sexta-feira, 11 de setembro de 2015

RECOLHER-ME



RECOLHER-ME

Nós dois sabemos
Que não é elegante nos amarmos...
Mas o que fazer?
Com esse sentimento que reina em mim...

Com essa vontade louca
De te fazer à leitura e a releitura
Como um bom livro
Da minha cabeceira

Queria compartilhar meu mundo
Te mostrar minha estrada
Ser a sua inspiração
E o real motivo dos seus desejos...

O que fazer com este anseio,
Com esse sonho torpe que me flagela,
Degenera e destrói;
Me levando a precipícios emocionais...

Estou cansada
Desse deserto infértil
De estar à deriva
Como um navio fantasma

Cansada de ser levada com o tempo
De não possuir um porto
Para a minha cabeça deleitar
E os pés aterrar

Cansada de ser esta poetisa
Melancólica e monotemática
Que se expandi em reflexões sem nexos
E textos incoerentes...

Tudo culpa desse danado de coração
Que insisti amar o impossível
Que não tem fundo
E que só sabe amar...

É o momento de me retirar
Ficar reclusa e não me expor
Pois existe uma sensibilidade surreal
Quase impossível de suportar

Não há mais nada a ser dito
Muito menos o que se fazer
Qualquer ato a partir de agora
Seria a mais pura falta de amor

Falta de amor...
Excesso de amor!
Por amar demais
O que não é correspondido.


Por: Lucileyma Carazza

DEVIDOS A VOCÊS


Sou o que sou, devido a vocês.
Sou artista, poeta e menino.
Aquilo que sou...
Com milhões de detalhes,
São reflexos de bons traços.
Somente seus.
Muito me alegra recordar
Saber que meu berço fez historia
A preencher com palavras
A página branca que quero contar.
De Minas nascer e entoar
Da pequena Lajinha
A minha avó Júlia.
Com seu jeito de ser fez falar.
E das terras vermelhas de Barão
A minha avó Maria.
Com seus crochês e sistemática sempre a cuidar.
A você minha irmã Andréa
Desde criança e sempre presente
Mesmo nas brigas,
Soube de longe e na despedida.
lágrimas e uma eterna amizade inaugurar.
De Fabri minha tia
Minha mãe segunda linha
Sempre lembro os dias felizes,
Que sempre tão juntos,
Fim de ano sempre a celebrar.
A você flor a brilhar meu jardim
A minha mãe bela Lúcia
Que desde ao ventre de maneira simples
Chega a reinventar o amor.
Minas mãe minha rosa flor.
É devido a vocês Mulheres e rainha de minha vida
Tão singelas marias
Hoje me alegro em celebrar
O que sou e devido a vocês vou.


Por: Sérgio Dias
A crise é da alma; que não se acalma nem num dia bom.
A crise é do peito; que não sabe direito onde pousar.
A crise é da mente; que mente pra gente dizendo ‘tá tudo bem’.
A crise é de quem ama e não consegue dizer 'quero ir além da cama'.
A crise é de quem transa e trava pra dizer ‘era só isso mesmo, tchau’.
A crise é moral; tamo cagando pro bem estar próximo.
A crise é religiosa; Jesus foi foda, mas, nossa, o fã clube tá fodendo tudo.
A crise é no foco; estamos sem mira. Primeiro a gente atira, depois pergunta.
A crise é absurda e tem tão pouco a ver com dinheiro.
A crise é o corpo inteiro querendo utopia: cabeça tronco e membros precisando de novos tempos

(...)

pra sonhar

**

[fábio chap]


REAL HOMEM DEUS


Quanto ao tempo
E logo no prazo satisfazer.
Pimenta no olhos do outro,
Sem duvida a todos é refresco.
E ao ar livre a videira esbanja segredos
E o mel que se colhe
Traz o sal que adoça a certeza.
Que os sabores da terra,
É vida que como um eu,
E o vento que sopra.
São suaves cuidados,
De um Belo que olha e saúda.
De uma amante certeza
Deu um real homem Deus.


Por: Sérgio Dias
Vinhos e palavras
Olhos de almas parente
Sentimento de amigos mais.
Calma, paciência de amor e paz.

Numa noite encontrar seu olhar
Pela estrada amizade a começar
Bem depois, quantas prosas zelar.

Descobri...
O vento que celebra sua paz.
Cada instantes que com vinhos.
Seus sigilos de prazeres se desfaz.
E o amor que sobrevive és tão mais.

