sábado, 22 de agosto de 2015




EM MANUTENÇÃO



EM MANUTENÇÃO

É! Eu sou uma romântica!
E como diz o Wander Lee:
Românticos “são loucos desvairados”
E também sou jovem por fora e antiga por dentro
Sinto falta do afeto despretensioso
Das ralações recíprocas e honestas
Sinto falta de pessoas reais
Que vivem intensamente
Que se entregam e agregam
Sinto falta de tudo que não tenho
Sinto falta de sorrisos marotos
Da leveza de estar junto sem máscaras
Talvez seja o peso da meia idade
Mais o que eu mais sinto falta mesmo
É de tudo aquilo que ainda não vivi!


Por: Lucileyma Carazza

SOLIDÃO



SOLIDÃO

A mente está acelerada
Perambulando por um oceano
Como um navio fantasma...

A resposta é fácil e obvia
E a atitude um exercício a se realizar
Me amar, me acolher e me preservar para expandir
A sensibilidade sempre fora à prisão
E a melancolia a companheira ingrata
Provocada por escolhas maus sucedidas...

Em processo de digestão
Estou a lutar e a progredir
A construção é árdua e longa
Rogo por mudanças de um padrão vicioso enraizado

Onde existe o desejo inevitável
De transformar e construir
Preencher tudo aquilo que ainda me falta
Uma vontade inenarrável em apenas ser

O coração aperta com o soprar do vento sul
É hora de aterrar e ser a mulher adulta que me tornei
Não sou jardim...
Sou uma floresta densa e nativa
Acolho todas as minhas frações

Estou inteira e apta
Perdoando o passado
E sustentando quem eu sou...


Por: Lucileyma Carazza

Primeiro dia



Primeiro dia

Fico triste
Mas não deprimo.
A escolha fora dos padrões...
Feri princípios estabelecidos
E suspiro aliviada,
Com uma frase na mente:
Sinto muito!

Vivencio o inadequado
Me jogo de coração aberto
Vivencio a aventura que não me pertence.
Lembro que não sou jardim...
Sou floresta selvagem
Onde não se poda.
Existe muita energia envolvida...

Na verdade
A tristeza e a felicidade
Me acompanham
Acolho ambas
Mas no fundo estou aliviada
Porque venci mais um ciclo vicioso
Tornando-o virtuoso


Por: Lucileyma Rocha Louzada Carazza

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O ENEAMONSTRO



O ENEAMONSTRO

Ali onde o ego pinta um monstro,
ele tanto oculta quanto evita uma experiência transformadora
que nos levaria para mais perto do verdadeiro Ser 
e para mais longe das desilusões do ego.

Os nove monstros e o que eles ocultam:

1 - o monstro da Imperfeição oculta a liberdade do gozo espontâneo.
2 - o monstro da humilhação oculta o pedido de amor que reconhece e satisfaz a própria necessidade de ser amado.
3 - o monstro do nada fazer e, portanto nada valer, oculta a experiência da espontaneidade autêntica que não está nem aí para o que os outros pensam.
4- o monstro do abandono ( tanto provocado quanto temido) oculta o amor a si mesmo e o auto apoio quando acessada a dor verdadeira no lugar da falsa dor.
5- o monstro da invasão do território oculta a alegria do anfitrião generoso.
6- o monstro do descontrole oculta a necessária força da fé para saltar confiante no desconhecido.
7- o monstro da dor oculta a entrega ao amor que a cura.
8- o monstro da vulnerabilidade oculta a abertura do coração para o dar e o receber.
9- o monstro do confronto hostil oculta a necessidade da auto afirmação e o encontro da auto motivação.

Crianças, o Bicho Papão não existe!


Por: Sérgio Condé

Reticências ou exclamação...

Ser reticente deixa algo em aberto, uma possibilidade, é quase uma saudade ou um desejo não expresso pontuado ali, escancarado.

Exclamar grita, espirra, espanta, espalha! Não chegue perto, não atrapalhe, já estou feliz o suficiente aqui. Por favor, não mexa no que está bom e perfeito. 

Exclamando eu ponho um ponto final, e feliz!, em qualquer possibilidade.

Ainda bem que hoje existem as carinhas felizes! Que nos libertam dessas escolhas mortais...


Por: Paula Jácome

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

VAZIO


VAZIO

A maré acompanha
Vento sul avassalador
Que urge, grita, esperneia e berra
O Sol surge abrindo o horizonte
Conforta em sua benevolência

Enfrento tormentas
Provocadas pelo meu ser
A tristeza aproxima
A alegria insiste em fixar e ficar
Não abre espaço

Como maré seca
Está tudo aparentemente calmo
A meditação chega trazendo alívio.
Ocorre o obvio,
Transbordo em gratidão.

