quinta-feira, 1 de maio de 2025

PARADOXOS

 


PARADOXOS

 

Quando estamos enraizados não nos permitimos ao novo. Não nos desligamos, fazemos pirraças, queremos o controle, esquecemos quem somos e nos dedicamos a uma ideia fixa do ego. Contrariamos a lógica, abdicamos a intuição e renegamos a leveza da vida. Como diz o grande amigo Jacome: “estar na zona de conforto é bastante confortável”.

Em algum momento nos perdemos e sempre enlouquecemos. A sombra nos cobre como a bruma de Avalon, estamos apegados a ideia de quem somos e o que nos tornamos em virtude de gostos, aptidões, defesas, personalidades e crenças. Criamos um escudo protetor, a nossa defesa consegue ser maior do que a Muralha da China, ou aquela do Game of Thrones... nos tornamos adultos infantilizados fazendo pirraça.

Não existe idade para sermos acobertados por essa desgraça (não gosto desta palavra deve ser a primeira vez que a utilizo) denominado ego, principalmente quando ele vem sobrecarregado do nosso lado sombrio. A desgraça nada mais é do que a falta de graça e o pobre coitado do ego, que nos fora útil na infância e nos ensinou defesas, na atualidade perdera completamente o sentido. Se procurarmos por autoconhecimento, constatamos que: quanto mais nos afastamos do ego, mais nos libertamos.

Dói descobrir que somos apenas um ego e o afastamento deste é uma via sacra. É o reencontro com o amor próprio, com o amor incondicional, ou sei lá, pela iluminação.

Sempre fui apegada ao intelecto, ao instinto e a solidão. O intelecto me deu sede de conhecimento, o que por algum tempo foi extremamente útil, o instinto me presenteou com a raiva o que me projetava sair do lugar e a solidão a defesa para que ninguém pertencesse ou entrasse no meu minúsculo mundinho. Me tornei uma observadora algoz, difícil de interpretar exclusivamente pelas expressões faciais. O acesso ao coração? Bloqueei e olha que detesto essa palavra atual e de muita utilidade, eu simplesmente deixei de sentir, porque quando sentimos estamos vulneráveis e entregues.

Eu e essa minha estranha obsessão pela tríade humana: intelecto, coração e instinto. Sei que já escrevi muito sobre isso, mas sempre me surge novas interpretações, emoções e um cérebro barulhento que não quer se calar por nada e essa raiva que me impulsiona a vomitar as emoções.  

Para os novatos explicarei com um pouco de vaidade, o humano, independente do gênero, é composto por três partes: cérebro, coração e instinto; homem, mulher e criança; Pai, Filho e Espírito Santo. Somos uma tríade sagrada e precisamos do alinhamento desta para estarmos emocionalmente saudáveis e livres de tudo aquilo que nos afeta externamente. Essa percepção te liberta de dogmas, conceitos, padrões, dores, amores, mágoas, ressentimentos, apegos e dentre outros adjetivos dos quais não me lembro agora.

Como uma mulher de meia idade, com muita tendência a insanidade, insubordinada e fora dos padrões sinto compaixão por onde caminho. Observo uma humanidade muito ferida por nada. Ferida por normas, conceitos, costumes, leis, apegos e controle. Tudo bem! Precisamos de ordem, mas de onde surgiu a necessidade de sermos um padrão? De onde nasceu a ideia de que aquilo que eu quero e pirraço para ter é o melhor para mim? Pra quê tanto controle?

Certo é que sempre teremos nossos corações partidos por adversidades da vida. Cada um vive e aprende o que precisa. Não adianta pedir para ficar, pirraçar, enlouquecer, infernizar a vida alheia, torna-se o caos, se explodir em dor, desenvolver um câncer... o amor muitas das vezes é apenas uma ilusão e quando essa ilusão passa fica apenas um: sinto muito.

Ando enamorada! Escolhi a felicidade! Me acolhi! Nunca me senti tão bela, principalmente com esse batom com gosto de melancia, estou entregue ao aleatório, não me apego, detesto rotina, estou de mãos dadas com a “menosesperaça”, o sorriso a marca cativante e a gargalhada o deboche garantido... acordo todas as manhãs ao som de algo novo, e esta manhã foi presenteada pelo Harry Styles, que, diga-se de passagem, “data vênia” é um tesão a parte...

 

“Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever going back

Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever going back

Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever (oh)

What do you mean?

I'm sorry by the way”

 

Por: Lucileyma Carazza





terça-feira, 22 de abril de 2025

ATLANTIS






ATLANTIS

 

Preciso me redimir

Não é sua culpa

Casei com o mar

E tenho minhas limitações

Iemanjá me conduziu

No dia da Paixão de Cristo,

Ela sempre leva minha prataria.

Sou uma mulher de meia idade

Que não se entrega ou confia

Com suas limitações físicas e emocionais

Fiz trilhas solo por estas ilhas...

Quando vi a Escalvada pela primeira vez

Nunca imaginei que haveria uma cruz

Mas pensei: jamais me jogaria ali

Naquele mar azul cobalto

Sentia a vida por debaixo

Onde as ondas modam a superfície

A ilha é mística em suas lendas

Com um habitat incomum.

Se tivesse me deixado livre

No momento em que fechei os olhos

Esquecido as técnicas

Obteríamos sucesso

Precisava sentir o silêncio do oceano...

