terça-feira, 3 de junho de 2025

Valhalla

 


 Valhalla

 

Sem métrica e sem rima

Abafei diversos dons

Talvez seja apenas o álcool

Manifestando em minha mente louca

Não gosto deste dom: o da escrita.

É o que mais me consome

Transmite o meu total desequilíbrio

Minha mente vagueia em um mundo paralelo.

Sendo a louca libertina

A justiça estandarte...

A abertura do inconsciente

Não dá para fugir do que somos:

Sou mau vista, infame e malquista...

E me sinto ótima!

Sou solo sagrado e não sou jardim

Não compreendo essa necessidade

Do resgate Karmico e anseio o Darma

Tudo que escondi tornou-se sombra

As previsões, as visões, as audições

As dores no corpo e os desdobramentos

E essa sensação de uma alma antiga

Incompreensível na atualidade

Porque isso ressurge?

Não é o álcool!

São as 36 horas não dormidas!

São as crianças clamando!

As mulheres domesticadas berrando...

E os homens se divertindo...

Preciso conter a gargalhada por quê?

Não pertenço ao mundo dos homens

Muito menos aos das mulheres

Não sou deste lugar

Fui recusada do céu e do inferno

Mas...

Na casa do meu Pai há várias moradas...

Escolhi a morada dos Vikings: Valhalla

Onde as mulheres eram livres, guerreiras e dignas.

Escolhíamos os mortos éramos Valquírias

Antecedemos aos Celtas e aos Druidas

O ventre idolatrado

A Deusa a mãe maior

A floresta a moradia

A intuição a magia

A solitude a companhia

A compaixão a libertação

A honra a glória!

 

Por: Lucieyma Carazza

 

terça-feira, 27 de maio de 2025

AMOR IDIOTA E TEIMOSO

 


AMOR IDIOTA E TEIMOSO

 

Caio em um choro compulsivo adentrar em casa. Me sinto sozinha. Acredito que seja a hora de ouvir as instruções psiquiátricas... E essa vontade louca de sumir e recomeçar novamente em algum lugar do mundo não me sai da cabeça...

Em se tratando de terapias ouvir o Felca, no auge dos seus 28 anos é muito mais interessante. Um rapaz com tanta maturidade e esquisitice. Ele diz que está envelhecendo e ficando cada dia mais burro, e que é bom ser burro porque o burro resolve seus problemas e está tudo bem, já as pessoas inteligentes sofrem mais, achei isso de uma genialidade para um garoto magricelo, tímido, cabeludo e lindo.

Resolvo mudar a energia, me arrumo e saio a caminhar. Entro em pânico, talvez seja melhor voltar para casa... a beira mar lotada é muito desinteressante... barulho, música alta, areia voando, turistas sem graça, crianças gritando, mulheres vulgares, outras correndo com os seus macacões colantes, homens se achando, cachorros com meias... quanta preguiça eu sinto e para completar a playlist ainda toca a música que me faz lembrar de alguém  “LP - Lost On You” ...

Tudo igual e todos concentrados em seus mundos digitais fingindo curtir uma praia, e eu ali isolada, desconfortável, me sentindo sozinha, tirando forças não sei de onde para enfrentar a vida, só me restando ler o livro do Bono – Surrender, que é um aprendizado subliminar a cada parágrafo.

Como me identifico com suas dificuldades, genialidades, pontos de vista, incertezas e crises existenciais. Queria ser amiga do Bono, ir à praia, beber uma, conversar o dia todo, conhecer Ali e assistir ao pôr do sol. Imagino o quanto teríamos de assunto, mas nesse momento acredito que escutaria mais porque existem pessoas que sinto prazer em conversar, ou apenas ouvir e admirar a sabedoria...

Peço uma água de coco, coloco os dois fones e aumento o volume no máximo, as pessoas ao lado não param de falar(gritando) encantados com os vendedores ambulantes.

De repente me dou conta que estar sozinha é mais interessante do que estar em meios, ou com pessoas que não nos pertencem. Existe um padrão vibratório onde apenas os que estão na mesma vibração caminham juntos, e tudo bem... cada um em seu estágio de evolução.

Não estou bem, “eu sei, eu sei, eu sei”, fingi por meses e vivi em um estágio de euforia acreditando piamente que minhas dores estavam cicatrizadas. Disfarcei, tive vergonha em ter um coração dilacerado, um coração mais uma vez traído, de ter sido ingênua... Perdi meu amigo e alguém em quem confiava. Ouve deslealdade. Ouve gatilhos emocionais que me pertencem e que afloraram... mas como diz a regra popular: “é melhor ser enganado do que enganar”. Na verdade, o melhor seria ambos vivermos em comunhão, respeitando nossas diferenças e reverenciando nossa convivência.

No mais, tenho por mim que: quando o outro me fere, não são eles os verdadeiros responsáveis, e sim, eu, pelo fato de não ter colocado limites.

Tentei levar com maturidade e naturalidade, me enganei, enganei várias pessoas que me diziam o tempo todo que eu superei bem, ou que não havia motivos para me sentir mal.

A realidade é que a minha cabeça está barulhenta e bagunçada... Resolvi curar o meu emocional... “eu sou eu, você é você”... não sei o que esperar do Universo ou de Deus, não sei se quero um novo amor, um amor verdadeiro, um amor ágape, ou simplesmente ficar sozinha cuidando da minha vida... mas, contudo, porém e portanto... quando lembro daquele baixinho tatuado, noooooo, não é amor, é apenas uma escorpiana se lembrando de atos libidinosos com cara de safada (risos)...

Não sei o que quero, mas não saber o que se quer já é o início de algo ou de uma cura emocional. Eu sei que tudo vai passar, por um tempo vou me isolar, não quero conselhos, terapia, autoconhecimento, vídeos motivacionais, julgamentos e nada que seja  destrutivo. Me afastei das redes sociais por não suportar os logarítmicos que me induzem ao que não quero ver. Me blindei para curar. Vou me apegar a vida, ao Bono, ao crochê, no livro de Gregório (o Boca do Inferno) que achei em casa e não sei quem me deu... Vou mais uma vez seguir em retidão e me reerguer.

Segundo o Bono “Estamos procurando alguém para nos salvar, ou uma solução para um problema e eles estão bem na nossa frente, escondidos à vista de todos”... e o melhor: “se você estiver onde deveria estar, vai conhecer quem precisa conhecer”.

Por enquanto tenho dúvidas mas quero viver... experiências, lugares, o lúdico, o exótico, erótico, dar boas gargalhadas e não ter um pingo de noção e filtro, quero ser livre. Quero algo que me faça suspirar, transpirar e sorrir... e recentemente vi um post no status de um amigo que reflete o que eu procuro: “os dispostos a viver algo incrível merecem se encontrar”.

