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Escrito por Chuan Zhi Traduzido do Inglês por Chuan Yuan Shakya |
E u a conhecia desde que ela era uma criança, mas não a havia visto por muitos anos. Ela estava agora com vinte e poucos anos, cheia de vida e energia. Ela proclamou-se ateísta e queria saber sobre o Zen porque, como ela disse, "Budistas não acreditam em Deus". Conversamos por quase uma hora. "Porquê você acredita que não há deus?", perguntei. "Porquê eu deveria acreditar que existe um deus se não há evidência disso? Onde está um deus que eu possa ver, tocar, ouvir, ou sentir de alguma outra forma? Acreditar em Deus é acreditar em uma ilusão." "Então, você quer dizer que porque você não pode perceber Deus com seus sentidos, deus não existe?" eu perguntei. Sou uma pessoa racional!" Ela enfatizou o "racional". E se alguém mais puder perceber Deus?" perguntei a ela. "Então eles estão se enganando." "Como você sabe?" Continuei com a linha de pensamento. "E se eles tiverem a profundidade de consciência, a habilidade de expandir a consciência, que permite que eles percebam deus e você não?" "Bom, eu acho que se existe um deus, eu deveria poder percebê-lo. Que habilidade alguém mais poderia ter que eu não tenho?" "Se lembra de quando você era uma criança", perguntei, "quando o mundo parecia confuso e talvez um pouco assustador?" "Sim." Ela disse, olhando para mim e estranhando um pouco a mudança de assunto. Mas ela continuou. "Me lembro de ter medo no meu quarto. Eu fingia que haviam cães de guarda embaixo da minha cama que me protegeriam â noite." "Você ainda tem cães de guarda embaixo da cama â noite?" Ela riu. "Então, você concorda que compreensão e consciência podem mudar â medida que nós crescemos?" "Sim?" Ela hesitou, talvez imaginando onde eu estava querendo chegar com aquele pensamento. "Então, porque você quer acreditar que não existe deus, quando, na verdade, pode ser possível conhecer, por experiência, deus? Poderia ser que existe alguma satisfação, talvez conforto, na 'descrença' em deus?" Ela disse que não estava entendendo onde eu queria chegar. A mente é uma coisa engraçada, começei. Parece que não se permite aprender ou entender novas coisas a não ser que esteja em um modo receptivo -- um modo de não-negação. Quando se posiciona contra algo, não admite qualquer novo conhecimento que possa estar fora da sua atual percepção. Há muitos exemplos disso na história da raça humana -- exemplos que muitos de nós conhecemos; por exemplo, levou décadas depois que cientistas e exploradores mostraram que o mundo não era plano para que as pessoas acreditassem nisso. A mente simplesmente não gosta de abrir mão das suas crenças. Mesmo hoje há os que se recusam a acreditar que o homem já pôs o pé na lua. Podem ser uma pequena minoria, mas insistem que qualquer um que acredite nestas coisas está viajando em fantasias. Devemos acreditar neles? Grandes descobertas acontecem quando a mente chega ao lado de fora, além das fronteiras do conhecimento existente. A teoria das forças de Isaac Newton, a relatividade restrita de Einstein, a teoria dos quarks de Gell-Mann -- suas contribuições para a ciência podem ser inquestionáveis hoje, mas levou anos até que seus pensamentos fossem considerados explicações plausíveis da natureza, mesmo por seus colegas. nenhum destes homens sabia onde suas incursões em terrenos mentais inexplorados os levaria. Suas descobertas estavam tão fora da mente-coletiva científica existente, que tiveram que inventar nova matemática para descrever e explicar as suas descobertas, de outra forma inacreditáveis. "Mas como eu posso não acreditar em deus sem acreditar em deus?" Ela perguntou. "Existe crença e descrença -- alguém ou acredita em algo ou não acredita." "Você acha que Einstein 'acreditava' na relatividade restrita quando a descobriu?" Perguntei. "Sabia que ele confessou que não acreditava mesmo depois de ter descoberto? Mas aquilo não fez a teoria ir embora; não afetou o fato da relatividade restrita ser verdade. Não fez diferença nenhuma em quê ele acreditava. É assim que a realidade é. Está lá quer você acredite ou não." Ela me olhou em silêncio por alguns momentos. "A realidade é independente do que acreditamos..." ela parecia estar pensando consigo mesma. "Quando você vai â loja você pega as chaves e vai até o seu carro. Você precisa acreditar no seu carro para dirigir até a loja?" Dois passos de distância separam crença da realidade que está sendo acreditada. Quando falamos sobre crença falamos apenas sobre crença, não sobre algo mais -- a crença cria sua própria realidade. A crença é a resposta dualista da mente a uma idéia ou percepção. A realidade pode apenas ser percebida diretamente, antes que a mente a filtre. Depois que o cérebro interpreta a realidade a nova realidade é apenas a interpretação. Este é o primeiro passo da distância. Depois que a mente completou sua interpretação, ela verifica como esta interpretação se encaixa no resto das experiências que ela processou durante anos. Como a mente é inerentemente dualista, ou seja, como ela categoriza as coisas como verdade ou mentira, bom ou ruim, certo ou errado, ela cobre a interpretação com opinião. Este é o segundo passo da distância. Depois que chegamos neste ponto, tendemos a perder qualquer compreensão que tínhamos da realidade que começou o episódio. Ao invés de ver uma pilha de latas usadas e copos de papel em uma esquina, vemos uma "pilha de lixo"; ou ao invés de ver um homem vindo pela rua, vemos "um indigente desabrigado". "Então, você está dizendo que não devemos acreditar em nada?" ela persistiu. "Nós não ensinamos as crianças no que acreditar e no que não acreditar para que elas possam sobreviver no mundo quando forem adultas?" "Quando ensinamos nossas crenças para as crianças, não nos limitamos a ensinar nossas crenças? As crenças não são abstrações do que é real? Lemos uma história para nossas crianças sobre animais da fazenda e elas aprendem algo daquilo. Então as levamos â fazenda e elas vêem e sentem um porco ou um cavalo. Elas aprendem um pouco daquilo. Quando elas ficarem mais velhas, talvez nós as coloquemos num cavalo e as deixemos montá-lo. Ou deixamos que alimentem os porcos e patos. Elas aprendem ainda mais sobre os animais com estas experiências. Agora, se nós tomássemos todas as experiências delas â medida que crescerem e apenas contássemos histórias sobre os animais da fazenda, elas aprenderiam sobre eles apenas através das abstrações das histórias. Não existe uma diferença