Descobri...
Que em torno de uma mesa.
Se a vinho e palavras,
Nossa sempre amizade.
Logo, logo é poesia com café
Somos amigos das Minas Gerais.

Por: Sérgio Dias


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

RECONHECER



RECONHECER

É agonizante conviver
Com esta dualidade constante
E rogar pelo equilíbrio da tríade.

É aterrorizante aceitar
A fragilidade irritante
E esta sensibilidade angustiante

“Dizem” que é coragem
Assumir a loucura
E parir para vida

É um “foda-se” para quem não entende
E que nunca vai sentir,
Por viver em fuga de si próprio.

Olho para o Mundo
Com muita Compaixão...
Não sou do Mundo, eu sinto muito!

Sou da Vida!
Sou pelo amor e por amor,
Não sei ser de outra maneira...

Talvez seja por isso
Que tanto rumino
Que vivo em processo de digestão

Aceito com humildade
Reconheço o amor,
Desisto de lutar e me entrego

Só sei sentir...
É na dor
Que me torno um SER melhor!

Porque sinto gratidão
Transbordo em compaixão
E suspiro por amor.


Por: Lucileyma Carazza

A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO


“aviso esse texto do Um Curso em Milagres comentado por mim é bem grande. só pra quem se interessa em Um Curso em Milagres”.
No UCEM podemos ler (abaixo) estes dois parágrafos no Segundo Capítulo: A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO - no item VI: Medo e conflito:

5. O medo é sempre um sinal de tensão, surgindo todas às vezes em que o que queres conflita com o que fazes. Essa situação surge de duas maneiras: primeiro, podes escolher fazer coisas conflitantes, seja simultaneamente ou sucessivamente. Isso produz um comportamento conflitante que te é intolerável, porque à parte da mente que quer fazer uma outra coisa é ultrajada. Segundo, podes comportar-te como pensas que deverias, mas sem quereres inteiramente fazê-lo. Isso produz um comportamento consistente, mas acarreta grande tensão. Nos dois casos, a mente e o comportamento estão em desacordo, resultando em uma situação na qual tu estás fazendo o que não queres totalmente fazer. Isso faz surgir um senso de coerção que usualmente produz fúria e a projeção está propensa a vir em seguida. Sempre que há medo, é porque ainda não escolheste em tua mente. Portanto, a tua mente está dividida e o teu comportamento inevitavelmente vem a ser errático. A correção ao nível do comportamento pode deslocar o erro do primeiro para o segundo tipo, mas não obliterará o medo.

6. É possível alcançar um estado no qual trazes a tua mente para a minha orientação sem esforço consciente, mas isso implica em uma disponibilidade que ainda não desenvolveste. O Espírito Santo não pode pedir mais do que aquilo que estás disposto a fazer. A força para fazer vem da tua decisão não dividida. Não há tensão em fazer a Vontade de Deus tão logo reconheças que ela é também a tua. A lição aqui é bastante simples, mas particularmente propensa a não ser vista. Portanto, vou repeti-la, urgindo para que a ouças. Apenas a tua mente pode produzir medo. Ela faz isso sempre que está conflitada em relação ao que quer e produz tensão inevitável, porque o querer e o fazer estão em discordância. Isso pode ser corrigido só através da aceitação de uma meta unificada.
............................
O medo ocorre quando aquilo que você quer conflita com o que você faz. Há dois tipos de conflito. Ambos os tipos, entretanto, tornam-se somente compreensíveis quando você reconhece uma coisa crucial: Em ambos os tipos, a mente é dividida entre o que nós podemos chamar nosso lado "melhor, idealista, baseado em perfeccionismo exigências etc." e o nosso lado "inferior, medroso, carente, dependente, que não deveria ser do jeito que é... etc.". 

Estão aqui descritos os dois tipos de conflitos: 

1. Você quer coisas opostas - você quer o mais nobre e melhor e você também quer o que é inferior - e isto resulta num comportamento conflitante. Você então faz coisas contraditórias sucessivamente ou simultaneamente. Sempre que uma parte de você faz uma coisa, a outra parte de sua mente que quer fazer outra coisa é ultrajada, porque ela não está conseguindo fazer o que quer. 

