quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A INVEJA

 Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significa...
do, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.

Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.

COBIÇA E BEM-ESTAR

Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.

902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)

A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.

Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.

Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração esse vício hediondo e asqueroso.

TRIO DE FERRO

A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.

Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.

Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.

Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.

O INVEJOSO EM AÇÃO

O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.

O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.

Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.

Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?

INSTINTO DEGENERADO

A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.

“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”

Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.

O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.

Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.

A VIRTUDE

Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.

Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.

Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.

Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).

A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).

Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.

A EDUCAÇÃO

O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).

O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.

A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.

O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)

A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.

Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.

Fonte: Eugenio Lara

INVEJA - O FOGO QUE CONSOME



O sentimento de inveja é uma das principais causas de infelicidade.

Somente compreendendo a estrutura básica da inveja podemos reconhecer esse sentimento em nós e aprendemos a lidar com ele em nossa vida e nosso comportamento.

O mecanismo intelectual básico responsável pelos ressentimentos é a comparação.

Quando nos comparamos com os outros e nos sentimos, em algum aspecto, inferiores, estamos com inveja. Nem toda comparação leva à inveja, mas esta é sempre resultado de uma comparação.

É a vivência de um sentimento interior sob a forma de frustração, tristeza, mal estar, acanhamento, por nos sentirmos menores, menos, por não possuirmos o que o outro possui, por não sermos o que o outro é. É um desequilíbrio íntimo oriundo de um sentimento de inferioridade fruto da comparação.

Esse processo é muito sutil e encoberto. Escondemos de nós mesmos esse sentimento de inveja através de mecanismos de defesa que desde cedo nos foram sendo ensinados. Não temos consciência de que somos invejosos.

Um dos mecanismos mais comuns é o processo em que ao nos sentirmos menos que os outros nós nos aumentamos, nos vangloriamos, nos enaltecemos para evitar o mal estar do desequilíbrio. Falamos exageradamente bem de nossas próprias coisas e ao mesmo tempo procuramos diminuir o outro através de críticas. Quando criticamos alguém, quando sentimos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a ele. O arrogante é a pessoa que parte do pressuposto de que é inferior às outras pessoas.

O invejoso é incapaz de ver a luz, a alegria, o brilho, a luminosidade das outras pessoas. A inveja é própria daqueles que não encontraram respostas para a diversidade das pessoas e do mundo. Essa incapacidade de aceitar que as pessoas e as coisas sejam diferentes é uma rejeição da sua própria pessoa como sendo diferente das demais. A inveja é a auto-aversão por não sermos como os outros são.

Toda a nossa cultura é a cultura da comparação e nós aprendemos desde muito cedo a interiorizar esse processo em nosso comportamento. Como tudo está em relação, nós perdemos a capacidade de ver as coisas em si mesmas e só conseguimos entender as coisas e as pessoas em comparação umas com as outras.

Na família, por exemplo, sempre houve alguém que em um ou outro momento nos foi apontado como padrão ou a quem nós fomos apontados como modelo. É imensa a carga de comparação a que somos submetidos em toda a nossa vida. É uma força tão grande que poucas vezes nos damos conta dela.

Todo o sistema escolar é baseado na comparação. Primeiro lugar ... segundo lugar.... último lugar ... classes mais adiantadas... classes mais atrasadas ... notas ... avaliações...

Em outras instituições, na igreja, nas empresas, nos clubes, sempre nos foram dados padrões de modelos a seguir. Sempre fomos convidados a reforçar o caminho da comparação. A força da comparação é tão presente em nossas vidas que poderíamos chamá-la de sangue cultural.

Sem consciência desse processo dificilmente conseguiremos reconhecer, trabalhar e sair do sentimento de inveja. Provavelmente viveremos em estados depressivos constantes, com freqüentes sensações de impotência e inferioridade, em momentos de insatisfação, sem ao menos perceber em nós mesmos qualquer traço de inveja.

A sociedade é sempre comparativa em seus vários instrumentos de transmissão cultural. Nos filmes sempre existem nossos heróis, nossos padrões. Toda propaganda é baseada no processo comparativo entre nós e os modelos que nos são apresentados. A trama base da propaganda consiste em construir um quadro com qualidades de riqueza, poder, prestigio, inteligência, dinamismo, beleza, força, magnetismo pessoal, para que nos comparemos com os ambientes e pessoas apresentados e nos sintamos inferiores, magoados e diminuídos, e em seguida nos é indicada a solução para resolver aquele mal estar: a compra de algum produto que nos fará iguais aos padrões apresentados.

Existe um tipo de comparação com a qual sairemos do processo da inveja, é a autocomparação. Em termos sociais, psicológicos, financeiros, espirituais, estamos hoje melhores ou piores do que há algum tempo?

Há uma grande diferença entre a comparação com os outros e a comparação conosco mesmos. Na autocomparação fortalecemos o nosso ser, o nosso centro, o nosso ponto de equilíbrio. Passamos a nos dirigir de dentro em função do que realmente somos e não em função do que os outros esperam de nós. Nós passamos a ser o nosso único ponto de referência. Passamos a ser donos da nossa própria vida, pois quando nos comparamos com os outros eles são o nosso padrão, somos dirigidos de fora.

A auto-comparação leva a um fortalecimento interior, fortalecemos nossa identidade, reencontramos a nós mesmos. Passamos a ser o nosso próprio ponto de apoio. Na etero-comparação nós nos alienamos, perdemos a nossa identidade e passamos a estar na vida para realizar expectativas fora de nós.

O mundo é o mundo das diferenças. Cada pessoa tem o seu jeito, seu caminho, seu próprio nível, sempre haverá alguém melhor do que nós em algum aspecto. Não estamos no mundo para sermos mais do que ninguém, mas para realizarmos o nosso próprio potencial, sendo cada vez melhores comparados conosco mesmos.

Só quando estamos centrados em nós mesmos e o mecanismo da autocomparação já faz parte do nosso comportamento, é que nos será possível comparar-nos às outras pessoas e aprender com elas, isso é admiração.