Não há controle
Tudo está bem
Vivenciamos guerras internas
Que nos aproxima ou
Nos levam para longe de nós mesmos...

Talvez seja apenas esta prisão
Que insiste em julgar
E a seguir princípios estabelecidos
Ou a minha rebeldia
Que insiste em prevalecer

No fundo é apenas este vazio
Este vazio fértil
Suplicando ser arado
Suspiro aliviada
Parto para o cultivo

Estou pronta
Inteira e aberta
Enamorada por esta calmaria aparente


Por: Lucileyma Carazza

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sagrado Feminino



Escrever é uma forma de curar a alma!
É uma forma de gritar em silêncio
De chorar em seco
De esfregar a alma com sabão.
Não posso dizer sobre pintar
Porque mal sei casinha desenhar
Cantar muito menos, 
sou desafinada ao extremo
Mas aprecio uma bela canção.
Sinto que toda forma de arte
É um grito, um choro no escuro
Ou mesmo uma gargalhada
Daquelas escancaradas
A única certeza que tenho
É que, ao escrevermos
Cantarmos, tocarmos
Dançarmos, pois o corpo também
pede passagem ao movimento
Fluir das águas internas
E a arte de ser vento
E ser água está na dança
Na alma que deixa de ser tormento
E passa a ser bonança!
Arte é grito do que foi contido
Guardado na alma
Minha alma se desenha em letras
Se desfaz dos sons
E no silêncio escreve
A cura da alma em seus vários tons!
Minha alma se desfaz
Em poeira encantada que reluz
Se transforma e voa como brisa
E brilha, pois vira Luz!

Rose Kareemi Ponce

imagem: "Sundrenched" • Oil on panel • 2014 in collaboration with Cirque du Soleil


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“Todo mundo faz opções pouco inteligentes em termos de palavras e atos, quando ainda não têm melhores conhecimentos e antes de perceber quais serão as conseqüências. Não há nada neste planeta, ou neste universo, que esteja fora dos limites do perdão. Nada. "Ah, não!" você dirá. "Isso que eu fiz não tem perdão." E eu digo que não há nada que um ser humano possa ter feito, esteja fazendo ou possa vir a fazer que esteja fora dos limites do perdão. Nada mesmo”.

Mulheres que correm com os lobos – Clarisse Pinkola Estés
“Marcas de combate”

domingo, 9 de agosto de 2015

MADRUGADA



MADRUGADA

Lembro!
Sinto um frio na barriga...
A respiração fica ofegante,
Existe o desejo:
Quero mais.
O cérebro me ordena a ir embora.
O coração está em dúvida.
O instinto me manda atacar...
Estão todos desarmonizados.
Decido:
Enquanto existir a dúvida,
Vivenciarei toda experiência.


Por: Lucileyma Carazza

sexta-feira, 7 de agosto de 2015


O Movimento do Universo é de contração e expansão. Observem. Como o coração. A vida se abre e fecha. A primeira vez que abrimos um caminho novo é mais custoso e pode se fechar mais rápido. Depois vai abrindo mais e mais. Até que soltamos o nó e a dificuldade passa a fazer parte. O importante não é as coisas darem certo. Mas estar bem na própria pelo. Gostar do conjunto de quem se é hoje. Aí, podemos honrar TODAS AS dores e desafios que passamos. E, com o tempo, quando aprendemos a ter fé, podemos honrar e amar também as dores e dificuldades que estamos vivendo agora. Pois sabemos que vai passar e que aquilo, às vezes aquele, que a vida trouxe, nos deixa mais perto de nós. Nos faz crescer.


Autor: Desconhecido

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OXITOCINA


OXITOCINA

Homens são racionais
Vivenciam caixas vazias no cérebro.
Mulheres são emocionais
Vivenciam caixas férteis no útero.
Às vezes nos entregamos
Ao inapropriado ao não convencional
Degustando o proibido
Entregues a único momento.
Saímos do eixo
Nos viramos do avesso
Entregamo-nos aos instintos
Ferindo nossa centelha divina.
É que essa variante,
Entre cérebro, coração e instinto
Caminhando separados
Levam-nos a precipícios
De descargas emocionais involuntárias.
Neste instante, percebemos e sentimos,
Que esta trindade,
Caminhando de mãos juntas nos fortalece...
Em separado nos afasta de nós mesmos
Porque existe o “Santo” ego
Que insiste em desarmonizar.
E como nos ferimos desnecessariamente!
Involuntariamente nos colocamos como coitados...
Mergulho em minha energia vital,
Encontro o equilíbrio
E me apego ao aprendizado diário:
Crescemos quando nos relacionamos
Erramos e acertamos por e pelo amor.
Respiro e suspiro aliviada...
Está tudo bem!
Para dificultar o raciocínio da proza concluo:
O masculino e o feminino moram em mim
Sou inteira e faço parte deste Universo
Onde todos SOMOS UM
Viciados nesta adrenalina denominada: AMOR.


