quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A DANÇA DO VENTRE


A cultura perpassa o tempo
Permeia os povos
Interação
No tempo
Nos faz entender seus atos
O gingado de nossas mulatas
O pandeiro de nosso
Samba
Vão além
De nossa querida África
Vem do ventre
Da história

Por: Lysias Leitão

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Provérbios 1:7



"O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução"
Provérbios 1:7


Mensagem escrita no quadra da sala onde realizei prova. Copiei-a para o caderno de prova. Resultado: PASSEI!

Obrigada meu Deus pela oportunidade de aprendizado e pela conquista realizada!!!!!!!!





Eclesiastes 3:1-8

 
 
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo d...
e edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar-las; tempo de abraçar, e tempo de apartar-se;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
(Eclesiastes 3:1-8)

domingo, 9 de setembro de 2012

Amor tudo pode...

 
 
Somente saí da casa dos meus pais aos 32 anos para me casar. Não me envergonho disso. Tudo na vida tem a sua hora. E quando decidi sair, senti uma pontinha de tristeza em minha mãe. Li para ela uma mensagem que me tocou profundamente. E, aos poucos, enternecida com a mensagem, ela foi compreendendo (e eu também) que podemos estar juntos, mesmo quando fisicamente afastados. Pois o Amor tudo pode e ...
tudo aproxima...
Jamais esquecerei aquela linda mensagem:
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável”. (Khalil Gibran)
Um abraço, amigos do coração! E uma semana de luz! Pablito
 