2. Você comporta-se consistentemente: você expressa somente o lado melhor de sua mente. Mas sua mente está dividida ainda; o lado inferior ainda está lá, querendo atuar um outro tipo de comportamento. Este lado consequentemente é frustrado constantemente. O resultado não é diferente do primeiro caso. Uma parte de sua mente que não está sendo expressada é ultrajada. Não está fazendo o que quer. 

Quando você está experimentando o primeiro tipo de conflito, parece que seu erro está no nível comportamental: Você está fazendo coisas ruins ao lado das coisas boas que faz. 

Então você tenta corrigir nesse nível. Você faz seu comportamento consistente; refletindo só o lado melhor de você, e deixa o lado inferior sem expressão. Tudo o isto, entretanto, apenas movimenta o problema do primeiro tipo ao segundo tipo. Mas nós ainda temos uma pergunta sem solução:

Se, como diz o texto: "O medo é sempre um sinal de tensão, surgindo todas às vezes em que o que queres conflita com o que fazes. “ 

Por que esta discórdia entre o querer e o fazer causam o medo?

Nós já vimos, o que o causa o ultraje de uma das partes é porque a parte do querer não expressada não consegue o que quer. Eu posso somente concluir que o medo é produzido em uma forma muito similar ao ultraje. A parte de sua mente que não está sendo expressada torna-se receosa de que nunca irá conseguir o que quer.

O comentário sobre a projeção ("Isso faz surgir um senso de coerção que usualmente produz fúria e a projeção está propensa a vir em seguida.”) parece importante. Você fica com raiva pelos resultados de seu próprio conflito interno, mas então você projeta a responsabilidade pela sua condição lá fora, no mundo exterior (em pessoas, em eventos, em situações, em como foi seu passado e as suas conseqüências atuais). Agora você pensa que o seu problema é uma falha do mundo e que o fato de você não estar conseguindo o que você quer vem, virá ou veio de fora. O mundo o está privando, ficando no meio do seu caminho, não sendo justo. Isto conduz ao medo do mundo, medo de que o mundo continuará a impedir você de ter o que você quer.

Para ver este processo basta olhar para nossas próprias vidas. É porque nós nos prestamos em fazer coisas opostas, expressando ambas as partes de nossa mente, que nos afligimos. Caso tentarmos fazer nosso comportamento mais consistente, expressando somente nossas melhores intenções, a parte inferior de nossa mente torna-se quase vulcânica em sua impotência e frustração.

Quem aguenta permanecer assim por muito tempo, ficando neste ping-pong, para a frente e para trás, entre os dois tipos de conflito, sem encontrar solução?

Assim, visto corretamente, estes dois parágrafos descrevem um dilema humano universal. 

O problema não se encontra em tentar encontrar a correção no nível do comportamento. Não há nenhuma maneira resolver conflitos nesse nível.

Enquanto a mente estiver dividida, o problema permanece. É óbvio, então, onde é que a correção deve ser encontrada. Na cura da divisão em nossas mentes!

Enquanto os objetivos continuam a ser divididos entre a parte de você que é "nobre" e a que é "inferior", você estará no primeiro ou no segundo tipo do conflito, e provavelmente, sujeito a saltar para frente e para trás entre eles. A solução, portanto só pode ser unificar o seu objetivo. Saber que aquilo que você quer realmente não pode ser dividido entre dois campos irreconciliáveis. Você então escolhe que Deus e a Sua orientação ou que a orientação do Ser Verdadeiro dentro de você é a única coisa que você quer realmente. A Vontade de Deus e os teus desejos verdadeiros são, na verdade, exatamente os mesmos. Quando o querer se unifica assim, você descobre que isto é verdade. Então sua mente pode se colocar sob a orientação de Deus ( que é o mesmo que teu Ser Verdadeiro) sem esforço consciente. Só então não haverá nenhuma tensão em fazer a vontade de Deus, porque você terá a convicção que a vontade de Deus é também a tua própria.

Um conflito nunca se soluciona no nível em que ele foi colocado, mas ele pode ser facilmente resolvido num nível superior ao que foi colocado. Mas para subir o nível de compreensão é necessário a humildade e a humildade começa com reconhecimento de que nós não sabemos como resolver nossos conflitos. Nossos conflitos são inventados pelo nosso ego e ele não quer que sejam resolvidos. A irresolução é sua meta já ele nos quer impotentes, pois não nos ama. A humildade nos faz desistir de resolver por conta própria, nos faz implorar por uma resposta superior, por uma resposta de nível superior de consciência onde nos pode ser dada uma maravilhosa mente não dividida.

