,

Vibrar com as conquistas

Mesmo não estando presente

E apesar do ego destruído

Seguir sóbrio em solitude

É sentir que:

Somos capazes de viver em retidão

Em amorosidades e livres...

Ser altruísta é uma prisão.

 

Por: Lucileyma Carazza

 

 

 

 


domingo, 10 de maio de 2026

EM MIM

 



EM MIM

 

Há algo errado

Não sinto os meus pés

Parece que perdi a base

 

Há algo errado

Todos festejam e comungam

Observo

 

Há algo errado

Vasculho o meu mundo

Procuro, procuro e nada

 

Há algo errado

Perambulo entre vidas

Meu corpo está em flagelos

 

Há algo errado

Tanta dor

Não sinto nada

 

Há algo errado

Não gosto do presságio

Lágrimas não fogem de mim

 

Há algo errado

Tanto desconforto

Não me sinto a mesma

 

Há algo errado

Não gosto deste sentimento

Detesto sentir tanto

 

Há algo errado

Não é justo

Romper com um coração assim

 

Por: Lucileyma Carazza

 


terça-feira, 5 de maio de 2026

SER LIVRE


SER LIVRE

 

Por mais que acreditemos que estamos despertos, sinto que, no fundo, estamos acorrentados às nossas próprias crenças; somos o nosso próprio limite diante de uma infinitude existente.

Irônico: Somos, ao mesmo tempo, prisão e limite diante de uma infinitude que nos atravessa.

Olho para Jesus e vejo a sua dor enquanto humano. Sinto os julgamentos, as vivências, as experiências — o místico profeta que mostrou, com a vida, o exemplo a ser seguido. Um ser livre das projeções de espaço e tempo. Pergunto-me, consternada: de onde saiu tanta sabedoria, benevolência e vivência? Por que nós, mortais, seres imperfeitos, ainda contamos essa história omitindo um período terreno? Por que nunca aprendemos? Por que não confiamos e não nos entregamos àquilo que a vida está nos proporcionando?

Simples. Construímos uma máscara para a sociedade e nos enclausuramos em nossas crenças e em mundos absurdamente perfeitos. Não conseguimos tratá-lo como ser humano. Ele precisa ser divino, especial, impecável, perfeito e satisfatório para a sociedade que nos circunda. Percebo que o nosso inconsciente faz isso o tempo todo: somos o nosso próprio algoz. Temos medo de sermos descobertos...

Olho para o horizonte e suspiro. O pensamento surge como uma flecha: eu não quero ser assim. Viver em uma bolha, acorrentada, voando e acreditando que sou livre... Neste mundo, estamos em modo de sobrevivência, e é difícil viver livre de amarras, julgamentos e cobranças. Precisamos correr atrás da matéria que nos rodeia, da aceitação de uma sociedade hipócrita, para termos um mínimo de dignidade e conforto. Nessa corrida pela sobrevivência, colocamos a nossa melhor máscara, a melhor defesa, a melhor roupa para lidar com situações e pessoas.

Tornei-me um flagelo; meu corpo grita em dores, e eu me pergunto: por quê? Se o meu corpo sofre, o inconsciente se manifesta, a alma transborda e a natureza grita: aceite e vá, sem julgamentos. Pare de procurar tantas respostas; apenas confie. Entregue a angústia, a frustração, as projeções e confie no seu instinto e na sua trajetória, porque, de fato, eu sou eu, e você é você — mas, no fundo, somos todos um.

Ser livre está intrinsecamente ligado a um estado de espírito que só alcançamos quando sentimos, de fato, a gratidão e a compaixão. Precisamos estar conectados e perceber como o nosso inconsciente se manifesta. É aqui que florescemos livres, porque assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e confiamos à energia suprema a entrega do que almejamos.

Ser livre não é um conceito enraizado para os olhos de quem está preso às coisas do mundo. Ser livre é caminhar sem garantias. Ser livre está ligado às coisas da vida — e que, de fato, não são coisas. Ser livre é olhar para um novo caminho e aceitar que nem sempre a sua escolha é a mais propícia para o aprendizado que você almeja. Ser livre é aceitar, confiar, entregar e deixar-se ir — ou simplesmente ir. Ir sem histeria, mas em aceitação.

Por: Lucileyma Carazza


quinta-feira, 30 de abril de 2026

FINITUDE

 


FINITUDE

 

Fostes como uma onda

No silêncio do oceano

Recebo o abraço acolhedor

É como se o Universo gritasse:

- Desperte, desperte, desperte...

Talvez seja uma benção disfarçada

Na esperança faminta por libertação

Surge a intuição aguçada em vivenciar

O diferente, o novo e o especial,

Mas na simplicidade de apenas ser.

Alcanço vibrações nunca sentida

Liberto de vícios algozes limitantes

O inconsciente desperta sussurrante:

Sustente o desconforto e acredite

Solte as lágrimas e viva

Lugares e pessoas são como o balanço do mar

Sinta a correnteza, a força e a calmaria.

