quinta-feira, 10 de setembro de 2026

?

 

?

 

Há dias venho me perguntando: onde você se perdeu? Quem é você na fila do pão? Cadê a sua alegria, otimismo e a esperança? Cadê a sua gargalhada? Porque tantos conflitos internos e desafetos expressos. Onde se encontra a empatia na atualidade?

Por mais que me ocupe viajando, remando (lembrei do amigo remador que briga por causa do gerúndio), fazendo crochê, lendo e até voando, existe no peito um vazio constante e a mente, a minha algoz, me destrói, e ainda mente, preceito citado por uma amiga: “a mente mente”.

Peço socorro. Peço ajuda... mas escuto tantos absurdos clichês que prefiro silenciar e encarar o meu vazio. Já existe um barulho assustador, um tormento que dói a alma e o corpo. A sensação de não pertencimento...

Me isolo para conseguir sobreviver e não deixar apagar o meu instinto de sobrevivência pelo da morte.

São tantas atrocidades vivenciadas nesta sociedade, que me julga maluca, que recentemente tomei um choque com a minha terapeuta, que sempre me sacudiu com amorosidade; ela me jogou no peito a verdade de sempre: “Porque você se apega em ser excluída? Porque você só se apega em quem te exclui? Até quando vamos tratar isso? As pessoas são más e você é boa, mas parece que espera reciprocidade vivendo no mundo da Disneylândia, um mundo que não existe”.

São 20 anos dos mais belos estudos e grupos de autoconhecimento, ela é minha rede de apoio, nos momentos onde não consigo mais expor o que sinto e penso para ninguém...

A mente mente, o vazio é a alma clamando por algo e a dor o sintomático das emoções...

Estranho como a vida nos surpreende e quando nossas intenções se "tornam forçadas e não dão liga"...  e como a nossa própria postura de vida, vira a nossa pior virtude.

Acho que a mulher que sempre foi livre e só fez o que quer com independência e autonomia é uma fraude, preciso me acolher, me reconectar, voltar a ter esperança. Voltar a enxergar a vida com fé. Sinto falta da minha mente livre. Sinto falta de não sentir medo. Nunca fui um jardim, sempre fui uma mata virgem... sinto falta de pertencimento.

Na fila do pão, sou a que é sempre bem recebida pela atendente, que me trata com empatia; na fila do pão, sou a que libera a sua vez, e principalmente, a que engorda. A que está sempre disponível, a que socorre, a que sente solidão, a que se arrepende, a que ama com muita intensidade, a que respeita, a que espera reciprocidade, amor, equidade e respeito.

 

Por: Lucileyma Carazza