entre estes dois tipos de conhecimento? Na verdade não, mas existe uma differença no quê é conhecido. A criança que cresceu apenas com as histórias não precisaria ter fé no fato de que as histórias são baseadas numa realidade subjacente -- que existem, de fato, animais de fazenda no mundo mesmo que elas nunca tenha visto, tocado, cheirado ou alimentado um?" A fé, sem crença, nos prepara psicologicamente para encontrar o real que ainda não foi vislumbrado. Por esta razão, a fé em Deus é ensinada em muitas religiões como uma forma de nos preparar para um encontro com Deus. Uma vez que o real é encontrado, a fé e a crença são deixadas como o casulo de uma borboleta. A casca protetora da fé não é mais necessária. A criança que apenas leu sobre os animais da fazenda adquire fé na sua existência, mas mais tarde na vida, talvez depois de morar numa fazenda por alguns anos, ela simplesmente sabe da existência dos animais. Não existe fé envolvida. Para ela, a noção de ter fé na existência de uma vaca é ridícula. Alguns Budistas podem dizer que acreditam em Deus, outros podem dizer o contrário, mas a realidade de Deus é independente de qualquer coisa que qualquer um possa acreditar ou não acreditar. As religiões por todo o mundo dão testemunho da necessidade universal da nossa mente de experimentar aquilo que é maior que ela mesma. Como descrevemos algo que não tem relação ou semelhança com nada mais? Chamamos de Deus, Natureza de Buda, Alá, Jeová, Nosso Pai Celestial, ou atribuímos um som como "Om" para esta misteriosa essência â qual aludimos? No final das contas, estas são todas formas de se referir a algo que desafia todas as formas de referência. Ela disse que não tinha pensado nas coisas deste modo antes, e então perguntou onde o Zen se encaixa nisso tudo. "No Zen, nós meditamos para conseguirmos olhar profundamente em nossa própria natureza - transcender o ego confinador. Os pensamentos, quando filtrados pelo ego, levam a argumentos e argumentos trazem conflito e confusão. A contemplação nos leva ao entendimento e no final das contas, â sabedoria. Não interesa o que as pessoas nos dizem, ou o que possamos pensar sobre isto ou aquilo. Nós não podemos esperar viver a consciência da existência Deus com pensamentos ou por crença não questionada. Mas quando podemos ficar vazios de nós mesmos, a questão de Deus desaparece também. Nós chamamos isto de união Divina ou Samadhi" Eu parei e ficamos em silêncio por um curto tempo. Ela parecia de repente muito cansada. Abrir mão daquilo que pensamos saber ser verdade e falso sobre o mundo em que vivemos é uma coisa difícil, até mesmo dolorosa. Aqueles de nós que percorreram este caminho entendem isso como a morte: a morte do ego, morte da nossa noção de existência como uma entidade independente, separada de tudo mais. O Buda descobriu que é por causa de uma noção de separação que nós, como seres humanos, sofremos. O Nirvana, como ele explicou, é encontrado através do esvaziamento da mente e sua bagagem; seus apegos. O esforço é totalmente interior. Requer perseverança e uma contínua fé em que o esforço valerá a pena. E vale. Falamos um pouco mais e terminamos a conversa e ela me agradeceu pelas explicações. Cobrimos muito território em pouco tempo. Ela me disse que gostaria de conversar de novo outra hora, mas que queria tempo para digerir as coisas. Desejei tudo de bom para ela. http://www.hsuyun.org/chan/pt/essays-pt/essay-pt-4.html |
Capsicum frutescens in anus autrem kisucus est!!!!! Meu diário, meus pensamentos... meu amigo!!!
sábado, 8 de setembro de 2012
Uma conversa sobre Zen e Deus
As quatro nobres verdades de Buda:
1º Em maior ou menor proporção, sofremos com mágoas, morte física, perdas, tristeza - há infelicidades na vida. Não negue isso, mas fique alerta com seu sofrimento.
2º Algumas causas podem ser: apego, julgamento, inconsciência, descontentamento. Medite agora sobre o que causa sofrimento em sua vida.
3º Evite pensamentos e atitudes que gerem sofrimento.
...
4º Caminho para a Iluminação:
* Tenha consciência e compreenda os fatos.
* Fale mentalmente com benevolência.
* Tenha atenção plena; use sua energia para o momento presente.
* Tenha atenção com as palavras: use palavras para ajudar a não para ferir.
* Não prejudique ninguém, preserve "acariciar" a vida.
* Ecologia ética e profissional.
* Esforce-se para realizar seus sonhos, mas seja equilibrado. Não pense só em você.
* Foque na sua mente: O que o satisfaz? O que te traz contentamento? O que te faz feliz?
O CONTENTAMENTO FAVORECE SATISFAÇÃO E NEM SEMPRE QUEM TEM TUDO POSSUI ALEGRIA.
Otávio Lea
* Tenha consciência e compreenda os fatos.
* Fale mentalmente com benevolência.
* Tenha atenção plena; use sua energia para o momento presente.
* Tenha atenção com as palavras: use palavras para ajudar a não para ferir.
* Não prejudique ninguém, preserve "acariciar" a vida.
* Ecologia ética e profissional.
* Esforce-se para realizar seus sonhos, mas seja equilibrado. Não pense só em você.
* Foque na sua mente: O que o satisfaz? O que te traz contentamento? O que te faz feliz?
O CONTENTAMENTO FAVORECE SATISFAÇÃO E NEM SEMPRE QUEM TEM TUDO POSSUI ALEGRIA.
Otávio Lea
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
AS ASAS de Sandra Maitri
Por Liane Coutinho em Eneagrama
Na qualidade de ponto intermediário entre a Indolência do Ego (Nove) e a
Bajulação do Ego (Dois), o Tipo Um temuma asa que vai dormir sobre a sua
natureza essencial, por um lado, e o orgulho, por outro. No lado do Ponto Nove,
ele se sente profundamente indigno e abjeto; no lado do Ponto Dois, tem uma
noção exagerada daprópria grandiosidade. Portanto, temos por um lado a idéia de
que o eu não tem valor, e por outro umasupervaloração do eu. Resulta daí a
idéia do Tipo Um de ser uma pessoa essencialmente defeituosa; mas, com
ainconsciência e a exterioridade do Tipo Nove aliadas ao orgulho do Tipo Dois,
essa sensação de maldade éprojetada para fora — os outros são maus e precisam
ser consertados. Além disso, preso entre a exigência que o Tipo Nove faz para
si mesmo - de amar e acolher a todos os seres e coisas — e a exigência do Tipo
Dois - de ser alguém que ama os outros e é amado por eles —, o Tipo Um
inevitavelmente se identifica com seu superego e procura ser perfeito. E, do
mesmo modo, inevitavelmente acaba por sentir-se medíocre em comparação com essa
exigência exagerada de amor. A idéia de não ser perfeito tambémvem do encontro
da sensação de insuficiência e abjeção do Tipo Nove com a sensação fundamental
derejeição do Tipo Dois.
