
HISTÓRIA
FAMILIAR
TIPO 1
Normalmente, a personalidade perfeccionista é estabelecida a partir de pais
muito severos que puniram o filho do modo adequado quando criança. Por ter sido
punido e premiado quando devia, acabou adquirindo uma obediência e um respeito
muito grande aos pais, interiorizando o superego parental e desenvolvendo um controle
também muito grande sobre si mesmo. Outra...s vezes, ainda , na infância, teve
que assumir responsabilidades de adulto, a fim de compensar a imaturidade de um
membro da família.
A personalidade perfeccionista aprendeu desde cedo a negar o prazer,
principalmente quando em público, e a sua recompensa é o orgulho de poder
mostrar seu autocontrole. Foi aquela criança boazinha, obediente, que fazia
tudo o que os pais esperavam dela. Aprendeu a se comportar adequadamente e a
ser correta aos olhos dos outros, procurando não cometer erros para evitar
críticas.
Para o perfeccionista, é muito doloroso receber críticas alheias, porque ele já
é atormentado pelo próprio julgamento. A preocupação com o comportamento
correto desenvolvido na infância, quando era obrigado a aceitar os padrões
adultos de ser, fez com que passasse a atentar para cada detalhe, seja de como
falar, se comportar, se vestir ou trabalhar, ao mesmo tempo em que desenvolveu
uma capacidade crítica muito grande, que o faz sempre encontrar defeitos nos
outros.
A idealização da perfeição é manifestada através de um forte e interiorizado
código de moral. Freqüentemente, é o censor do mundo, qualificando aquilo que
pode ou não ser visto pelo público em geral. Para ele, o tempo é algo que tenta
controlar obsessivamente. Não admite não fazer nada. Mesmo se estiver de
férias, sempre procura fazer algo, como aprender a navegar ou levantar muito
cedo para visitar todos os pontos turísticos. Odeia perder tempo.
Quando a raiva aparece no ponto 1, ele, em sua autocrítica, decide que não deve
senti-la. Ao reprime-la, torna-se ressentido de sua própria imperfeição.
Como é uma pessoa rígida no comportamento, esta rigidez se transporta para o
seu corpo físico. Freqüentemente apresenta problemas de tensão muscular, dores
de cabeça, artrites e dores nas juntas. Sua tensão corporal manifesta-se
principalmente pela compressão da mandíbula.
TIPO
2
O tipo 2 caracteriza aquela criança que recebeu amor e segurança dos adultos em
troca de ter dado a eles aquilo de que precisavam. Muito cedo ainda,
desenvolveu uma habilidade natural de adaptar sentimentos de modo a
corresponder às necessidades dos adultos. Desta forma, assegurava a aprovação
dos mais velhos, a retribuição do amor, para ele algo fundamental, além de se
tornar importante n...a vida deles, pelo que oferecia em termos de corresponder
às necessidades emocionais das pessoas.
Desde a infância, a atitude deste tipo de personalidade é a de ajudar os
outros, procurar ser útil e sempre dizer algo que agrade; ele trabalha no
sentido de desenvolver sua sensibilidade para entender as necessidades alheias
e se predispõe a alterar suas próprias convicções para satisfazer o desejo dos
outros. Uma criança para a qual a segurança depende do que ela dá desenvolverá
uma espécie de orgulho em se tornar necessária para os outros e acabará não
reconhecendo suas próprias necessidades pessoais.
O tipo 2 é caracteristicamente feminino, embora existam também figuras
masculinas. é aqui que habitam as “filhinhas do papai” ou os “filhinhos da
mamãe”, porque desde cedo aprendeu como ser a “doçura” ou a “princesinha” do
papai, ou o “homenzinho” ou o “namorado” da mamãe.