O objetivo fora alcançado

Não queria estar presa a nada

Confiar em você de mãos dadas

Olhar nos seus olhos

É humanamente impossível para mim

Se tivesse me deixado livre

Obteríamos sucesso

“Não sou uma costela de Adão

Sou filha de Lilith”

Te reverencio e admiro

Eu sinto muito

Sou quebrada, parafusada

E tenho um coração de elástico...

Certamente a experiência

Um tanto quanto frustrada

Me conduziu a um salto quântico.

Muito obrigada.

Talvez um dia eu me entregue

Mas por enquanto sou carreira solo...

 

Por: Lucileyma Carazza

MERGULHO


 


quinta-feira, 17 de abril de 2025

TERCEIRA VISÃO


 

TERCEIRA VISÃO

 

A melancolia é o excesso do passado, a ansiedade o stress do futuro. Estou preza em um limbo e vivo com o pé no presente e só enxergo a bruma.

E fico a pensar: como nos relacionamos por tanto tempo e somos ludibriados por nada?

Em fidelidades íntimas sempre fui como um túmulo e muito discreta, mas, dizem que a minha presença é impactante... contudo, num piscar de olhos, não nos   reconheço. Todo e quaisquer julgamento de boa-fé enterrados num sarcófago frio num dia chuvoso onde as ondas estão altas e o cheiro da maresia me afaga.

Não compreendo a lógica de ser tudo em um momento e num piscar de olhos não podemos sequer nos cumprimentar... e onde fica os bons momentos, o respeito, o porto seguro que tentamos ser? E onde fica a benevolência e a reverência pelo o que fomos... e tem ainda o tal do perdão, que relembrei recentemente, atendendo ao pedido de socorro de uma amiga que queria aprender sobre o ho'oponopono: “eu não sabia como era bom perdoar e soltar; eu não sabia como era bom deixar ir o que nunca me pertenceu”.

A porra toda é que eu sou uma eterna Shakespiriana, Cartoliana, Cazuziana... Augusto dos Anjos me seduz com a sua paixão eterna pela morte, também flerto com ela, mas, contudo, porém e portanto, Bono nunca me abandonou com as suas palavras de fé e resiliência; me redescobri em Gregório de Mattos o “Boca do Inferno” (a terapeuta diz que preciso aprender a parar de vomitar as palavras, sinceramente, estou velha e não quero mudar isso e muito menos a minha espontaneidade), também tem a admiração pelo jovem Jão que nos ensina que é possível divertir mesmo estando triste; tão jovem e nos cura com a sua própria cura, com seus amores piratas, livres e atuais, claro que o amo, ele é um escorpião nato oscilando entre as trevas e a luz, como gostaria de ter escrito tudo que ele escreveu até o momento, talvez já tenha escrito e nem me lembre, sou uma alma antiga em tempos modernos... Dos poetas citados temos em comum a mesma dosagem para a cura da loucura de uma cabeça fudida. Transformamos a dor em versos e prosas, em palavras das quais não nos importamos que ninguém se importe ou leia, nossa prisão são as nossas mentes fertilizadas com patavinas. No fundo somos todos um tipo 4 sexual do Eneagrama.

Mas me questiono: Que relações são estas? Rasas... Que desequilíbrios são estes? As mentes andam doentes, perturbadas, mal educadas, mas acredito que a minha seja a pior de todas, pois prezo pela retidão, pela espiritualidade que me acompanha e ao respeito pelo que vivi, ou pelo o que vivemos. Reverencio e me liberto.

Acredito que fiz muita terapia, Yung me deixou benevolente demais ao condicionar a terapia com a espiritualidade, Clarissa Pinkola Estés com os arquétipos das mulheres selvagens me fez acender uma seta neon de foda-se na minha cabeça.

Aprendi a dizer: “tá bom”... parei de brigar, solto um sorriso, não faço pirraça, falo baixo, sumo e não suporto quem tire a minha paz! Egoisticamente falando eu amo ser a mulher que me tornei. Fora de todos os padrões, e sim, sou louca! Barraqueira nunca! Meus amigos me apelidaram de Fina. Minha guerra é fria em disputas intelectuais. 

Estou com medo, muito medo, pois, voltei a escrever, estou tal como a Dilma: “desequilibrada tomando remédio de tarja preta”, só que não... Existe uma dor ao escrever, existe amor, existe algo lúdico que eu não sei de onde vem...

Acreditei por um tempo que não havia mais nada a ser dito, escrito, que estava vazia e resolvi fazer crochê. De fato estava vazia, fria, sem emoção, tesão, calor, não me reconhecia, só queria dormir, exaurida... mas agora quero a vida e abraçar todo o tempo perdido. Respiro, medito e me liberto.

Quero histórias novas, momentos, vivências, conhecimentos, experimentos e experiências...

E tudo bem que fui ferida, tenho certeza que também feri. Eu te perdoo e me perdoo. A minha lança foi ética, não me escondi em máscaras e em coisas mundanas. O mundo é feito para pessoas que não sabem viver.

Meu sonho é ser como Mozart, este compreendeu a harmonia sobre o mundo em que vivemos, que é diferente ao do plano espiritual, por isso a sua música transcende, promovendo a abertura da inconsciência e promovendo a elevação da sua capacidade intelectual.

Sim... sou louca, estou louca, sou intensa, ando rebolando e estou muito desbocada! Mas a terapeuta diz que somos aquilo que negamos, e não, o que afirmamos, nesse ponto concordo com ela porque tenho a certeza que gente feliz não incomoda ninguém.