Por Pablo Stolze

sábado, 8 de setembro de 2012



Uma conversa sobre Zen e Deus




Escrito por Chuan Zhi  
Traduzido do Inglês por Chuan Yuan Shakya    
 

E u a conhecia desde que ela era uma criança, mas não a havia visto por muitos anos. Ela estava agora com vinte e poucos anos, cheia de vida e energia. Ela proclamou-se ateísta e queria saber sobre o Zen porque, como ela disse, "Budistas não acreditam em Deus". Conversamos por quase uma hora.
"Porquê você acredita que não há deus?", perguntei.
"Porquê eu deveria acreditar que existe um deus se não há evidência disso? Onde está um deus que eu possa ver, tocar, ouvir, ou sentir de alguma outra forma? Acreditar em Deus é acreditar em uma ilusão."
"Então, você quer dizer que porque você não pode perceber Deus com seus sentidos, deus não existe?" eu perguntei.
Sou uma pessoa racional!" Ela enfatizou o "racional".
E se alguém mais puder perceber Deus?" perguntei a ela.
"Então eles estão se enganando."
"Como você sabe?" Continuei com a linha de pensamento. "E se eles tiverem a profundidade de consciência, a habilidade de expandir a consciência, que permite que eles percebam deus e você não?"
"Bom, eu acho que se existe um deus, eu deveria poder percebê-lo. Que habilidade alguém mais poderia ter que eu não tenho?"
"Se lembra de quando você era uma criança", perguntei, "quando o mundo parecia confuso e talvez um pouco assustador?"
"Sim." Ela disse, olhando para mim e estranhando um pouco a mudança de assunto. Mas ela continuou. "Me lembro de ter medo no meu quarto. Eu fingia que haviam cães de guarda embaixo da minha cama que me protegeriam â noite."
"Você ainda tem cães de guarda embaixo da cama â noite?"
Ela riu.
"Então, você concorda que compreensão e consciência podem mudar â medida que nós crescemos?"
"Sim?" Ela hesitou, talvez imaginando onde eu estava querendo chegar com aquele pensamento.
"Então, porque você quer acreditar que não existe deus, quando, na verdade, pode ser possível conhecer, por experiência, deus? Poderia ser que existe alguma satisfação, talvez conforto, na 'descrença' em deus?"
Ela disse que não estava entendendo onde eu queria chegar.
A mente é uma coisa engraçada, começei. Parece que não se permite aprender ou entender novas coisas a não ser que esteja em um modo receptivo -- um modo de não-negação. Quando se posiciona contra algo, não admite qualquer novo conhecimento que possa estar fora da sua atual percepção. Há muitos exemplos disso na história da raça humana -- exemplos que muitos de nós conhecemos; por exemplo, levou décadas depois que cientistas e exploradores mostraram que o mundo não era plano para que as pessoas acreditassem nisso. A mente simplesmente não gosta de abrir mão das suas crenças. Mesmo hoje há os que se recusam a acreditar que o homem já pôs o pé na lua. Podem ser uma pequena minoria, mas insistem que qualquer um que acredite nestas coisas está viajando em fantasias. Devemos acreditar neles?
Grandes descobertas acontecem quando a mente chega ao lado de fora, além das fronteiras do conhecimento existente. A teoria das forças de Isaac Newton, a relatividade restrita de Einstein, a teoria dos quarks de Gell-Mann -- suas contribuições para a ciência podem ser inquestionáveis hoje, mas levou anos até que seus pensamentos fossem considerados explicações plausíveis da natureza, mesmo por seus colegas. nenhum destes homens sabia onde suas incursões em terrenos mentais inexplorados os levaria. Suas descobertas estavam tão fora da mente-coletiva científica existente, que tiveram que inventar nova matemática para descrever e explicar as suas descobertas, de outra forma inacreditáveis.
"Mas como eu posso não acreditar em deus sem acreditar em deus?" Ela perguntou. "Existe crença e descrença -- alguém ou acredita em algo ou não acredita."
"Você acha que Einstein 'acreditava' na relatividade restrita quando a descobriu?" Perguntei. "Sabia que ele confessou que não acreditava mesmo depois de ter descoberto? Mas aquilo não fez a teoria ir embora; não afetou o fato da relatividade restrita ser verdade. Não fez diferença nenhuma em quê ele acreditava. É assim que a realidade é. Está lá quer você acredite ou não."
Ela me olhou em silêncio por alguns momentos. "A realidade é independente do que acreditamos..." ela parecia estar pensando consigo mesma.
"Quando você vai â loja você pega as chaves e vai até o seu carro. Você precisa acreditar no seu carro para dirigir até a loja?"
Dois passos de distância separam crença da realidade que está sendo acreditada. Quando falamos sobre crença falamos apenas sobre crença, não sobre algo mais -- a crença cria sua própria realidade. A crença é a resposta dualista da mente a uma idéia ou percepção. A realidade pode apenas ser percebida diretamente, antes que a mente a filtre. Depois que o cérebro interpreta a realidade a nova realidade é apenas a interpretação. Este é o primeiro passo da distância. Depois que a mente completou sua interpretação, ela verifica como esta interpretação se encaixa no resto das experiências que ela processou durante anos. Como a mente é inerentemente dualista, ou seja, como ela categoriza as coisas como verdade ou mentira, bom ou ruim, certo ou errado, ela cobre a interpretação com opinião. Este é o segundo passo da distância. Depois que chegamos neste ponto, tendemos a perder qualquer compreensão que tínhamos da realidade que começou o episódio. Ao invés de ver uma pilha de latas usadas e copos de papel em uma esquina, vemos uma "pilha de lixo"; ou ao invés de ver um homem vindo pela rua, vemos "um indigente desabrigado".
"Então, você está dizendo que não devemos acreditar em nada?" ela persistiu. "Nós não ensinamos as crianças no que acreditar e no que não acreditar para que elas possam sobreviver no mundo quando forem adultas?"
"Quando ensinamos nossas crenças para as crianças, não nos limitamos a ensinar nossas crenças? As crenças não são abstrações do que é real? Lemos uma história para nossas crianças sobre animais da fazenda e elas aprendem algo daquilo. Então as levamos â fazenda e elas vêem e sentem um porco ou um cavalo. Elas aprendem um pouco daquilo. Quando elas ficarem mais velhas, talvez nós as coloquemos num cavalo e as deixemos montá-lo. Ou deixamos que alimentem os porcos e patos. Elas aprendem ainda mais sobre os animais com estas experiências. Agora, se nós tomássemos todas as experiências delas â medida que crescerem e apenas contássemos histórias sobre os animais da fazenda, elas aprenderiam sobre eles apenas através das abstrações das histórias. Não existe uma diferença entre estes dois tipos de conhecimento? Na verdade não, mas existe uma differença no quê é conhecido. A criança que cresceu apenas com as histórias não precisaria ter no fato de que as histórias são baseadas numa realidade subjacente -- que existem, de fato, animais de fazenda no mundo mesmo que elas nunca tenha visto, tocado, cheirado ou alimentado um?"
A fé, sem crença, nos prepara psicologicamente para encontrar o real que ainda não foi vislumbrado. Por esta razão, a fé em Deus é ensinada em muitas religiões como uma forma de nos preparar para um encontro com Deus. Uma vez que o real é encontrado, a fé e a crença são deixadas como o casulo de uma borboleta. A casca protetora da fé não é mais necessária. A criança que apenas leu sobre os animais da fazenda adquire fé na sua existência, mas mais tarde na vida, talvez depois de morar numa fazenda por alguns anos, ela simplesmente sabe da existência dos animais. Não existe fé envolvida. Para ela, a noção de ter fé na existência de uma vaca é ridícula.
Alguns Budistas podem dizer que acreditam em Deus, outros podem dizer o contrário, mas a realidade de Deus é independente de qualquer coisa que qualquer um possa acreditar ou não acreditar. As religiões por todo o mundo dão testemunho da necessidade universal da nossa mente de experimentar aquilo que é maior que ela mesma. Como descrevemos algo que não tem relação ou semelhança com nada mais? Chamamos de Deus, Natureza de Buda, Alá, Jeová, Nosso Pai Celestial, ou atribuímos um som como "Om" para esta misteriosa essência â qual aludimos? No final das contas, estas são todas formas de se referir a algo que desafia todas as formas de referência.
Ela disse que não tinha pensado nas coisas deste modo antes, e então perguntou onde o Zen se encaixa nisso tudo.
"No Zen, nós meditamos para conseguirmos olhar profundamente em nossa própria natureza - transcender o ego confinador. Os pensamentos, quando filtrados pelo ego, levam a argumentos e argumentos trazem conflito e confusão. A contemplação nos leva ao entendimento e no final das contas, â sabedoria. Não interesa o que as pessoas nos dizem, ou o que possamos pensar sobre isto ou aquilo. Nós não podemos esperar viver a consciência da existência Deus com pensamentos ou por crença não questionada. Mas quando podemos ficar vazios de nós mesmos, a questão de Deus desaparece também. Nós chamamos isto de união Divina ou Samadhi"
Eu parei e ficamos em silêncio por um curto tempo. Ela parecia de repente muito cansada.
Abrir mão daquilo que pensamos saber ser verdade e falso sobre o mundo em que vivemos é uma coisa difícil, até mesmo dolorosa. Aqueles de nós que percorreram este caminho entendem isso como a morte: a morte do ego, morte da nossa noção de existência como uma entidade independente, separada de tudo mais. O Buda descobriu que é por causa de uma noção de separação que nós, como seres humanos, sofremos. O Nirvana, como ele explicou, é encontrado através do esvaziamento da mente e sua bagagem; seus apegos. O esforço é totalmente interior. Requer perseverança e uma contínua fé em que o esforço valerá a pena.
E vale.
Falamos um pouco mais e terminamos a conversa e ela me agradeceu pelas explicações. Cobrimos muito território em pouco tempo. Ela me disse que gostaria de conversar de novo outra hora, mas que queria tempo para digerir as coisas. Desejei tudo de bom para ela.

http://www.hsuyun.org/chan/pt/essays-pt/essay-pt-4.html

As quatro nobres verdades de Buda:



 1º Em maior ou menor proporção, sofremos com mágoas, morte física, perdas, tristeza - há infelicidades na vida. Não negue isso, mas fique alerta com seu sofrimento.
2º Algumas causas podem ser: apego, julgamento, inconsciência, descontentamento. Medite agora sobre o que causa sofrimento em sua vida.
3º Evite pensamentos e atitudes que gerem sofrimento.
...
4º Caminho para a Iluminação:
* Tenha consciência e compreenda os fatos.
* Fale mentalmente com benevolência.
* Tenha atenção plena; use sua energia para o momento presente.
* Tenha atenção com as palavras: use palavras para ajudar a não para ferir.
* Não prejudique ninguém, preserve "acariciar" a vida.
* Ecologia ética e profissional.
 * Esforce-se para realizar seus sonhos, mas seja equilibrado. Não pense só em você.
* Foque na sua mente: O que o satisfaz? O que te traz contentamento? O que te faz feliz?
O CONTENTAMENTO FAVORECE SATISFAÇÃO E NEM SEMPRE QUEM TEM TUDO POSSUI ALEGRIA.

