domingo, 10 de maio de 2026

EM MIM

 



EM MIM

 

Há algo errado

Não sinto os meus pés

Parece que perdi a base

 

Há algo errado

Todos festejam e comungam

Observo

 

Há algo errado

Vasculho o meu mundo

Procuro, procuro e nada

 

Há algo errado

Perambulo entre vidas

Meu corpo está em flagelos

 

Há algo errado

Tanta dor

Não sinto nada

 

Há algo errado

Não gosto do presságio

Lágrimas não fogem de mim

 

Há algo errado

Tanto desconforto

Não me sinto a mesma

 

Há algo errado

Não gosto deste sentimento

Detesto sentir tanto

 

Há algo errado

Não é justo

Romper com um coração assim

 

Por: Lucileyma Carazza

 


terça-feira, 5 de maio de 2026

SER LIVRE


SER LIVRE

 

Por mais que acreditemos que estamos despertos, sinto que, no fundo, estamos acorrentados às nossas próprias crenças; somos o nosso próprio limite diante de uma infinitude existente.

Irônico: Somos, ao mesmo tempo, prisão e limite diante de uma infinitude que nos atravessa.

Olho para Jesus e vejo a sua dor enquanto humano. Sinto os julgamentos, as vivências, as experiências — o místico profeta que mostrou, com a vida, o exemplo a ser seguido. Um ser livre das projeções de espaço e tempo. Pergunto-me, consternada: de onde saiu tanta sabedoria, benevolência e vivência? Por que nós, mortais, seres imperfeitos, ainda contamos essa história omitindo um período terreno? Por que nunca aprendemos? Por que não confiamos e não nos entregamos àquilo que a vida está nos proporcionando?

Simples. Construímos uma máscara para a sociedade e nos enclausuramos em nossas crenças e em mundos absurdamente perfeitos. Não conseguimos tratá-lo como ser humano. Ele precisa ser divino, especial, impecável, perfeito e satisfatório para a sociedade que nos circunda. Percebo que o nosso inconsciente faz isso o tempo todo: somos o nosso próprio algoz. Temos medo de sermos descobertos...

Olho para o horizonte e suspiro. O pensamento surge como uma flecha: eu não quero ser assim. Viver em uma bolha, acorrentada, voando e acreditando que sou livre... Neste mundo, estamos em modo de sobrevivência, e é difícil viver livre de amarras, julgamentos e cobranças. Precisamos correr atrás da matéria que nos rodeia, da aceitação de uma sociedade hipócrita, para termos um mínimo de dignidade e conforto. Nessa corrida pela sobrevivência, colocamos a nossa melhor máscara, a melhor defesa, a melhor roupa para lidar com situações e pessoas.

Tornei-me um flagelo; meu corpo grita em dores, e eu me pergunto: por quê? Se o meu corpo sofre, o inconsciente se manifesta, a alma transborda e a natureza grita: aceite e vá, sem julgamentos. Pare de procurar tantas respostas; apenas confie. Entregue a angústia, a frustração, as projeções e confie no seu instinto e na sua trajetória, porque, de fato, eu sou eu, e você é você — mas, no fundo, somos todos um.

Ser livre está intrinsecamente ligado a um estado de espírito que só alcançamos quando sentimos, de fato, a gratidão e a compaixão. Precisamos estar conectados e perceber como o nosso inconsciente se manifesta. É aqui que florescemos livres, porque assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e confiamos à energia suprema a entrega do que almejamos.

Ser livre não é um conceito enraizado para os olhos de quem está preso às coisas do mundo. Ser livre é caminhar sem garantias. Ser livre está ligado às coisas da vida — e que, de fato, não são coisas. Ser livre é olhar para um novo caminho e aceitar que nem sempre a sua escolha é a mais propícia para o aprendizado que você almeja. Ser livre é aceitar, confiar, entregar e deixar-se ir — ou simplesmente ir. Ir sem histeria, mas em aceitação.

Por: Lucileyma Carazza