Seja livre, seja leve... seja como uma lebre, ou como uma criança recém chegada abrindo os seus olhos no inconsciente da sua alma. A abertura do chacra da terceira visão, mesmo que inconsciente, significa a sincronicidade dos hemisférios, a capacidade do discernimento e a expertise de conhecer a profundidade da vida.

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 15 de abril de 2025

RESPIRAR


 

RESPIRAR

 

Quando estamos congelados

Paramos de respirar

Simplesmente para parar de sentir.

Nos tornamos adultos pirracentos

Fugindo de nossas dores.

Corremos léguas

O cérebro não descansa

Causando exaustão.

Nos perdemos de nós mesmos

O ego domina,

Ele é um eterno insatisfeito.

Nunca nos aterramos

Apenas congelamos a liberdade das nossas emoções.

Colocamos nossas máscaras (ego),

Fingimos estar bem

Vivemos uma rede social ilusória

Gargalhadas vazias

Precisamos de diversão a qualquer custo

Porque não baixamos a guarda

Somos fortes, atraentes, inteligentes

Espertos o suficiente na arte do disfarce.

Somos emocionalmente feridos

Vivemos no piloto automático

Num porre aqui e outro acolá

Estamos congelados

A deriva do que tem para hoje,

Talvez seja o momento de descongelarmos.

Voltar a respirar, sentir a dor e regenerar.

Necessitamos de entregas em reciprocidade

Esquecer do mundo e voltar-se para vida.

O mundo é feito para homens feridos

A vida é a cura onde tudo renasce, regenera,

A respiração flui e nos descongelamos...

Abertos, inteiros, conscientes a oportunidades reais.

Existe um lugar onde podemos ser livres

Em verdade

Basta aceitarmos quem somos e respirar.

 

Por: Lucileyma Carazza

 


sexta-feira, 11 de abril de 2025

AMORES

 

AMORES

 

Paradoxo complexo

Amamos... simplesmente amamos!

Deixamos livre e sem amarrações

É mais gostoso!

Não existe um conceito

Existe uma linha tênue...

De amores incondicionais

De amores resgatados

De amores blindados

De amores amantes

De amores de uma noite

De amores partidos

De amores entre amigos...

O amor liberta ou te aprisiona.

A escolha é sua (ou minha) ...

Onde existe amor existe dor,

Onde existe amor também existe aprendizado.

Amor de fato respeita

Impõe limites

Aceita

Transborda

Transgrede

É resiliente!

É... estou amando

E amo, cada segundo...

Resgato a amazona raiz,

Parto para a moto nauta feliz...

Dispenso a estrada e o ar

Passei por vocês,

Mas não são meus amores.

Há algo que reluz em mim...

O cheiro, o rebolado, o brilho do cabelo

E até mesmo os olhos

O sorriso é constante

E a benevolência minha opção.

Casei com o mar!

Há uma dor profunda quando escrevo

Mas transformo

Liberto

Vivo!

 

Por: Lucileyma Carazza





quinta-feira, 10 de abril de 2025

Caso perdido

 

Sou um caso perdido

Sem padrão e norte...

Ouço o que ninguém escuta

Enxergo o que ninguém vê

Sinto o que ninguém sente

Estou em hora extra...

Estou exausta por ser incompreendida

Por me meter aonde não devo...

Ser uma “Boca do inferno”

Nesta realidade distorcida e “utópica”

Uma vida que não é para amadores...

Fui expulsa do Paraíso

E talvez do Inferno...

Não sou Lilith nem Santa,

A Bruxa é apenas um arquétipo,

A gargalhada o disfarce do choro

As lágrimas não fogem de mim...

Talvez seja apenas a defesa do ego

Para fugir da minha loucura

Sou como as suas tatuagens

Uma perda energética do perispírito

Não me julgue pela minha leviandade

Nem sempre sou assim,

Foda-se o seu julgamento...

Não sinto solidão

Vivo em solitude,

Aprenda a distinguir os conceitos...

Resgato quem eu sou

Perambulo em benevolência,

Sou um caso perdido

Paixões são efêmeras

A liberdade custa caro

Principalmente para as mulheres

Relações casuais marcam como cicatrizes

Não quero voltar a escrever

Prefiro fazer crochê

Não ter raiz e um porto seguro

Não é para pessoas comuns

Nem para aqueles que optam em viver em retidão.

Sou incompreensível

Selvagem... não sou jardim.

Corro com os lobos

Sou solo sagrado...

Não sou apenas uma única fração,

Sou uma orquestra sinfônica

Que não segue o maestro.

Sou um caso perdido

Que não obedece as regras

Que não se encaixa

Em lugar algum.

Sou um bloog ultrapassado...

Prefiro romances Shakespeareanos

Sepultei as poesias

Não quero voltar a escrever...

Ninguém gosta de poesia na atualidade

Não sabem ler e nem interpretar.

 

Por: Lucileyma Carazza

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

 

A FALÁCIA DAS “METODOLOGIAS ATIVAS”

 

Por MÁRCIO ALESSANDRO DE OLIVEIRA*

A pedagogia moderna, que é totalitária, não questiona nada, e trata com desdém e crueldade quem a questiona. Por isso mesmo deve ser combatida

Este ano, tive o desprazer de deparar com um critério desagradável no edital de um Instituto Federal (IF), localizado no Nordeste: exigia o uso de “metodologias ativas”. Detesto-as.