Por: Lucileyma Carazza

quarta-feira, 21 de maio de 2025

INVISÍVEL

 


INVISÍVEL

Existe um limbo na Terra. Um local onde não podemos demonstrar fraqueza e que precisamos ser o que o outro espera, almeja. Aqui a autenticidade é um crime, um lugar um tanto quanto estranho, tendo em vista que alguns dão até  a solução para os seus problemas sem que você tenha pedido opinião, outros pedem que a gargalhada seja baixa, uns, acreditam que as sete da manhã você usou droga para ir trabalhar simplesmente porque você demonstra entusiasmo, e ainda, tem aqueles que acreditam que as 19:30 você precisa encerrar o dia com o mesmo entusiasmo da manhã.

O pior mesmo são aqueles que te fitam com os olhos e te jogam todo o lixo emocional, toda projeção negativa com efeito de praga para quebrar o seu suposto complexo de superioridade, minam a sua energia sem dó e piedade.

A maioria das pessoas tem a absoluta certeza que a dor do outro é ínfima. Não existe uma dor maior ou menor. Apenas existe uma dor que precisa ser cicatrizada... simples assim.

Os padrões são muito bem estabelecidos e do fundo da minha alma com toda a vivencia, sabedoria e raiva que sinto, grito ao vento para que ecoe alto e em bom tom: odeio padrões, rotinas, mesmices, chatices, uniformes, crachás e mimimis... Casei com o mar, abracei a solitude e ando em retidão.

Não me provoque porque certamente me recolherei a minha insignificância e nem vou lembrar o teu nome, mas não pense que sou burra ou fraca, sei me defender e podes cair do pedestal na velocidade da luz sem sequer saber de onde veio o golpe. Sei ser maquiavélica e tenho a parcimônia em esperar o melhor momento para me vingar. É! Adultos vingam, crianças fazem pirraças e jogos emocionais.

O tal do jogo emocional... os julgamentos, a luta por aquilo que o ego anseia e a falta de praticidade também me irrita profundamente. Mas não se preocupe! Não vou partir para briga, não vou ser ignorante, muito menos provocativa. Vou sumir de vista e almejar ser a mulher invisível, silêncio, escuto a melhor música e sonho com o impossível. 

Ser excluída por ser autêntica não me machuca mais. Fui excluída a vida inteira e precisei aprender a me amar e a me acolher nos momentos de crise. Ter amor próprio é uma questão de sobrevivência, sentir compaixão pela mulher que me tornei e acolher aquilo que necessito é um requisito... eu sou a única responsável em transformar isso em mim. A única responsável pelo meu bem estar. É uma escolha! Uma postura de vida para a vida.

Eximo todo e qualquer ser pela dor que sinto ou pela dor que algum dia me causaram, me responsabilizo por tudo que acontece ou aconteceu na minha vida, e sim,  sou o meu maior algoz extremamente exigente.

Ser solteira é uma opção a qual jamais quebrarei, não é por ter um coração ferido ou partido, ou por falta de opção, é simplesmente porque machuco aqueles que amo por ser livre demais, e tem mais, não ter filho não significa que não tenha doçura suficiente para saber lidar com crianças (não suporto mais ouvir isso). A falta da doçura por não ter filhos...

Existem outras trivialidades que nem expresso desejo em explicar, apenas “sorrio e aceno”... odeio maquiagem, odeio passar esmalte, detesto roupas sexys, ir ao salão de beleza no final de semana, detesto plásticas, procedimentos estéticos, odeio pintar os cabelos e não possuo uma aparência desleixada... vou envelhecer a moda antiga e sinto muito se prejudico as suas vistas, acredito piamente que existem outras belezas no mundo e tenho sede por elas...  

Óbvio que existe um cérebro louco que convive com as comparações e que tem suas crises de dualidade/identidade. Sinceramente admiro e reverencio as mulheres, odeio quando são subjugadas, rotuladas, abandonadas, abusadas... mas... também as odeio, pelo que se tornaram em sua grande maioria (sim, existe exceções)...

Definitivamente “não sou costela de Adão, eu sou filha de Lilith” . Demorei muito para aceitar esse arquétipo, não me submeto a injustiças, prezo pela igualdade, pela liberdade, não sou domada e muito menos domesticada, não sou jardim, sou Solo Sagrado. Sou o que sou e prefiro um milhão de vezes ficar com os meninos da quinta série rindo de tudo e quaisquer idiotice pertinente às suas respectivas faixas etárias (entendedores entenderão). Amo o meu lar, mas não cresci para brincar de casinha.

Quando me perguntam se estou bem... sempre respondo que estou gostosa, ou maravilhosa, ou deliciosa, ou pocando de boa... Não sei se fiz, ou faço as melhores escolhas e talvez o preço que pago seja alto por demais, talvez, esteja apenas confusa, talvez, não deva me cobrar tanto, existe dúvida e a dúvida é para ser vivida... e também é muito difícil responder essa pergunta para mim mesmo, é que também estou cansada de procurar a verdade porque sei bem que ela não existe, eu não a encontrei, eu só quero me sentir bem, me libertar dessa sensação de estar presa. Talvez eu precise mesmo de um milagre, ou como disse uma aluna semana passada: “a Senhora precisa nascer de novo”. Ela achou que estava me insultando, mas nisso, eu concordo e concordei com ela soltando uma  gargalhada... aí o gatilho foi pior, ela se ofendeu me chamando de debochada, mas esse gatilho vai ficar para outro texto.

Por: Lucileyma Carazza

Visão geral criada por IA

“A história de Lilith, a "primeira mulher de Adão", é uma narrativa que se encontra fora dos textos bíblicos oficiais, mas que é amplamente discutida na tradição judaica, na literatura e no folclore. Ela é frequentemente apresentada como uma figura independente e rebelde, que se recusou a se submeter a Adão e foi, portanto, expulsa do Jardim do Éden”.  


Propósito: 1 dia

sexta-feira, 9 de maio de 2025

As poetisas!

 


Toques mais limpos, melodias sinceras postas ao vento que as levam e as trazem como uma trilha sonora em nossas histórias.

É preciso chorar, é preciso deixar as lágrimas ácidas de tanto tempo guardadas, escorrerem por nossa pele mostrando o que somos por dentro.

Mostrando a dor, o amor, a perca e o desafio que enfrentamos; da busca constante de ser algo, de querer buscar algo que não somos.