Otávio Lea
 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AS ASAS de Sandra Maitri



Por Liane Coutinho em Eneagrama

 AS ASAS DO TIPO 1 DO ENEAGRAMA
 
Na qualidade de ponto intermediário entre a Indolência do Ego (Nove) e a Bajulação do Ego (Dois), o Tipo Um temuma asa que vai dormir sobre a sua natureza essencial, por um lado, e o orgulho, por outro. No lado do Ponto Nove, ele se sente profundamente indigno e abjeto; no lado do Ponto Dois, tem uma noção exagerada daprópria grandiosidade. Portanto, temos por um lado a idéia de que o eu não tem valor, e por outro umasupervaloração do eu. Resulta daí a idéia do Tipo Um de ser uma pessoa essencialmente defeituosa; mas, com ainconsciência e a exterioridade do Tipo Nove aliadas ao orgulho do Tipo Dois, essa sensação de maldade éprojetada para fora — os outros são maus e precisam ser consertados. Além disso, preso entre a exigência que o Tipo Nove faz para si mesmo - de amar e acolher a todos os seres e coisas — e a exigência do Tipo Dois - de ser alguém que ama os outros e é amado por eles —, o Tipo Um inevitavelmente se identifica com seu superego e procura ser perfeito. E, do mesmo modo, inevitavelmente acaba por sentir-se medíocre em comparação com essa exigência exagerada de amor. A idéia de não ser perfeito tambémvem do encontro da sensação de insuficiência e abjeção do Tipo Nove com a sensação fundamental derejeição do Tipo Dois.

 AS ASAS DO TIPO 2 DO ENEAGRAMA
 
Tendo de um lado a asa do Ressentimento do Ego (Um) e do outro a da Vaidade do Ego (Três), o Tipo Dois, porum lado, sente a exigência íntima de ser uma pessoa perfeita mas se sente fundamentalmente defeituoso; e, poroutro, sente a necessidade de apresentar uma imagem perfeita. E impossível atender a essas exigências de perfeiçãopor dentro e por fora, de modo que o Tipo Dois desespera de si mesmo e volta-se para os outros em busca desalvação. Torna-se, assim, dependente deles. Sob outro ponto de vista, a moralidade do Tipo Um encontra aduplicidade e a amoralidade do Tipo Três, e por isso o Tipo Dois sente-se permanentemente culpado. Soboutro ponto de vista ainda, o impulso do Tipo Um de ser uma pessoa boa aliado ao impulso do Tipo Três deimpressionar os outros gera o hábito do Tipo Dois de buscar nos outros a aprovação e a confirmação de que éuma pessoa digna de ser amada. Além disso, o impulso do Tipo Três de criar a sua própria pessoa, aliado aoimpulso do Tipo Um de ser bom, gera o impulso do Tipo Dois de moldar-se e apresentar-se segundo a imagemde uma pessoa realmente boa e amável.

 AS ASAS DO TIPO 3 DO ENEAGRAMA

 Com a Bajulação do Ego (Dois) de um lado e a Melancolia do Ego (Quatro) do outro, falta ao Tipo Trêsuma noção intrínseca da direção e do impulso da sua vida, e ele ao mesmo tempo se sente rejeitado eabandonado pelo Ser. Em decorrência disso, ele é incapaz de perceber naturalmente a profundidade e odinamismo do seu ser e, portanto, chega à conclusão de que tem de viver a vida na superfície da suapessoa, na imagem. Acaba sentindo também que tem de tornar-se uma espécie de semideus que cria epreserva a si mesmo e à sua vida. Além disso, preso entre a dependência do Tipo Dois e a sensação deabandono do Tipo Quatro, o Tipo Três desiste de contar com as outras pessoas e vê-se como um entetotalmente auto-suficiente e autônomo. Do ponto de vista emocional, situado entre os dois tipos maisemotivos do eneagrama, ambos sujeitos à depressão e à desesperança, o Tipo Três opta por agir e mergulha decorpo inteiro na atividade, dando toda importância às suas realizações e perdendo o contato, nesse processo,com seus sentimentos.

 AS ASAS DO TIPO 4 DO ENEAGRAMA
 
Sendo o ponto intermediário entre a Vaidade do Ego (Três) e a Avareza do Ego (Cinco), o Ponto Quatro é o lugar onde a idéia de que se é um agente independente que cria as suas próprias leis e o seu próprio universo encontra-se com a idéia de que se é uma entidade totalmente separada de todas as outras. Oresultado é uma profunda impressão de dissociação em relação ao dinamismo da vida e às outras pessoas. Seu impulso, por isso, é o de fazer contato com algo de autêntico tanto em si mesmo quanto nos outros. E o estado emocional que resulta da vacuidade árida do Tipo Cinco e da nulidade interior do Tipo Três —características respectivas do mais íntimo de um e de outro — é o desespero e a desesperança no isolamento que caracterizam o Tipo Quatro. Sob outro ponto de vista, o espírito realizador do Tipo Três associado à sensação de isolamento e separação do Tipo Cinco gera no Tipo Quatro o esforço de religar-se a uma origem interior autêntica. A imagem desse tipo, portanto, é a de uma pessoa que suspira pelo reencontro com a realidade.