Tendo de um lado a asa do Ressentimento do Ego (Um) e do outro a da Vaidade
do Ego (Três), o Tipo Dois, porum lado, sente a exigência íntima de ser uma
pessoa perfeita mas se sente fundamentalmente defeituoso; e, poroutro, sente a
necessidade de apresentar uma imagem perfeita. E impossível atender a essas
exigências de perfeiçãopor dentro e por fora, de modo que o Tipo Dois desespera
de si mesmo e volta-se para os outros em busca desalvação. Torna-se, assim,
dependente deles. Sob outro ponto de vista, a moralidade do Tipo Um encontra
aduplicidade e a amoralidade do Tipo Três, e por isso o Tipo Dois sente-se
permanentemente culpado. Soboutro ponto de vista ainda, o impulso do Tipo Um de
ser uma pessoa boa aliado ao impulso do Tipo Três deimpressionar os outros gera
o hábito do Tipo Dois de buscar nos outros a aprovação e a confirmação de que
éuma pessoa digna de ser amada. Além disso, o impulso do Tipo Três de criar a
sua própria pessoa, aliado aoimpulso do Tipo Um de ser bom, gera o impulso do
Tipo Dois de moldar-se e apresentar-se segundo a imagemde uma pessoa realmente
boa e amável.
Sendo o ponto intermediário entre a Vaidade do Ego (Três) e a Avareza do
Ego (Cinco), o Ponto Quatro é o lugar onde a idéia de que se é um agente
independente que cria as suas próprias leis e o seu próprio universo
encontra-se com a idéia de que se é uma entidade totalmente separada de todas
as outras. Oresultado é uma profunda impressão de dissociação em relação ao
dinamismo da vida e às outras pessoas. Seu impulso, por isso, é o de fazer
contato com algo de autêntico tanto em si mesmo quanto nos outros. E o estado
emocional que resulta da vacuidade árida do Tipo Cinco e da nulidade interior
do Tipo Três —características respectivas do mais íntimo de um e de outro — é o
desespero e a desesperança no isolamento que caracterizam o Tipo Quatro. Sob
outro ponto de vista, o espírito realizador do Tipo Três associado à sensação
de isolamento e separação do Tipo Cinco gera no Tipo Quatro o esforço de
religar-se a uma origem interior autêntica. A imagem desse tipo, portanto, é a
de uma pessoa que suspira pelo reencontro com a realidade.
AS ASAS DO TIPO 6 DO ENEAGRAMA
No Tipo Sete, as dúvidas da Covardia do Ego (Seis) encontram-se com a ânsia
de viver da Vingança do Ego(Oito). O resultado é o fato de o Tipo Sete querer
sentir um gostinho de cada coisa mas, por causa do medo e dadúvida, não
mergulhar a fundo em coisa alguma. À semelhança do Tipo Oito, o Tipo Sete se
sente estimulado eentusiasmado por todas as coisas do mundo; mas, em virtude do
medo, o contato que faz com elas éprincipalmente mental e, portanto,
supostamente seguro. O Tipo Oito é voltado para os sentidos corpóreos e oTipo
Seis duvida de tudo o que vê; o Sete, por sua vez, experimenta muitas coisas
mas questiona todas elas.Além disso, a dúvida, a insegurança e a falta de
confiança do Tipo Seis, aliadas à ânsia de ascensão e aoinstinto dominador e
prepotente do Tipo Oito, resultam no visionarismo do Tipo Sete e nos planos
grandiososque faz em vista de uma conquista futura, da qual ele não se arrisca
a realizar mais do que uma pequena parte.
AS ASAS DO TIPO 8 DO ENEAGRAMA
Aqui, a necessidade de se sentir bem do Planejamento do Ego (Sete)
encontra-se com a morte interior da Indolência do Ego (Nove). O resultado é o
fato de o Tipo Oito negar categoricamente que haja qualquer coisadentro de si
que cheire a fraqueza ou deficiência. Os planos utópicos do Tipo Sete
encontram-se com a inércia do Tipo Nove, gerando o preconceito característico
que o Tipo Oito tem em relação a todas as coisas que percebe— em outras
palavras, ele só vê o que quer ver, de maneira bastante dogmática e
peremptória. Além disso, como tem a visão de como as coisas poderiam ser (que
lhe vem do Ponto Sete) e tem também a atençãoexteriorizada (do Ponto Nove), ele
exige que as coisas tomem a forma que ele acha que devem tomar, e procurafazer
justiça pelas próprias mãos contra os supostos males que percebe. Sob outro
ponto de vista, a fome de estímulos do Tipo Sete alia-se à inconsciência do
Tipo Nove emrelação ao mundo da Essência para gerar a luxúria do Tipo Oito, seu
gosto exagerado pelas satisfaçõesmateriais e sensoriais.
AS ASAS DO TIPO 9 DO ENEAGRAMA
O QUE DIFERENCIA UM SUFI DE UM ERUDITO
Ao começo do Império Otomano, havia um sultão que se
interessava pelas Turuq (pl. de Tariqa) e certo dia, perguntou a seu vizir:
"Qual é a diferença entre uma pessoa culta ou erudita, e o Povo do
Caminho?"
"Sua Majestade - respondeu o funcionário - caso
aceites, esta noite podemos ir a um lugar onde a diferença ficará muito
clara."
Horas depois, trocaram seus trajes e aparentando ser pessoas
comuns, foram a uma casa-grande onde havia uma reunião da qual participavam
como convidados homens cultos e pessoas da Tariqa. Ingressaram e se acomodaram
num canto. Então entrou uma pessoa a quem o vizir perguntou: "Oh nosso
mestre!, quem aqui é o primeiro dos eruditos?" Recebendo como resposta
"Não sabes quem sou eu, para me fazer esta pergunta; eu sou o primeiro"...