Tapamos nossos olhos, rebobinando nossas mentes como verdadeiros alienados da sociedade, esquecendo assim o mais importante, o mais verdadeiro, o mais simples e o mais singelo, gesto de um sorriso ou demonstração do que é amor, esquecendo o verdadeiro sentido da vida, e perdendo tempo.

É preciso deixar a dor apertar no peito como forma de tortura, porque preferimos o material ao invés do complexo emocional. Preferimos nos alimentar de restos pelo qual lutamos, pelo qual nos doamos, vendemos tempos, história, memórias, conhecimento e liberdade.

A vontade de conhecer, de amar de viver, de buscar... Já não é a mesma, pois estamos descreditados, desesperançados, despedaçados, mas não nos vemos, afinal como poderíamos nos enxergar no meio daquilo que nos deixa cego.

 

Aluna: Clarysse Petersen Rocha - Eletiva Direitos Humanos e prática de produção de texto.

 

Quem sou eu

 

Viver aos olhos de muitos nós vivemos, aos olhos dos realistas nos existimos, mas e se fossemos verdadeiramente sincero com nós mesmos, iriamos identificar nosso propósito, algo pelo qual iriamos viver adoidados?

 

Só sei que eu cansei, cansei de levar uma vida fútil e sem agregação em nada decido por então viver, viver tudo o que a vida me da, todos os momentos ao lado de pessoas que eu desejo passar uma eternidade, cansei de esperar um sinal divino, cansei de deixar terceiros decidirem o que eu sou e o que eu posso fazer, irei sair deste escritório e viverei, viverei como se hoje mesmo fosse morrer, viverei como se a paz mundial dependesse disto, cansei de mentir sobre o que sinto e por quem eu sinto, eu só quero amar, é muito difícil de entenderem isso?

 

Quero expressar me sem ser julgada, sem ser apontada como a maluca, deixei meus gostos de lado por muito tempo, escrevi baboseiras sem tamanho para agradecer fulano e ciclano, viverei feliz, sabendo quem eu sou, é a partir daqui que eu sei meus propósitos, meus sentimentos e meus gostos, se me perguntarem quem sou irei responder sou quem sou pelas coisas que gosto ,sou eu quem sou por conta do café, sou eu quem sou por dançar debaixo da chuva, sou eu quem sou porque te amo sem ter medo, sou ser vivo, pois respiro, respiro, pois sou ser vivo e é assim que eu vivo.

Aluna: Maria Luiza - Eletiva Direitos Humanos e prática de produção de texto.

 

 

Equipamento de mergulho

 

Assim que amanhece me preparo para mergulhar, tomo meu café e vou me aventurar, coloco meu equipamento de mergulho e caio de cabeça no oceano coloco meus pés no chão, decido me aprofundar um pouco mais e logo em frente me deparo com espécies jamais vistas por mim algumas são amigáveis e se aproximam sem me temer outras no entanto já ficam receosas com minha presença em seu lar, em minha frente á apenas um breu e é por ele que vou, não sei o que me espera, não sei o que vou fazer se encontrar um tubarão a única coisa que sei é que vou por la e espero não voltar, pois eu sei que se eu voltar aquelas criaturas irão me devorar estou como qualquer humano em um lugar estranho, não tem mais volta será necessário continuar. Nunca pensei que estaria em uma situação como essa tão cedo, pois os meus iguais não deveriam ser assim, na primeira oportunidade fui sufocada, fui afogada, quase fui degolada, mas antes disso fui salva, salva por quem me jogaria no mar grudada em uma cadeira de ferro sem chances de jamais escapar, lhe confiei meu equipamento de mergulho, e mais tarde vi ele jogado no canto da sala, você disse pra mim que iria cuidar como se fosse seu, pois se importava para mim importava para tu também, fui trouxa por acreditar, sei que fui pra esquecer tentei mergulhar novamente, todavia me afoguei de primeira e aceitei que ia ficar ali, algum tempo se passou e um ser veio me ajudar estendeu sua mão para mim e me disse ''vamos continuar, não podes simplesmente parar, ainda há um navio a explorar'' segui com este ser sem ao menos perguntar seu nome, perguntar o motivo de estar ali seguimos até o navio onde falaram que havia tesouros persistimos, pois nos arriscamos muito para simplesmente voltar de mão vazia. Voltamos para a superfície e agradeci pelo o que me disse, assim que me virei percebi que não estava mais lá, assim como você ele se foi sem nem dizer o motivo pelo qual veio me dizer um ''oi'', passei dias pensando nisso, queria saber quem era meu salvador, à quem eu devia a minha vida ele parecia até um fantasma ninguém sabia nada sobre ele, a única coisa que eu sei é que a partir daquele dia meu propósito de vida tornou-se conhecer meu salvador a razão pela qual estou compartilhando isto hoje.

Aluna: Maria Luiza - Eletiva Direitos Humanos e prática de produção de texto.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

PARADOXOS

 


PARADOXOS

 

Quando estamos enraizados não nos permitimos ao novo. Não nos desligamos, fazemos pirraças, queremos o controle, esquecemos quem somos e nos dedicamos a uma ideia fixa do ego. Contrariamos a lógica, abdicamos a intuição e renegamos a leveza da vida. Como diz o grande amigo Jacome: “estar na zona de conforto é bastante confortável”.

Em algum momento nos perdemos e sempre enlouquecemos. A sombra nos cobre como a bruma de Avalon, estamos apegados a ideia de quem somos e o que nos tornamos em virtude de gostos, aptidões, defesas, personalidades e crenças. Criamos um escudo protetor, a nossa defesa consegue ser maior do que a Muralha da China, ou aquela do Game of Thrones... nos tornamos adultos infantilizados fazendo pirraça.

Não existe idade para sermos acobertados por essa desgraça (não gosto desta palavra deve ser a primeira vez que a utilizo) denominado ego, principalmente quando ele vem sobrecarregado do nosso lado sombrio. A desgraça nada mais é do que a falta de graça e o pobre coitado do ego, que nos fora útil na infância e nos ensinou defesas, na atualidade perdera completamente o sentido. Se procurarmos por autoconhecimento, constatamos que: quanto mais nos afastamos do ego, mais nos libertamos.

Dói descobrir que somos apenas um ego e o afastamento deste é uma via sacra. É o reencontro com o amor próprio, com o amor incondicional, ou sei lá, pela iluminação.

Sempre fui apegada ao intelecto, ao instinto e a solidão. O intelecto me deu sede de conhecimento, o que por algum tempo foi extremamente útil, o instinto me presenteou com a raiva o que me projetava sair do lugar e a solidão a defesa para que ninguém pertencesse ou entrasse no meu minúsculo mundinho. Me tornei uma observadora algoz, difícil de interpretar exclusivamente pelas expressões faciais. O acesso ao coração? Bloqueei e olha que detesto essa palavra atual e de muita utilidade, eu simplesmente deixei de sentir, porque quando sentimos estamos vulneráveis e entregues.