No fundo de cada sentimento de inveja existe o sentimento de admiração, mas este só pode desabrochar quando estamos centrados no nosso próprio tamanho, em postura de agradecimento pelo que já somos ou temos. Admiração pelo outro e tristeza conosco é inveja.

Só quando formos padrão de nós mesmos reencontraremos a alegria de ser o que somos, de ter o que temos, de viver como vivemos. Somente o exercício da autocomparação nos levará à auto-aceitação, à realização do nosso próprio tamanho.

“Há cerca de 100 anos atrás um mestre idoso e coberto de honrarias estava à morte. Seus discípulos perguntaram:

- Mestre, você está com medo de morrer?

- Estou, respondeu ele. Estou com medo de me encontrar com o criador...

- Mas como, disse um discípulo, você que teve uma vida exemplar, assim como Moisés tirou-nos das trevas da ignorância...

- Você fez julgamentos justos como Salomão, disse outro discípulo.

O mestre respondeu:

- Quando eu me encontrar com Deus ele não vai me perguntar se fui Moisés ou Salomão, ele apenas vai me perguntar se eu fui eu mesmo.”
 
Fonte: http://marcoaureliorocha5.blogspot.com.br/2009/04/inveja.html#!/2009/04/inveja.html

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tentaçoes dos Tipos



A tentação do Nove é acreditar que a tranqüilidade é um valor maior;

a do Oito é acreditar no seu próprio poder;

a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;

a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;

a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
...

a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;

a do Três é acreditar na sua própria excelência;

a do Dois é acreditar na sua própria importância e,

a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.

Por: https://www.facebook.com/#!/groups/168318086565873/doc/413587732038906/

Ilusoes dos tipos


O que é estranho é que, em nossa busca da razão da vida, nós estamos na difícil situação de buscar o que é realmente bom para nós, sem um entendimento claro do que é. Cada tipo de personalidade tende a buscar, o que ele pensa que é bom para ele, nos lugares errados, da maneira errada, ou ambos.
 
  •  O Dois pensa que será feliz se for amado (ou adorado)... pelos outros,

  • O Três se for admirado pelos outros,
  • O Quatro se ele for totalmente livre para ser ele mesmo,
  •  
  • O Cinco se ele tiver certeza intelectual,
  •  
  • O Seis se ele tiver absoluta segurança,
  •  
  • O Sete se ele possuir tudo que quiser,
  •  
  • O Oito se tiver as coisas da sua maneira,
  •  
  • O Nove se ele puder "fundir-se" com alguém, e
  •  
  • O Um se ele for perfeito.

Riso e Hudson.

O que acontece quando o ego nos comanda:


Forçando os outros a amá-los,

os Dois terminam sendo odiados.

Engrandecendo-se, os Três acabam sendo rejeitados.

Seguindo somente seus sentimentos, os Quatro acabam desperdiçando suas vidas.

Impondo suas idéias sobre a realidade, os Cinco terminam desligados da realidade.

Sendo muito dependentes dos outros, os Seis terminam sendo abandonados.
...

Vivendo para o prazer, os Sete acabam frustrados e insatisfeitos.

Dominando os outros para terem o que querem, os Oito acabam destruindo tudo.

Acomodando-se demais, os Nove tornam-se conchas subdesenvolvidas e fragmentadas.

Tentando perfeição sem sensibilidade humana, os Um acabam pervertendo a própria sensibilidade.

Hudson e Riso

Remedinhos para os Tipos:


O 2 precisa superar a tendência à autodecepção com a autocompreensão do 4 saudável;

o 3, precisa superar a inveja maliciosa dos outros caminhando para a lealdade do 6;

o 4, superar a autodestrutiva subjetividade com a objetividade e autodisciplina do 1;

o 5, superar sua auto-anulação movendo-se para a coragem do 8;
 o 6, superar suas suspeitas d...os outros movendo-se para a receptividade do 9;
o 7, superar sua impulsividade movendo-se para o envolvimento do 5;

o 8, superar seu egocentrismo movendo-se para a consideração pelos outros do 2;

o 9, superar sua complacência movendo-se para a ambição do 3;

o 1, superar sua inflexibilidade movendo-se para a produtividade do 7.

Riso e Hudson

O nascimento do ego


IRA - Ela nasce da busca da perfeição. Ficamos com raiva por tudo não ser perfeito. Buscamos a perfeição em nós e nos outros como o bem maior. Assim, o E1 é minucioso, cuidadoso e crítico.
 ORGULHO - Ele nasce do esquecimento das nossas necessidades. Queremos ajudar, ser bons, não precisamos de nada. Não sabemos nem pedir. O E2 é prestativo, compre...
ensivo e paciente em aguardar o sucesso.

VAIDADE - Nasce do desejo de sermos admirados pelo que fazemos. Nem sabemos quem somos, sentimos que os outros só nos amam se temos sucesso. O E3 é a imagem do sucesso, e demonstra.

INVEJA - Nasce porque percebemos a beleza nas outras pessoas e não conseguimos perceber a nossa. Somos sensíveis, profundos e invejamos a "beleza" dos outros. O E4 é "diferente", vive no passado.

AVAREZA - Nasce porque temos medo de perder o que temos e ficarmos vazios. O que temos é precioso; conhecimento, afeição, não só dinheiro. O E5 é solitário, estudioso, técnico e observador.

MEDO - Nasce porque percebemos o mundo como um lugar cheio de perigos e de conspirações. Se não nos dizem algo, deve ser porque tem algo que pode nos ameaçar. O E6 é desconfiado, leal e vigilante.

GULA - Nasce do medo da "abundância" acabar. Como somos especiais, merecemos mais de tudo que é bom. A comida é o item mais mal interpretado neste caso. O E7 é genial, é o máximo!

LUXÚRIA - Nasce da nossa necessidade de adrenalina. Queremos ser notados, respeitados. Queremos controlar tudo e todos. O E8 é confrontador, defende os fracos, vê as pessoas como alvos.

