domingo, 15 de novembro de 2020

FIM

 


FIM

 

Há momentos na vida

Que não há mais nada a ser feito,

Dito ou vivido.

A ferida escancara em raiva,

A criança suplica amor

E a pena atenua em solidão.

Avaliamos julgamentos

Arruinamos relações.

Reciprocidade é atitude rara

Onde suplicamos o que não temos.

A falta de diálogo me leva à loucura,

Juntamente com a falta de atitude

Que se esvai em frustração.

Sou a minha maior algoz

Vivenciando a pena máxima

Do isolamento constante

Onde a dor é a companheira.

Angustia, infelicidade, inveja,

Falta de paciência são as cóleras colidas...

Felicidade é artigo de luxo

Para quem sabe viver

Nesse universo de ilusão.

Sentimentos rasgam o peito

Cortam a alma

Estou agonizando...

Mas, ninguém se importa


Por: Lucileyma Carazza

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

DA SOLIDÃO

 

DA SOLIDÃO

 

Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à ideia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. Assim nasceu "O corvo": o pássaro agoureiro a repetir ao homem sozinho em sua saudade a pungente litania do "nunca mais". 

 

Será esta a maior das solidões? Realmente, o que pode existir de pior que a impossibilidade de arrancar à morte o ser amado, que fez Orfeu descer aos Infernos em busca de Eurídice e acabou por lhe calar a lira mágica? Distante, separado, prisioneiro, ainda pode aquele que ama alimentar sua paixão com o sentimento de que o objeto amado está vivo. Morto este, só lhe restam dois caminhos: o suicídio, físico ou moral, ou uma fé qualquer. E como tal fé constitui uma possibilidade - que outra coisa é a Divina comédia para Dante senão a morte de Beatriz? - cabe uma consideração também dolorosa: a solidão que a morte da mulher amada deixa não é, porquanto absoluta, a maior solidão. 

 

Qual será maior então? Os grandes momentos de solidão, a de Jó, a de Cristo no Horto, tinham a exaltá-la uma fé. A solidão de Carlitos, naquela incrível imagem em que ele aparece na eterna esquina no final de Luzes da cidade, tinha a justificá-la o sacrifício feito pela mulher amada. Penso com mais frio n'alma na solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer, como a culpá-lo de o ter gerado um monstro. Penso com mais frio n'alma ainda na solidão total dos poucos minutos que terão restado ao poeta Hart Crane, quando, no auge da neurastenia, depois de se ter jogado ao mar, numa viagem de regresso do México para os Estados Unidos, viu sobre si mesmo a imensa noite do oceano imenso à sua volta, e ao longe as luzes do navio que se afastava. O que se terão dito o poeta e a eternidade nesses poucos instantes em que ele, quem sabe banhado de poesia total, boiou a esmo sobre a negra massa líquida, à espera do abandono? 

 

Solidão inenarrável, quem sabe povoada de beleza... Mas será ela, também, a maior solidão? A solidão do poeta Rilke, quando, na alta escarpa sobre o Adriático, ouviu no vento a música do primeiro verso que desencadeou as Elegias de Duino, será ela a maior solidão? 

 

Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.

 

Vinícius de Moraes

 

No auge da 45a primavera, me deparo com o conselho de um poeta, que escreveu esse texto em 1936, que denota toda esta realidade pandêmica. O mais impressionante é que o sábio ainda disse: “o poeta escreve par fugir da dor”.

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2020

ISOLAMENTO




ISOLAMENTO

Há algo errado em mim. Há algo de muito errado em mim.
Lembro-me na infância de quando brigava com algum amiguinho à proporção que aquilo tomava e o quanto eu sofria.
Sofria pela amizade, por não ser compreendida, por aquela não ser a minha intensão, sofria pelas lembranças boas vivenciadas, sofria porque as crianças continuavam brincando felizes e sem mim.
Eu ficava ali, olhando do portão em lágrimas. Era um misto de tristeza, angustia, exclusão, desprezo, incompreensão, inveja e raiva. O cérebro cheio de pensamentos destrutivos e degenerativos.
No fundo eu não sabia descrever o que eu sentia, não sabia como reagir e não sabia dar a volta por cima de uma maneira leve e sem stress.
Sentia uma dor no peito, um vazio imensurável. Sentia-me a pior pessoa do mundo, sem mérito, sentia-me detestável e a angustia só aumentava no peito.
Por fim, pedia desculpas e perdão para continuar a brincar. No fundo o que eu mais queria era que a dor fosse embora e que a paz reinasse em mim.
Não queria sentir aquele vazio no peito, acordar chorando calada e ficar deprimida. As desculpas infelizmente não restituíam as relações e a tristeza ainda permanecia em mim.
Esse é o ciclo vicioso de uma vida. Um Carma que não reage em Darma. Uma cruz, um aprendizado do qual nunca superei.
Na fase adulta olho para uma vida inteira e sinto muito. Sinto muito por todas as desavenças que vivenciei, sinto por ter magoado ou ofendido qualquer ser. Sinto muito por ter sido atrevida e arrogante.
Eis que surgem novos sentimentos: o arrependimento e a culpa.
Está tudo aqui comigo, meu lado negro, as minhas imperfeições que muitas das vezes estava munida da razão e de bons sentimentos, mas que infelizmente me levava à ruína em relações, um somatório de decepções.
Não me sinto amada, não me sinto querida, não me sinto merecedora e me isolo no mundo. Sinto vergonha.
Vergonha de não ter sido grata e por ser emocionalmente carente de amor. Vergonha por não ser a pessoa que minha mãe queria, vergonha por não ser amiga dos meus irmãos, vergonha por causa tristeza no meu pai, vergonha de ter rompido com amigos, vergonha de ser assim... um ser imperfeito que não se encaixa em lugar algum, um ser sem raiz e desprezível, um ser imperfeito que luta para superar as desavenças. Sim! Sou persona non grata em meus relacionamentos mais íntimos.
Recomeço todos os dias para ver se transformo essa personalidade forte e inútil em um ser de luz, ainda acredito na luz, mas hoje, estou nas trevas por não saber me relacionar.

Por: Lucileyma Carazza
  

domingo, 22 de março de 2020




Luz

A bendita acabou
Quando finalmente
Resolvo me entregar.
Chega de psicotrópicos
Necessito a loucura!
Cães latem
Único barulho
Dessa mordaça urbana
Do submundo caótico,
Onde todos são superiores
Aprisionados em egos
Suplicando clemencia.
Pobre zumbis...
Nadávamos sobre o mar da lua
Criando arquétipos e estereótipos...
Agora não vagamos nem na sombra,
A princípio cumprimos pena
Onde a sentença foi atenuada.
Curva-se diante da insignificância!
Somos frações de segundos
Entregue-se ao caos
O que inflama...
Cura!
Somos todos um!

Por: Lucileyma Carazza



Em atenção ao grupo: M.C. Leviatãs  - Espírito Santo - Guarapari - Brasil

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Não sou apenas um momento, sou o resultado de uma vida. De más e de excelentes ações.  Sinto muito se errei. Colho o plantio de um péssimo momento, e isso, me dói. Olho para os meus erros, me arrependo, peço perdão e recomeço, com mais uma cicatriz e com vários julgamentos, os meus e de pessoas que estão acima da perfeição. Pessoas que não erram, que são perfeitas e imaculadas... quanto a min, sigo em retidão, um tanto quanto envergonhada, solitária pagando pelos meus erros. Sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grata.

Por: Lucileyma Carazza