O indivíduo deste ponto acredita que é capaz de perceber os mais profundos
sentimentos das pessoas. Esta habilidade provém da forma de como ele aprendeu a
corresponder às necessidades dos outros, ora adulando ou bajulando ora ajudando
cada um nas suas carências ou preocupações mais constantes. Nunca dirá algo que
ofenda ou desmereça alguém. Por exemplo, se você estiver errado, um 8 lhe dirá
na cara: “Você está errado”. O 1 poderá dizer: “ Você é imoral, e nunca deveria
ter feito tal coisa”. O 2 dirá: “Eles deveriam ser mais compreensivos com você”
ou “Ninguém tem o direito de atirar a primeira pedra”. O outro protótipo do 2 é
aquele que manipula as possibilidades para se tornar indispensável e amado, e,
a partir daí, usa suas habilidades de sedução para conseguir o que precisa.
TIPO
3
Quando criança, começou a produzir muito cedo, e foi reconhecido pelo produto
em si e não pelo que era como pessoa. Deste modo, aprendeu desde pequeno que a
forma pela qual poderia conseguir aprovação e amor seria através do desempenho
eficiente na execução de uma tarefa, e não pela capacidade do envolvimento
emocional com os outros.
Sua infância foi, assim, dedicada ao trabalh...o, em vez de às brincadeiras ou
ao lazer característicos desta fase. Na realidade, não teve sequer o que
chamamos de infância, pois neste período da vida trabalhava para produzir. Era
a criança precoce, que parecia e agia como uma miniatura de adulto. Por ter
perdido logo contato com os seus sentimentos mais profundos, quando adulto, em
estado alterado por drogas, álcool ou sexo, geralmente deixa escapar emoções
infantis. Curiosamente, costuma ter também a aparência muito jovem para a sua
idade cronológica.
Uma vez que era amado pelos resultados conseguidos, aplacou suas emoções e
centrou sua atenção em ter status, o que passou a ser uma garantia de receber
amor. A idéia é trabalhar duro, ganhar reconhecimento, assumir a liderança e
vencer. É muito importante evitar falhas, porque somente os vencedores são
merecedores de amor. Desde muito cedo aprendeu a vender sua imagem.
O que o mundo quer o 3 produz.
TIPO
4
Na sua infância existe sempre uma história de abandono, que representa o ponto
central da sua característica. O abandono pode ser uma situação real, depois de
ter todo o cuidado e carinho dos pais, ele se vê rejeitado por qualquer motivo,
ou pode ser uma visão deturpada de alguém que, necessitando de mais afeto, se
sentiu rejeitado por não obter o que queria. O exemplo mais comum é o do a...bandono
pelo divórcio dos pais, se o mais amado saiu de casa. Ou, ainda, pela morte de
um dos pais quando era ainda bem pequeno.
De qualquer modo, a frustração por ter se sentido abandonado em criança o
acompanhará na idade adulta e representará um fator muito importante para
afastá-lo da felicidade, porque sempre lhe faltará algo para completar sua
plenitude.
O medo do abandono e de ser ignorado fez com que o 4 aprendesse a interiorizar
a idéia de que o objeto de seu amor um dia o deixará. Naturalmente, o seu humor
estará sujeito ao modo como estará encarando o seu amor atual, mas, no fundo,
sempre existirá aquela dúvida: quando serei abandonado outra vez ? Isso fará
com que o seu humor volte a ser melancólico e a depressão, a sua companheira.
Na literatura, este tipo é chamado de “o romântico trágico”, que representa
aquele que, tendo sucesso em todos os outros campos, está sempre voltado para
um amor passado ou pensando no amor ainda não encontrado, que algum dia virá
para trazer-lhe a felicidade que só o amor pode dar.
Enquanto o 2 conseguiu o amor dos pais, com o 4 acontece exatamente o oposto:
ele sente que perdeu este amor. Tanto o homem quanto a mulher deste tipo têm
esta experiência de perda, ou a emoção da perda de alguém muito importante
quando criança; por isso, internalizou o sentimento de que algo está errado com
ele.