Eu e essa minha estranha obsessão pela tríade humana: intelecto, coração e instinto. Sei que já escrevi muito sobre isso, mas sempre me surge novas interpretações, emoções e um cérebro barulhento que não quer se calar por nada e essa raiva que me impulsiona a vomitar as emoções.  

Para os novatos explicarei com um pouco de vaidade, o humano, independente do gênero, é composto por três partes: cérebro, coração e instinto; homem, mulher e criança; Pai, Filho e Espírito Santo. Somos uma tríade sagrada e precisamos do alinhamento desta para estarmos emocionalmente saudáveis e livres de tudo aquilo que nos afeta externamente. Essa percepção te liberta de dogmas, conceitos, padrões, dores, amores, mágoas, ressentimentos, apegos e dentre outros adjetivos dos quais não me lembro agora.

Como uma mulher de meia idade, com muita tendência a insanidade, insubordinada e fora dos padrões sinto compaixão por onde caminho. Observo uma humanidade muito ferida por nada. Ferida por normas, conceitos, costumes, leis, apegos e controle. Tudo bem! Precisamos de ordem, mas de onde surgiu a necessidade de sermos um padrão? De onde nasceu a ideia de que aquilo que eu quero e pirraço para ter é o melhor para mim? Pra quê tanto controle?

Certo é que sempre teremos nossos corações partidos por adversidades da vida. Cada um vive e aprende o que precisa. Não adianta pedir para ficar, pirraçar, enlouquecer, infernizar a vida alheia, torna-se o caos, se explodir em dor, desenvolver um câncer... o amor muitas das vezes é apenas uma ilusão e quando essa ilusão passa fica apenas um: sinto muito.

Ando enamorada! Escolhi a felicidade! Me acolhi! Nunca me senti tão bela, principalmente com esse batom com gosto de melancia, estou entregue ao aleatório, não me apego, detesto rotina, estou de mãos dadas com a “menosesperaça”, o sorriso a marca cativante e a gargalhada o deboche garantido... acordo todas as manhãs ao som de algo novo, e esta manhã foi presenteada pelo Harry Styles, que, diga-se de passagem, “data vênia” é um tesão a parte...

 

“Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever going back

Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever going back

Shine, step into the light

Shine, so bright sometimes

Shine, I'm not ever (oh)

What do you mean?

I'm sorry by the way”

 

Por: Lucileyma Carazza





terça-feira, 22 de abril de 2025

ATLANTIS






ATLANTIS

 

Preciso me redimir

Não é sua culpa

Casei com o mar

E tenho minhas limitações

Iemanjá me conduziu

No dia da Paixão de Cristo,

Ela sempre leva minha prataria.

Sou uma mulher de meia idade

Que não se entrega ou confia

Com suas limitações físicas e emocionais

Fiz trilhas solo por estas ilhas...

Quando vi a Escalvada pela primeira vez

Nunca imaginei que haveria uma cruz

Mas pensei: jamais me jogaria ali

Naquele mar azul cobalto

Sentia a vida por debaixo

Onde as ondas modam a superfície

A ilha é mística em suas lendas

Com um habitat incomum.

Se tivesse me deixado livre

No momento em que fechei os olhos

Esquecido as técnicas

Obteríamos sucesso

Precisava sentir o silêncio do oceano...

O objetivo fora alcançado

Não queria estar presa a nada

Confiar em você de mãos dadas

Olhar nos seus olhos

É humanamente impossível para mim

Se tivesse me deixado livre

Obteríamos sucesso

“Não sou uma costela de Adão

Sou filha de Lilith”

Te reverencio e admiro

Eu sinto muito

Sou quebrada, parafusada

E tenho um coração de elástico...

Certamente a experiência

Um tanto quanto frustrada

Me conduziu a um salto quântico.

Muito obrigada.

Talvez um dia eu me entregue

Mas por enquanto sou carreira solo...

 

Por: Lucileyma Carazza

MERGULHO


 


quinta-feira, 17 de abril de 2025

TERCEIRA VISÃO


 

TERCEIRA VISÃO

 

A melancolia é o excesso do passado, a ansiedade o stress do futuro. Estou preza em um limbo e vivo com o pé no presente e só enxergo a bruma.

E fico a pensar: como nos relacionamos por tanto tempo e somos ludibriados por nada?

Em fidelidades íntimas sempre fui como um túmulo e muito discreta, mas, dizem que a minha presença é impactante... contudo, num piscar de olhos, não nos   reconheço. Todo e quaisquer julgamento de boa-fé enterrados num sarcófago frio num dia chuvoso onde as ondas estão altas e o cheiro da maresia me afaga.

Não compreendo a lógica de ser tudo em um momento e num piscar de olhos não podemos sequer nos cumprimentar... e onde fica os bons momentos, o respeito, o porto seguro que tentamos ser? E onde fica a benevolência e a reverência pelo o que fomos... e tem ainda o tal do perdão, que relembrei recentemente, atendendo ao pedido de socorro de uma amiga que queria aprender sobre o ho'oponopono: “eu não sabia como era bom perdoar e soltar; eu não sabia como era bom deixar ir o que nunca me pertenceu”.

A porra toda é que eu sou uma eterna Shakespiriana, Cartoliana, Cazuziana... Augusto dos Anjos me seduz com a sua paixão eterna pela morte, também flerto com ela, mas, contudo, porém e portanto, Bono nunca me abandonou com as suas palavras de fé e resiliência; me redescobri em Gregório de Mattos o “Boca do Inferno” (a terapeuta diz que preciso aprender a parar de vomitar as palavras, sinceramente, estou velha e não quero mudar isso e muito menos a minha espontaneidade), também tem a admiração pelo jovem Jão que nos ensina que é possível divertir mesmo estando triste; tão jovem e nos cura com a sua própria cura, com seus amores piratas, livres e atuais, claro que o amo, ele é um escorpião nato oscilando entre as trevas e a luz, como gostaria de ter escrito tudo que ele escreveu até o momento, talvez já tenha escrito e nem me lembre, sou uma alma antiga em tempos modernos... Dos poetas citados temos em comum a mesma dosagem para a cura da loucura de uma cabeça fudida. Transformamos a dor em versos e prosas, em palavras das quais não nos importamos que ninguém se importe ou leia, nossa prisão são as nossas mentes fertilizadas com patavinas. No fundo somos todos um tipo 4 sexual do Eneagrama.