INDOLÊNCIA - Nasce de nos sentirmos completos. Se estivermos em harmonia com o universo sempre alguém cuidará de nós. O E9 é mediador, evita confrontos, todo mundo se preocupa demais!
www.fredport.com

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cascata de Luz



“Existem os que seguem e os que param. Os que dizem “não tenho nada com isso”, e os que se sentem responsáveis por tudo e por todos. Os que só sabem criticar e os que estão presentes no sofrimento que hoje invade a Terra. Os que não matam esperanças, que não fazem mal a ninguém, e aqueles que só criticam e maltratam. Os que são covardes, por isso contra a caridade, e os que se ocupam com o sofrimento alheio. Há também os que procuram os livros doutrinários e os que os ignoram, porque os levam à verdade. Os que seguem, seguem e seguem..., buscando sempre aprender, e os que julgam que tudo sabem. A vida é uma estrada de quilômetros e mais quilômetros, mas do que suficientes para dividir os homens em duas categorias: os que seguem e os que param.”

Fonte: Luis Sergio

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O DIÁLOGO DOS POTES



"Havia dois grandes e belos potes que, num canto do quintal, falavam entre si:
- Ah que tédio! Viver aqui, exposto a tudo: sol, vento, chuva, calor... Por mais que eu me proteja, como sobreviverei? Aqui estou, perfeitamente tapado, lacrado para proteger-me e ainda assim sinto-me ameaçado, vazio. Não vejo graça em estar aqui.

Tranquilamente, com amor e humildade retruca o outro pote:
- Veja, me encontro aqui, aberto, nada me protege a boca, ou melhor, o meu interior. Cai a chuva, eu a recebo. Vem o vento, eu o sinto bem dentro de mim. Vem o sol e me leva as gotinhas que retornam para o céu. Vem o novo e eu me torno o sujeito com e ao lado dos outros. E nem por isso me sinto ameaçado...
.
- Ora, grandes vantagens! Seu interior não guarda mais a cor original como o meu, sua cor é cada vez mais diferente. Você não é mais o mesmo!
- Sim! E isso me alegra! O meu interior se transforma a cada dia à medida que novas coisas me penetram. Posso sentir cada criatura que me visita e cada uma delas deixa algo de si para mim, assim como deixo para elas, pouco a pouco, minha cor.
.
- É, mas você não tem mais paz. A todo instante você é solicitado. Carregam você todo dia para levar água, ao passo que eu permaneço em meu lugar. Ninguém me incomoda quando se aproxima, já sei que é você que eles querem.

- Sim, se solicitam é porque tenho algo a dar e o que dôo não é diferente do que você pode dar. Deixo-me encher pela água que cai da chuva, tanto sobre mim quanto sobre você. Encho-me até transbordar. Outros seres precisam desta água e eu os sirvo. Me esvazio e me deixo encher de novo. Assim minha vida é um constante dar e receber. Enquanto isso, me desinstalo, saio do meu pequeno mundo e vou ao encontro de outros mundos. Já conheci potes diversos, animais, pessoas, tantas coisas e seres! E cada um me fez perceber ainda mais o pote que sou.
.
- Não sei... se continuar assim, brevemente serás um pote quebrado, gasto e, então, do que adiantará tudo isso?
- Creio que se me desgasto a cada dia é para ser possível a vida a outros seres. Vejo que o mais importante não é ser um pote intacto, tal como fui feito, mas um pote de valor como estou me tornando.... Se vou durar pouco tempo, se o pouco que viver tiver sentido, se me trouxer alegrias e me fizer sentir cada vez mais o que é um pote, isso me basta...Já era tarde, o sol havia se escondido quando os dois se cansaram de falar. O pote aberto, sentindo-se cansado, logo adormeceu, o que não foi possível para o outro pote, que não conseguia dormir, pois algumas palavras ditas pelo companheiro lhe vinham à mente e não deixavam em paz:
.
- Participar; despojar-se; transformar o interior; paz; esvaziar-se; deixar algo de si; ser pote; deixar encher; pequeno mundo; desinstalar-se; trabalhar em equipe; escutar mais do que falar; amar; encorajar; avaliar; construir coletivamente; semear; ser feliz.
Na manhã seguinte, um pote acordava, o outro dormia, porque fora o grande o seu esforço durante a noite para retirar a tampa que o acompanhava há tanto tempo..."

Fonte: https://www.facebook.com/lucileyma.carazza#!/notes/psicoterapia-regressiva/o-di%C3%A1logo-dos-potes/379374015462703

sábado, 28 de julho de 2012

SOMOS AS ÚNICAS CRIATURAS DA FACE DA TERRA CAPAZES DE MUDAR NOSSA BIOLOGIA PELO QUE PENSAMOS E SENTIMOS!



Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente

... A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse. Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais.

Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento.

Você se transforma na interpretação quando a internaliza. Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos. A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia. Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”

Você quer saber como esta seu corpo hoje?
Lembre-se do que pensou ontem.
Quer saber como estará seu corpo amanhã?
Olhe seus pensamentos hoje!
Ou você abre seu coração,
ou algum cardiologista o fará por você

Autor: DEEPAK CHOPRA

Amor

"O amor é uma flor muito frágil. Precisa ser protegido, precisa ser fortalecido, precisa ser regado. Só assim ele se torna forte. O amor cresce somente em amor. O amor precisa de um ambiente de amor – esta é a coisa mais fundamental a ser lembrada. Somente num ambiente de amor é que o amor cresce." Osho

OS 7 NÍVEIS DE SERES HUMANOS ( Gurdjieff )


Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

- Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio?

...- Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da humanidade do planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

- Mas, Mestre, que níveis são esses?

- Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação. Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em outro local, em outra dimensão do espaço e tempo. O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles.

Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

- Dê-lhe um tapa no rosto.

- Mas por quê? Ele não me fez nada…

- Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.

Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque. Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”.

Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2. Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte. Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2: pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida.

Se ele julgar-se mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu?

Repita o mesmo com esse aí que vem chegando, o nível 3. A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

- O que é isso, moço? Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!

- Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

- E querem ver como reajo?

- Sim. Exatamente isso… e como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

- Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas... E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento. Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatões!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

- Agora, você já sabe como age o homem do nível 3: gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam.

Prefere deixar tudo pra lá, pois não tem tempo para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os outros.

É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar.

É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso.

Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se. O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

- Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

- Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

- Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

- É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

- Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada jamais poderá ser conseguido, em termos de evolução.

O Mestre assim comentou:

- O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio.

Não é, em absoluto, um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois.

Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5. O tapa estalou.

- Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

- Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

- Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…

- Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer.

Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento.

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

- Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita.

O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entendera como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

- Meu filho querido! Por que você queria ferir a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que o último em que estiveram. Então o Mestre falou:

- Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o ser humano em sua senda evolutiva, ainda na matéria, no planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando. Vamos ver como reage o homem do nível 7.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

- Bata nele! – ordenou o Mestre.

- Não posso, Mestre, não posso…

- Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

- Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

- Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente porque ainda existem guerras na Humanidade.

- Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…- Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

- Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

- Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção

- Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

- Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder.

Diz o Mestre:

- A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo, e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico.

Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar este conhecimento, esta grande Verdade: “somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa”.

- Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

- Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já fostes energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

- Mas mesmo assim, então não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

- E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste planeta Terra.

O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações.

Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso.

Entendestes, filho meu?
 

domingo, 22 de julho de 2012

ALGUÉM PRECISA DE VOCÊ

 Você já se sentiu alguma vez como um zero à esquerda, ou seja, sem valor algum?

Você pode responder que não, mas outras tantas pessoas já tiveram o seu dia de baixa autoestima.
... São aqueles dias em que a gente olha ao redor e não consegue ver nada em que possamos ser úteis.
No entanto, e por essas mesmas razões, há sempre alguém que precisa de você.
Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar.
Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte.
Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude a vencer a timidez.
Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para conversar.
Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão.
Há pessoas fortes, mas que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usar a sua força.
Há pessoas habilidosas que precisam que alguém as ajude a descobrir a melhor maneira de usar sua habilidade.
Há pessoas que julgam não saber fazer nada e que precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer.
Há pessoas apressadas que precisam de alguém que lhes mostre tudo o que não têm tempo para ver.
Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros.
Há pessoas que se sentem perdidas e precisam de alguém que lhes mostre o caminho.
Há pessoas que se julgam sem importância alguma e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são valiosas.
E você, que muitas vezes pensa não ter nenhuma utilidade, pode ser justamente a pessoa que alguém está precisando agora...
É claro que você não precisa, nem pode ser a solução para todos os problemas, mas faça o melhor ao seu alcance.
Se não puder ser uma árvore frondosa no topo da colina, seja um arbusto no vale - mas seja o melhor arbusto do vale.
Se não puder ser um arbusto, seja um ramo - mas seja o ramo mais exuberante a enfeitar a paisagem.
E se não puder ser um ramo, seja um pequeno tapete de relva para dar alegria a algum caminhante...
Se deseja ser um lindo ramalhete de flores perfumadas, e não consegue, seja uma singela flor silvestre - mas seja a mais bela.
E nesse esforço de ser útil a alguém que precisa de você, irá cada vez se tornando mais forte e mais confiante.
E todos as alegrias que espalhar pelo caminho serão as mesmas alegrias que encontrará na própria estrada.
Por mais difícil que esteja a situação, nunca deixe de lembrar que alguém precisa de você. E o mais importante: você pode ajudar alguém.
* * *
A Terra é uma grande escola, onde o Criador nos matriculou para que aprendamos a ser felizes.
A grande maioria das pessoas que habita este planeta não é completamente feliz.
Somos todos caminheiros da estrada chamada evolução, e, num momento ou noutro pode ser que precisemos de alguém.
Assim sendo, como sempre estamos rodeados de pessoas, é importante que você fique alerta, pois ao seu lado pode estar alguém que precise de você, neste exato momento.

Redação do Momento Espírita
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Linguagem corporal





Comportamento não verbal
Possíveis Interpretações
Movimentação rápida, andar ereto
Confiança
Parar com as mãos na cintura
Incompreensão, agressividade
Sentar com pernas cruzadas e pequenos
chutes no ar.
Cansaço, aborrecimento
Sentar com as pernas abertas
Abertura, relaxamento
Braços cruzados no peito
Defensiva
Andar com as mãos nos bolsos, olhando
para baixo
Falta de entusiasmo, desmotivado.
Mãos nas maças do rosto
Avaliação, pensamento.
Coçar o nariz, tocar o nariz ao falar.
Dúvida, mentira.
Esfregar os olhos
Descrença, Dúvida, mentira
Mãos fechadas atrás das costas
Frustração, ódio.
Tornozelos fechados
Apreensão
Apoiar a cabeça nas mãos, olhar para baixo
longamente
Aborrecimento
Esfregar as mãos
Antecipação, ansiedade
Sentar com as mãos para trás da cabeça e
de pernas cruzadas
Confiança, Superioridade
Mãos abertas, palmas para cima.
Sinceridade, inocência, abertura
Coçar a ponta do nariz, olhos fechados
Avaliação negativa
Batucar com os dedos, olhar o relógio.
Impaciência.
Estalar os dedos
Autoridade
alisar o cabelo
insegurança
Inclinar/ Virar a cabeça na direção…
Interesse
coçar o queixo
Pensando
Desviar o olhar
Desconfiança
Roer unhas
Ansiedade, insegurança
Puxar ou coçar a orelha
Indecisão

Fonte: http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=4163239601958795038#editor/target=post;postID=7513227304577140653


Por que vc esta triste?
Se a vida é tão bela!

Por que desistir?
Se a vida é uma missão criada por Deus!

Por que lágrimas?
Se a vida é repleta de bênçãos para sorrirmos!

Por que amarguras?
Se a vida é uma canção!

Por que sentes ódio?
Se a Vida foi feita para verdadeiramente amar-Ágape!

Por que tantas intrigas?
Se a vida é Paz!

Por que blasfemar?
Se a vida foi feita para orar sem cessar!

Por que mentir?
Se a vida é uma verdade!

Por que sentir-se pobre?
Se a vida é uma riqueza!

Por que sofrer?
Se a vida é superação!

Por que temer?
Se a vida é feita de Fé!

Por que fracassos?
Se a vida é uma grande vitória!

Por que ofender-se?
Se a vida é perdão!