A humildade não acredita na arrogância que o ego quer nos vender em querer resolver o impossível. Mas a humildade acredita que a resposta virá quando ela for pedida com humildade.

Sergio Condé


PARÁBOLA DE MUSHIN


Há muito tempo, numa cidade chamada Esperança, vivia um rapaz chamado Joe. Ele estava muito dedicado ao estudo do dharma e, por isso, tinha um nome budista: Mushin.

Sua vida era igual à de todo mundo. Ia para o trabalho e tinha uma boa esposa; mas, apesar de seu interesse pelo dharma, era machão, sabido, amargo. Aliás, era tanto desse jeito que um dia, depois de ter criado toda espécie de confusão no trabalho, seu patrão lhe disse: "Basta, Joe. Você está despedido!". Assim Joe saiu. Desempregado. Quando chegou em casa, encontrou uma carta da esposa na qual dizia: "Para mim chega, Joe. Fui embora". Foi desta maneira que ele ficou com o apartamento, consigo mesmo, e nada mais.

Mas Joe, Mushin, não era alguém que desistia com facilidade. Jurou que embora não tivesse emprego nem esposa iria conseguir aquilo que realmente importava: a iluminação. Foi até a livraria mais próxima. Procurou nas edições mais atualizadas como chegar à iluminação.
Encontrou um livro que lhe chamou a atenção em particular. Chamava-se How to catch the train of enlightenment (Como pegar o trem da iluminação). Comprou-o e começou a lê-lo com muito cuidado. Depois de tê-lo estudado até o fim, foi para casa e abriu mão do apartamento, colocou todos os seus pertences seculares numa mochila e dirigiu-se à estação ferroviária nos limites da cidade. O livro dizia que se a pessoa seguisse todas as instruções -faça isso, faço aquilo - o trem chegaria e ela conseguiria pegá-lo. Ele pensou: "Fantástico!".

Joe foi até a estação ferroviária, que era um local deserto, leu o livro mais urna vez, decorando as instruções, e acomodou-se para esperar. Esperou muito tempo. Por dois, três, quatro dias, esperou a chegada do Trem da Iluminação porque o livro dizia que viria com certeza. Ele tinha uma fé imensa no livro. Quando, no quarto dia, ouviu aquele enorme rumor à distância, aquele resfolegar imenso. Sabia que devia ser o Trem. Então se aprontou. Ficou tão excitado porque o Trem estava vindo, que mal conseguia acreditar... e... uuush... o Trem passou direto! Foi tão rápido que não passou de uma mancha. O que tinha acontecido? Ele não tinha conseguido pegá-lo!

Joe ficou admirado, mas não desanimou. Pegou de novo o livro e estudou mais alguns outros exercícios; trabalhou bastante enquanto sentava-se na plataforma, entregando tudo que tinha àquela decisão. Cerca de três ou quatro dias depois ouviu de novo o imenso barulho ao longe e, desta vez, estava seguro de apanhar o Trem. De repente, lá estava ele... uusshh... passando sem parar. Bem, o que fazer? É evidente que havia um Trem, não era o caso de não existir. Ele sabia disso, porém não conseguiu apanhá-lo. Então, estudou e tentou cada vez mais, trabalhou sem parar e toda vez acontecia a mesma coisa.

Com o tempo, outras pessoas também foram à livraria e compraram o livro. Então, Joe começou a ter companhia. Primeiro eram umas quatro ou cinco pessoas, esperando pelo Trem, e logo depois reuniram-se trinta ou quarenta. A excitação era imensa! Ali estava a Resposta, vindo sem sombra de dúvida. Todos podiam ouvir o barulho que o Trem fazia ao passar e, apesar de ninguém jamais conseguir subir nele, havia uma grande fé de que algum dia, de algum jeito, um deles finalmente o apanharia. Se ao menos uma só pessoa conseguisse pegá-lo, serviria de inspiração para as demais. Assim, foi aumentando a pequena multidão e a excitação era maravilhosa.