Nem vou explorar o fato de que “metodologias” se tornou um jargão pedantesco dos pedagogos, muitos dos quais nunca lecionaram, embora insistam em vigiar o trabalho docente sob o signo da gestão, marca do neoliberalismo. Este, como sabemos, considera a escola como empresa e o aluno como cliente – e o cliente, é claro, tem sempre razão.

O cliente tem de gostar do produto mercantil em forma de “aula”, e é exatamente por isso que as falácias escolanovistas e construtivistas há uns cem anos estão sustentando, “cientificamente”, as tais “metodologias” ativas, que supostamente dão motivação inesgotável ao aluno, quer ele seja suficientemente inteligente e empenhado nos estudos que tem de fazer em casa, quer não. Entretanto, para o viés “progressista” da pedagogia, a culpa de qualquer fracasso só pode estar nos procedimentos de ensino, que, por pedantismo, os pedagogos chamam de “metodologias”.

Sempre uso a locução procedimentos de ensino por considerá-la mais precisa, ainda que a precisão seja uma consequência de sua abrangência. Contudo, mesmo se eu usasse a palavra metodologias, que tem sido usada de modo cada vez mais leviano ao ponto de ficar vazia de significado real, continuaria cabendo a seguinte pergunta: Quando foram criadas as metodologias “passivas”? Em quais disciplinas e em quais níveis elas são aplicáveis? Por que insistem em demonizar o ensino tradicional?

O ensino que a pedagogia demonizou eu divido nas seguintes etapas: revisão do conteúdo da aula anterior; lançamento de conteúdo; explicação e exemplificação do conteúdo novo; fixação da matéria por meio da avaliação formativa; dúvidas dos alunos.

O esquema acima permite a indução, a dedução, a analogia e a maiêutica, e está de acordo com a didática tradicional e conteudística, centrada que é na análise dos dados. Estes, no ensino, compõem a matéria, ao passo que, na pesquisa, compõem o corpus. Esta é a única semelhança entre o ensino e a pesquisa: os procedimentos de estudo giram em torno dos dados, de modo que são inseparáveis o ensino e a pesquisa. Contudo, são práticas muito distintas. Todo bom professor é um bom pesquisador. Daí a facilidade de concluir que o “argumento” de que o pesquisador não sabe dar aula é uma falácia.

Trata-se de um ressentimento contra os verdadeiros acadêmicos, que valorizam a organização dos dados e a clareza, o que não exclui uma dose de vocabulário técnico-científico nem o esforço do aluno. Estes dois últimos atributos a pedagogia moderna rechaça, embora os mesmos defensores das “metodologias ativas” (que, como integrantes de uma seita totalitária, não aceitam críticas aos seus dogmas) reprovem sem dó os alunos que não mostram aptidão para o mestrado ou doutorado. (Existem, é claro, pessoas aptas que são reprovadas por outros motivos. Um deles é o fato de não bajularem os professores do programa de pós-graduação, apesar de eu mesmo nunca ter presenciado isso no meu tempo de mestrando.)

O passo a passo de cinco fases também está de acordo com a premissa de que o aluno nunca fica passivo por assumir o que o linguista Mikhail Bakhtin considerava como sendo a atitude responsiva-ativa. Enquanto o receptor da mensagem recebe o texto, ele fica imaginando réplicas ou dúvidas, desde que ele preste atenção. Sendo assim, não posso aceitar a pressuposição da existência de metodologias “ativas”. Ocorre que é insustentável o conceito de metodologias “ativas”, porquanto nunca tenham existido as metodologias “passivas”.

Além disso, temos de levar em conta a origem do meu passo a passo, que é a didática de Herbart, descrita da seguinte forma: “esse ensino tradicional estruturou-se por meio de um método pedagógico, que é o método expositivo, que todos conhecem, todos passaram por ele, e muitos estão passando ainda, cuja matriz teórica pode ser identificada nos cinco passos formais de Herbart. Esses passos, que são o passo da preparação, da apresentação, da comparação e assimilação, da generalização e, por último, da aplicação, correspondem ao esquema do método científico indutivo, tal como fora formulado por Bacon, método que podemos esquematizar em três momentos fundamentais: a observação, a generalização e a confirmação. Trata-se, portanto, daquele mesmo método formulado no interior do movimento filosófico do empirismo, que foi a base do desenvolvimento da ciência moderna” [SAVIANI, 2021, p. 35-6].

Ao fragmento acima devemos adicionar outro: “se os alunos fizeram corretamente os exercícios, eles assimilaram o conhecimento anterior, então eu posso passar para o novo. Se eles não fizeram corretamente, então eu preciso dar novos exercícios, é preciso que a aprendizagem se prolongue um pouco mais, que o ensino atente para as razões dessa demora” [SAVIANI, 2021, p. 37].

Ademais, para o Sr. Luckesi, “o método pode ser entendido dentro de uma concepção teórica ou de uma compreensão técnica. O autor compreende Metodologia como a concepção segundo a qual a realidade é abordada. Esta é uma concepção teórica do método. Porém, afirma que há uma compreensão técnica do método que também atravessa o conteúdo, visto que “são modos técnicos de agir que estão dentro do conteúdo que se ensina” (p. 138). Exemplo: o modo de extrair raiz quadrada (Matemática) ou o modo de proceder numa análise sintática (Língua Portuguesa). Tanto uma quanto a outra perpassam os conteúdos tratados nas diferentes disciplinas curriculares” [GRUMBACH e SANTOS, 2012, p. 33].

Com efeito: “Todo conhecimento é atravessado por uma metodologia e é possível descobrir no próprio conteúdo exposto o método com o qual ele foi construído [LUCKESI, 1995, p. 138 apud GRUMBACH e SANTOS, 2012, p. 34]”.

