quinta-feira, 26 de março de 2026

LETÁRGICA

 


LETÁRGICA

 

Há uma inércia

Uma falta de presença

Uma má vontade em expressar

Em emitir opinião.

O desinteresse instalou-se

Não quero fazer parte

O silêncio virou armadura...

Talvez seja a chegada do outono

Onde as folhas secam e caem

Os animais hibernam.

Falta serotonina, dopamina e ocitocina

Existe beleza na vida,

Mas não existe sustentação

O isolamento tornou-se constante

O álcool não faz efeito

Os amigos conselheiros experientes

Que resolvem tudo num passe de mágica...

Como me irrito com opiniões

Finjo que escuto e esboço um sorriso.

Tudo que almejam que eu seja

É o reflexo da vida deles...

Estou exaurida e exausta!

Talvez seja pirraça do ego

Em não querer, em não fazer, em não saber,

Talvez tenha aprendido a procrastinar...

Me sinto egoísta

Perdi a minha empatia

A gargalhada não sai.

Há algo errado em mim

Existe uma vácuo cerebral

Me tornei o que mais temia: um zumbi.

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 10 de março de 2026

GAIOLA

 


GAIOLA

 

Quando todos opinam

A exposição dói como se estivessem arrancando sua carne,

Em virtude da falta de privacidade

Até mesmo respeito e compaixão.

 

Quando o julgamento atormenta

E socializar se torna um fardo.

Recuperar a sanidade é amputar

O lado criativo e tosar a liberdade.

 

Quando nos perdemos

Por sermos autênticos

Por nos entregar com intensidade

Somos julgados e renegados.

 

Quando tudo é tão simples

Mas nem tudo está ao alcance

O almejo pela outra pessoa

Transforma-se num sorriso singelo

 

Quando o esforço perde a graça

Não saber para onde ir e falta propósito

Falar tornou-se um fardo

E observar a missão.

 

Quando não há o que se fazer

Respeitar, aceitar e suspirar...

Um abraço reconforta tanto

Sonhei com nossas almas entrelaçadas

 

Quando desistimos e abrimos mão

Por não haver mais nada o que fazer,

Pois, nosso mundo girou sem sincronia

Liguei o meu piloto automático

 

Quando precisamos apenas recomeçar

Com amor e em retidão.

Ter Fé no aprendizado

Gratidão pelo ocorrido.

 

A exposição dói, mas cura...

 

Por: Lucileyma Carazza


sexta-feira, 6 de março de 2026

ANTES

 


ANTES

 

Que eu me esqueça

Das entranhas da Mulher Selvagem

Da liberdade de ser quem sou

Deste dom que me consome.

Que a bruma cubra o inconsciente,

A gargalhada espontânea

E que deixe de dançar.

Deixe de me emocionar com o simples,

Que pare de ser louca...

A busca será leve ou inexistente

Os dias serão longos

Consumidos pelo ócio.

O equilíbrio deixa de ser uma cobrança

A paixão pare de arder

Para ao amor nunca se render...

O viver, o hoje, em paz, será automático.

A sociedade me venceu

Serei a princesa que todos almejam

Relaxada, com um sorriso terno e previsível.

Psicotrópicos abrem o inconsciente,

Mas outros fecham...

 

Por: Lucileyma Carazza