Mas me questiono: Que relações são estas? Rasas... Que desequilíbrios são estes? As mentes andam doentes, perturbadas, mal educadas, mas acredito que a minha seja a pior de todas, pois prezo pela retidão, pela espiritualidade que me acompanha e ao respeito pelo que vivi, ou pelo o que vivemos. Reverencio e me liberto.

Acredito que fiz muita terapia, Yung me deixou benevolente demais ao condicionar a terapia com a espiritualidade, Clarissa Pinkola Estés com os arquétipos das mulheres selvagens me fez acender uma seta neon de foda-se na minha cabeça.

Aprendi a dizer: “tá bom”... parei de brigar, solto um sorriso, não faço pirraça, falo baixo, sumo e não suporto quem tire a minha paz! Egoisticamente falando eu amo ser a mulher que me tornei. Fora de todos os padrões, e sim, sou louca! Barraqueira nunca! Meus amigos me apelidaram de Fina. Minha guerra é fria em disputas intelectuais. 

Estou com medo, muito medo, pois, voltei a escrever, estou tal como a Dilma: “desequilibrada tomando remédio de tarja preta”, só que não... Existe uma dor ao escrever, existe amor, existe algo lúdico que eu não sei de onde vem...

Acreditei por um tempo que não havia mais nada a ser dito, escrito, que estava vazia e resolvi fazer crochê. De fato estava vazia, fria, sem emoção, tesão, calor, não me reconhecia, só queria dormir, exaurida... mas agora quero a vida e abraçar todo o tempo perdido. Respiro, medito e me liberto.

Quero histórias novas, momentos, vivências, conhecimentos, experimentos e experiências...

E tudo bem que fui ferida, tenho certeza que também feri. Eu te perdoo e me perdoo. A minha lança foi ética, não me escondi em máscaras e em coisas mundanas. O mundo é feito para pessoas que não sabem viver.

Meu sonho é ser como Mozart, este compreendeu a harmonia sobre o mundo em que vivemos, que é diferente ao do plano espiritual, por isso a sua música transcende, promovendo a abertura da inconsciência e promovendo a elevação da sua capacidade intelectual.

Sim... sou louca, estou louca, sou intensa, ando rebolando e estou muito desbocada! Mas a terapeuta diz que somos aquilo que negamos, e não, o que afirmamos, nesse ponto concordo com ela porque tenho a certeza que gente feliz não incomoda ninguém.

Seja livre, seja leve... seja como uma lebre, ou como uma criança recém chegada abrindo os seus olhos no inconsciente da sua alma. A abertura do chacra da terceira visão, mesmo que inconsciente, significa a sincronicidade dos hemisférios, a capacidade do discernimento e a expertise de conhecer a profundidade da vida.

 

Por: Lucileyma Carazza


terça-feira, 15 de abril de 2025

RESPIRAR


 

RESPIRAR

 

Quando estamos congelados

Paramos de respirar

Simplesmente para parar de sentir.

Nos tornamos adultos pirracentos

Fugindo de nossas dores.

Corremos léguas

O cérebro não descansa

Causando exaustão.

Nos perdemos de nós mesmos

O ego domina,

Ele é um eterno insatisfeito.

Nunca nos aterramos

Apenas congelamos a liberdade das nossas emoções.

Colocamos nossas máscaras (ego),

Fingimos estar bem

Vivemos uma rede social ilusória

Gargalhadas vazias

Precisamos de diversão a qualquer custo

Porque não baixamos a guarda

Somos fortes, atraentes, inteligentes

Espertos o suficiente na arte do disfarce.

Somos emocionalmente feridos

Vivemos no piloto automático

Num porre aqui e outro acolá

Estamos congelados

A deriva do que tem para hoje,

Talvez seja o momento de descongelarmos.

Voltar a respirar, sentir a dor e regenerar.

Necessitamos de entregas em reciprocidade

Esquecer do mundo e voltar-se para vida.

O mundo é feito para homens feridos

A vida é a cura onde tudo renasce, regenera,

A respiração flui e nos descongelamos...

Abertos, inteiros, conscientes a oportunidades reais.

Existe um lugar onde podemos ser livres

Em verdade

Basta aceitarmos quem somos e respirar.

 

Por: Lucileyma Carazza

 


sexta-feira, 11 de abril de 2025

AMORES

 

AMORES

 

Paradoxo complexo

Amamos... simplesmente amamos!

Deixamos livre e sem amarrações

É mais gostoso!

Não existe um conceito

Existe uma linha tênue...

De amores incondicionais

De amores resgatados

De amores blindados

De amores amantes

De amores de uma noite

De amores partidos

De amores entre amigos...

O amor liberta ou te aprisiona.

A escolha é sua (ou minha) ...

Onde existe amor existe dor,

Onde existe amor também existe aprendizado.

Amor de fato respeita

Impõe limites

Aceita

Transborda

Transgrede

É resiliente!

É... estou amando

E amo, cada segundo...

Resgato a amazona raiz,

Parto para a moto nauta feliz...

Dispenso a estrada e o ar

Passei por vocês,

Mas não são meus amores.

Há algo que reluz em mim...

O cheiro, o rebolado, o brilho do cabelo

E até mesmo os olhos

O sorriso é constante

E a benevolência minha opção.

Casei com o mar!

Há uma dor profunda quando escrevo

Mas transformo

Liberto

Vivo!

 

Por: Lucileyma Carazza





quinta-feira, 10 de abril de 2025

Caso perdido

 

Sou um caso perdido

Sem padrão e norte...

Ouço o que ninguém escuta

Enxergo o que ninguém vê

Sinto o que ninguém sente

Estou em hora extra...

Estou exausta por ser incompreendida

Por me meter aonde não devo...

Ser uma “Boca do inferno”

Nesta realidade distorcida e “utópica”

Uma vida que não é para amadores...

Fui expulsa do Paraíso

E talvez do Inferno...

Não sou Lilith nem Santa,

A Bruxa é apenas um arquétipo,

A gargalhada o disfarce do choro

As lágrimas não fogem de mim...

Talvez seja apenas a defesa do ego

Para fugir da minha loucura

Sou como as suas tatuagens

Uma perda energética do perispírito

Não me julgue pela minha leviandade

Nem sempre sou assim,

Foda-se o seu julgamento...

Não sinto solidão

Vivo em solitude,

Aprenda a distinguir os conceitos...

Resgato quem eu sou

Perambulo em benevolência,

Sou um caso perdido

Paixões são efêmeras

A liberdade custa caro

Principalmente para as mulheres

Relações casuais marcam como cicatrizes

Não quero voltar a escrever

Prefiro fazer crochê

Não ter raiz e um porto seguro

Não é para pessoas comuns

Nem para aqueles que optam em viver em retidão.