 AS ASAS DO TIPO 5 DO ENEAGRAMA

 Tendo de um lado a Melancolia do Ego (Quatro) e do outro a Covardia do Ego (Seis), o Tipo Cincoé a fusão do anseio por um vínculo autêntico com a origem, por um lado, e do medo e dainsegurança, por outro. É por isso que o Tipo Cinco procura conhecer o território que tem adiante de si evincular-se a esse território através do conhecimento, ao mesmo tempo em que permanece a uma distânciasegura de toda e qualquer atividade concreta. Além disso, com a sensação do Tipo Quatro de ter sido excluídoe abandonado e a ansiedade de sobrevivência do Tipo Seis, o resultado é a avareza do Tipo Cinco — aacumulação e retenção de tudo quanto possui por medo de que tudo isso lhe seja tirado. Sob outro ponto devista, a desesperança do Tipo Quatro e sua profunda certeza de que jamais será salvo encontram-se com omedo que o Tipo Seis tem das pessoas e do mundo em geral, o que resulta no autofechamento e no isolamentodo Tipo Cinco.
 
AS ASAS DO TIPO 6 DO ENEAGRAMA

 Intermediário entre a Avareza do Ego (Cinco) e o Planejamento do Ego (Sete), o Tipo Seis é a incômodainterseção de um movimento de afastamento em relação ao mundo e às pessoas (Cinco) e de um movimento degulosa absorção de todas as coisas (Sete). O Tipo Cinco se esconde enquanto o Sete sente vontade de provar umpouquinho de todas as coisas gostosas da vida; o Tipo Seis, por conseqüência, é vacilante, hesitante e cheio dedúvidas, não sabe se deve avançar ou retroceder, se deve procurar fazer contato ou resignar-se. A sensação íntimade vacuidade e esterilidade do Tipo Cinco, mais a necessidade do Tipo Sete de se sentir contente, fazem comque o Tipo seis não saiba exatamente o que está sentindo.Sob outro ponto de vista, a vacuidade árida do Tipo Cinco e o otimismo do Tipo Sete resultam naprincipal modalidade de relação objetiva na qual o Tipo Seis se coloca: a idealização de uma figura deautoridade na qual os subalternos projetam todas as suas esperanças.

 AS ASAS DO TIPO 7 DO ENEAGRAMA

No Tipo Sete, as dúvidas da Covardia do Ego (Seis) encontram-se com a ânsia de viver da Vingança do Ego(Oito). O resultado é o fato de o Tipo Sete querer sentir um gostinho de cada coisa mas, por causa do medo e dadúvida, não mergulhar a fundo em coisa alguma. À semelhança do Tipo Oito, o Tipo Sete se sente estimulado eentusiasmado por todas as coisas do mundo; mas, em virtude do medo, o contato que faz com elas éprincipalmente mental e, portanto, supostamente seguro. O Tipo Oito é voltado para os sentidos corpóreos e oTipo Seis duvida de tudo o que vê; o Sete, por sua vez, experimenta muitas coisas mas questiona todas elas.Além disso, a dúvida, a insegurança e a falta de confiança do Tipo Seis, aliadas à ânsia de ascensão e aoinstinto dominador e prepotente do Tipo Oito, resultam no visionarismo do Tipo Sete e nos planos grandiososque faz em vista de uma conquista futura, da qual ele não se arrisca a realizar mais do que uma pequena parte.

AS ASAS DO TIPO 8 DO ENEAGRAMA

Aqui, a necessidade de se sentir bem do Planejamento do Ego (Sete) encontra-se com a morte interior da Indolência do Ego (Nove). O resultado é o fato de o Tipo Oito negar categoricamente que haja qualquer coisadentro de si que cheire a fraqueza ou deficiência. Os planos utópicos do Tipo Sete encontram-se com a inércia do Tipo Nove, gerando o preconceito característico que o Tipo Oito tem em relação a todas as coisas que percebe— em outras palavras, ele só vê o que quer ver, de maneira bastante dogmática e peremptória. Além disso, como tem a visão de como as coisas poderiam ser (que lhe vem do Ponto Sete) e tem também a atençãoexteriorizada (do Ponto Nove), ele exige que as coisas tomem a forma que ele acha que devem tomar, e procurafazer justiça pelas próprias mãos contra os supostos males que percebe. Sob outro ponto de vista, a fome de estímulos do Tipo Sete alia-se à inconsciência do Tipo Nove emrelação ao mundo da Essência para gerar a luxúria do Tipo Oito, seu gosto exagerado pelas satisfaçõesmateriais e sensoriais.

AS ASAS DO TIPO 9 DO ENEAGRAMA

 Tendo por asas a Vingança do Ego (Oito) e o Ressentimento do Ego (Um), o Tipo Nove está entre obandido e o mocinho do eneagrama. Fortes impulsos instintivos nascem no Ponto Oito e encontram, no Ponto Um, poderosas proibições do superego. Necessariamente, o que resulta disso é umamortecimento dos impulsos e um entorpecimento dos movimentos. São duas forças muito poderosasque agem em sentidos contrários — num conflito que parece insolúvel —, e por isso o Tipo Nove do Eneagrama põe de molho a sua vida interior e volta a sua atenção para fora. Em virtude dessa discórdiainterior profunda e predominantemente inconsciente, o Tipo Nove procura tornar as coisas harmoniosase assim conservá-las, evitando o quanto possível os conflitos.


O QUE DIFERENCIA UM SUFI DE UM ERUDITO



Ao começo do Império Otomano, havia um sultão que se interessava pelas Turuq (pl. de Tariqa) e certo dia, perguntou a seu vizir: "Qual é a diferença entre uma pessoa culta ou erudita, e o Povo do Caminho?"

"Sua Majestade - respondeu o funcionário - caso aceites, esta noite podemos ir a um lugar onde a diferença ficará muito clara."