Por que ser infeliz?
Se a vida é uma grande felicidade!

Por que problemas?
Se a vida é uma grande solução!

Por que trevas?
Se DEUS é a fonte Luz!


“TODO AQUELE QUE BUSCA O CONHECIMENTO
CORRE GRANDES RISCOS, INCLUSIVE O DE
MERGULHAR NO ABISMO DA SOLIDÃO”...
STEPHAN A. HOELLER.


 
Se não quiser adoecer: “Fale de Sentimentos”
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.
Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer.
E...ntão vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer: “Tome Decisão”
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia.
A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões.
A história humana é feita de decisões.
Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas
e problemas de pele.

Se não quiser adoecer: “Busque Soluções”
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo.
Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe.
Somos o que pensamos.
O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer: “Não viva de aparências”
Quem esconde a realidade finge, faz pose, perfeito, bonzinho etc.,
Está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e pouca raiz.
Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer: “Aceite-se”
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos.
Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.
Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer: “Confie”
Quem não confia não se comunica não se abre não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento.
A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer: “Não viva sempre triste”
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa.
A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
“O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.
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Autos: Desconhecido

terça-feira, 17 de julho de 2012

Um breve resumo do gnosticismo

A visão de mundo gnóstica:
Um breve resumo do gnosticismo

Gnosticismo é o ensino baseado na Gnose, o conhecimento da transcendência alcançado por meio de interiores, meios intuitivos. Embora o gnosticismo, portanto, repouse sobre a experiência religiosa pessoal, é um erro assumir que todas essas experiências resultem em reconhecimentos gnósticos. É mais perto da verdade dizer que o gnosticismo ex...pressa uma experiência religiosa específica, uma experiência que não se presta à linguagem da teologia ou da filosofia, mas que tem muita afinidade, e se expressa por meio do mito. De fato, verifica-se que a maior parte das escrituras gnósticas tomam a forma de mitos. O termo "mito" não deve aqui ser entendida como "histórias que não são verdadeiras", mas sim, que as verdades incorporadas nesses mitos são de uma ordem diferente dos dogmas da teologia ou as declarações de filosofia.

No seguinte resumo, vamos tentar encapsular em prosa o que os mitos gnósticos expressam em sua língua distintamente poética e imaginativa.
O Cosmos

Todas as tradições religiosas reconhecem que o mundo é imperfeito. Onde eles diferem é nas explicações que oferecem como responsáveis por esta imperfeição e no que eles sugerem pode ser feito a respeito. Gnósticos têm a sua própria - talvez bastante surpreendente - visão dessas questões: eles sustentam que o mundo é falho porque foi criado de forma errada.

Como o budismo, gnosticismo começa com o reconhecimento fundamental de que a vida terrena é cheia de sofrimento. A fim de alimentar-se, todas as formas de vida consomem uns aos outros, assim, trazem a dor, medo e morte sobre os outros (mesmo os animais herbívoros vivem destruindo a vida das plantas). Além disso, as chamadas catástrofes naturais - terremotos, inundações, incêndios, secas, erupções vulcânicas - trazem mais sofrimento e morte em seu rastro. Os seres humanos, com sua complexa fisiologia e psicologia, estão conscientes não apenas dessas facetas dolorosas da existência terrena. Eles também sofrem com o reconhecimento frequentes que são estranhos vivendo em um mundo que é falho e absurdo.

Muitas religiões defendem que os seres humanos devem ser responsabilizados pelas imperfeições do mundo. Apoiando essa visão, eles interpretam o mito do Gênesis como declarando que as transgressões cometidas pelo primeiro casal humano provocou uma "queda" da criação resultando no atual estado de corrupção do mundo. Gnósticos respondem que esta interpretação do mito é falso. A culpa por falhas do mundo não reside nos seres humanos, mas no criador. Uma vez que - especialmente nas religiões monoteístas - o criador é Deus, esta posição gnóstica parece uma blasfêmia, e muitas vezes é visto com espanto até mesmo por não-crentes.

Maneiras de escapar do reconhecimento da criação imperfeita e seu criador imperfeito foram criadas vezes e vezes, mas nenhum desses argumentos têm impressionado os gnósticos. Os antigos gregos, especialmente os platônicos, aconselhavam as pessoas a olharem para a harmonia do universo, de modo que, venerando a sua grandeza podessem se esquecer de suas aflições imediatas. Mas desde que essa harmonia ainda contém as falhas cruéis, desamparo e alienação da existência, este conselho é considerada de pouco valor pelos gnósticos. Nem é a idéia oriental de Karma considerada pelos gnósticos como uma explicação adequada da imperfeição da criação e do sofrimento. Karma na melhor das hipóteses só pode explicar como a cadeia de sofrimento e da imperfeição funciona. Ele não nos informa porque esse sistema doloroso e maligno deveria existir , em primeiro lugar.

Uma vez que o choque inicial da natureza "incomum" ou "blasfema" da explicação gnóstica do sofrimento e da imperfeição do mundo desaparece, pode-se começar a reconhecer que é na verdade a mais sensata de todas as explicações. Para apreciá-la plenamente, no entanto, é necessária uma familiaridade com a concepção gnóstica da Divindade , tanto em sua essência original como o Verdadeiro Deus e na sua manifestação aviltada como o Deus falso ou criador.

Divindade

O conceito de Deus gnóstico é mais sutil do que a maioria das religiões. Em seu caminho, ele une e concilia os reconhecimentos de monoteísmo e do politeísmo, bem como do deísmo , teísmo e panteísmo.

Na visão gnóstica, há um verdadeiro Deus, supremo e transcendente, que está além de todos os universos criados e que nunca criou nada no sentido em que a palavra "criar" é normalmente entendida. Embora este Verdadeiro Deus não moldou ou criou qualquer coisa, Ele (ou, It) "emanou" ou trouxe de dentro de si a substância de tudo o que existe em todos os mundos, visíveis e invisíveis. Em certo sentido, portanto, pode ser verdade dizer que tudo é Deus, pois tudo consiste na substância de Deus. Da mesma forma, também deve ser reconhecido que muitas partes da essência divina original que foram projetadas para longe da sua fonte passaram por mudanças prejudiciais no processo. Adorar o cosmos, ou natureza, ou criaturas encarnadas é, portanto, equivalente a adorar porções alienados e corruptas da essência divina emanada.