Sou incompreensível

Selvagem... não sou jardim.

Corro com os lobos

Sou solo sagrado...

Não sou apenas uma única fração,

Sou uma orquestra sinfônica

Que não segue o maestro.

Sou um caso perdido

Que não obedece as regras

Que não se encaixa

Em lugar algum.

Sou um bloog ultrapassado...

Prefiro romances Shakespeareanos

Sepultei as poesias

Não quero voltar a escrever...

Ninguém gosta de poesia na atualidade

Não sabem ler e nem interpretar.

 

Por: Lucileyma Carazza

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

 

A FALÁCIA DAS “METODOLOGIAS ATIVAS”

 

Por MÁRCIO ALESSANDRO DE OLIVEIRA*

A pedagogia moderna, que é totalitária, não questiona nada, e trata com desdém e crueldade quem a questiona. Por isso mesmo deve ser combatida

Este ano, tive o desprazer de deparar com um critério desagradável no edital de um Instituto Federal (IF), localizado no Nordeste: exigia o uso de “metodologias ativas”. Detesto-as.

Nem vou explorar o fato de que “metodologias” se tornou um jargão pedantesco dos pedagogos, muitos dos quais nunca lecionaram, embora insistam em vigiar o trabalho docente sob o signo da gestão, marca do neoliberalismo. Este, como sabemos, considera a escola como empresa e o aluno como cliente – e o cliente, é claro, tem sempre razão.

O cliente tem de gostar do produto mercantil em forma de “aula”, e é exatamente por isso que as falácias escolanovistas e construtivistas há uns cem anos estão sustentando, “cientificamente”, as tais “metodologias” ativas, que supostamente dão motivação inesgotável ao aluno, quer ele seja suficientemente inteligente e empenhado nos estudos que tem de fazer em casa, quer não. Entretanto, para o viés “progressista” da pedagogia, a culpa de qualquer fracasso só pode estar nos procedimentos de ensino, que, por pedantismo, os pedagogos chamam de “metodologias”.

Sempre uso a locução procedimentos de ensino por considerá-la mais precisa, ainda que a precisão seja uma consequência de sua abrangência. Contudo, mesmo se eu usasse a palavra metodologias, que tem sido usada de modo cada vez mais leviano ao ponto de ficar vazia de significado real, continuaria cabendo a seguinte pergunta: Quando foram criadas as metodologias “passivas”? Em quais disciplinas e em quais níveis elas são aplicáveis? Por que insistem em demonizar o ensino tradicional?

O ensino que a pedagogia demonizou eu divido nas seguintes etapas: revisão do conteúdo da aula anterior; lançamento de conteúdo; explicação e exemplificação do conteúdo novo; fixação da matéria por meio da avaliação formativa; dúvidas dos alunos.

O esquema acima permite a indução, a dedução, a analogia e a maiêutica, e está de acordo com a didática tradicional e conteudística, centrada que é na análise dos dados. Estes, no ensino, compõem a matéria, ao passo que, na pesquisa, compõem o corpus. Esta é a única semelhança entre o ensino e a pesquisa: os procedimentos de estudo giram em torno dos dados, de modo que são inseparáveis o ensino e a pesquisa. Contudo, são práticas muito distintas. Todo bom professor é um bom pesquisador. Daí a facilidade de concluir que o “argumento” de que o pesquisador não sabe dar aula é uma falácia.

Trata-se de um ressentimento contra os verdadeiros acadêmicos, que valorizam a organização dos dados e a clareza, o que não exclui uma dose de vocabulário técnico-científico nem o esforço do aluno. Estes dois últimos atributos a pedagogia moderna rechaça, embora os mesmos defensores das “metodologias ativas” (que, como integrantes de uma seita totalitária, não aceitam críticas aos seus dogmas) reprovem sem dó os alunos que não mostram aptidão para o mestrado ou doutorado. (Existem, é claro, pessoas aptas que são reprovadas por outros motivos. Um deles é o fato de não bajularem os professores do programa de pós-graduação, apesar de eu mesmo nunca ter presenciado isso no meu tempo de mestrando.)

O passo a passo de cinco fases também está de acordo com a premissa de que o aluno nunca fica passivo por assumir o que o linguista Mikhail Bakhtin considerava como sendo a atitude responsiva-ativa. Enquanto o receptor da mensagem recebe o texto, ele fica imaginando réplicas ou dúvidas, desde que ele preste atenção. Sendo assim, não posso aceitar a pressuposição da existência de metodologias “ativas”. Ocorre que é insustentável o conceito de metodologias “ativas”, porquanto nunca tenham existido as metodologias “passivas”.

Além disso, temos de levar em conta a origem do meu passo a passo, que é a didática de Herbart, descrita da seguinte forma: “esse ensino tradicional estruturou-se por meio de um método pedagógico, que é o método expositivo, que todos conhecem, todos passaram por ele, e muitos estão passando ainda, cuja matriz teórica pode ser identificada nos cinco passos formais de Herbart. Esses passos, que são o passo da preparação, da apresentação, da comparação e assimilação, da generalização e, por último, da aplicação, correspondem ao esquema do método científico indutivo, tal como fora formulado por Bacon, método que podemos esquematizar em três momentos fundamentais: a observação, a generalização e a confirmação. Trata-se, portanto, daquele mesmo método formulado no interior do movimento filosófico do empirismo, que foi a base do desenvolvimento da ciência moderna” [SAVIANI, 2021, p. 35-6].

Ao fragmento acima devemos adicionar outro: “se os alunos fizeram corretamente os exercícios, eles assimilaram o conhecimento anterior, então eu posso passar para o novo. Se eles não fizeram corretamente, então eu preciso dar novos exercícios, é preciso que a aprendizagem se prolongue um pouco mais, que o ensino atente para as razões dessa demora” [SAVIANI, 2021, p. 37].

Ademais, para o Sr. Luckesi, “o método pode ser entendido dentro de uma concepção teórica ou de uma compreensão técnica. O autor compreende Metodologia como a concepção segundo a qual a realidade é abordada. Esta é uma concepção teórica do método. Porém, afirma que há uma compreensão técnica do método que também atravessa o conteúdo, visto que “são modos técnicos de agir que estão dentro do conteúdo que se ensina” (p. 138). Exemplo: o modo de extrair raiz quadrada (Matemática) ou o modo de proceder numa análise sintática (Língua Portuguesa). Tanto uma quanto a outra perpassam os conteúdos tratados nas diferentes disciplinas curriculares” [GRUMBACH e SANTOS, 2012, p. 33].