Por que tantos acadêmicos defendem as metodologias “ativas”? Por que insistem em defender essa ficção pedagógica na educação básica e até no ensino superior? Posso listar alguns fatores.

Antes de tudo, a universidade, mesmo que seja pública, continua sendo um aparelho ideológico de Estado. Uma vez que o Estado fica na mão do mercado, o meio acadêmico se torna um capitão do mato do neoliberalismo, cujo eixo “moral” e cujo eixo epistemológico são o individualismo extremo, ligado ao empreendedorismo. É ela (a universidade) que, dentro do neoliberalismo, tem força equivalente ao poder que a Igreja Católica tinha na Idade Média, conforme um dos arrazoados do sociólogo Jessé Souza.

Sem o aval “científico” da universidade, não seria possível uma pedagogia que rebaixasse o professor, e, de fato, ela o rebaixa com a regularidade do sol. Basta ver o assédio moral que os docentes sofrem nas escolas municipais e estaduais. Na rede estadual do Espírito Santo, por exemplo, há uma portaria que impõe vigilância na sala de aula e uma lista de descritores a serem aplicados pelo professor, que é tratado como se fosse funcionário de uma lanchonete de franquia. Se o professor não acatar esse despautério, responderá por isso. Também responderá se não usar tecnologias ultrapassadas, compradas com o dinheiro público. Esse gosto por tecnologia, que é usada como se fosse um fim, e não um meio, é herança do tecnicismo, tendência pedagógica implantada no Brasil no tempo da ditadura militar.

As verbas para as “pesquisas” da pedagogia moderna estão condicionadas a linhas de pesquisa que não melhoram o ensino nem a vida profissional dos docentes, porém é certo que reforçam a “inclusão” escolar num país com esgoto a céu aberto, conforme a cartilha do Banco Mundial.

Outro fator da desonestidade intelectual dos doutores que defendem a baboseira em forma de “metodologia ativa” é a necessidade de tornar “lúdico” e “atraente” o ensino para que o aluno fique na escola, mesmo que ele não estude. É graças a essa pseudoinclusão que políticos e burocratas incompetentes e incultos conseguem se promover. “Assim”, escreve a sueca Inger Enkvist (2021, p. 83), “os políticos arruinaram a escola pública enquanto se faziam passar por seus defensores”. Não importa a altíssima temperatura das salas de aula, não importa a falta de ventilador, não importa a falta de erudição, não importa a falta de bibliotecas bem equipadas e protegidas por bibliotecários (profissionais raros): o que importa é que o professor dê motivação aos alunos, mesmo que a saúde mental dele esteja em frangalhos. E ai do professor que não usar os outros “espaços pedagógicos” da escola para agradar aos “líderes” de turma, que vigiam o professor tanto quanto os filhos vigiam os pais no romance 1984, de George Orwell.

Não é de surpreender que os pedagogos sejam contra o ensino conteudístico e transmissivo: eles não têm conteúdo para transmitir: sua ladainha é desprovida de substância: é um catecismo do nada. Se realmente acreditassem no poder transformador da educação, acreditariam no esforço do aluno e no ensino baseado em conhecimento acadêmico, e não em atividades práticas que exigem corte e colagem de papel ou desenhos de matinho e florzinha. Tratam todos os alunos como se fossem crianças, independentemente do nível do ensino e da modalidade.

No caso da educação linguística, tudo se resume a uma visão superficial das tipologias ou tipos textuais (que são cinco) e a gêneros textuais (que são praticamente ilimitados). Ao aluno são oferecidos textos ruins, que falam de redes sociais e outros temas que são do gosto do mercado. Os pedagogos adoram isso, porque não percebem que estão acentuando a formação de consumidores para a indústria cultural, eivada de senso comum e adolescentes falsos de séries televisivas da Nickelodeon.

Isso tudo, porém, é condizente com a visão intelectualmente desonesta dos sectaristas das “metodologias ativas”. Com efeito: um professor que tenha feito uma formação aligeirada é a justificativa perfeita para ele receber um baixo salário. Ele pode ser um agente de “inclusão” social, um “facilitador” do aprendizado, mas nunca poderá ser autoridade na matéria que leciona, a menos que queira correr o risco de ser tachado de tirano. Quem não se dobra aos dogmas dos sectaristas é perseguido a ponto de responder a um PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

O professor não leciona propriamente: o aluno faz “atividades” para ficar “ativo”, mas não faz uma aventura intelectual, que esse tipo de exercício exige esforço e condições que os gestores não oferecem ou por incompetência, ou por má vontade. Ora, se o aluno tem de fazer “atividades” preenchendo papel em nome de avaliações externas, o professor não tem de ser um modelo de como pensa e age um intelectual.

Apesar de tudo, estou convencido de que, muito embora seja impossível começar a inclusão só pela escola num país onde alunos mal têm o que comer em casa – e defender o oposto disso seria tão absurdo quanto dizer que cobrar mensalidades dos alunos “ricos” das universidades públicas seria uma forma de igualdade e inclusão –, é fato que os países que não seguiram a pedagogia moderna, cheia de ineptos projetos, metodologias “ativas” e outras tolices que interessam tão só ao empresariado, conseguiram mais igualdade e inclusão do que os que adotaram a pedagogia moderna.