Com o tempo, porém, Mushin observou que algumas daquelas pessoas traziam seus filhos pequenos. E ficavam tão absortas procurando pelo Trem que, quando as crianças queriam a atenção de seus pais, estes lhes diziam: "Não incomodem, vão brincar!". Aquelas criançinhas estavam realmente sendo negligenciadas. Mushin, que afinal de contas não era um sujeito tão ruim assim, começou a ponderar: "É, cara, eu bem que gostaria de esperar o Trem, mas alguém tem de tomar conta dessas crianças". Por isso, começou a dedicar um certo tempo a elas. Olhou em sua mochila e tirou de lá nozes, passas e barras de chocolate e distribuiu tudo entre a garotada. Algumas estavam mesmo esfomeadas. Os pais que estavam esperando pelo Trem não pareciam sentir fome, mas seus filhos sentiam, e estavam com os joelhos esfolados. Então, Mushin encontrou uns curativos na mochila, cuidou dos arranhões, e depois leu para eles histórias dos livrinhos que tinham.

Começou a acontecer que, embora ele ainda desse uma, certa atenção para o Trem, as crianças passaram a ser sua principal preocupação. Havia um número cada vez maior delas. Em poucos meses havia adolescentes também e com a chegada deles acumulou-se muita energia e vigor. Mushin então organizou os adolescentes e criou um time de beisebol atrás da estação. Começou a cultivar um jardim para mantê-los ocupados, e chegou a incentivar algumas das crianças mais ordeiras a ajudá-lo. Antes que percebesse, ele tinha um grande empreendimento em andamento. Tinha cada vez menos tempo para o Trem e estava com raiva disso. O que era importante estava acontecendo com os adultos que esperavam pelo Trem, contudo ele tinha de tomar conta de tudo aquilo com os garotos e assim sua raiva e amargura estavam fervilhando. Porém, independente disso, sabia que tinha de cuidar das crianças e tomava conta delas.

O tempo passava, e centenas e milhares de observadores do Trem chegavam com seus filhos e parentes. Mushin, estava tão atolado com as necessidades das pessoas que teve de aumentar as instalações da estação. Providenciou mais alojamentos para dormir; teve de construir um correio e escolas, e estava sempre ocupado, mas sua raiva e seu ressentimento também estavam bem ali. "Sabe, só estou interessado na iluminação. Aquelas outras pessoas todas estão esperando o Trem e o que eu estou de fato fazendo?" Entretanto, continuava tomando conta de tudo.

Então, certo dia, lembrou-se de que embora tivesse dado a maioria dos livros que tinha em seu apartamento, por algum motivo, tinha guardado um pequeno volume. Pegou-o de dentro da mochila. O livro era How to do zazen (Como fazer zazen). Agora Joe tinha um novo conjunto de instruções para estudar, e essas não pareciam tão ruins. Acomodou-se para aprender como fazer zazen. Bem cedo de manhã, antes que os outros se levantassem, ele se sentava em uma almofada para praticar um pouco. Com o passar do tempo, aquele programa frenético e exigente de trabalho em que inadvertidamente se envolvera não lhe parecia mais tão opressor. Começou a pensar que talvez existisse alguma ligação entre este zazen, este sentar, e a paz que estava começando a sentir. Uns poucos na estação também começavam a ficar desencorajados com o Trem que não conseguiam apanhar, e começaram a se sentar com Joe. O grupo fazia zazen todas as manhãs e, ao mesmo tempo, a empresa da espera-do-Trem continuava em expansão. Na próxima estação, logo mais abaixo na linha, havia uma colônia inteiramente nova de aguardadores do Trem. Os mesmos problemas de sempre já estavam aparecendo ali, por isso seu grupo ia até lá de vez em quando para ajudar a solucionar as dificuldades. Chegou mesmo a ser construída uma terceira estação... um trabalho infindável.

Estavam todos trabalhando muito mesmo. De manhã à noite alimentavam as crianças, faziam serviços de carpintaria, administravam o correio, instalavam uma nova clínica pequena, tudo que uma comunidade precisa para funcionar e sobreviver. Nesse tempo todo eles não estavam conseguindo esperar pelo Trem. As coisas apenas se mantinham em andamento. Eles conseguiam ouvir o barulhão e ainda restava um pouco de ciúme e de amargura. Contudo, apesar disso, eram forçados a admitir, não era mais o mesmo. Estava ali, mas também não estava. O ponto de mutação para Mushin ocorreu quando tentou fazer uma coisa que seu livrinho descrevia como sesshin. Reuniu-se com seu grupo, num canto da estação ferroviária, criaram um espaço em separado e durante quatro ou cinco dias praticavam intensamente o zazen. De vez em quando ouviam o trovejar do Trem à distância, mas ignoravam-no e continuavam sentados. Apresentaram essa difícil prática também nas demais estações.