Horas depois, trocaram seus trajes e aparentando ser pessoas comuns, foram a uma casa-grande onde havia uma reunião da qual participavam como convidados homens cultos e pessoas da Tariqa. Ingressaram e se acomodaram num canto. Então entrou uma pessoa a quem o vizir perguntou: "Oh nosso mestre!, quem aqui é o primeiro dos eruditos?" Recebendo como resposta "Não sabes quem sou eu, para me fazer esta pergunta; eu sou o primeiro"...

Depois, apareceu um segundo, e o vizir o interrogou da mesma maneira. Enfurecido, o homem culto berrou: "Que pergunta é essa? Não sabes quem sou eu? Sou o primeiro, o melhor!"

Todos os eruditos diziam ser o primeiro, o mais importante nesse encontro. E usavam enormes turbantes.

Mais tarde começou a chegar o povo das Turuq. O vizir se aproximava e dizia: "As salaam alaykum, oh meu irmão, oh shaykh Naqshbandi! Dentre os presentes, quem é o shaykh mais importante da Tariqa?" E escutou: "Está vindo atrás de mim".

O que veio depois acrescentou: "O irmão que vem em seguida". Os que chegaram, quarenta no total, responderam: "Vem atrás de mim". E o último afirmou: "Eles acabam de passar".

Então o sultão concluiu: "Os primeiros são os eruditos, e estes últimos são os da Tariqa, que treinam seus egos aplicando enxertos para mudar más características por boas".

 

(Shaykh Nazim al-Haqqani an-Naqshband, O Caminho Naqshbandi)


terça-feira, 4 de setembro de 2012


Ontem um irmão me chamou de velha. Em um momento de reflexão peguei o livro: Muito além do meu olhar, para ler. Voltei ao sábado onde uma amiga me disse que talvez, meu Espírito seja muito antigo e me apresentou algumas características. Voltando ao livro, que me foi indicado em um sonho, pelo autor, Luiz Sérgio, cheguei a presente conclusão: o meu Espírito de fato é muito antigo e velho mesmo! Estou no meu caminho. Errei tanto! E ainda erro todos os dias, mas tudo bem! Tenho muita compaixão pela minha imperfeição. Não estou aqui para pregar, estou aqui para crescer e evoluir. Agora compreendo todas as aprovações que me foram submetidas e as outras que ainda preciso superar. Tenho muita gratidão no meu peito e muito amor. Vejo que estou no caminho certo, onde todos me apontam como velha, séria e chata. Finalmente estou tranquila e em PAZ! Que assim seja! _/\_
 
Por: Lucileyma Rocha Louzada Carazza

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

OS CHAKRAS E O PAI NOSSO



  

Para que esta energia de alta freqüência possa ser percebida pela materialidade humana, tem que ser rebaixada — Como se faz com a energia elétrica de alta voltagem, que deve ser transformada (por um transformador) — para que possamos utilizá-la.

A oração do Pai Nosso é uma interessante seqüência de afirmações e petições, que se inicia num nível vibratório de alta freqüência, altamente mística e vai decrescendo até freqüências mais baixas, puramente éticas.

A oração do Pai Nosso é como um caminho, porque passa a energia dentro de um transformador. O transformador, no caso, é o corpo humano, com seus diversos níveis de troca de energia.

As trocas de energia no corpo fazem-se através de plexos nervosos, com ritmos vibratórios distintos, que se distribuem pelo corpo em locais denominados “chacras”.

A energia divina é chamada, pela invocação de Deus. Entra pelo alto da cabeça, e vai sendo progressivamente transformada, a cada chacra que passa, até atingir o nível vibratório do chacra básico (genital), onde se encontra nossa materialidade.

Traz, desta forma, Deus até nós!

Vamos acompanhar, passo a passo, essa transmutação da energia divina, para que tenhamos uma compreensão da grandeza desta oração que Jesus nos deixou.

 

Chakra Coronário — Chamado da energia

Pai nosso que estás nos céus.

 

Esta primeira afirmação consiste na chamada da energia do Alto, na entrada desta energia pelo alto da cabeça, através do plexo coronário que, segundo os orientais, tem mil pétalas e gira com incrível velocidade.

Pai!

A prece se inicia com a chamada: — Pai! Esta simples afirmação, identificando Deus como Pai, é de um extraordinário alcance. Ao chamarmos Deus de Pai, estamos nos identificando como Seus Filhos.

Como Filhos, temos a potencialidade do Pai em nós. Nos identificamos com Deus em um nível energético extremamente elevado. Neste momento captamos a energia do alto!

Nosso

Quando dizemos “Nosso”, entendemo-nos como Irmãos de todos os seres. O Pai é nosso; não é só meu, porque somos todos Irmãos.

Esta conceituação amplia a anterior. A energia contida nesta afirmação – Pai Nosso! – é possível explicar, mas é impossível a um ser humano comum sentir esta afirmação com total percepção de amor. A emoção contida na total compreensão desta afirmação, seria de tal magnitude, que destruiria o sistema nervoso de um homem comum.

A grande mística, Santa Terezinha, não conseguia dizer a oração do Pai Nosso: quando iniciava a oração, perdia os sentidos. Santa Terezinha, nesse momento, tinha percepção e consciência desta energia de altíssima freqüência. Freqüência que o organismo humano não tem estrutura para suportar.

Que estais nos céus

Deus que está em toda parte, que impregna tudo, que É! Este é o conceito que Deus transmitiu a Moisés, quando este perguntou-lhe quem Ele era. A resposta foi:

“Sou aquele que É!”

Nesta primeira afirmação da oração, temos a identificação de Deus, e a chamada do “Nome de Deus”. “Aquele que É”! Jafé! Jeová ! Iod-Hé-Vau-Hé! Nome que a boca humana não é capaz de pronunciar!

Explicar tais conceitos é possível; senti-los, entretanto, é totalmente impossível ao ser humano normal. Como se pode ver por este início, o que está escrito nos evangelhos transcende em muito a aparente simplicidade das palavras. A grandeza do Evangelho não está na letra morta, mas no espirito de quem o lê. O Evangelho é vivo!

 

Chakra Frontal

Santificado seja o vosso nome.

