SOBRE FOGOS
Os fogos, a alegria, o brilho, a
expectativa, o barulho, a aparência, a histeria da felicidade escancarada... Tudo
isso me causa uma exaustão física e emocional gigantesca: ser obrigada a...
Em algum lugar na memória me
remete a algo que: o verdadeiro sentimento humano que de fato precisamos olhar
e acolher com a nossa máxima força, solicitando intervenção do Universo é a
angustia, por tratar-se de um conjunto de emoções e sintomas físicos
imensuráveis.
Talvez seria melhor falar sobre
sombras. O lado oculto, obscuro do ser humano, a falta de empatia, compaixão, benevolência...
interpretações que não seguem uma Tríade Sagrada e que insistem em colocar o
ego acima de tudo e todos, penso isso até daqueles que se julgam
espiritualizados.
Gostaria de estar mais leve,
otimista e esperançosa como todos nesta virada de ano, com um novo portal
energético, pelo menos é o ano do cavalo, com esses consigo conviver, durmo até
no pasto se precisar...
Aliás, talvez esta seja a minha
maior angustia a dificuldade de conviver harmoniosamente e interagir com o
humano. A natureza é o meu lar, o
silêncio que me acolhe e não me julga, a
água que me tranquiliza e me pacifica de tudo e de todos e o que dizer dos
animais, até os teiús tem sido benevolentes comigo. Parece que a natureza
percebe que estou me arrastando. Me sinto como um besouro, que não possui aerodinâmica
para voar e mesmo assim voa...
Recentemente perdi a minha
solitude, algo tão sagrado que me tornava plena, livre, graciosa e
silenciosa, me perdi de mim, me expus, cutuquei a ferida, estou inflamada e a
cura não chega... o tempo passa e ansiedade está aqui grudada como um
encosto...
Talvez não seja angústia, talvez
seja apenas uma insatisfação, o ego ferido... mas porque me afasto tanto, corro
tanto, tento silenciar a mente e o corpo e eles insistem em me levar para outra direção? A
direção que explicitamente já manifestou que não me pertence.
Assisto o amanhecer, o sol
vibrando, reverencio o Astro Rei que deu início a todo o Universo, sem ele nada
existiria... Diante dele meu corpo grita em desespero: pacifica. Pacifica a
minha alma e este corpo que dói por almejar aquilo que não lhe quer.
Não tive tudo que quis, nem tudo
que escolhi, abro mão de mim para o outro porque prefiro não ter razão... a
única coisa que sempre escolhi foi ficar sozinha em paz... e aqui estou
observando as andorinhas inquietas e perfeitas em seus bandos.
Acredito em padrões vibratórios,
sonhos, no invisível, nos laços que unem por algum motivo ou razão, acredito
nas energias que vejo no humano, preciso olhar nos olhos e sentir, mas sem a presença,
não tem como distinguir, no mundo real a falta de presença já é a resposta, mas
no meu mundo a falta de presença também pode ser uma fuga...
Acredito que o que é meu vai cair
no meu colo sem muito esforço... mas ando incrédula... quero apenas a minha
solitude de volta, sempre gostei de estradas vazias entregue a menos esperança.
Por: Lucileyma Carazza
Menos esperança: é tudo aquilo de
positivo que acontece sem ter sido combinado.
