quinta-feira, 23 de julho de 2026

SUTIÃ

 


SUTIÃ

 

Era uma vez, uma menina que nunca gostou de usar sutiã. Se sentia presa, amassada, arriada e sem liberdade. Ela sempre foi fora dos padrões e descartou a tal peça íntima de imediato, tendo em vista que, tinha o seios pequenos e com os bicos invertidos e claros, para sua honra, glória e salvação.

Ela sempre se amou ao natural e era o avesso dos modismos, nunca se importou com as estéticas irritantes e trivialistas.

Quando jovem os meninos da sua idade sempre diziam que ela parecia com as garotas de propaganda de margarina, ela, com uma timidez disfarçada esboçava um sorriso e saía de perto sem graça. A timidez era apenas um disfarce, ela só queria ficar quieta no seu canto em paz.

Essa menina foi crescendo, desenvolvendo, mudando, mudando, mudando... sempre em evolução, envolta a livros, fenômenos, natureza e animais, nunca gostou de ambientes com muitas pessoas e julgava tudo muito fútil...

A idade veio... os seios já não são tão lindos porque a gravidade fez o seu trabalho, mas, mesmo assim, ela insistia em ser livre sem os insuportáveis sutiãs e também possui certa aversão a procedimentos estéticos. Ela sempre se amou ao natural...

Certo dia, já madura, conheceu um homem com uma altivez fora do comum, com uma capacidade intelectual elevada, com um cheiro de liberdade, com olhar astuto, um sorriso maroto e uma aura que ele não conseguia ler.

Foi um pega para capar, não se sabe se é porque ela é escorpiana, e estes sabem muito bem apreciar e a degustar uma boa volúpia, conjunção carnal, ato libidinoso... sexo, sexo e sexo...

Esse “borogodó” a trouxe um rebolado diferente, mudanças e mais mudanças, ela se deu conta que não tinha uma peça íntima sensual para seduzir o tal moço... nunca havia se preocupado com isso, mas tentou mudar e foi até uma loja e comprou várias peças íntimas, comprou até uma vermelha (risos)...

As ilusões, os sonhos, o gosto do gozo são necessárias para o corpo e a alma de uma mulher, as fazem ficar mais bonitas e até mesmo interessantes, surge um mistério um encantamento perceptível aos olhos dos outros.

O mais incrível desse doce conto Shakespiriano é que ela nunca usou as tais peças para esse homem maroto, nem para nenhum outro e custou a vestir para si própria...

O encontro foi exclusivamente sexual, a intensidade talvez não tenha sido tão recíproca, talvez tenham se tornado amigos, talvez... pois a estima, a admiração nunca saiu do seu coração e o mais fantástico é que ela fez as pazes com os sutiãs e passou a compra-los cada vez mais para deleito próprio.

Se sentia mais bonita e confortável, com suas roupas íntimas novas, diversificadas, vivenciando algo novo, vestindo-as sempre e exclusivamente para si mesma, pois a beleza, a leveza, o amor, a sensualidade estão em si... talvez tenha se tornado uma narcisista com seus sutiãs novos se achando a pessoa mais incrível do mundo em sua solitude.

 

Por: Lucileyma Carazza