O mito gnóstico básico tem muitas variações, mas todas elas se referem a Aeons, intermediários seres divinos que existem entre o Verdadeiro Deus e nós mesmos. Eles, juntamente com o Verdadeiro Deus, compreendem o reino da Plenitude (Pleroma) em que a potência da divindade opera plenamente. A plenitude está em contraste com o nosso estado existencial, que em comparação pode ser chamado de vazio.

Um dos seres aeonicos que leva o nome Sophia ("Sabedoria") é de grande importância para a visão de mundo gnóstica. No curso de suas jornadas, Sophia veio a emanar de seu próprio ser uma consciência falha, um ser que se tornou o criador do cosmos material e psíquico, os quais ele criou à imagem de sua própria natureza falha. Este ser, sem saber de suas origens, imaginou-se ser o Deus supremo e absoluto. Já que assumiu a essência divina já existente e moldou-a em várias formas, ele é também chamado o Demiurgo ou "meio-construtor", há uma meia verdade, um verdadeiro componente deifico dentro da criação, mas que não é reconhecido pelo Demiurgo e por seus asseclas cósmicos, os Arcontes ou "governantes".

O Ser Humano

A natureza humana espelha a dualidade encontrada no mundo: na parte que foi feita pelo falso Deus criador e em parte consiste na luz do Verdadeiro Deus. Humanidade contém componentes perecíveis físicos e psíquicos, bem como um componente espiritual que é um fragmento da essência divina. Esta última parte é muitas vezes simbolicamente referida como a "centelha divina". O reconhecimento dessa dupla natureza do mundo e do ser humano deu à tradição gnóstica o epíteto de "dualista".

Os seres humanos são geralmente ignorantes da centelha divina dentro de si. Esta ignorância é fomentada na natureza humana pela influência do criador falso e seus Arcontes, que juntos têm a intenção de manter homens e mulheres ignorantes de sua verdadeira natureza e destino. Qualquer coisa que nos faz permanecer preso às coisas terrenas serve para nos manter em escravidão por esses governantes inferiores cósmicos. A morte liberta a centelha divina de sua prisão humilde, mas se não houve um trabalho substancial de Gnose realizado pela alma antes da morte, torna-se provável que a centelha divina vai ser arremessada de volta, e então re-incorporado dentro das dores e da escravidão do mundo físico.

Nem todos os seres humanos são espirituais (pneumáticos) e, portanto, aptos para a gnose e libertação. Alguns são seres terrenos e materialistas (hyleticos), que reconhecem apenas a realidade física. Outros vivem em grande parte na sua psique (psíquicos). Essas pessoas geralmente confundem o Demiurgo como o Verdadeiro Deus e têm pouco ou nenhum conhecimento do mundo espiritual além da matéria e mente.

No curso da história, o ser humano progrediu da escravidão materialista sensualista, por meio da religiosidade ética, para a liberdade espiritual e a Gnose libertadora. Como o estudioso G. Quispel escreveu: "O mundo espiritual no exílio deve passar pelo Inferno da matéria e pelo Purgatório da moral para chegar ao paraíso espiritual." Esse tipo de evolução da consciência foi idealizado pelos gnósticos, muito antes da conceito de evolução ser conhecido.

Salvação

Forças evolutivas não são suficientes, no entanto, para trazer liberdade espiritual. Os seres humanos estão presos em uma situação que consiste da existência física combinada com a ignorância de suas verdadeiras origens, sua natureza essencial e seu destino final. Para serem liberados desta situação, os seres humanos necessitam de ajuda, mas eles devem também contribuir com seus próprios esforços.

Desde os primeiros tempos Mensageiros da Luz têm vindo sucessivamente a partir do Verdadeiro Deus, a fim de ajudar os seres humanos em sua busca de Gnose. Apenas algumas dessas figuras salvíficas são mencionados nas escrituras gnósticas, alguns dos mais importantes são Seth (o terceiro filho de Adão), Jesus, e o Profeta Mani. A maioria dos gnósticos sempre olhou para Jesus como a figura salvadora principal (o Soter).

Gnósticos não buscam ser salvos do pecado (original ou outro), mas da ignorância de que o pecado é uma conseqüência. Ignorância - pelo qual se entende a ignorância das realidades espirituais - é dissipada apenas pela Gnose, e a revelação decisiva da Gnose é trazida pelos Mensageiros da Luz, especialmente por Cristo, o Logos do Deus Verdadeiro. Não é por Seu sofrimento e morte, mas por Sua vida de ensino e Seu estabelecimento de mistérios que Cristo realizou a sua obra de salvação.

O conceito gnóstico da salvação, como outros conceitos gnósticos , é sutil. Por um lado, a salvação gnóstica pode ser facilmente confundida com uma experiência sem mediação individual, uma espécie de projeto "faça-você-mesmo" espiritual. Gnósticos afirmam que o potencial para a Gnose, e, portanto, para a salvação está presente em cada homem e mulher, e que a salvação não é vicária, mas individual. Ao mesmo tempo, eles também reconhecem que a Gnose e a salvação podem ser, na verdade, devem ser estimuladas e facilitadas a fim de efetivamente surgir na consciência. Este estímulo é fornecido pelos Mensageiros da Luz que, além de seus ensinamentos, estabeleceram mistérios salvíficos (sacramentos) que podem ser administradas pelos apóstolos dos Mensageiros e seus sucessores.

É preciso lembrar também que o conhecimento de nossa verdadeira natureza - bem como outras realizações associadas - são retidos de nós pela nossa própria condição de existência terrena. O Verdadeiro Deus da transcendência é desconhecido neste mundo, na verdade ele é muitas vezes chamado de pai desconhecido. Assim, é óbvio que a revelação do Alto é necessário para trazer a salvação. A centelha que habita deve ser despertada do seu sono terrestre pelo conhecimento salvador que vem "de fora".

