SER LIVRE
Por
mais que acreditemos que estamos despertos, sinto que, no fundo, estamos
acorrentados às nossas próprias crenças; somos o nosso próprio limite diante de
uma infinitude existente.
Irônico:
Somos, ao mesmo tempo, prisão e limite diante de uma infinitude que nos
atravessa.
Olho para Jesus e vejo
a sua dor enquanto humano. Sinto os julgamentos, as vivências, as experiências
— o místico profeta que mostrou, com a vida, o exemplo a ser seguido. Um ser
livre das projeções de espaço e tempo. Pergunto-me, consternada: de onde saiu
tanta sabedoria, benevolência e vivência? Por que nós, mortais, seres imperfeitos,
ainda contamos essa história omitindo um período terreno? Por que nunca
aprendemos? Por que não confiamos e não nos entregamos àquilo que a vida está
nos proporcionando?
Simples. Construímos
uma máscara para a sociedade e nos enclausuramos em nossas crenças e em mundos
absurdamente perfeitos. Não conseguimos tratá-lo como ser humano. Ele precisa
ser divino, especial, impecável, perfeito e satisfatório para a sociedade que
nos circunda. Percebo que o nosso inconsciente faz isso o tempo todo: somos o
nosso próprio algoz. Temos medo de sermos descobertos...
Olho para o horizonte
e suspiro. O pensamento surge como uma flecha: eu não quero ser assim. Viver em
uma bolha, acorrentada, voando e acreditando que sou livre... Neste mundo,
estamos em modo de sobrevivência, e é difícil viver livre de amarras,
julgamentos e cobranças. Precisamos correr atrás da matéria que nos rodeia, da
aceitação de uma sociedade hipócrita, para termos um mínimo de dignidade e
conforto. Nessa corrida pela sobrevivência, colocamos a nossa melhor máscara, a
melhor defesa, a melhor roupa para lidar com situações e pessoas.
Tornei-me
um flagelo; meu corpo grita em dores, e eu me pergunto: por quê? Se o meu corpo
sofre, o inconsciente se manifesta, a alma transborda e a natureza grita:
aceite e vá, sem julgamentos. Pare de procurar tantas respostas; apenas confie.
Entregue a angústia, a frustração, as projeções e confie no seu instinto e na
sua trajetória, porque, de fato, eu sou eu, e você é você — mas, no fundo,
somos todos um.
Ser livre está
intrinsecamente ligado a um estado de espírito que só alcançamos quando
sentimos, de fato, a gratidão e a compaixão. Precisamos estar conectados e
perceber como o nosso inconsciente se manifesta. É aqui que florescemos livres,
porque assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e confiamos à energia
suprema a entrega do que almejamos.
Ser livre não é um
conceito enraizado para os olhos de quem está preso às coisas do mundo. Ser
livre é caminhar sem garantias. Ser livre está ligado às coisas da vida — e
que, de fato, não são coisas. Ser livre é olhar para um novo caminho e aceitar
que nem sempre a sua escolha é a mais propícia para o aprendizado que você
almeja. Ser livre é aceitar, confiar, entregar e deixar-se ir — ou simplesmente
ir. Ir sem histeria, mas em aceitação.
Por: Lucileyma Carazza