terça-feira, 21 de julho de 2020

ISOLAMENTO




ISOLAMENTO

Há algo errado em mim. Há algo de muito errado em mim.
Lembro-me na infância de quando brigava com algum amiguinho à proporção que aquilo tomava e o quanto eu sofria.
Sofria pela amizade, por não ser compreendida, por aquela não ser a minha intensão, sofria pelas lembranças boas vivenciadas, sofria porque as crianças continuavam brincando felizes e sem mim.
Eu ficava ali, olhando do portão em lágrimas. Era um misto de tristeza, angustia, exclusão, desprezo, incompreensão, inveja e raiva. O cérebro cheio de pensamentos destrutivos e degenerativos.
No fundo eu não sabia descrever o que eu sentia, não sabia como reagir e não sabia dar a volta por cima de uma maneira leve e sem stress.
Sentia uma dor no peito, um vazio imensurável. Sentia-me a pior pessoa do mundo, sem mérito, sentia-me detestável e a angustia só aumentava no peito.
Por fim, pedia desculpas e perdão para continuar a brincar. No fundo o que eu mais queria era que a dor fosse embora e que a paz reinasse em mim.
Não queria sentir aquele vazio no peito, acordar chorando calada e ficar deprimida. As desculpas infelizmente não restituíam as relações e a tristeza ainda permanecia em mim.
Esse é o ciclo vicioso de uma vida. Um Carma que não reage em Darma. Uma cruz, um aprendizado do qual nunca superei.
Na fase adulta olho para uma vida inteira e sinto muito. Sinto muito por todas as desavenças que vivenciei, sinto por ter magoado ou ofendido qualquer ser. Sinto muito por ter sido atrevida e arrogante.
Eis que surgem novos sentimentos: o arrependimento e a culpa.
Está tudo aqui comigo, meu lado negro, as minhas imperfeições que muitas das vezes estava munida da razão e de bons sentimentos, mas que infelizmente me levava à ruína em relações, um somatório de decepções.
Não me sinto amada, não me sinto querida, não me sinto merecedora e me isolo no mundo. Sinto vergonha.
Vergonha de não ter sido grata e por ser emocionalmente carente de amor. Vergonha por não ser a pessoa que minha mãe queria, vergonha por não ser amiga dos meus irmãos, vergonha por causa tristeza no meu pai, vergonha de ter rompido com amigos, vergonha de ser assim... um ser imperfeito que não se encaixa em lugar algum, um ser sem raiz e desprezível, um ser imperfeito que luta para superar as desavenças. Sim! Sou persona non grata em meus relacionamentos mais íntimos.
Recomeço todos os dias para ver se transformo essa personalidade forte e inútil em um ser de luz, ainda acredito na luz, mas hoje, estou nas trevas por não saber me relacionar.

Por: Lucileyma Carazza