Com efeito: “Todo conhecimento é atravessado por uma metodologia e é possível descobrir no próprio conteúdo exposto o método com o qual ele foi construído [LUCKESI, 1995, p. 138 apud GRUMBACH e SANTOS, 2012, p. 34]”.

Por que tantos acadêmicos defendem as metodologias “ativas”? Por que insistem em defender essa ficção pedagógica na educação básica e até no ensino superior? Posso listar alguns fatores.

Antes de tudo, a universidade, mesmo que seja pública, continua sendo um aparelho ideológico de Estado. Uma vez que o Estado fica na mão do mercado, o meio acadêmico se torna um capitão do mato do neoliberalismo, cujo eixo “moral” e cujo eixo epistemológico são o individualismo extremo, ligado ao empreendedorismo. É ela (a universidade) que, dentro do neoliberalismo, tem força equivalente ao poder que a Igreja Católica tinha na Idade Média, conforme um dos arrazoados do sociólogo Jessé Souza.

Sem o aval “científico” da universidade, não seria possível uma pedagogia que rebaixasse o professor, e, de fato, ela o rebaixa com a regularidade do sol. Basta ver o assédio moral que os docentes sofrem nas escolas municipais e estaduais. Na rede estadual do Espírito Santo, por exemplo, há uma portaria que impõe vigilância na sala de aula e uma lista de descritores a serem aplicados pelo professor, que é tratado como se fosse funcionário de uma lanchonete de franquia. Se o professor não acatar esse despautério, responderá por isso. Também responderá se não usar tecnologias ultrapassadas, compradas com o dinheiro público. Esse gosto por tecnologia, que é usada como se fosse um fim, e não um meio, é herança do tecnicismo, tendência pedagógica implantada no Brasil no tempo da ditadura militar.

As verbas para as “pesquisas” da pedagogia moderna estão condicionadas a linhas de pesquisa que não melhoram o ensino nem a vida profissional dos docentes, porém é certo que reforçam a “inclusão” escolar num país com esgoto a céu aberto, conforme a cartilha do Banco Mundial.

Outro fator da desonestidade intelectual dos doutores que defendem a baboseira em forma de “metodologia ativa” é a necessidade de tornar “lúdico” e “atraente” o ensino para que o aluno fique na escola, mesmo que ele não estude. É graças a essa pseudoinclusão que políticos e burocratas incompetentes e incultos conseguem se promover. “Assim”, escreve a sueca Inger Enkvist (2021, p. 83), “os políticos arruinaram a escola pública enquanto se faziam passar por seus defensores”. Não importa a altíssima temperatura das salas de aula, não importa a falta de ventilador, não importa a falta de erudição, não importa a falta de bibliotecas bem equipadas e protegidas por bibliotecários (profissionais raros): o que importa é que o professor dê motivação aos alunos, mesmo que a saúde mental dele esteja em frangalhos. E ai do professor que não usar os outros “espaços pedagógicos” da escola para agradar aos “líderes” de turma, que vigiam o professor tanto quanto os filhos vigiam os pais no romance 1984, de George Orwell.

Não é de surpreender que os pedagogos sejam contra o ensino conteudístico e transmissivo: eles não têm conteúdo para transmitir: sua ladainha é desprovida de substância: é um catecismo do nada. Se realmente acreditassem no poder transformador da educação, acreditariam no esforço do aluno e no ensino baseado em conhecimento acadêmico, e não em atividades práticas que exigem corte e colagem de papel ou desenhos de matinho e florzinha. Tratam todos os alunos como se fossem crianças, independentemente do nível do ensino e da modalidade.

No caso da educação linguística, tudo se resume a uma visão superficial das tipologias ou tipos textuais (que são cinco) e a gêneros textuais (que são praticamente ilimitados). Ao aluno são oferecidos textos ruins, que falam de redes sociais e outros temas que são do gosto do mercado. Os pedagogos adoram isso, porque não percebem que estão acentuando a formação de consumidores para a indústria cultural, eivada de senso comum e adolescentes falsos de séries televisivas da Nickelodeon.

Isso tudo, porém, é condizente com a visão intelectualmente desonesta dos sectaristas das “metodologias ativas”. Com efeito: um professor que tenha feito uma formação aligeirada é a justificativa perfeita para ele receber um baixo salário. Ele pode ser um agente de “inclusão” social, um “facilitador” do aprendizado, mas nunca poderá ser autoridade na matéria que leciona, a menos que queira correr o risco de ser tachado de tirano. Quem não se dobra aos dogmas dos sectaristas é perseguido a ponto de responder a um PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

O professor não leciona propriamente: o aluno faz “atividades” para ficar “ativo”, mas não faz uma aventura intelectual, que esse tipo de exercício exige esforço e condições que os gestores não oferecem ou por incompetência, ou por má vontade. Ora, se o aluno tem de fazer “atividades” preenchendo papel em nome de avaliações externas, o professor não tem de ser um modelo de como pensa e age um intelectual.

Apesar de tudo, estou convencido de que, muito embora seja impossível começar a inclusão só pela escola num país onde alunos mal têm o que comer em casa – e defender o oposto disso seria tão absurdo quanto dizer que cobrar mensalidades dos alunos “ricos” das universidades públicas seria uma forma de igualdade e inclusão –, é fato que os países que não seguiram a pedagogia moderna, cheia de ineptos projetos, metodologias “ativas” e outras tolices que interessam tão só ao empresariado, conseguiram mais igualdade e inclusão do que os que adotaram a pedagogia moderna.

Quem mais precisa de ensino tradicional é justamente quem é pobre. A Suécia é um exemplo do que a pedagogia moderna faz: lá, o totalitarismo se consolidou, e isso porque o sistema escolar tornou burros os seus cidadãos. Esses são os efeitos danosos do escolanovismo e do construtivismo, correntes anticientíficas ignoradas por muitos professores, acostumados que estão com o “status” de peões do ensino. Se, no passado, todos tivessem se rebelado contra as falácias de Carl Rogers, expoente da linha não-diretiva e do fato óbvio de que o aprendizado acontece no cérebro do aluno, talvez tivessem conseguido exorcizar também o fantasma de John Dewey. Ambos os autores estão obsoletos, e, no entanto, suas teses “científicas” continuam se sobrepondo aos professores, que ignoram as referências com as quais poderiam combater as falácias dos cientistas das arábias.