TIPO
5
Todos nós conhecemos alguém que parece ser de pedra e tão impenetrável quanto
um castelo medieval com um fosso à sua volta e janelas no alto das torres. Esta
é a personalidade 5. Nela nunca penetramos, nem ela jamais deixará os seu muros
e as suas defesas para nos encontrar.
O 5 sempre ficará seguro atrás das suas muralhas olhando de longe para o outro.
Por que ele é assim ? Po...rque, quando criança, o seu castelo foi invadido e
ele perdeu a sua privacidade. A partir daí, adotou uma estratégia de
necessidade mínima, onde o contato foi reduzido e os sentimentos interiorizados
de forma a proteger a sua privacidade. Todo este dilema foi produzido a partir
do relacionamento intenso dos seus pais, que não davam espaço para ele ser ele
mesmo. Assim, teve que se fechar emocionalmente para se afastar daquele que não
lhe dava sossego. É comum encontrarmos aquele tipo de mãe ou pai que não dá um
mínimo de trégua ao filho. Ele não pode fazer nada que lá vêm eles atrás para
saber o que está havendo, sufocando qualquer iniciativa que tenha, ou inspecionando
todas as suas gavetas a fim de achar vestígios do que estava fazendo.
Como não havia lugar onde pudesse se esconder, pois um dos seus pais estava lá,
ele retirou-se para dentro da mente, pois nem no próprio quarto tinha
privacidade. Precisando escapar e não tendo para onde ir, colocou-se de tal
forma que sua emoção foi reprimida e protegida por muros resistentes.
TIPO 6
As características do tipo 6 adquiridas na infância provêm do fato de ter sido
criado por pais que eram imprevisíveis na forma de lidar com ele. Assim, não
podia confiar nas reações deles. A falta de confiança na autoridade parental
fez com que se tornasse super-alerta na relação com eles, o que não
significava, entretanto, uma segurança, pois as punições eram mais devido ao
estado de espí...rito dos pais do que propriamente pela criança ter feito algo
errado. Diante desta atitude, cresceu com medo daqueles que tinham autoridade
sobre ele. Esta memória foi trazida até a vida adulta e fez com que passasse a
suspeitar de todas as pessoas. Tenta minimizar a sua insegurança procurando um
forte protetor ou indo contra a autoridade.
Este tipo foi uma criança que cresceu vigiando cuidadosamente os adultos,
porque era tratado erraticamente por eles, e também porque, assim, poderia se
esconder caso alguma ameaça pairasse no ar. Aprendeu, então, a hesitar, a
verificar sinais de perigo, a sentir o posicionamento da figura da autoridade
antes de se direcionar.
O medo de ser machucado ou humilhado fez com que ele, ainda criança, antes de
tomar uma decisão procurasse conhecer primeiro a intenção dos outros. Por isso,
o lugar-comum do 6 criança foi se sentir sem proteção e sem um porto seguro
para onde ir. Isso causou neste adulto a sensação de estar do lado do perdedor,
sem uma figura forte para oferecer proteção.
Na sua história, existe o bicho-papão no armário e ele se encontra só e
inseguro. A imaginação é tão prodigiosa que é capaz de assustar a própria
pessoa ou criar fantasmas para ferir alguém com seus pensamentos.
A desconfiança na figura da autoridade causou-lhe dependência em ambos os
sentidos: ou se sente fraco e com medo, e precisa de alguém com autoridade para
tomar conde dele, ou se rebela contra a autoridade “que está tentando tirar
vantagem da sua fraqueza”.
TIPO
7
O tipo 7 caracteriza aquele que teve uma infância plena e cheia de memórias
agradáveis. A sua vida, embora tendo eventos desagradáveis, não apresenta
nenhuma amargura. Na verdade, o que ele mostra desde a infância e que irá
caracterizar a sua vida adulta é a capacidade de centrar a sua atenção nas
memórias positivas.