Quem mais precisa de ensino tradicional é justamente quem é pobre. A Suécia é um exemplo do que a pedagogia moderna faz: lá, o totalitarismo se consolidou, e isso porque o sistema escolar tornou burros os seus cidadãos. Esses são os efeitos danosos do escolanovismo e do construtivismo, correntes anticientíficas ignoradas por muitos professores, acostumados que estão com o “status” de peões do ensino. Se, no passado, todos tivessem se rebelado contra as falácias de Carl Rogers, expoente da linha não-diretiva e do fato óbvio de que o aprendizado acontece no cérebro do aluno, talvez tivessem conseguido exorcizar também o fantasma de John Dewey. Ambos os autores estão obsoletos, e, no entanto, suas teses “científicas” continuam se sobrepondo aos professores, que ignoram as referências com as quais poderiam combater as falácias dos cientistas das arábias.

Eu disse que somos vigiados. Isso acontece há décadas! “Entre nosso corpo e nossa sexualidade”, escreve Marilena Chauí (2018, p. 113-14), “interpõe-se a fala do sexólogo, entre nosso trabalho e nossa obra, interpõe-se a fala do técnico, entre nós como trabalhadores e o patronato, interpõe-se o especialista das ‘relações humanas’, entre a mãe e a criança, interpõe-se a fala do pediatra e da nutricionista, entre nós e a natureza, a fala do ecologista, entre nós e nossa classe, a fala do sociólogo e do politólogo, entre nós e nossa alma, a fala do psicólogo (muitas vezes para negar que tenhamos alma, isto é, consciência). E entre nós e nossos alunos, a fala do pedagogo”.

Mas há mais: Vejamos o que diz a sueca Inger Enkvist (2020, p. 275-6): “[] os pedagogos não funcionam de maneira científica nem democrática, mas como uma seita com uma fé especial que não questiona as bases de sua crença. Autoproclamados especialistas do ensino, apresentam-se como uma instância superior aos demais professores que “apenas” ensinam suas matérias. A primeira fase foi a doutrinação dos professores para justificar a presença dos pedagogos. Como não são responsáveis por ensino algum, sua presença constitui um tipo de parasitismo nos sistemas educacionais []. Como é típico das seitas, desprezam os demais. Os pedagogos são os bons, os que sabem a verdade, e introduziram uma nova linguagem para os iniciados. Além de uma crença e de uma linguagem própria, uma seita também precisa de dinheiro, e nesse caso os membros do grupo souberam instalar-se dentro das estruturas do serviço público, e viver do dinheiro do contribuinte”.

Muitos pedagogos, sem que nunca tenham lecionado, num total desrespeito ao Artigo 67 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), tornam-se diretores escolares… perdão: tornam-se gestores escolares – e o gestor, conforme o que aponta Marilena Chauí, é análogo ao gângster dentro do neoliberalismo. Isso é tão absurdo quanto colocar na direção de um hospital um não-médico ou um médico que nunca tenha clinicado. Também há os que se tornam supervisores ou inspetores, que são capitães do mato.

Precisamos nos insurgir contra a pedagogia moderna: devemos fazer debates públicos fundamentados na verdade, e a verdade é que não funcionam as tais “metodologias ativas”: são um fracasso vergonhoso, e isso tem de ser exposto nos simpósios e nas outras comunicações realizadas em eventos acadêmicos, mesmo que isso acabe ferindo a vaidade dos doutores das arábias que veneram o Lattes.

Outro passo importante é impugnar os editais que digam que o professor tem de ser avaliado em função do uso das tais “metodologias” ativas. Por lei, cada um de nós, professores, tem direito a diferentes concepções pedagógicas, e a que eu adotei é tradicional. Não posso ser obrigado a distorcer anos de conhecimento acadêmico só porque os próprios acadêmicos querem selecionar pessoas que compactuem com as tolices deles.

Em agosto de 2024, fiquei em segundo lugar na prova objetiva do concurso de um Instituto Federal, localizado no Sudeste. Depois descobri que fui desclassificado na prova didática: tirei 48 numa escala de 0 a 100. A menos que a banca aceite o meu recurso, todo o tempo e todo o dinheiro investido em viagens e hospedagens terão sido em vão. Não posso afirmar que o fato de eu ter inserido no cabeçalho do plano de aula os excertos de Saviani e o conceito de Bakhtin para fundamentar as oposições que naquele documento eu faço às “metodologias ativas” me prejudicou, até porque o barema não apresentava o uso de tais “metodologias” como critério de avaliação da prova didática, mas a subjetividade dos avaliadores, a julgar pelo currículo deles, está eivada de tolices pedagógicas do jaez das “atividades”.

Curiosamente, apesar de todo o “progressismo”, a banca exigira conhecimentos que estão na gramática de Evanildo Bechara, um autor que, para muitos, é extremamente conservador. As questões objetivas também tinham exigido conhecimentos que só poderiam ser acumulados por um professor cujo perfil fosse acadêmico, embora um bom professor pudesse fracassar naquela etapa: caíram questões sobre o pensamento de autores cujos livros não foram mencionados no edital, que nem sequer continha bibliografia.

Permanece a minha sugestão: temos de nos insurgir contra as falácias pedagógicas. Isso quer dizer que temos de fazer um movimento de baixo para cima, de modo que seja atingido o meio acadêmico: é ele que dá o aval “científico” a toda a barbárie que nós, professores, sofremos, e que é até mais perigosa do que a do tempo da ditadura militar brasileira ou do que a da “Revolução” Cultural da China. Esta última perseguiu abertamente professores e outros intelectuais.