 

Entender esta petição, temos que antes entender o que quer dizer “santificado”.

Santificado – “Que seja considerado Santo”. Santo envolve o conceito de perfeição e de universalidade.

Nome – O nome não é como imaginamos, uma palavra que designa alguma coisa.

Nome é a vocalização ou a materialização de um ser ou objeto. O Nome de Deus é impronunciável!

Segundo os judeus, esse Nome só era pronunciado em determinado dia, no âmago do Santuário do Templo, pelo Supremo Sacerdote. O nome é a excelência do ser ou do objeto.

O Nome de Deus é a essência de Deus – é o próprio Deus!

Nesta petição mística, pedimos que Deus seja aceito por tudo e por todos, como a perfeita harmonia universal (Santo). Como sendo “Aquele que É”! Que Deus seja a harmonia total, e que tudo e todos sejam o seu reino!

Aqui está expresso o conceito maior da unidade. Tudo e todos são Um! Este conceito não pode ser percebido pelos nossos sentidos.

Com esta petição mobilizamos a energia pela passagem no Chacra Frontal. A energia transformada, neste ponto, já permite uma certa compreensão, que muito se aproxima de uma inspiração, e que pode ser percebida através da região frontal ou do “terceiro olho”.

 

Chakra Laríngeo

Venha a nós o vosso reino

 

Na petição anterior pudemos ter uma pequena inspiração do que seja o “Reino de Deus”. Nesta segunda petição mística, pedimos que este “reino”, esta harmonia de todos e de tudo, venha a até nós. O reino de Deus manifesta-se através do Verbo! “No inicio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1, 1).

O Verbo, o Logos, o Cristo, se manifestam pela palavra. Através da palavra é que podemos materializar a energia que vem de outros níveis.

Sabe-se hoje que o som é a energia vibratória que mais próximo se encontra da matéria. Com facilidade materializamos um som, fazendo vibrar a limalha de ferro em uma placa, formando figuras.

O som e o Verbo manifestam-se através do Chacra Laríngeo, onde encontra-se nossa capacidade de expressão pela palavra. O modo do Reino vir até nós é através do nosso Chacra Laríngeo. A conceituação expressa nesta terceira afirmativa movimenta o Chacra Laríngeo, pela passagem da energia divina por ele.

Na simbologia da Torre de Babel, podemos observar que a perda do reino (harmonia entre os homens), deu-se pela perda da possibilidade de expressão pelo homem. A perdição do homem foi pela perda da palavra, em conseqüência de sua presunção. Notamos que, a cada descida da energia divina, fica-nos mais acessível o entendimento.

 

Chakra Cardíaco

Seja feita vossa vontade assim na terra como nos céus.

 

Claro que a vontade de Deus se fará sempre em todos os lugares! Independendo da nossa vontade e das nossas rogativas. Nossa vontade não é oriunda da mente racional, como muito pretensiosamente julgamos. A vontade é um impulso que parte de dentro do coração, que a mente transforma e adapta às suas necessidades.

Vemos no Evangelho que muitas vezes Jesus afirma este conceito – “Porque pensais assim em vossos corações”.

Que nossos corações aceitem e entendam a “Vontade de Deus”! Esta é a síntese da quarta petição.

Neste ponto a energia é transformada pela passagem pelo plexo do Chacra Cardíaco.

A petição é de que nosso coração tenha o entendimento desta Vontade. Que esta vontade seja aceita tanto em cima como embaixo (na terra como nos céus). A afirmação adquire aqui uma conotação interessante. O Chacra Cardíaco é o chacra que fica no meio do corpo. A figura de céu e terra, colocada neste ponto da oração, é de uma clareza e de uma beleza poéticas.

Podemos ver que a cada descida da energia, fica mais compreensível o entendimento e mais clara a correlação com os plexos energéticos (chacras) do corpo humano.
Neste ponto encerram-se as 3 petições que são de conteúdos místicos, passando-se às 4 seguintes que são de conteúdo ético.

 

Chakra Umbilical

O pão nosso de cada dia dai-nos hoje.

 

As petições éticas são de mais fácil entendimento. A energia já se encontra em níveis vibratórios próximos à nossa consciência. De uma forma poética, o pão está representando todas as nossas necessidades de sobrevivência neste mundo. Difícil achar forma mais clara de expressar tal abrangência.

“O pão nosso de cada dia dai-nos hoje” – não o pão do dia de amanhã: somente o de cada dia, a seu tempo. Esta petição envolve não só a satisfação de nossas necessidades materiais, como também as psicológicas, pedindo que tenhamos confiança e fé de que o pão de amanhã será servido a seu tempo. Que não tenhamos ambição e ganância para acumular tesouros terrenos, que as traças e a ferrugem destróem.

A primeira petição ética é claramente a ativação do Plexo Solar, Umbilical ou do Estômago, que é representado pelo Chacra Umbilical.

 

Chakra Esplênico

Perdoa as nossas dividas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.

 

Esta petição, que de inicio parece mística, é uma forte petição ética, como vamos ver a seguir. Nas nossas dívidas estão as nossas culpas. Quando temos culpa, ficamos vinculados a essa culpa de uma maneira quase física.

A culpa nos prende pela emoção. A emoção é diferente do sentimento; é acompanhada de manifestações físicas (calafrios, rubores, suores, arrepios). As emoções são percebidas através do abdome. Os vínculos obsessivos com entidades espirituais fazem-se através do Plexo Esplênico.

Como é possível perdoar nossas culpas? Seria injusto Deus perdoar uns e não perdoar outros. Não é Deus que perdoa nossas culpas, somos nós mesmos! Perdoamos na medida em que nos tornamos capazes de perdoar os nossos devedores. Quando conseguimos perdoar nossos devedores, desfazemos esse vínculo esplênico da culpa. Perdoar os nossos devedores não é uma atitude mística e sim ética.