Eu disse que somos vigiados. Isso acontece há décadas! “Entre nosso corpo e nossa sexualidade”, escreve Marilena Chauí (2018, p. 113-14), “interpõe-se a fala do sexólogo, entre nosso trabalho e nossa obra, interpõe-se a fala do técnico, entre nós como trabalhadores e o patronato, interpõe-se o especialista das ‘relações humanas’, entre a mãe e a criança, interpõe-se a fala do pediatra e da nutricionista, entre nós e a natureza, a fala do ecologista, entre nós e nossa classe, a fala do sociólogo e do politólogo, entre nós e nossa alma, a fala do psicólogo (muitas vezes para negar que tenhamos alma, isto é, consciência). E entre nós e nossos alunos, a fala do pedagogo”.

Mas há mais: Vejamos o que diz a sueca Inger Enkvist (2020, p. 275-6): “[] os pedagogos não funcionam de maneira científica nem democrática, mas como uma seita com uma fé especial que não questiona as bases de sua crença. Autoproclamados especialistas do ensino, apresentam-se como uma instância superior aos demais professores que “apenas” ensinam suas matérias. A primeira fase foi a doutrinação dos professores para justificar a presença dos pedagogos. Como não são responsáveis por ensino algum, sua presença constitui um tipo de parasitismo nos sistemas educacionais []. Como é típico das seitas, desprezam os demais. Os pedagogos são os bons, os que sabem a verdade, e introduziram uma nova linguagem para os iniciados. Além de uma crença e de uma linguagem própria, uma seita também precisa de dinheiro, e nesse caso os membros do grupo souberam instalar-se dentro das estruturas do serviço público, e viver do dinheiro do contribuinte”.

Muitos pedagogos, sem que nunca tenham lecionado, num total desrespeito ao Artigo 67 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), tornam-se diretores escolares… perdão: tornam-se gestores escolares – e o gestor, conforme o que aponta Marilena Chauí, é análogo ao gângster dentro do neoliberalismo. Isso é tão absurdo quanto colocar na direção de um hospital um não-médico ou um médico que nunca tenha clinicado. Também há os que se tornam supervisores ou inspetores, que são capitães do mato.

Precisamos nos insurgir contra a pedagogia moderna: devemos fazer debates públicos fundamentados na verdade, e a verdade é que não funcionam as tais “metodologias ativas”: são um fracasso vergonhoso, e isso tem de ser exposto nos simpósios e nas outras comunicações realizadas em eventos acadêmicos, mesmo que isso acabe ferindo a vaidade dos doutores das arábias que veneram o Lattes.

Outro passo importante é impugnar os editais que digam que o professor tem de ser avaliado em função do uso das tais “metodologias” ativas. Por lei, cada um de nós, professores, tem direito a diferentes concepções pedagógicas, e a que eu adotei é tradicional. Não posso ser obrigado a distorcer anos de conhecimento acadêmico só porque os próprios acadêmicos querem selecionar pessoas que compactuem com as tolices deles.

Em agosto de 2024, fiquei em segundo lugar na prova objetiva do concurso de um Instituto Federal, localizado no Sudeste. Depois descobri que fui desclassificado na prova didática: tirei 48 numa escala de 0 a 100. A menos que a banca aceite o meu recurso, todo o tempo e todo o dinheiro investido em viagens e hospedagens terão sido em vão. Não posso afirmar que o fato de eu ter inserido no cabeçalho do plano de aula os excertos de Saviani e o conceito de Bakhtin para fundamentar as oposições que naquele documento eu faço às “metodologias ativas” me prejudicou, até porque o barema não apresentava o uso de tais “metodologias” como critério de avaliação da prova didática, mas a subjetividade dos avaliadores, a julgar pelo currículo deles, está eivada de tolices pedagógicas do jaez das “atividades”.

Curiosamente, apesar de todo o “progressismo”, a banca exigira conhecimentos que estão na gramática de Evanildo Bechara, um autor que, para muitos, é extremamente conservador. As questões objetivas também tinham exigido conhecimentos que só poderiam ser acumulados por um professor cujo perfil fosse acadêmico, embora um bom professor pudesse fracassar naquela etapa: caíram questões sobre o pensamento de autores cujos livros não foram mencionados no edital, que nem sequer continha bibliografia.

Permanece a minha sugestão: temos de nos insurgir contra as falácias pedagógicas. Isso quer dizer que temos de fazer um movimento de baixo para cima, de modo que seja atingido o meio acadêmico: é ele que dá o aval “científico” a toda a barbárie que nós, professores, sofremos, e que é até mais perigosa do que a do tempo da ditadura militar brasileira ou do que a da “Revolução” Cultural da China. Esta última perseguiu abertamente professores e outros intelectuais.

Não devemos sentir medo: na democracia, é salutar a contestação; na ciência, só pode haver verdade quando questionamos os pressupostos e os métodos, ou seja: o conhecimento só é confiável quando a epistemologia e o paradigma são contestados e testados. A pedagogia moderna, que é totalitária, não questiona nada, e trata com desdém e crueldade quem a questiona. Por isso mesmo deve ser combatida.

*Márcio Alessandro de Oliveira é mestre em Estudos Literários pela UERJ e professor da rede estadual do Espírito Santo.

Referências


BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. Tradução feita a partir do francês por Maria Emsantina Galvão G. Pereira. 2ª ed. SP: Martins Fontes, 1997.

CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva, artigo a artigo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2018.

CHAUÍ, Marilena. O que é ser educador hoje? Da arte à ciência: a morte do educador. In: Em defesa da educação pública, gratuita e democrática. Organização de Homero Santiago. Belo Horizonte: Autêntica, 2018. ENKVIST, Inger. O complexo ofício de ser professor. Tradução de Ricardo Harada. 1ª ed. Campinas, SP: Editora Kírion, 2021.

______. A boa e a má educação: exemplos internacionais” (tradução de Felipe Denardi. São Paulo: Kírion, 2020.

ORWEL, George. 1984. Trad. Alexandre Hubner e Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

Parece revolução, mas é só neoliberalismo: o professor universitário em meio às cruzadas autoritárias da direita e da esquerda. In: Piauí (Folha de São Paulo). Jan. 2021. Disponível em: <https://piaui.folha.uol.com.br/materia/parece-revolucao-mas-e-soneoliberalismo/>.

SANTOS, Ana Lúcia Cardoso; GRUMBACH, Gilda Maria. Didática para Licenciatura: Subsídios para a Prática de Ensino (volumes 1º e 2º). Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2012.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. Campinas, SP: Autores Associados, 2021.

SOUZA, Jessé. A elite do atraso. Rio de Janeiro: Leya, 2017.

______. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. 2ª ed. Rio de Janeiro: Leya, 2018.

 

 

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/a-falacia-das-metodologias-ativas/