Quando o cenário de sua vida apresenta-se mal e negativo, é capaz de se colocar
à parte e negar tal situação, para não se confundir com ela. “Eu estou bem; se
a situação está mal, um dia ficará melhor”.
Recusa-se a ver a situação negativa. Ao contrário do 6, que só se lembra das
situações negativas, ele tende a se concentrar nas situações agradáveis, devido
à característica de fugir do sofrimento e se mover em direção ao prazer.
Em muitos casos, aparenta ter problemas com o pai, mostrando-se muito mais
chegado à mãe. Talvez devido a esta inclinação, na vida adulta irá assumir uma
posição antimachista e abraçará as idéias feministas.
TIPO
8
Na infância, para sobreviver, o tipo 8 teve que desenvolver uma couraça
protetora, ao mesmo tempo em que seu interior tornava-se forte e destemido,
porque ele teve que crescer rapidamente a fim de tomar conta de si mesmo. Desse
modo, aprendeu a transformar de imediato seus impulsos em ações, agindo sempre
primeiro e pensando depois. Esta característica permaneceu com ele durante toda
a v...ida.
O mundo que habitava era dominado pelo maior e mais forte, que controlava sua
vida. Estava sempre se confrontando com situações e pessoas arbitrárias, e
desta forma desenvolveu uma força interior que carrega como um trunfo de que
sempre dispõe na hora de enfrentar uma situação adversa.
Quando criança, aprendeu que os mais fortes e os vencedores é que são
respeitados, enquanto que aqueles que mostram fraqueza não merecem consideração
e são rejeitados pelos seus pares. Logo, teve que passar a negar suas próprias
fraquezas e limitações, para parecer forte e destemido, conquistando, assim, o
direito ao respeito e admiração dos outros. É por isso que, adulto, não se
intimida diante da defesa inimiga. Na verdade, confia tanto em si mesmo que
diante de uma ameaça, em vez de retroceder, avança, pressionando o flanco com a
segurança e a força de quem está acostumado a enfrentar as batalhas.
Foi punido pelas coisas que não fez e, por este motivo, criou o senso de que as
leis são arbitrárias, tanto assim que julga que pode fazer suas próprias leis.
Além disso, na luta para se defender, acabou por achar que era mais divertido
quebrar as regras do que segui-las.
TIPO
9
O tipo 9 foi aquele tipo de criança que na infância recebeu muito pouca atenção
dos pais. Não porque esses necessariamente tenham dado pouco amor ou carinho,
mas sim porque ele precisava de mais do que o que recebeu. Desta forma,
sentiu-se em segundo plano e passou a agir como um observador, retirando-se do
primeiro plano ou do centro dos acontecimentos familiares. Percebia que seus
pontos... de vista ou suas vontades não eram atendidos pelos pais e que as
necessidades dos outros pareciam mais importantes para eles do que as suas
próprias.
Uma vez que as suas prioridades e necessidades mais prementes nunca foram
tomadas em consideração, aprendeu a revelar suas reais necessidades, para se
dedicar as coisas menores e sem importância. De tanto desviar sua energia das
verdadeiras prioridades para objetivos ou coisas menos fundamentais, perdeu a
noção daquilo que realmente quer. Em conseqüência, perdeu também a noção do que
é importante ou não para ele.
Como na infância, por achar que ninguém prestava atenção nele, passou a
observar os outros, adquiriu, quando adulto, a característica de assumir a
personalidade dos que exercem influência sobre ele. Assim, é capaz de abrir mão
de sua posição numa conversa e adotar os maneirismos e as opiniões de alguém
que lhe tenha captado a atenção. Ser uma espécie de “camaleão” é uma marca
registrada do 9.
Na verdade, assume as características de quem estiver mais próximo porque não
consegue definir as suas próprias. Como criança, tendia a viver através dos
pais, e, como pai ou mãe, tende a viver através dos filhos.