Mushin estava agora com cinquenta e poucos anos. Demonstrava o efeito do tempo de tensão e de trabalho. Estava ficando arcado e cansado. Mas, nesse momento, não se preocupava mais com as coisas da mesma maneira que antes. Esquecera-se das grandes questões filosóficas que costumavam apreendê-lo: "Existo de fato?"; "A vida é real?"; "A vida é um sonho?". Estava tão ocupado sentado e trabalhando que tudo o mais se esvanecia, exceto o que precisava ser feito a cada dia. A amargura desapareceu. As grandes questões desapareceram. Finalmente, não havia mais nada para ele, exceto o que tinha de ser feito. No entanto, Mushin não sentia mais que era o que tinha de ser feito; apenas o fazia.

Havia, por essa época, uma comunidade imensa de pessoas nas estações ferroviárias, trabalhando, vindo com seus filhos, além dos que estavam esperando pelo Trem. Algumas destas voltavam aos poucos para a comunidade, enquanto outras iam chegando. Mushin por fim começou a amar as pessoas que também estavam esperando pelo Trem. Ele as servia e as ajudava a esperar. Isso prosseguiu por muitos anos. Mushin foi ficando cada vez mais velho e cansado. As questões que tinha foram acabando até não restar mais nenhuma. Havia apenas Mushin e sua vida, fazendo a cada segundo o que precisava ser feito.

Certa noite, por uma razão ou outra, Mushin pensou: "Vou ficar sentado a noite toda. Não sei por que desejo fazer isso. Vou apenas fazê-lo".. Para ele, o sentar não era mais uma questão de ir em busca de alguma coisa, de tentar melhorar, de tentar ser santo. Todas aquelas ideias já se desfizeram há muitos anos. Para ele, não havia mais nada, exceto sentar: ouvir uns poucos carros passando ao longe. Sentir o ar frio noturno. Apreciar as mudanças que se processavam em seu corpo. Mushin sentou a noite inteira e, com o raiar do dia, ouviu o ruído do Trem. Então, muito devagar, este acabou parando exatamente em sua frente. Foi quando percebeu que desde o início tinha estado no Trem. Aliás, ele era o próprio Trem. Não havia necessidade de pegá-lo. Nada a compreender. Lugar algum aonde ir. Apenas a totalidade da própria vida. Todas as antigas questões que não eram questões se respondiam por si. Finalmente, o Trem evaporou e havia apenas um velho sentado noite afora.

Mushin espreguiçou-se e levantou-se da almofada. Saiu para preparar o café que compartilharia com quem estava chegando para trabalhar. A última vez em que o viram foi na carpintaria com alguns dos meninos mais velhos, construindo um balanço para o parquinho. Essa é a história de Mushin. O que Mushin descobriu? Deixarei que vocês mesmos respondam.

Sempre Zen – Charlotte

quarta-feira, 9 de setembro de 2015


LUCIDEZ


LUCIDEZ

Não esta em suas mãos
A minha felicidade...

Não está em suas mãos
O meu padrão de liberdade

Não está em suas mãos
As expectativas que sonhei

Não está em suas mãos
Os caminhos que percorrerei

Somos almas afins e loucas,
Sobreviventes que comungam a solidão.

Em minhas mãos
Está o recomeço de tudo aquilo que não vivi

Em minhas mãos
Está o sonho de emanar luz

Em minhas mãos
Está o desejo de apenas ser...

Em minhas mãos
Está a determinação de transgredir em amor!

Sou Solo Sagrado
Sou terreno vazio pronto para ser fertilizado.