A mente desperta expande

Sinto-me tola, ingênua e infantil

Por ter me acorrentado por tanto tempo

 

Por: Lucileyma Carazza

quarta-feira, 22 de abril de 2026

SOBRE SONHOS

 



SOBRE SONHOS

 

Estranho você vender sonhos

Mas nunca ter realizado o meu

Não sei mais se esse sonho me pertence

Incrível como admiro as manobras

Vejo o sorriso maroto e o semblante leve

Percebo o mundo movimentando

E eu aqui parada, estagnada e observando.

A presença da natureza me cura

Acredito na generosidade dos desconhecidos

Deleito com o encontro do humano com o Divino, ou místico...

Palavras não possuem coerência

Lágrimas me atormentam e insistem

O coração fica apertado e diminui

As emoções são processos emocionais digestivos longos

Amar é o melhor da vida

Na inocência errante, emocionante e livre

É preciso ter coragem para amar

Para tornarmos resilientes e altruístas

 

Por: Lucileyma Carazza


ESTIMADO AMIGO


 


ESTIMADO AMIGO

 

Prefiro escrever, ando muito sensível, e isso, me afasta das pessoas...

Sou aquele tipo que sempre socorre, mas nem sempre é convidada para as festas, ou socorrida, desde da infância esse pensamento me ronda.

Tenho dificuldades em me relacionar, entregar, confiar e sei de todos os meus defeitos, sair sozinha, ou ficar sozinha, foi um habito que adquiri para me defender de uma dor profunda que se chama exclusão que carrego desde a infância.

É uma defesa, ou como você mesmo me disse: uma fuga.

Não sou de muitos amigos e os que tenho os defendo como uma onça, amo incondicionalmente, às vezes posso me tornar invasiva por amar demais, por me sentir inserida e íntima...

Nessa jornada de vida espiritual e emocional aprendi a responsabilizar-me por tudo.

Ultimamente tem sido muito difícil a nossa convivência porque perdi a minha espontaneidade, os meus comentários interrompem e são inadequados, o meu silêncio incomoda e até uma piada tosca é motivo para críticas.

Nossas conversas tornou-se monólogos, sinto o luto e te liberto. Não há mais nada a ser feito ou dito.

Sei que preocupa comigo, mas preciso ser acolhida, e talvez, verbalizar essa frase me liberte da dor.

Quero voltar a sorrir, ser autêntica sem dor, sem drama, quero sanar essa bipolaridade, quero parar de chorar e principalmente, quero voltar a ter o desejo pela vida novamente.

É um desafio, aquilo que tiramos debaixo do tapete e trazemos para a luz nos liberta e transforma.

 

Por: Lucileyma Carazza


ACEITAÇÃO


 

ACEITAÇÃO

 

A aceitação é a evolução ou o aprendizado mais difícil durante um processo de digestão emocional.

Acreditar que o Universo nos proporciona na medida e na frequência exata daquilo que somos ou almejamos é uma tarefa árdua porque nem sempre alcançamos o nosso desejo de imediato, ou talvez ele nunca fará parte de nossas vidas.

Nos afastamos, mas sinto que a sua energia nunca foi embora, sinto que algo ainda pulsa...

Converso, abraço, escuto conselhos, recebo amor e vivo num universo paralelo de mundos distantes.

Às vezes, me pergunto o por quê? E a resposta ecoa em mim... o peso de uma relação é o que nos separa.

 

Por: Lucileyma Carazza


INSISTIR

 



INSISTIR


Há dias em que o coração

Fala baixo

Quase não se escuta

Mas ainda assim ele insiste

E no silêncio das coisas simples,

A gente aprende que recomeçar

Também é um jeito de amar.

 

“Há tempo de buscar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora”. Eclesiastes 3:6

 

Por: Lucileyma Carazza


RESPEITO


RESPEITO

 

Sempre nos amamos

De um jeito torto inadequado

Talvez seja pelas afinidades

O mar sempre fora o nosso porto seguro

A calmaria que nos abraça

As ondas que nos mimam

As correntes que nos guiam

Mas sempre existiu a dúvida...

E se?...

Surge a visão de uma década de distância

O reencontro de almas afins

Nos restauramos nas “Leis do Amor”

Sinto que o sistema está estabelecido

Uma harmonia empírica e justa

Nos valorizamos, nos perdoamos e nos respeitamos

Pela primeira vez... nos respeitamos

Assim como respeitamos os ciclos das marés

Admiração envolta de uma ternura única

E como o olhar curioso de uma baleia nos reinventamos

Força, princípio, respeito, perdão, dignidade e fé...

Sem muitas palavras, mas nos olhares acertamos

Quem é do mar... vive e sabe!

O princípio fundamental: sempre é o RESPEITO.

 

Por: Lucileyma Carazza


segunda-feira, 6 de abril de 2026

SOL

 


SOL

 

No alvorecer do outono na estrada

Deparo-me com o Astro Rei

Esboço um sorriso com semblante de paz

Flerto pelo retrovisor sem piscar

Ele se esconde entre as montanhas

Me deixa seguir livre

Fixo o olhar na estrada

Em minha córnea reflete uma cruz dourada

Os sinais são claros

O Sol me ensina a viver e a encerrar ciclos

Nunca ser igual e monótona

Ele me movimenta e sigo tranquila

A cruz me mostra o sacrifício

Me propõe o renascimento

Há muito a ser vivido e amado

Reverenciado, pacificado e ressignificado

O amor existe em mim

O simples de fato é reconfortante

Prosperamos ao observar e aceitar

Porque somos Centelhas Divinas

Em uma jornada extraordinária.