Conduta

Se as palavras "ética" ou "moral" são tomadas no sentido de um sistema de regras, então o gnosticismo se opõe a ambos. Tais sistemas geralmente se originam com o Demiurgo e são secretamente concebido para servir os seus propósitos. Se, por outro lado, se a moral consistir de uma integridade interior resultante da iluminação da centelha residente, em seguida, o gnóstico abraçará esta ética existencial espiritualmente esclarecida como ideal.

Para o gnóstico, mandamentos e regras não são salvíficos, eles não são substancialmente propícios para a salvação. Regras de conduta podem servir a fins diversos, incluindo a estruturação de uma sociedade ordenada e pacífica, e a manutenção de relações harmoniosas dentro de grupos sociais. Regras, no entanto, não são relevantes para a salvação, que é provocada apenas pela Gnose. A moralidade, portanto, precisa ser vista principalmente em termos temporais e secular, é sempre sujeita a alterações e modificações de acordo com o desenvolvimento espiritual do indivíduo.

Como observado na discussão acima, "materialistas" hiléticos normalmente têm pouco interesse na moralidade, enquanto disciplinadores "psíquicos", muitas vezes concedem-lhe uma grande importância. Em contraste, as pessoas "pneumáticas" espirituais são geralmente mais preocupados com outros assuntos mais elevados. Diferentes períodos históricos também exigem atitudes variantes relativas à conduta humana. Assim, ambos os movimentos gnósticos e maniqueístas dos Cátaros, que funcionavam em tempos onde a pureza de conduta foi considerada como uma questão de importância elevada, responderam na mesma moeda. O período atual da cultura ocidental, talvez, se assemelha em muitas maneiras à Alexandria s do segundo e terceiro séculos. Parece, portanto, apropriado que os gnósticos em nossa era adotem as atitudes do gnosticismo alexandrino clássico, onde as questões de conduta foram em grande parte deixadas para a percepção do indivíduo.

Gnosticismo abrange inúmeras atitudes gerais em relação à vida: ele incentiva o não-apego e não-conformidade com o mundo, um "estar no mundo, mas não ser do mundo", a falta de egoísmo, e um respeito pela liberdade e dignidade dos outro seres. No entanto, pertence à intuição e sabedoria de cada individuo destilar a partir dessas diretrizes os princípios individuais para a sua aplicação pessoal.

Destino

Quando Confúcio foi questionado sobre a morte, ele respondeu: "Por que você me pergunta sobre a morte quando você não sabe como viver?" Essa resposta poderia facilmente ter sido dada por um gnóstico. Para uma pergunta semelhante colocada no Evangelho gnóstico de Tomé, Jesus respondeu que os seres humanos devem vir pela Gnose a conhecer a realidade inefável divina de onde se originaram, e para onde eles vão voltar. Este conhecimento transcendental deve chegar a eles, enquanto eles ainda estão encarnados na Terra.

A morte não traz automaticamente a libertação da escravidão nos domínios do Demiurgo. Aqueles que não alcançaram a uma Gnose libertadora enquanto eles estavam encarnados podem ficar presos na existência, mais uma vez. É muito provável que isto possa ocorrer através do ciclo de renascimentos. O gnosticismo não enfatiza a doutrina da reencarnação com destaque, mas é implicitamente entendido, na maioria dos ensinamentos gnósticos que aqueles que não fizeram contato efetivo com suas origens transcendentais enquanto estavam encarnados teriam que voltar para a triste condição da vida terrena.

No que diz respeito à salvação, ou o destino do espírito e da alma após a morte, a pessoa precisa estar ciente de que a ajuda está disponível. Valentino, o maior dos mestres gnósticos, ensinava que Cristo e Sophia aguardam o homem espiritual - os gnósticos pneumáticos - na entrada do Pleroma, e ajuda-os a entrar na bodas do reencontro final. Ptolomeu, discípulo de Valentino, ensinou que, mesmo os que não são pneumáticos, os psíquicos, podem ser redimidos e viver em um paraíso na entrada do Pleroma. Na plenitude dos tempos, cada ser espiritual receberá Gnose e serão unidos com o seu Eu Superior - o Gêmeo angelical - tornando-se qualificado para entrar no Pleroma. Nada disso é possível, entretanto, sem se esforçar seriamente para alcançar a Gnose.

Gnosis e Psique: Uma Conexão com a psicologia profunda

Ao longo do século XX, a nova disciplina científica da psicologia profunda ganhou muito destaque . Entre os psicólogos da profundidade que têm demonstrado um interesse acentuado e informado no gnosticismo, um lugar de destaque sinal pertence a C G Jung. Jung foi fundamental para chamar a atenção para a biblioteca de Nag Hammadi dos escritos gnósticos em 1950 porque ele percebeu excepcional relevância psicológica de idéias gnósticas.

O estudioso notável de gnosticismo, G. Filoramo, escreveu: " Asreflexões de Jung estavam imersas desde muito tempo no pensamento dos gnósticos antigos, de tal forma que ele os considerava os descobridores virtuais da" psicologia profunda "... A Gnose antiga, embora em sua forma de religião universal, em certo sentido, antecipa, e ao mesmo tempo ajudou a esclarecer, a natureza da terapia espiritual junguiana . " À luz de tais reconhecimentos alguém pode perguntar: "É o gnosticismo uma religião ou uma psicologia?" A resposta é que ele pode muito bem ser ambos ao mesmo tempo. A maioria dos mitologemas encontrados nas escrituras gnósticas possuem relevância e aplicabilidade psicológica . Por exemplo, o cego e arrogante demiurgo criador-tem uma estreita semelhança com o ego humano alienado que perdeu contato com o Self-ontológico. Além disso, o mito de Sophia lembra de perto a história da psique humana que perde sua conexão com o inconsciente coletivo e precisa ser resgatada pelo Self. Analogias desse tipo existem em grande profusão.