Por: Lucileyma Carazza

Eu não queria que tivesse sido assim. Eu não queria. Sei lá. Que agonia desgraçada. Por um detalhe, por um mísero detalhe quebramos o elo. Por um singelo desencontro de corações. Por um momento achei que estava louco. Perdido de tudo. Aff. Eu queria é ficar mudo, mas não dá, porra. Não dá pra não pensar. Não gritar. Sim, meu grito é isso aqui. É essa palavra. Essa também. Não sou do tipo zen. Nunca fui. Devo ser parente do Cazuza. Exagero, sim. Venero, sim. Corro e me perco, sim. Te perco. Não. Não acredito que te perdi. Aliás, não vou comprar essa culpa, não. Você que me perdeu. Não acredito que mais uma vez me vi nessa posição. O mundão tá cheio dessa gente que não perde nada. Que é só marketing, vitória e piada. Aqui não funciona assim. Minha vida não é bala de cetim. É bala que fere, que rasga, que mata. É, eu realmente não sei o que fazer quando nos imagino intensos pelos cantos. Não entendo de sós, só de tantos. Olha, nem era pra eu escrever isso. Não era pra eu contar pra ninguém. Mas contei pra um amigo. Ele sabe muito de mim e com alguém eu precisava dividir o que senti. Ah, que maravilha o que vivi no meio daquelas gargalhadas. Minha alma não estava preparada pra sua chegada; o que dirá pra sua partida. Algum idiota me falou que é assim. Assim que é a vida.

**


[fábio chap]

terça-feira, 8 de setembro de 2015

POESIAS



POESIAS

Escrevo poesias
Que concretizam o tempo
Profetizam a vida
Que curam a alma
Que transgridem em afetuosidade
E amorosidade

Escrevo poesias
Para que a vida se torne mais leve
Para esvaziar os pensamentos
Para levar um pouco de conforto  
Aos corações flagelados

Escrevo poesias
Para preencher lacunas
Para suportar as prisões
Para dizer o que sinto
Para digerir as emoções

Escrevo poesias
Porque é aqui que eu amo
Me entrego
Me sinto viva
E completamente livre...

Por: Lucileyma Carazza


O QUE É MISTICISMO?


Misticismo é a experiencia de que a vida não é lógica, de que a vida é poesia; de que a vida não é silogismo, de que a vida é uma canção. Misticismo é a declaração de que a vida nunca pode realmente ser conhecida; ela é essencialmente misteriosa.

A ciência divide a existência em duas categorias: o conhecido e o desconhecido. O conhecido foi um dia desconhecido; ele se tornou conhecido. O desconhecido é desconhecido hoje; amanhã ou depois de amanhã ele também vai se tornar conhecido. A ciência acredita que mais cedo ou mais tarde vai-se chegar a um ponto de entendimento em que haverá apenas uma categoria: o conhecido, tudo terá se tornado conhecido. O desconhecido está sendo lentamente reduzido ao conhecido.

O misticismo é a declaração de que a vida consiste em três categorias: uma, o conhecido; outra, o conhecido; e a terceira, e a mais importante, é o incognoscível – que não foi conhecido e que nunca será conhecido. E esse é o centro essencial de tudo.

Esse incognoscível pode ser experienciado, mas não conhecido. Não pode ser reduzido ao conhecimento, embora seu coração possa cantar sua canção. Você pode dançá-lo, pode vivê-lo, pode estar repleto e inundado dele – pode estar possuído por ele – mas não poderá conhecê-lo.

E agora há a possibilidade de a ciência e a religião poderem se unir, porque os maiores cientistas também perceberam isso, de uma maneira muito indireta. Por exemplo, Eddington, Einstein e outros chegaram a uma percepção de que quanto mais conhecimento eles têm sobre a existência, mais confusos se sentem, porque quanto mais eles sabem, mais há a saber. Quanto mais eles sabem, mais o seu conhecimento parece ser superficial. Einstein morreu quase um místico; aquele velho orgulho de que “chegará o dia em que conheceremos tudo” desapareceu. Ele morreu de um modo quase meditativo; não morreu como uma cientista, mas mais como um poeta.

Eddington escreveu que “Primeiro costumávamos acreditar que o pensamento é apenas um subproduto” – assim como Karl Marx diz que a consciência é apenas um subproduto de situações sociais – “um subproduto, um epifenômeno da matéria, uma sombra da matéria. Matéria é substância; consciência é apenas uma sombra, muito insubstancial.”

Eddington diz: “Eu também estava perfeitamente convencido” – porque esse era o clima daquela época. Durante três séculos, no Ocidente, a ciência foi aumentando o clima. Eddington cresceu nesse clima, mas finalmente, no final de tudo, em seus últimos dias, ele disse: “Agora as coisas mudaram. Quanto mais eu me aprofundei nas investigações, mais me convenci de que o mundo não consiste em coisas, mas consiste em pensamentos – e a existência se parece menos com matéria e mais com consciência.”
Esta é uma boa notícia; a ciência está se aproximando de um grande entendimento. Esse entendimento está surgindo do seu fracasso em desmistificar a existência.