Depois, apareceu um segundo, e o vizir o interrogou da mesma
maneira. Enfurecido, o homem culto berrou: "Que pergunta é essa? Não sabes
quem sou eu? Sou o primeiro, o melhor!"
Todos os eruditos diziam ser o primeiro, o mais importante
nesse encontro. E usavam enormes turbantes.
Mais tarde começou a chegar o povo das Turuq. O vizir se
aproximava e dizia: "As salaam alaykum, oh meu irmão, oh shaykh
Naqshbandi! Dentre os presentes, quem é o shaykh mais importante da
Tariqa?" E escutou: "Está vindo atrás de mim".
O que veio depois acrescentou: "O irmão que vem em
seguida". Os que chegaram, quarenta no total, responderam: "Vem atrás
de mim". E o último afirmou: "Eles acabam de passar".
Então o sultão concluiu: "Os primeiros são os eruditos,
e estes últimos são os da Tariqa, que treinam seus egos aplicando enxertos para
mudar más características por boas".
(Shaykh Nazim al-Haqqani an-Naqshband, O Caminho
Naqshbandi)
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Ontem um irmão me chamou de velha. Em um momento de reflexão peguei o livro: Muito além do meu olhar, para ler. Voltei ao sábado onde uma amiga me disse que talvez, meu Espírito seja muito antigo e me apresentou algumas características. Voltando ao livro, que me foi indicado em um sonho, pelo autor, Luiz Sérgio, cheguei a presente conclusão: o meu Espírito de fato é muito antigo e velho mesmo! Estou no meu caminho. Errei tanto! E ainda erro todos os dias, mas tudo bem! Tenho muita compaixão pela minha imperfeição. Não estou aqui para pregar, estou aqui para crescer e evoluir. Agora compreendo todas as aprovações que me foram submetidas e as outras que ainda preciso superar. Tenho muita gratidão no meu peito e muito amor. Vejo que estou no caminho certo, onde todos me apontam como velha, séria e chata. Finalmente estou tranquila e em PAZ! Que assim seja! _/\_
Por: Lucileyma Rocha Louzada Carazza
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
OS CHAKRAS E O PAI NOSSO
Para que esta energia de alta
freqüência possa ser percebida pela materialidade humana, tem que ser rebaixada
— Como se faz com a energia elétrica de alta voltagem, que deve ser
transformada (por um transformador) — para que possamos utilizá-la.
A oração do Pai Nosso é uma
interessante seqüência de afirmações e petições, que se inicia num nível
vibratório de alta freqüência, altamente mística e vai decrescendo até
freqüências mais baixas, puramente éticas.
A oração do Pai Nosso é como um
caminho, porque passa a energia dentro de um transformador. O transformador, no
caso, é o corpo humano, com seus diversos níveis de troca de energia.
As trocas de energia no corpo
fazem-se através de plexos nervosos, com ritmos vibratórios distintos, que se
distribuem pelo corpo em locais denominados “chacras”.
A energia divina é chamada, pela
invocação de Deus. Entra pelo alto da cabeça, e vai sendo progressivamente transformada,
a cada chacra que passa, até atingir o nível vibratório do chacra básico
(genital), onde se encontra nossa materialidade.
Traz, desta forma, Deus até nós!
Vamos acompanhar, passo a passo,
essa transmutação da energia divina, para que tenhamos uma compreensão da
grandeza desta oração que Jesus nos deixou.
Chakra
Coronário — Chamado da energia
Pai
nosso que estás nos céus.
Esta primeira afirmação consiste na
chamada da energia do Alto, na entrada desta energia pelo alto da cabeça,
através do plexo coronário que, segundo os orientais, tem mil pétalas e gira
com incrível velocidade.
Pai!
A prece se inicia com a chamada: —
Pai! Esta simples afirmação, identificando Deus como Pai, é de um
extraordinário alcance. Ao chamarmos Deus de Pai, estamos nos identificando
como Seus Filhos.
Como Filhos, temos a potencialidade
do Pai em nós. Nos identificamos com Deus em um nível energético extremamente
elevado. Neste momento captamos a energia do alto!
Nosso
Quando dizemos “Nosso”,
entendemo-nos como Irmãos de todos os seres. O Pai é nosso; não é só meu,
porque somos todos Irmãos.
Esta conceituação amplia a
anterior. A energia contida nesta afirmação – Pai Nosso! – é possível explicar,
mas é impossível a um ser humano comum sentir esta afirmação com total
percepção de amor. A emoção contida na total compreensão desta afirmação, seria
de tal magnitude, que destruiria o sistema nervoso de um homem comum.
A grande mística, Santa Terezinha,
não conseguia dizer a oração do Pai Nosso: quando iniciava a oração, perdia os
sentidos. Santa Terezinha, nesse momento, tinha percepção e consciência desta
energia de altíssima freqüência. Freqüência que o organismo humano não tem
estrutura para suportar.
Que
estais nos céus
Deus que está em toda parte, que
impregna tudo, que É! Este é o conceito que Deus transmitiu a Moisés, quando
este perguntou-lhe quem Ele era. A resposta foi:
“Sou aquele que É!”
Nesta primeira afirmação da oração,
temos a identificação de Deus, e a chamada do “Nome de Deus”. “Aquele que É”!
Jafé! Jeová ! Iod-Hé-Vau-Hé! Nome que a boca humana não é capaz de pronunciar!
Explicar tais conceitos é possível;
senti-los, entretanto, é totalmente impossível ao ser humano normal. Como se
pode ver por este início, o que está escrito nos evangelhos transcende em muito
a aparente simplicidade das palavras. A grandeza do Evangelho não está na letra
morta, mas no espirito de quem o lê. O Evangelho é vivo!
Chakra
Frontal
Santificado
seja o vosso nome.
Entender esta petição, temos que
antes entender o que quer dizer “santificado”.
Santificado – “Que seja considerado
Santo”. Santo envolve o conceito de perfeição e de universalidade.
Nome – O nome não é como
imaginamos, uma palavra que designa alguma coisa.
Nome é a vocalização ou a
materialização de um ser ou objeto. O Nome de Deus é impronunciável!
Segundo os judeus, esse Nome só era
pronunciado em determinado dia, no âmago do Santuário do Templo, pelo Supremo
Sacerdote. O nome é a excelência do ser ou do objeto.
