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Há dias venho me perguntando: onde você se perdeu? Quem é
você na fila do pão? Cadê a sua alegria, otimismo e a esperança? Cadê a sua
gargalhada? Porque tantos conflitos internos e desafetos expressos. Onde se
encontra a empatia na atualidade?
Por mais que me ocupe viajando, remando (lembrei do amigo
remador que briga por causa do gerúndio), fazendo crochê, lendo e até voando,
existe no peito um vazio constante e a mente, a minha algoz, me destrói, e
ainda mente, preceito citado por uma amiga: “a mente mente”.
Peço socorro. Peço ajuda... mas escuto tantos absurdos
clichês que prefiro silenciar e encarar o meu vazio. Já existe um barulho
assustador, um tormento que dói a alma e o corpo. A sensação de não
pertencimento...
Me isolo para conseguir sobreviver e não deixar apagar o meu
instinto de sobrevivência pelo da morte.
São tantas atrocidades vivenciadas nesta sociedade, que me
julga maluca, que recentemente tomei um choque com a minha terapeuta, que
sempre me sacudiu com amorosidade; ela me jogou no peito a verdade de sempre:
“Porque você se apega em ser excluída? Porque você só se apega em quem te
exclui? Até quando vamos tratar isso? As pessoas são más e você é boa, mas
parece que espera reciprocidade vivendo no mundo da Disneylândia, um mundo que
não existe”.
São 20 anos dos mais belos estudos e grupos de
autoconhecimento, ela é minha rede de apoio, nos momentos onde não consigo mais
expor o que sinto e penso para ninguém...
A mente mente, o vazio é a alma clamando por algo e a dor o
sintomático das emoções...
Estranho como a vida nos surpreende e quando nossas intenções
se "tornam forçadas e não dão liga"... e como a nossa própria postura de vida, vira
a nossa pior virtude.
Acho que a mulher que sempre foi livre e só fez o que quer
com independência e autonomia é uma fraude, preciso me acolher, me reconectar,
voltar a ter esperança. Voltar a enxergar a vida com fé. Sinto falta da minha mente
livre. Sinto falta de não sentir medo. Nunca fui um jardim, sempre fui uma mata
virgem... sinto falta de pertencimento.
Na fila do pão, sou a que é sempre bem recebida pela
atendente, que me trata com empatia; na fila do pão, sou a que libera a sua
vez, e principalmente, a que engorda. A que está sempre disponível, a que
socorre, a que sente solidão, a que se arrepende, a que ama com muita
intensidade, a que respeita, a que espera reciprocidade, amor, equidade e
respeito.