Mas eu não vejo um entendimento similar surgindo nas chamadas pessoas religiosas. Elas estão ficando bem para trás; estão todas falando à moda antiga e estúpida. Ainda estão obcecadas com os Vedas, o Alcorão e a Bíblia. Não que os Vedas estejam errados ou que o Alcorão ou a Bíblia estejam errados – eles estão perfeitamente certos –, mas estão expressados de uma maneira muito antiga, muito primitiva. Não são capazes de se adequar à ciência moderna. Precisamos de místicos contemporâneos do mesmo calibre de Albert Einstein, Eddington e Planck. Esse é o meu esforço aqui: criar místicos contemporâneos, não eruditos que falem como papagaios sobre os Upanishads e os Vedas. Não, eruditos não servem.


(Osho, em "Conhecimento, Inocência e Encantamento")

PONTO




PONTO

Existe um momento
Em que devemos silenciar
Acolher nossos sentimentos
Colocar um ponto final
E virar as páginas...

Existe um momento
Em que já falamos tudo
Vivenciamos o necessário
E não adianta mais lutar
Pois, não há mais nada a se fazer.

Existe um momento
Em que vivenciamos o que tem para hoje
Sem planejar, ou controlar
Entregues à deriva da vida
Dos acontecimentos e de novas experiências

Existe um momento
Em que amamos em silencio
Esperamos com fé o tempo passar
E nos entregamos à “menoesperança”
Sendo grato e afetuoso

Existe um momento
Em que devemos abandonar
A monotemática de sempre
Reconectar a nossa tríade
E recomeçar em amorosidade

Existe um momento
Em que não queremos mais ter razão
Brigar por qualquer motivo
Ter alicerces superficiais
E lutar pelo amor inalcançável

Existe um momento
Que preterimos a simplicidade da vida
A leveza da alma
A paz de espírito
Regados de solitude e benevolência.

Existe um momento
Em que precisamos voltar
À nossa zona de conforto
Para reconectar,
Perdoar e seguir adiante...

Sempre existirá um momento;
Mas, que fique bem claro:
Não somos apenas um momento...
Somos frações
Em infinitos momentos...

Por: Lucileyma Carazza

segunda-feira, 7 de setembro de 2015



MEU JARDIM
VANDER LEE
 
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho 

Estou podando meu jardim

Estou cuidando bem de mim

domingo, 6 de setembro de 2015

A ESCOLHA É SUA



Você se transforma no que for que sinta. A responsabilidade é sua.
Se você está se sentindo miserável, é obra sua.
Este é o significado quando dizemos na India: "É o seu próprio carma."
'Carma' significa sua própria ação. É o que você faz para si mesmo.
E uma vez que você compreende que é você quem o faz, você pode abandoná-lo.
Depende de você. Ninguém o está forçando a sentir-se desse modo.
A escolha é sua. Você é que escolheu assim.
Talvez inconscientemente, talvez por razões sutis, que na hora, lhe pareceram boas, mas que depois se revelaram amargas; de qualquer modo foi você quem escolheu.
É duro quando é dito que foi você quem escolheu sua miséria, porque o consolo de que é outra pessoa quem a está criando lhe é tirado; nem mesmo isto lhe é permitido.
Mas se você compreender, isso será uma grande liberdade. Então, dependerá de você. Se você quiser conservar sua miséria, a conservará. Se quiser abandoná-la, não será forçado a conservá-la nem por um único momento.


(Osho)

Respondendo a alguém:
Dizer sim para a dor, para a tristeza, não significa ser masoquista ou tornar-se infeliz, mas exatamente o contrário. Significa abrir espaço para uma nova compreensão, sair da escuridão.
Fugir da dor, da tristeza, negá-las, reprimi-las, faz com que elas criem raízes ocultas dentro de nós. 
Dizer sim para elas, absolutamente não significa se vitimizar; pelo contrário, significa abrir espaço para compreender o que está acontecendo dentro de nós, perceber como criamos isso que acontece e porque o criamos. O nosso estado de tristeza, de dor, de desânimo está nos mostrando alguma coisa. Dizer sim para ele significa dizer: "Está bem. Você está aí, não vou lutar contra você. Quero (verdadeiramente) aprender o que você tem a me dizer, ver o que precisa ser visto, compreender o que precisa ser compreendido."

E é quando a gente compreende, que se abre uma nova luz em nós mesmos. Prem Abodha