O Nome de Deus é a essência de Deus
– é o próprio Deus!
Nesta petição mística, pedimos que
Deus seja aceito por tudo e por todos, como a perfeita harmonia universal
(Santo). Como sendo “Aquele que É”! Que Deus seja a harmonia total, e que tudo
e todos sejam o seu reino!
Aqui está expresso o conceito maior
da unidade. Tudo e todos são Um! Este conceito não pode ser percebido pelos
nossos sentidos.
Com esta petição mobilizamos a
energia pela passagem no Chacra Frontal. A energia transformada, neste ponto,
já permite uma certa compreensão, que muito se aproxima de uma inspiração, e
que pode ser percebida através da região frontal ou do “terceiro olho”.
Chakra
Laríngeo
Venha a
nós o vosso reino
Na petição anterior pudemos ter uma
pequena inspiração do que seja o “Reino de Deus”. Nesta segunda petição
mística, pedimos que este “reino”, esta harmonia de todos e de tudo, venha a
até nós. O reino de Deus manifesta-se através do Verbo! “No inicio era o Verbo,
e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1, 1).
O Verbo, o Logos, o Cristo, se
manifestam pela palavra. Através da palavra é que podemos materializar a
energia que vem de outros níveis.
Sabe-se hoje que o som é a energia
vibratória que mais próximo se encontra da matéria. Com facilidade
materializamos um som, fazendo vibrar a limalha de ferro em uma placa, formando
figuras.
O som e o Verbo manifestam-se
através do Chacra Laríngeo, onde encontra-se nossa capacidade de expressão pela
palavra. O modo do Reino vir até nós é através do nosso Chacra Laríngeo. A
conceituação expressa nesta terceira afirmativa movimenta o Chacra Laríngeo,
pela passagem da energia divina por ele.
Na simbologia da Torre de Babel,
podemos observar que a perda do reino (harmonia entre os homens), deu-se pela
perda da possibilidade de expressão pelo homem. A perdição do homem foi pela
perda da palavra, em conseqüência de sua presunção. Notamos que, a cada descida
da energia divina, fica-nos mais acessível o entendimento.
Chakra
Cardíaco
Seja
feita vossa vontade assim na terra como nos céus.
Claro que a vontade de Deus se fará
sempre em todos os lugares! Independendo da nossa vontade e das nossas
rogativas. Nossa vontade não é oriunda da mente racional, como muito
pretensiosamente julgamos. A vontade é um impulso que parte de dentro do
coração, que a mente transforma e adapta às suas necessidades.
Vemos no Evangelho que muitas vezes
Jesus afirma este conceito – “Porque pensais assim em vossos corações”.
Que nossos corações aceitem e
entendam a “Vontade de Deus”! Esta é a síntese da quarta petição.
Neste ponto a energia é
transformada pela passagem pelo plexo do Chacra Cardíaco.
A petição é de que nosso coração
tenha o entendimento desta Vontade. Que esta vontade seja aceita tanto em cima
como embaixo (na terra como nos céus). A afirmação adquire aqui uma conotação
interessante. O Chacra Cardíaco é o chacra que fica no meio do corpo. A figura
de céu e terra, colocada neste ponto da oração, é de uma clareza e de uma
beleza poéticas.
Podemos ver que a cada descida da energia,
fica mais compreensível o entendimento e mais clara a correlação com os plexos
energéticos (chacras) do corpo humano.
Neste ponto encerram-se as 3 petições que são de conteúdos místicos, passando-se às 4 seguintes que são de conteúdo ético.
Neste ponto encerram-se as 3 petições que são de conteúdos místicos, passando-se às 4 seguintes que são de conteúdo ético.
Chakra Umbilical
O pão
nosso de cada dia dai-nos hoje.
As petições éticas são de mais
fácil entendimento. A energia já se encontra em níveis vibratórios próximos à
nossa consciência. De uma forma poética, o pão está representando todas as
nossas necessidades de sobrevivência neste mundo. Difícil achar forma mais
clara de expressar tal abrangência.
“O pão nosso de cada dia dai-nos
hoje” – não o pão do dia de amanhã: somente o de cada dia, a seu tempo. Esta
petição envolve não só a satisfação de nossas necessidades materiais, como
também as psicológicas, pedindo que tenhamos confiança e fé de que o pão de
amanhã será servido a seu tempo. Que não tenhamos ambição e ganância para
acumular tesouros terrenos, que as traças e a ferrugem destróem.
A primeira petição ética é
claramente a ativação do Plexo Solar, Umbilical ou do Estômago, que é
representado pelo Chacra Umbilical.
Chakra
Esplênico
Perdoa
as nossas dividas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.
Esta petição, que de inicio parece
mística, é uma forte petição ética, como vamos ver a seguir. Nas nossas dívidas
estão as nossas culpas. Quando temos culpa, ficamos vinculados a essa culpa de
uma maneira quase física.
A culpa nos prende pela emoção. A emoção
é diferente do sentimento; é acompanhada de manifestações físicas (calafrios,
rubores, suores, arrepios). As emoções são percebidas através do abdome. Os
vínculos obsessivos com entidades espirituais fazem-se através do Plexo
Esplênico.
Como é possível perdoar nossas
culpas? Seria injusto Deus perdoar uns e não perdoar outros. Não é Deus que
perdoa nossas culpas, somos nós mesmos! Perdoamos na medida em que nos tornamos
capazes de perdoar os nossos devedores. Quando conseguimos perdoar nossos devedores,
desfazemos esse vínculo esplênico da culpa. Perdoar os nossos devedores não é
uma atitude mística e sim ética.
Perdoar, ou não, os nossos
devedores, é mais importante para nós do que para o devedor. Perdoar é uma
atitude lógica, racional e do interesse de cada um. Na medida em que perdoamos
é que somos perdoados. Por mais que sejamos perdoado, só estaremos perdoados,
quando nós mesmo nos perdoarmos! Esta segunda petição ética é colocada de uma
forma impressionante sobre o Plexo Esplênico, orientando a forma com que a
energia tramita por este chacra.
Chakra
Sacro
Não nos
deixeis cair em tentação.
Esta petição tem características
muito interessantes. Não se pede aqui para que não existam tentações. Também
não se pede que não sejamos submetidos às tentações. Que existam! Que sejamos
tentados! Que tenhamos força para não cairmos nelas!