Muitos ensinamentos esotéricos proclamaram: "Como é em cima, assim é embaixo". Nossa natureza psicológica (o microcosmo) reflete a natureza metafísica (o macrocosmo), assim o gnosticismo pode possuir tanto uma autenticidade religiosa quanto psicológica. Psicologia gnóstica e religião gnóstica não precisam se excluir, mas podem complementar um ao outro dentro de uma ordem implícita da totalidade. Os Gnósticos sempre declararam que a divindade é imanente ao espírito humano, embora não se limita a ele. A convergência do ensino religioso gnóstico com uma visão psicológica é, portanto, perfeitamente compreensível em termos de princípios gnósticos consagrados pelo tempo .

Conclusão

Alguns autores fazem uma distinção entre "Gnose" e "gnosticismo". Tais distinções são ao mesmo tempo úteis e enganosas. Gnose é, sem dúvida, uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo, por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência da Gnose. Por esta razão, em outros idiomas além do Inglês, a palavra Gnose é muitas vezes utilizada para designar tanto a experiência quanto a visão de mundo (Die Gnosis em alemão, la Gnose em francês).

Em certo sentido, não há Gnosis sem Gnosticismo, pois a experiência de Gnose inevitavelmente evoca uma visão de mundo em que ela encontra o seu lugar. A visão de mundo gnóstica é experiencial, e se baseia em um certo tipo de experiência espiritual da Gnose. Portanto, não vai funcionar omitir ou diluir, várias partes da visão de mundo gnóstica, pois fosse alguém fazer isso, a visão de mundo já não estaria de acordo com experiência.

A teologia tem sido chamada de um embrulho intelectual em torno do núcleo espiritual de uma religião. Se isso for verdade, então também é verdade que a maioria das religiões estão se estrangulando e sufocando por seus 'pacotes'. O gnosticismo não corre este risco, porque sua visão de mundo é afirmado no mito ao invés de na teologia. Mitos, incluindo os mitos gnósticos, podem ser interpretados de diversas maneiras. Numinosidade Transcendente,, bem como arquétipos psicológicos, juntamente com outros elementos, desempenham um papel em tal interpretação . Ainda assim, tais declarações míticas falam de verdades profundas, que não podem ser negadas.

O Gnosticismo pode trazer-nos essas verdades com uma alta autoridade, pois ele fala com a voz da parte maior do ser humano - o espírito. Deste espírito, foi dito ", que sopra onde quer". Esta então é a razão pela qual a visão de mundo gnóstica não pôde ser extirpada apesar de muitos séculos de perseguição.

A visão de mundo gnóstica sempre foi oportuna, pois ela sempre respondeu melhor ao "conhecimento do coração" que é a verdadeira Gnose . Ainda hoje, a sua atualidade está aumentando,pois o final do segundo milênio viu a deterioração radical de muitas ideologias, que evitavam as grandes perguntas e respostas respodidas pelo gnosticismo. A clareza, franqueza e autenticidade da resposta gnóstica para as questões da condição humana não podem deixar de impressionar e (com o tempo) convencer. Se as suas reacções a este resumo tiverem sido da mesma forma positiva, então talvez você seja um gnóstico !

+ Stephan A. Hoeller (Tau Stephanus, bispo gnóstico)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Boca de Deus


Imagine que para cada súplica que fizéssemos ao Alto, Deus se materializasse em forma de um anjo, e com cada um de nós conversasse, apresentando a solução dos nossos problemas. Isso não é impossível de acontecer. Há homens santos, que diante do seu alto grau de evolução espiritual, conseguem, sim, conversar pessoalmente com Deus.
Todavia, a Sabedoria Divina é infinita.
Afinal, se qualquer um de nós, diante de cada problema surgido, pudesse, pessoalmente, recorrer a Ele para obtermos uma resposta concreta, fisicamente comprovada, para as nossas aflições, a nossa vida perderia sentido.
Viveríamos mais em função da resposta astral do que da real compreensão daquilo que nos aflige. Perderíamos o mérito da busca da solução e o crescimento que deriva de todo o sofrimento purificador da nossa luta. As nossas frontes suplicantes ficariam incessantemente voltadas para cima, para o Alto, esperando o divino anjo portador da resposta esperada, e deixaríamos de enfrentar aquilo que nos atormenta, esquecendo, até mesmo, da mão amiga do próximo que nos apoia.
Não faz muito, vi uma das minhas filhas tentando desesperadamente engatinhar para pegar um brinquedo que estava a poucos centímetros de si. Minha reação foi imediata. Correr, pegar o brinquedo e entregar-lhe. Mas não o fiz. Pois, se assim o fizesse, o mérito não seria dela. Seria meu. E, em uma próxima vez, ela ainda não andaria, esperaria prostrada, suplicante, a mão do seu pai afastar de si o seu problema. Eu, então, mesmo com o coração apertado, confesso, fiquei murmurando incentivos em seu ouvidinho, e, em poucos segundos, com esforço, ela chegou, sozinha, ao brinquedinho e sorriu.
Deus, certamente, também faz assim. Para o mérito da conquista ser nosso, o sofrimento santificador é o peso da nossa espada.
Não imaginemos, todavia, que, diante das nossas súplicas, Deus permaneça indiferente. A Boca de Deus fala de muitas maneiras. Se o anjo não se materializa, não quer dizer que Deus não ouça e não fale. O Pai fala, por meio de muitas bocas.
Nunca esqueço um fato verídico ocorrido com uma pessoa próxima. Suplicou a Deus durante noites a resposta a um problema. Orou fervorosamente. Talvez haja esperado a chegada de um anjo com uma pronta resposta. Mas ele não lhe apareceu. Um dia, pouco tempo depois, já tendo se desapegado do problema, esperando vez na fila de um telefone público, ouviu parte da conversa do usuário que estava à sua frente. Ficou chocada, em profunda gratidão beatífica. Acabara de ouvir a resposta que esperava, por meio de um estranho, que conversava descontraidamente pelo telefone.
Era a boca de Deus, que fala de muitas maneiras. Por uma voz na multidão, uma frase escrita em uma carta ou no fundo de um veículo, e, principalmente, por meio da nossa intuição.
Porque Deus tudo vê e nunca nos desampara. Nunca duvide.
Bom sábado, meus amigos do coração!

Pablo Stolze (postado no www.facebook.com/pablostolze)

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