Perdoar, ou não, os nossos devedores, é mais importante para nós do que para o devedor. Perdoar é uma atitude lógica, racional e do interesse de cada um. Na medida em que perdoamos é que somos perdoados. Por mais que sejamos perdoado, só estaremos perdoados, quando nós mesmo nos perdoarmos! Esta segunda petição ética é colocada de uma forma impressionante sobre o Plexo Esplênico, orientando a forma com que a energia tramita por este chacra.

 

Chakra Sacro

Não nos deixeis cair em tentação.

 

Esta petição tem características muito interessantes. Não se pede aqui para que não existam tentações. Também não se pede que não sejamos submetidos às tentações. Que existam! Que sejamos tentados! Que tenhamos força para não cairmos nelas!

Não podemos evitar as tentações da matéria, porque vivemos nela. Viver na matéria é a principal finalidade de nossa existência neste “eon”. Não podemos pedir que nos liberte do mundo! Pedimos que não fiquemos presos às tentações do mundo. Que saibamos viver no mundo sem ficarmos presos às coisas terrenas.

Com esta terceira petição ética chegamos com a energia divina até nossa materialidade terrena.

Nossos plexos Sacro e Genital (básico) são a parte do nosso corpo que nos põe em contato com o mundo material. Neste ponto, temos mais uma interessante colocação desta prece, quando separa o chacra sacro do chacra básico. Há entre os estudiosos dos chacras aqueles que os consideram como um único chacra. Provavelmente com a intenção de que o número dos chacras sejam sete.

Na prece, os chacras sacro e básico aparecem separados de uma forma bastante sutil, o que dá margem a interpretar os chacras como sete ou oito. A ultima petição pode parecer incluída nesta.

 

Chakra Básico

Livrai-nos do mal.

 

Esta ultima petição ética é de difícil interpretação. Ficou claro na petição anterior, que a tentação não é o mal.

O que seria este mal? Poder-se-ia entender o mal como sendo o caminho da satisfação dos sentidos, o mergulho do homem na sua materialidade. Sendo este caminho uma opção de fé e de vida. Alegam alguns magos negros que esta seria um opção divina. Já foi o próprio Deus que nos colocou os sentidos e nos proporcionou o prazer em satisfazê-los.

A doutrina de Jesus é clara em mostrar que é mesmo necessário que tenhamos nossos sentidos satisfeitos, até o momento em que tenhamos chegado ao fim do poço da jornada da satisfação destes sentidos, para então reiniciarmos o caminho de volta a Deus, como bem está demonstrado na parábola do Filho Pródigo.

O homem é sem duvida muito mais que a sua materialidade. A plena satisfação da materialidade não conduz o homem à felicidade. Este fato está sendo demonstrado de modo prático e claro, neste fim de ciclo pelo qual estamos passando. O homem vem tendo todas as suas necessidades satisfeitas pelo progresso da ciência e da tecnologia, sem que isto o torne mais feliz. Esta interpretação não faz sentido, não só nesta prece, como também não se sustenta por si mesma.

O verdadeiro mal também não consiste em se ser mau. A grande maioria dos que são maus, o são por defesa, por medo, ou por ignorância. “Deus faz nascer o sol todas as manhãs igualmente para os bons e para os maus”. Não se pode aceitar que exista um mal organizado, que se contraponha ao bem e à harmonia de Deus. Desta forma, estaríamos aceitando um Deus que não seria onipotente. Não há dualidade entre bem e mal. Fazer o mal gera uma reação externa, que se volta contra o próprio homem, criando agressões dos outros homens ou do meio.

Quanto mais adiantado o homem, fazer o mal gera uma desarmonia interna que o faz sofrer. O homem está no mundo para evoluir e crescer, na compreensão deste ciclo evolutivo. Sendo mau, vai de alguma forma movimentar forças que se voltarão contra ele, não com o intuito de puni-lo, mas de educá-lo na compreensão deste ciclo evolutivo. Desta forma, vemos que ser mau não é o verdadeiro mal.

Estas observações levam-nos a admitir que o verdadeiro mal está na inércia do homem.

O mal está em ser morno, não ser frio nem quente. O mal está em não usar os “talentos” com que fomos brindados. O mal está em ficar parado! – Conforme foi dito pelo próprio Jesus.

Com esta ultima petição, se encerra esta maravilhosa oração.

A energia divina foi trazida até nós, rebaixada gradualmente através dos nossos vórtices de energia (chacras), vindo finalmente nos dar um impulso de vida. Impulso para que sigamos adiante!

Para que andemos!

Para que vivamos!

Por que vivendo, bem ou mal, certo ou errado, inevitavelmente estaremos cumprindo a Vontade de Deus que está em nós!

 
Amém!

  


 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Não seja um modelador de pessoas, modele a sí próprio!


Infelizmente a falta de paciência, a intolerância, a presunção, a arrogância e o controle são características negativas presentes na maioria das pessoas que vivem nesse planeta.

Talvez pudéssemos excluir não mais que umas cem pessoas em todo o globo que talvez estão isentas dessas atitudes negativas. Portanto, essa é uma realidade presente na história das pessoas que vivem uma vida conhecida como normal, e mesmo que queiramos negar, basicamente somos intolerantes!

Onde isso repercute mais em nossas vidas?

Com certeza em diversas áreas de nossa existência, mas sem dúvida alguma, principalmente nos relacionamentos.

Tudo que criticamos em uma outra pessoa envolve a falta de tolerância, falta de amor ou compaixão. Queremos, em cem por cento dos casos, que a outra ou as outras pessoas se comportem como nós achamos que ela ou elas devem se comportar. E o pior, costumamos gostar mais de uma pessoa, no sentido da afinidade mesmo, quando essa se comporta de forma mais parecida com aquilo que nós consideramos certo.

Não dá para negar que afinidades surgem naturalmente nas nossas vidas, e também não quero dizer que essas sintonias saudáveis entre pessoas não sejam importantes. Claro que são! Apenas quero lembrar que não costumamos nos relacionar com maior proximidade ou intimidade, com pessoas que não se comportam como achamos que elas devem se comportar. E de novo, não me refiro a conduta moral, ética e valores, porque é claro que esses aspectos precisam ser sempre ponderados nos relacionamentos que temos em todos os níveis. Não vou escolher um estelionatário para sócio, sabendo que o passado dele é envolvido por atitudes criminosas ou no mínimo suspeitas. Também teremos dificuldade de confiar em alguém que já agiu de modo errado em outra circunstância. Então devemos sim escolher relacionamentos que estejam na mesma sintonia de valores e código moral, mas as emoções... Essas nos enganam.