Não podemos evitar as tentações da
matéria, porque vivemos nela. Viver na matéria é a principal finalidade de
nossa existência neste “eon”. Não podemos pedir que nos liberte do mundo!
Pedimos que não fiquemos presos às tentações do mundo. Que saibamos viver no
mundo sem ficarmos presos às coisas terrenas.
Com esta terceira petição ética
chegamos com a energia divina até nossa materialidade terrena.
Nossos plexos Sacro e Genital
(básico) são a parte do nosso corpo que nos põe em contato com o mundo
material. Neste ponto, temos mais uma interessante colocação desta prece,
quando separa o chacra sacro do chacra básico. Há entre os estudiosos dos
chacras aqueles que os consideram como um único chacra. Provavelmente com a
intenção de que o número dos chacras sejam sete.
Na prece, os chacras sacro e básico
aparecem separados de uma forma bastante sutil, o que dá margem a interpretar
os chacras como sete ou oito. A ultima petição pode parecer incluída nesta.
Chakra
Básico
Livrai-nos
do mal.
Esta ultima petição ética é de
difícil interpretação. Ficou claro na petição anterior, que a tentação não é o
mal.
O que seria este mal? Poder-se-ia
entender o mal como sendo o caminho da satisfação dos sentidos, o mergulho do
homem na sua materialidade. Sendo este caminho uma opção de fé e de vida.
Alegam alguns magos negros que esta seria um opção divina. Já foi o próprio
Deus que nos colocou os sentidos e nos proporcionou o prazer em satisfazê-los.
A doutrina de Jesus é clara em
mostrar que é mesmo necessário que tenhamos nossos sentidos satisfeitos, até o
momento em que tenhamos chegado ao fim do poço da jornada da satisfação destes
sentidos, para então reiniciarmos o caminho de volta a Deus, como bem está
demonstrado na parábola do Filho Pródigo.
O homem é sem duvida muito mais que
a sua materialidade. A plena satisfação da materialidade não conduz o homem à
felicidade. Este fato está sendo demonstrado de modo prático e claro, neste fim
de ciclo pelo qual estamos passando. O homem vem tendo todas as suas
necessidades satisfeitas pelo progresso da ciência e da tecnologia, sem que
isto o torne mais feliz. Esta interpretação não faz sentido, não só nesta
prece, como também não se sustenta por si mesma.
O verdadeiro mal também não
consiste em se ser mau. A grande maioria dos que são maus, o são por defesa,
por medo, ou por ignorância. “Deus faz nascer o sol todas as manhãs igualmente
para os bons e para os maus”. Não se pode aceitar que exista um mal organizado,
que se contraponha ao bem e à harmonia de Deus. Desta forma, estaríamos
aceitando um Deus que não seria onipotente. Não há dualidade entre bem e mal.
Fazer o mal gera uma reação externa, que se volta contra o próprio homem,
criando agressões dos outros homens ou do meio.
Quanto mais adiantado o homem,
fazer o mal gera uma desarmonia interna que o faz sofrer. O homem está no mundo
para evoluir e crescer, na compreensão deste ciclo evolutivo. Sendo mau, vai de
alguma forma movimentar forças que se voltarão contra ele, não com o intuito de
puni-lo, mas de educá-lo na compreensão deste ciclo evolutivo. Desta forma,
vemos que ser mau não é o verdadeiro mal.
Estas observações levam-nos a
admitir que o verdadeiro mal está na inércia do homem.
O mal está em ser morno, não ser
frio nem quente. O mal está em não usar os “talentos” com que fomos brindados.
O mal está em ficar parado! – Conforme foi dito pelo próprio Jesus.
Com esta ultima petição, se encerra
esta maravilhosa oração.
A energia divina foi trazida até
nós, rebaixada gradualmente através dos nossos vórtices de energia (chacras),
vindo finalmente nos dar um impulso de vida. Impulso para que sigamos adiante!
Para que andemos!
Para que vivamos!
Por que vivendo, bem ou mal, certo
ou errado, inevitavelmente estaremos cumprindo a Vontade de Deus que está em
nós!
Amém!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Não seja um modelador de pessoas, modele a sí próprio!
Infelizmente a falta de paciência, a intolerância, a presunção, a arrogância e o controle são características negativas presentes na maioria das pessoas que vivem nesse planeta.
Talvez pudéssemos excluir não mais que umas cem pessoas em todo o globo que talvez estão isentas dessas atitudes negativas. Portanto, essa é uma realidade presente na história das pessoas que vivem uma vida conhecida como normal, e mesmo que queiramos negar, basicamente somos intolerantes!
Onde isso repercute mais em nossas vidas?
Com certeza em diversas áreas de nossa existência, mas sem dúvida alguma, principalmente nos relacionamentos.
Tudo que criticamos em uma outra pessoa envolve a falta de tolerância, falta de amor ou compaixão. Queremos, em cem por cento dos casos, que a outra ou as outras pessoas se comportem como nós achamos que ela ou elas devem se comportar. E o pior, costumamos gostar mais de uma pessoa, no sentido da afinidade mesmo, quando essa se comporta de forma mais parecida com aquilo que nós consideramos certo.
Não dá para negar que afinidades surgem naturalmente nas nossas vidas, e também não quero dizer que essas sintonias saudáveis entre pessoas não sejam importantes. Claro que são! Apenas quero lembrar que não costumamos nos relacionar com maior proximidade ou intimidade, com pessoas que não se comportam como achamos que elas devem se comportar. E de novo, não me refiro a conduta moral, ética e valores, porque é claro que esses aspectos precisam ser sempre ponderados nos relacionamentos que temos em todos os níveis. Não vou escolher um estelionatário para sócio, sabendo que o passado dele é envolvido por atitudes criminosas ou no mínimo suspeitas. Também teremos dificuldade de confiar em alguém que já agiu de modo errado em outra circunstância. Então devemos sim escolher relacionamentos que estejam na mesma sintonia de valores e código moral, mas as emoções... Essas nos enganam.
É comum você não gostar de uma pessoa simplesmente porque ela tem um tom de voz excessivamente grave, ou agudo, ou baixo, ou alto. Como você tem registros internos de não tolerar oscilações de voz em qualquer pessoa, então quando conhece e se relaciona com alguém assim, nitidamente irá se irritar também.
Esse é apenas um exemplo.
Você pode ter uma crença interna que pessoas com sotaque do sul são antipáticas. Uma vez que você conhece alguém assim, imediatamente já se fecha porque não gosta daquele tipo de sotaque.