Por: Lucileyma Carazza

ESCORPIÕES


ESCORPIÕES

Tarde calorosa de inverno
Céu azul e relva vibrante
Correnteza doce e fértil

Seres vibrantes entregues
Fugindo dos padrões
São sensuais, sexuais e curiosos

Frações de segundos
Que nos revela
A busca de tudo aquilo que nos falta

Uma pegada levada
Onde os poros se abrem
A respiração ofegante prevalece

Não existe padrões e regras
Existe apenas a liberação farta
De um desejo viciante.


Por: Lucileyma Carazza

“Acho que o pior vício não é em cigarro, bebida, drogas... O pior vicio, pra mim, é no amor do outro. É eu tentar preencher o vazio da minha falta de auto-estima, da minha negligência comigo mesma, da falta de mim na minha vida, com o reconhecimento, a admiração, o elogio do outro. O pior vício é buscar encher a falta de amor por mim, com amor do outro. 


O que acontece quando dois buracos negros se sugam?”

Por: Paula Jácome

VENTANDO


VENTANDO

A minha viagem interna e minhas constantes descobertas me trouxeram algumas respostas. Pra começar, vou dizendo logo: parafuso a menos? Nunca tive.
Eu tenho é um coração a mais. No ventre.
Aliás, só alguém com ventre, terra fértil, fábrica de milagres, poderia abrigar outro coração.
Ser mulher é assim: Sentir duas vezes, três, ou muitas.
Eu acalento, cuido, eu desejo, eu agradeço e ouso lutar.
De tanto pisar no chão me misturei com a terra, aprendi com sua cria. Me curo com o verde que ela me dá.
Eu sou filha da Lua.
Minha música preferida é o sussurro do vento.
Meu teto é o manto de estrelas.
Me encontrei muitas vezes quando me perdi por ai... No colo de Pachamama... Em selvagens paisagens que me soaram tão intimas.
Quem me aquece é o fogo.
Estou viva.
Sou vida.
Vivo no limiar da procura insana por mais de mim.
Horas intermináveis de sono e dúvidas
Pensamentos sombrios e serenos, questionamentos e constatações...
E zelo.
Às vezes também penso com o ventre.
Eu "vento".
E sopro.
E ai sou calmaria.


Por: Juliana Cordeiro

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VELHAS ÁRVORES



VELHAS ÁRVORES

Olha estas velhas árvores, mais belas 
Do que as árvores novas, mais amigas: 
Tanto mais belas quanto mais antigas, 
Vencedoras da idade e das procelas... 

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas 
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade! 
Envelheçamos rindo! envelheçamos 
Como as árvores fortes envelhecem: 

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!


Olavo Bilac, in "Poesias" 

ANOITECER



ANOITECER

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de ouro e púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se além da serranja
Os vértices de chamas aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia.

Um mudo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua.

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula.... Anoitece. 


Raimundo Correa

domingo, 26 de julho de 2015

Só por hoje


SÓ POR HOJE

Labirintos mentais
Perseguem e sufocam
Paralisada em uma zona qualquer.
Inseguranças momentâneas
Regadas por coletâneas de frustrações.

Ocorre a queda brusca
Do padrão vibratório.
Para sair do vácuo negro atual
Medito entregue às ondas do mar...
Existe uma nova máscara!

Um misto de serenidade,
Regada de paz e tranquilidade
Talvez este exilio constante
Tenha me inserido nesta zona de conforto
Que pode ser superficial, ou não...

Talvez seja o ego me testando
Em mais uma armadilha qualquer...
Ou, talvez, tudo tenha transgredido
E me torturo por não me julgar merecedora
De tanta paz de espírito

Entreguei-me à menosesperança,
Dentro ou fora dos padrões
Estou aqui!
Inteira!
Cansei de buscar...

Nada mais me importa
Pois a regência de um coração tranquilo
É a entrega à nossa centelha divina
Onde o amor de fato vive
Livre


Por: Lucileyma Carazza