Não devemos sentir medo: na democracia, é salutar a contestação; na ciência, só pode haver verdade quando questionamos os pressupostos e os métodos, ou seja: o conhecimento só é confiável quando a epistemologia e o paradigma são contestados e testados. A pedagogia moderna, que é totalitária, não questiona nada, e trata com desdém e crueldade quem a questiona. Por isso mesmo deve ser combatida.

*Márcio Alessandro de Oliveira é mestre em Estudos Literários pela UERJ e professor da rede estadual do Espírito Santo.

Referências


BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. Tradução feita a partir do francês por Maria Emsantina Galvão G. Pereira. 2ª ed. SP: Martins Fontes, 1997.

CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva, artigo a artigo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2018.

CHAUÍ, Marilena. O que é ser educador hoje? Da arte à ciência: a morte do educador. In: Em defesa da educação pública, gratuita e democrática. Organização de Homero Santiago. Belo Horizonte: Autêntica, 2018. ENKVIST, Inger. O complexo ofício de ser professor. Tradução de Ricardo Harada. 1ª ed. Campinas, SP: Editora Kírion, 2021.

______. A boa e a má educação: exemplos internacionais” (tradução de Felipe Denardi. São Paulo: Kírion, 2020.

ORWEL, George. 1984. Trad. Alexandre Hubner e Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

Parece revolução, mas é só neoliberalismo: o professor universitário em meio às cruzadas autoritárias da direita e da esquerda. In: Piauí (Folha de São Paulo). Jan. 2021. Disponível em: <https://piaui.folha.uol.com.br/materia/parece-revolucao-mas-e-soneoliberalismo/>.

SANTOS, Ana Lúcia Cardoso; GRUMBACH, Gilda Maria. Didática para Licenciatura: Subsídios para a Prática de Ensino (volumes 1º e 2º). Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2012.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. Campinas, SP: Autores Associados, 2021.

SOUZA, Jessé. A elite do atraso. Rio de Janeiro: Leya, 2017.

______. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. 2ª ed. Rio de Janeiro: Leya, 2018.

 

 

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/a-falacia-das-metodologias-ativas/

sexta-feira, 12 de julho de 2024

PREFIRO ESTAR, OU SER...

 

PREFIRO ESTAR, OU SER...

 


Observando o cotidiano, críticas, cobranças, julgamentos, falhas e feridas fico a pensar... onde eu estava que parei de ser novamente? Entorpecida em psicotrópicos, álcool, com preguiça física, intelectual, de gente e lugares? Com preguiça de pegar o carro e sair sem rumo entregue a menos esperança? Aonde eu me perdi? Fugindo constantemente para um lar em solitude?

Pensei que o copo estava cheio e limpo, mas, contudo, porém e portanto, me perdi em um ciclo muito antigo de vivencias atuais e passadas...

E que ciclo é este? Que corri, fiz tratamento, pedi perdão, reverenciei e achei que estava superado?

Me propus a ser um ser humano melhor. Perdoei o passado e recomeço todos os dias em retidão, observo, agradeço, sou a melhor possível dentro das minhas limitações e imperfeições. Destaco que ainda sou o meu maior algoz.

Me afundo novamente em um buraco de lama. Que ciclo vicioso é este? Que volto às mesmas dores, expiações e provas? Pleonasmo aqui é mato. A gargalhada havia desaparecido e volta como uma máscara. Não se engane com esta mansidão, com este choro e a paz disfarçada... são apenas pressupostos da ira, da raiva e da tosse seca da alma.

Pensei que havia me libertado, dado um salto quântico ou sofrido uma catarse, fato é que, tudo aquilo que menosprezei, ignorei e achei que estava curado em mim voltam a tona como uma explosão de um vulcão adormecido.

Me questiono, procuro respostas e me encontro paralisada. A exaustão emocional é a pior. O assédio ligado ao fracasso de não ser a melhor, rodeada de críticas realizadas por olhares julgadores de uma sociedade caótica, materialista, mesquinha e mal resolvida. Nem vou mencionar a decepção que sinto em mim.

Sinto vontade de gritar: estamos em ebulição global e ainda não aprendemos nada. Não aprendemos sequer a amar e a respeitar.

Vamos então pedir ajuda ao Santo Confúcio, que tanto me inspirou e me colocou nesta confusão toda... sim, a culpa é do Confúcio, neste momento preciso colocar a culpa em alguém e me fazer de coitada. Jamais teria me tornado a mulher que sou sem ele. Largado o ofício da justiça para o ofício da educação, na ilusão de formar pessoas melhores. Fui ingênua. Muito ingênua!

Me deparo com o meu passado, me liberto e solto um sorriso:

 

CANSEI

 

Tanto, que resolvi tomar uma atitude:

Decidi libertar todas as chagas da minha alma.
Optei em deixar o fluxo seguir adiante,
Não quero mais sustentar rótulos e opiniões.
Jamais abrirei mão da minha essência por medo.
Serei sempre amorosa!
Mesmo que ninguém compreenda,
Mesmo que me sinta uma idiota.
É que o desconforto da amorosidade
É muito menor que o da guerra,
Da vaidade, do ciúme, da maledicência e da ira.
O tal do julgamento abandonei em água podre
Para que ele se transforme em Flor de Lótus.
Troquei a ansiedade pela paciência.
Serei gentil dentro do impossível,
Amiga, acolhedora e semearei corações.
Os obstáculos serão apenas dificuldades momentâneas
Abdico das reclamações, insatisfações e frustrações.
Reverencio as dificuldades
Acolho a minha dor e o aprendizado
Perdoo as minhas falhas,
Revejo o padrão e recomeço.
Decidi parar de querer  porque eu sou
Centelha divina disposta a amar.

