ESTIMADO AMIGO
Prefiro escrever, ando muito
sensível, e isso, me afasta das pessoas...
Sou aquele tipo que sempre
socorre, mas nem sempre é convidada para as festas, ou socorrida, desde da
infância esse pensamento me ronda.
Tenho dificuldades em me
relacionar, entregar, confiar e sei de todos os meus defeitos, sair sozinha, ou
ficar sozinha, foi um habito que adquiri para me defender de uma dor profunda
que se chama exclusão que carrego desde a infância.
É uma defesa, ou como você mesmo
me disse: uma fuga.
Não sou de muitos amigos e os que
tenho os defendo como uma onça, amo incondicionalmente, às vezes posso me tornar invasiva por amar demais, por me sentir inserida e íntima...
Nessa jornada de vida espiritual
e emocional aprendi a responsabilizar-me por tudo.
Ultimamente tem sido muito
difícil a nossa convivência porque perdi a minha espontaneidade, os meus
comentários interrompem e são inadequados, o meu silêncio incomoda e até uma
piada tosca é motivo para críticas.
Nossas conversas tornou-se
monólogos, sinto o luto e te liberto. Não há mais nada a ser feito ou dito.
Sei que preocupa comigo, mas
preciso ser acolhida, e talvez, verbalizar essa frase me liberte da dor.
Quero voltar a sorrir, ser
autêntica sem dor, sem drama, quero sanar essa bipolaridade, quero parar de
chorar e principalmente, quero voltar a ter o desejo pela vida novamente.
É um desafio, aquilo que tiramos
debaixo do tapete e trazemos para a luz nos liberta e transforma.
Por: Lucileyma Carazza