Tudo que buscamos externamente traduz o que sentimos internamente. Estamos o tempo todo buscando conforto, buscando "acomodar" as nossas emoções da melhor maneira dentro de nós mesmos. Procuramos o conforto em todos os sentidos, é natural pois queremos nos sentir bem. É aí que um grande erro começa, pois sem querer, ou sem perceber, e pior ainda, sem ter o mínimo direito, começamos a modelar pessoas!
Modelamos as pessoas controlando os relacionamentos em todos os níveis, fazendo de tudo para que elas se comportem da forma como mais nos conforta!
Quanta arrogância!
Não se assuste, apenas reflita pois, eu faço, você faz e todos nós fazemos! Aceite essa verdade atual, o amor incondicional ainda não está impregnado em nossas veias! O nosso amor é totalmente condicional.
Duvida de mim? Acha que eu estou exagerando? Acha mesmo?
Então vamos refletir um pouco...
Por que gostamos de determinada pessoa, seja em qualquer nível de relacionamento?
Porque necessariamente essa pessoa é alguém que também que nos retribui afetos, que faz coisas que nos agradam, que faz com que sintamos emoções positivas, certo?
E se essa pessoa parar de se comportar assim? E se as atitudes dela não necessariamente agradarem mais? Nós continuaremos amando essa pessoa?
Provavelmente manteremos um resquício de amor, mas muita coisa vai mudar nessa relação. Salvo os casos de mães e filhos, em que podemos encontrar uma grande intensidade do verdadeiro amor incondicional, nas outras relações, dificilmente o magnetismo que une essa união irá continuar existindo. Isso porque não gostamos exatamente de uma outra pessoa, mas do que ela faz por nós, ou melhor, da emoção que ela desperta, como por exemplo: carinho, alegria, conforto, acolhimento, aceitação, etc.
E se a pessoa por meio de outras atitudes não mais estimular essas emoções em nós? Nós continuaremos a gostar dela da mesma forma?
Provavelmente não, exceto no caso de mães, como já comentado!
Quando as pessoas próximas a nós começam a ter novas ideias, novos caminhos, novos conceitos - porque todo mundo muda - e essa mudança não necessariamente agradar, nesse momento o nosso relacionamento com elas começa a se complicar. Complicar porque começamos a querer que a pessoa aja de outra forma, que certamente não será a que ela acha correta, mas a que nós entendermos ser!
Nesse caminho, vamos ficando críticos, controladores, intolerantes, ardilosos, impiedosos, em resumo, nos tornamos modeladores de pessoas!
Esse não é um bom caminho! Definitivamente não é!
E qual a solução para isso? Como contornar tais situações tão comuns?
Aprendendo a aceitar as pessoas como elas são. Mantendo a liberdade nas relações, cultivando o respeito pelas vontades alheias e entendendo principalmente que ninguém, ninguém mesmo é responsável pela sua felicidade. Da mesma forma, jamais aceite o peso da responsabilidade de fazer alguém feliz.
Quando o comportamento de alguém lhe fizer mal, não tente mudar a pessoa, esse é o pior caminho, mais sofrido, mais tortuoso, mais custoso, mais escuro. Nessas situações de divergências olhe para dentro de você e perceba quais são as emoções que surgem com a situação. É o ciúmes, o medo de perder, a necessidade de aprovação, a ansiedade, o pessimismo, seja qual for a emoção negativa, preste atenção nela e não dê tanto foco naquelas atitudes alheias que você julga equivocada.
Dando atenção ao seu Eu interior você perceberá que sempre busca relações que lhe tragam conforto emocional de acordo com suas crenças, e que sempre que esse seu (e unicamente seu) código emocional interno for quebrado por atitudes alheias julgadas por você como destoantes, então as mágoas, os conflitos e as confusões começarão. Uma vez que você parar de procurar relações com o objetivo de confortar as suas emoções internas, mas principalmente com a ideia de conviver bem com o mundo, encontrando plenitude e bem viver, você perceberá uma mudança drástica na qualidade de seus relacionamentos.
Não seja um modelador de pessoas, seja um modelador de emoções negativas em positivas, porque esse é o segredo para estabelecer relações pautadas no amor e consequentemente na verdade, ou melhor dizendo: a verdade que liberta!
Bruno J. Gimenes
Fonte: http://marcoaureliorocha5.blogspot.com.br/2011/05/nao-seja-um-modelador-de-pessoas-modele.html#!/2011/05/nao-seja-um-modelador-de-pessoas-modele.html
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A INVEJA
Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significa...
Fonte: Eugenio Lara
do, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.
Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.
COBIÇA E BEM-ESTAR
Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.
Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.
902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)
A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.
Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.
Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração esse vício hediondo e asqueroso.
TRIO DE FERRO
A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.
Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.
Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.
Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.
O INVEJOSO EM AÇÃO
O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.
O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.
Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.
Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?
INSTINTO DEGENERADO
A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.
“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”
Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.
O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.
Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.
A VIRTUDE
Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.
Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.
Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.
Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).
A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).
Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.
A EDUCAÇÃO
O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.
A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.
O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)
A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.
Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.
Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.
COBIÇA E BEM-ESTAR
Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.
Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.
902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)
A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.
Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.
Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração esse vício hediondo e asqueroso.
TRIO DE FERRO
A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.
Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.
Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.
Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.
O INVEJOSO EM AÇÃO
O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.
O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.
Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.
Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?
INSTINTO DEGENERADO
A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.
“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”
Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.
O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.
Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.
A VIRTUDE
Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.
Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.
Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.
Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).
A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).
Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.
A EDUCAÇÃO
O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.
A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.
O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)
A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.
Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.
Fonte: Eugenio Lara
INVEJA - O FOGO QUE CONSOME
O sentimento de inveja é uma das principais causas de infelicidade.
Somente compreendendo a estrutura básica da inveja podemos reconhecer esse sentimento em nós e aprendemos a lidar com ele em nossa vida e nosso comportamento.
O mecanismo intelectual básico responsável pelos ressentimentos é a comparação.
Quando nos comparamos com os outros e nos sentimos, em algum aspecto, inferiores, estamos com inveja. Nem toda comparação leva à inveja, mas esta é sempre resultado de uma comparação.
É a vivência de um sentimento interior sob a forma de frustração, tristeza, mal estar, acanhamento, por nos sentirmos menores, menos, por não possuirmos o que o outro possui, por não sermos o que o outro é. É um desequilíbrio íntimo oriundo de um sentimento de inferioridade fruto da comparação.