 

Por: Lucileyma Carazza

 

 

 

 


quinta-feira, 26 de março de 2026

LETÁRGICA

 


LETÁRGICA

 

Há uma inércia

Uma falta de presença

Uma má vontade em expressar

Em emitir opinião.

O desinteresse instalou-se

Não quero fazer parte

O silêncio virou armadura...

Talvez seja a chegada do outono

Onde as folhas secam e caem

Os animais hibernam.

Falta serotonina, dopamina e ocitocina

Existe beleza na vida,

Mas não existe sustentação

O isolamento tornou-se constante

O álcool não faz efeito

Os amigos conselheiros experientes

Que resolvem tudo num passe de mágica...

Como me irrito com opiniões

Finjo que escuto e esboço um sorriso.

Tudo que almejam que eu seja

É o reflexo da vida deles...

Estou exaurida e exausta!

Talvez seja pirraça do ego

Em não querer, em não fazer, em não saber,

Talvez tenha aprendido a procrastinar...

Me sinto egoísta

Perdi a minha empatia

A gargalhada não sai.

Há algo errado em mim

Existe uma vácuo cerebral

Me tornei o que mais temia: um zumbi.

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 10 de março de 2026

GAIOLA

 


GAIOLA

 

Quando todos opinam

A exposição dói como se estivessem arrancando sua carne,

Em virtude da falta de privacidade

Até mesmo respeito e compaixão.

 

Quando o julgamento atormenta

E socializar se torna um fardo.

Recuperar a sanidade é amputar

O lado criativo e tosar a liberdade.

 

Quando nos perdemos

Por sermos autênticos

Por nos entregar com intensidade

Somos julgados e renegados.

 

Quando tudo é tão simples

Mas nem tudo está ao alcance

O almejo pela outra pessoa

Transforma-se num sorriso singelo

 

Quando o esforço perde a graça

Não saber para onde ir e falta propósito

Falar tornou-se um fardo

E observar a missão.

 

Quando não há o que se fazer

Respeitar, aceitar e suspirar...

Um abraço reconforta tanto

Sonhei com nossas almas entrelaçadas

 

Quando desistimos e abrimos mão

Por não haver mais nada o que fazer,

Pois, nosso mundo girou sem sincronia

Liguei o meu piloto automático

 

Quando precisamos apenas recomeçar

Com amor e em retidão.

Ter Fé no aprendizado

Gratidão pelo ocorrido.

 

A exposição dói, mas cura...

 

Por: Lucileyma Carazza


sexta-feira, 6 de março de 2026

ANTES

 


ANTES

 

Que eu me esqueça

Das entranhas da Mulher Selvagem

Da liberdade de ser quem sou

Deste dom que me consome.

Que a bruma cubra o inconsciente,

A gargalhada espontânea

E que deixe de dançar.

Deixe de me emocionar com o simples,

Que pare de ser louca...

A busca será leve ou inexistente

Os dias serão longos

Consumidos pelo ócio.

O equilíbrio deixa de ser uma cobrança

A paixão pare de arder

Para ao amor nunca se render...

O viver, o hoje, em paz, será automático.

A sociedade me venceu

Serei a princesa que todos almejam

Relaxada, com um sorriso terno e previsível.

Psicotrópicos abrem o inconsciente,

Mas outros fecham...

 

Por: Lucileyma Carazza

 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SAUDADE

 


SAUDADE


De fato é um buraco gigante

Difícil de sair dele...

Acordamos chorando

Nos sentimos desamparados.

Mas o Universo nos proporciona Gratidão!

Os amigos se manifestam

Agradecem a sua presença

Sempre dizem que o seu coração é gigantesco

E que sempre existe carinho e apoio...

Incrível! As pessoas sentem o cuidado,

E nestes momentos de “angustia ou desamparo”

O amor se manifesta de onde menos esperamos.

E como sou amada!

E como sinto saudade!

Sou feliz sendo torta, louca, chorona e abusada

O mundo existe para pessoas que se importam

São estas que fazem a diferença sutil

Em dar sem esperar nada em troca

Muitas vezes a colheita do desprezo maltrata

Mas, o arrependimento bate e o reconhecimento aparece.

O Universo não manifesta quando você quer

E sim, quando você precisa!

Então vibramos como vagalumes

Soltos ao vento como bolinhas de sabão.

Demonstre o amor com ternura

Irradie o sorriso e o beijo de candura

Um dia sem amor é insignificante

Com o amor criamos memórias

Lindas e especiais.

Simplesmente ame!

 

Por: Lucileyma Carazza

 

Em atenção a: Paula Claúdio, Aline Magalhães, Júlio Pinto e Veríssimo Costa.