É comum você não gostar de uma pessoa simplesmente porque ela tem um tom de voz excessivamente grave, ou agudo, ou baixo, ou alto. Como você tem registros internos de não tolerar oscilações de voz em qualquer pessoa, então quando conhece e se relaciona com alguém assim, nitidamente irá se irritar também.

Esse é apenas um exemplo.

Você pode ter uma crença interna que pessoas com sotaque do sul são antipáticas. Uma vez que você conhece alguém assim, imediatamente já se fecha porque não gosta daquele tipo de sotaque.

Tudo que buscamos externamente traduz o que sentimos internamente. Estamos o tempo todo buscando conforto, buscando "acomodar" as nossas emoções da melhor maneira dentro de nós mesmos. Procuramos o conforto em todos os sentidos, é natural pois queremos nos sentir bem. É aí que um grande erro começa, pois sem querer, ou sem perceber, e pior ainda, sem ter o mínimo direito, começamos a modelar pessoas!

Modelamos as pessoas controlando os relacionamentos em todos os níveis, fazendo de tudo para que elas se comportem da forma como mais nos conforta!

Quanta arrogância!

Não se assuste, apenas reflita pois, eu faço, você faz e todos nós fazemos! Aceite essa verdade atual, o amor incondicional ainda não está impregnado em nossas veias! O nosso amor é totalmente condicional.

Duvida de mim? Acha que eu estou exagerando? Acha mesmo?

Então vamos refletir um pouco...

Por que gostamos de determinada pessoa, seja em qualquer nível de relacionamento?

Porque necessariamente essa pessoa é alguém que também que nos retribui afetos, que faz coisas que nos agradam, que faz com que sintamos emoções positivas, certo?

E se essa pessoa parar de se comportar assim? E se as atitudes dela não necessariamente agradarem mais? Nós continuaremos amando essa pessoa?

Provavelmente manteremos um resquício de amor, mas muita coisa vai mudar nessa relação. Salvo os casos de mães e filhos, em que podemos encontrar uma grande intensidade do verdadeiro amor incondicional, nas outras relações, dificilmente o magnetismo que une essa união irá continuar existindo. Isso porque não gostamos exatamente de uma outra pessoa, mas do que ela faz por nós, ou melhor, da emoção que ela desperta, como por exemplo: carinho, alegria, conforto, acolhimento, aceitação, etc.

E se a pessoa por meio de outras atitudes não mais estimular essas emoções em nós? Nós continuaremos a gostar dela da mesma forma?

Provavelmente não, exceto no caso de mães, como já comentado!

Quando as pessoas próximas a nós começam a ter novas ideias, novos caminhos, novos conceitos - porque todo mundo muda - e essa mudança não necessariamente agradar, nesse momento o nosso relacionamento com elas começa a se complicar. Complicar porque começamos a querer que a pessoa aja de outra forma, que certamente não será a que ela acha correta, mas a que nós entendermos ser!

Nesse caminho, vamos ficando críticos, controladores, intolerantes, ardilosos, impiedosos, em resumo, nos tornamos modeladores de pessoas!

Esse não é um bom caminho! Definitivamente não é!

E qual a solução para isso? Como contornar tais situações tão comuns?

Aprendendo a aceitar as pessoas como elas são. Mantendo a liberdade nas relações, cultivando o respeito pelas vontades alheias e entendendo principalmente que ninguém, ninguém mesmo é responsável pela sua felicidade. Da mesma forma, jamais aceite o peso da responsabilidade de fazer alguém feliz.

Quando o comportamento de alguém lhe fizer mal, não tente mudar a pessoa, esse é o pior caminho, mais sofrido, mais tortuoso, mais custoso, mais escuro. Nessas situações de divergências olhe para dentro de você e perceba quais são as emoções que surgem com a situação. É o ciúmes, o medo de perder, a necessidade de aprovação, a ansiedade, o pessimismo, seja qual for a emoção negativa, preste atenção nela e não dê tanto foco naquelas atitudes alheias que você julga equivocada.

Dando atenção ao seu Eu interior você perceberá que sempre busca relações que lhe tragam conforto emocional de acordo com suas crenças, e que sempre que esse seu (e unicamente seu) código emocional interno for quebrado por atitudes alheias julgadas por você como destoantes, então as mágoas, os conflitos e as confusões começarão. Uma vez que você parar de procurar relações com o objetivo de confortar as suas emoções internas, mas principalmente com a ideia de conviver bem com o mundo, encontrando plenitude e bem viver, você perceberá uma mudança drástica na qualidade de seus relacionamentos.

Não seja um modelador de pessoas, seja um modelador de emoções negativas em positivas, porque esse é o segredo para estabelecer relações pautadas no amor e consequentemente na verdade, ou melhor dizendo: a verdade que liberta!

Bruno J. Gimenes

Fonte: http://marcoaureliorocha5.blogspot.com.br/2011/05/nao-seja-um-modelador-de-pessoas-modele.html#!/2011/05/nao-seja-um-modelador-de-pessoas-modele.html

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A INVEJA

 Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significa...
do, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.

Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.

COBIÇA E BEM-ESTAR

Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.

902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)

A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.

Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.

Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração esse vício hediondo e asqueroso.

TRIO DE FERRO

A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.

Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.

Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.

Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.

O INVEJOSO EM AÇÃO

O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.

O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.

Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.

Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?

INSTINTO DEGENERADO

A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.

“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”

Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.

O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.

Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.

A VIRTUDE

Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.

Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.

Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.

Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).

A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).

Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.

A EDUCAÇÃO

O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).

O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.

A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.

O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)

A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.

Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.

Fonte: Eugenio Lara