Esse processo é muito sutil e encoberto. Escondemos de nós mesmos esse sentimento de inveja através de mecanismos de defesa que desde cedo nos foram sendo ensinados. Não temos consciência de que somos invejosos.
Um dos mecanismos mais comuns é o processo em que ao nos sentirmos menos que os outros nós nos aumentamos, nos vangloriamos, nos enaltecemos para evitar o mal estar do desequilíbrio. Falamos exageradamente bem de nossas próprias coisas e ao mesmo tempo procuramos diminuir o outro através de críticas. Quando criticamos alguém, quando sentimos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a ele. O arrogante é a pessoa que parte do pressuposto de que é inferior às outras pessoas.
O invejoso é incapaz de ver a luz, a alegria, o brilho, a luminosidade das outras pessoas. A inveja é própria daqueles que não encontraram respostas para a diversidade das pessoas e do mundo. Essa incapacidade de aceitar que as pessoas e as coisas sejam diferentes é uma rejeição da sua própria pessoa como sendo diferente das demais. A inveja é a auto-aversão por não sermos como os outros são.
Toda a nossa cultura é a cultura da comparação e nós aprendemos desde muito cedo a interiorizar esse processo em nosso comportamento. Como tudo está em relação, nós perdemos a capacidade de ver as coisas em si mesmas e só conseguimos entender as coisas e as pessoas em comparação umas com as outras.
Na família, por exemplo, sempre houve alguém que em um ou outro momento nos foi apontado como padrão ou a quem nós fomos apontados como modelo. É imensa a carga de comparação a que somos submetidos em toda a nossa vida. É uma força tão grande que poucas vezes nos damos conta dela.
Todo o sistema escolar é baseado na comparação. Primeiro lugar ... segundo lugar.... último lugar ... classes mais adiantadas... classes mais atrasadas ... notas ... avaliações...
Em outras instituições, na igreja, nas empresas, nos clubes, sempre nos foram dados padrões de modelos a seguir. Sempre fomos convidados a reforçar o caminho da comparação. A força da comparação é tão presente em nossas vidas que poderíamos chamá-la de sangue cultural.
Sem consciência desse processo dificilmente conseguiremos reconhecer, trabalhar e sair do sentimento de inveja. Provavelmente viveremos em estados depressivos constantes, com freqüentes sensações de impotência e inferioridade, em momentos de insatisfação, sem ao menos perceber em nós mesmos qualquer traço de inveja.
A sociedade é sempre comparativa em seus vários instrumentos de transmissão cultural. Nos filmes sempre existem nossos heróis, nossos padrões. Toda propaganda é baseada no processo comparativo entre nós e os modelos que nos são apresentados. A trama base da propaganda consiste em construir um quadro com qualidades de riqueza, poder, prestigio, inteligência, dinamismo, beleza, força, magnetismo pessoal, para que nos comparemos com os ambientes e pessoas apresentados e nos sintamos inferiores, magoados e diminuídos, e em seguida nos é indicada a solução para resolver aquele mal estar: a compra de algum produto que nos fará iguais aos padrões apresentados.
Existe um tipo de comparação com a qual sairemos do processo da inveja, é a autocomparação. Em termos sociais, psicológicos, financeiros, espirituais, estamos hoje melhores ou piores do que há algum tempo?
Há uma grande diferença entre a comparação com os outros e a comparação conosco mesmos. Na autocomparação fortalecemos o nosso ser, o nosso centro, o nosso ponto de equilíbrio. Passamos a nos dirigir de dentro em função do que realmente somos e não em função do que os outros esperam de nós. Nós passamos a ser o nosso único ponto de referência. Passamos a ser donos da nossa própria vida, pois quando nos comparamos com os outros eles são o nosso padrão, somos dirigidos de fora.
A auto-comparação leva a um fortalecimento interior, fortalecemos nossa identidade, reencontramos a nós mesmos. Passamos a ser o nosso próprio ponto de apoio. Na etero-comparação nós nos alienamos, perdemos a nossa identidade e passamos a estar na vida para realizar expectativas fora de nós.
O mundo é o mundo das diferenças. Cada pessoa tem o seu jeito, seu caminho, seu próprio nível, sempre haverá alguém melhor do que nós em algum aspecto. Não estamos no mundo para sermos mais do que ninguém, mas para realizarmos o nosso próprio potencial, sendo cada vez melhores comparados conosco mesmos.
Só quando estamos centrados em nós mesmos e o mecanismo da autocomparação já faz parte do nosso comportamento, é que nos será possível comparar-nos às outras pessoas e aprender com elas, isso é admiração.
No fundo de cada sentimento de inveja existe o sentimento de admiração, mas este só pode desabrochar quando estamos centrados no nosso próprio tamanho, em postura de agradecimento pelo que já somos ou temos. Admiração pelo outro e tristeza conosco é inveja.
Só quando formos padrão de nós mesmos reencontraremos a alegria de ser o que somos, de ter o que temos, de viver como vivemos. Somente o exercício da autocomparação nos levará à auto-aceitação, à realização do nosso próprio tamanho.
“Há cerca de 100 anos atrás um mestre idoso e coberto de honrarias estava à morte. Seus discípulos perguntaram:
- Mestre, você está com medo de morrer?
- Estou, respondeu ele. Estou com medo de me encontrar com o criador...
- Mas como, disse um discípulo, você que teve uma vida exemplar, assim como Moisés tirou-nos das trevas da ignorância...
- Você fez julgamentos justos como Salomão, disse outro discípulo.
O mestre respondeu:
- Quando eu me encontrar com Deus ele não vai me perguntar se fui Moisés ou Salomão, ele apenas vai me perguntar se eu fui eu mesmo.”
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Tentaçoes dos Tipos
A tentação do Nove é acreditar que a tranqüilidade é um valor maior;
a do Oito é acreditar no seu próprio poder;
a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;
a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;
a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
...
a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;
a do Três é acreditar na sua própria excelência;
a do Dois é acreditar na sua própria importância e,
a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.
Por: https://www.facebook.com/#!/groups/168318086565873/doc/413587732038906/
a do Oito é acreditar no seu próprio poder;
a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;
a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;
a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
...
a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;
a do Três é acreditar na sua própria excelência;
a do Dois é acreditar na sua própria importância e,
a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.
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