Por: Lucileyma Rocha Louzada Carazza, em 24/11/2013

 

É apenas um ciclo. Na lama, no brejo, ou no fundo do poço... sempre serei como a Flor de Lótus...

Perdoe, aceite, silencie, siga adiante e estonteante.

 

Por: Lucileyma Carazza

terça-feira, 2 de julho de 2024

 


Bom dia, boa tarde ou boa noite... sei lá.

Não sei como começar e se vou ter coragem de entregar... fato é que a angustia me assola o peito.

Não sei por onde andas, com quem andas, se está com saúde, feliz, se está de fato namorando ou se já casou...

Então, vou dizer sobre mim... escrever para mim sempre foi um ato de coragem, porque aqui expresso tudo o que sinto e ainda torno público... A crença desta atitude é em virtude de que quando verbalizamos e tornamos público a nossa dor, o Universo, ou Deus de alguma maneira faz com que nos sentimos melhores e nos apresenta outras oportunidades e nos transformam (psicologia barata, mas funciona).

Vou tentar ser breve...

Fato é que nunca me envolvi com uma pessoa como você. Um homem que me buscou dentro de casa e que me deu muita alegria. Um homem que eu admiro por ser determinado, trabalhador, íntegro, honesto, boêmio, que me faz dar as mais altas gargalhadas, um amigo, um excelente amante na cama (quando tínhamos cama) e o único que me levou café na cama, que demonstrou gostar de mim só por eu ser eu mesma. Um homem cheio de sonhos e frustrações, que tem o dom da comunicação, que conversa com todos e conhece todos.

Fato é que tivemos muitos altos e baixos... eu completamente comedida e de pouca entrega, e você, querendo me conquistar e me levar para o mundo 24 horas por dia... acho que paralisei, tipo a música do Jão quando diz: “o amor fácil me apavora”...

Tudo era muito novo, principalmente para uma mulher como eu, que havia um propósito de nunca se amarrar a alguém, que optou pela solitude; hoje sei que esta atitude é em virtude das dores emocionais que vivi no passado. Os homens não foram muito generosos comigo, sempre queriam o meu corpo ou algum proveito material.

Quanto a mim... eu sei que errei. Errei por não me entregar, por não confiar, por não compreender essa maldita menopausa, de achar que você queria apenas sexo... seus julgamentos quanto ao meu comportamento me congelava... as críticas... as desconfianças...as cobranças...

Quanto a você... sabemos que você errou também... quando não entendia a minha solitude, naquele maldito dia do guarda (que para mim foi um dos maiores constrangimentos da minha vida, eu sei que a culpa foi minha), no dia do meu aniversário que prefiro nem lembrar (não foi a primeira vez que um homem tentou me agredir fisicamente)... mas ainda assim tentamos...

Destaco que nunca terminei com você, mas você sempre terminava comigo, vivia numa balança para tentar me conquistar na dor e pela dor, querendo amor...

Quando você terminou comigo naquele barraco em Setiba e posteriormente veio a sua família... morri de vergonha daquele barraco na frente do meu melhor amigo, me doeu muito, não esperava...para variar você terminou comigo... dias depois, ver você postando fotos no status do WhatsApp com a sua ex e seus filhos me doeu muito... meu inconsciente já me avisara que ali estava rolando mais coisas (sexo ou amor)... eu entendi que fora a sua escolha, a sua escolha de ser feliz.

Ainda assim,  tivemos mais uma noite de sexo... sei que você tentou voltar, mas como eu voltaria? Confiaria... me entregaria... outro bloqueio (exclusivamente meu)... tenho medo de viver e anseio a morte todos os dias, até hoje não sei porque tive uma segunda chance...

Você me conquistou de novo quando reformou a minha casa. Ali senti que formávamos uma dupla de verdade. Um cooperando com o outro... minha admiração por você cresceu... Todas as vezes que saíamos e íamos a praia você fazia o meu dia melhor. Quantas e quantas vezes me tirou da cama quando eu só queria estar morta...

Quase morri quando disse que ia embora, a princípio pensei que era mentira, mas quando você me ajudou com o meu carro e disse que estava indo... tive uma crise de choro compulsiva durante horas... mas depois vi que era apenas uma mentira...

E finalmente, na nossa última conversa, quando me pediu para afastar porque estava se relacionando com outro alguém... eu havia tentado te beijar dias antes, acredita, eu realmente estava muito envolvida com você, mesmo sem sexo, talvez ali, eu voltasse ao normal se aquele beijo tivesse acontecido (sexualmente falando)...

Daí fiz um “tinder”, conheci alguém... talvez seja um cara legal... estamos saindo há um mês... nos encontramos 4 vezes... ele quer namorar comigo, mas, novamente, não tenho condições alguma de relacionar com alguém... porque te amo e sinto a sua falta... não consigo imaginar outro homem me tocando...

E esse textão... é apenas para dizer que EU SINTO MUITO! EU SINTO MUITO A SUA FALTA! EU PRECISO DE VOCÊ! EU TE AMO! EU TE REVERENCIO! E SE QUISER VOLTAR A SER O MEU NAMORADO, VAI ME FAZER A MULHER MAIS FELIZ DO MUNDO!

No mais... Deus sabe o que faz...

 Por: Lucileyma Carazza