domingo, 18 de janeiro de 2026

CHILIQUENTA

 


CHILIQUENTA

 

Por vezes a vida nos leva a caminhos dos quais, talvez, deveriam ser evitados, mas mesmo assim, nos entregamos ao desconhecido e as aventuras que incluem muitos riscos.

Mas como não arriscar e viver? Estamos aqui hoje. Vivendo, aprendendo, errando, vibrando e amando.

Dançamos no ciclo do símbolo do infinito, umas vezes, subindo outras descendo, uma analogia entre a alegria e a tristeza, a euforia e a melancolia, a abundância e falta, aos amores possíveis e impossíveis.  Durante esta dança precisamos ter força, coragem, equilíbrio e otimismo para vencermos as adversidades da vida e de também degustarmos a prosperidade.

Pensei que iria aposentar este dom da escrita, uma vez que, me consome muita energia, meditação, tempo e até dor(emocional)... por muitas vezes, é automático escrever, como dizia antigamente, “apenas vomito os versos”, sem medo e consequências, mas hoje, toda a escrita advém de uma profunda digestão emocional, existe responsabilidade, intuição, talvez seja apenas a necessidade de leveza, respeito e amorosidade.

Existe uma retrospectiva pessoal que está em ebulição há um tempo. A experiência, a idade e a cobranças internas... não sei se estou mais calma ou domesticada, mas não vomito mais nada porque sei o que as palavras podem provocar no outro.

Já me diverti muito com tudo isso, mas hoje me responsabilizo por minhas palavras e intenções, cada ser interpreta a sua versão e nunca de fato vão saber a emoção real de um escritor e de um texto personalíssimo.

Me sinto como uma balança, que na simbologia significa o equilíbrio, a ponderação. Talvez seja a crise dos 50, como sempre menciona minha mãe, mas no fundo acredito que precisamos fazer uma retrospectiva, principalmente as pessoas, que assim como eu, estão sempre à procura de reforma íntima, de viver em retidão e na incansável busca do autoconhecimento.

Tentei  apegar a aprendizados solidificados na minha essência, mas, na crise dos 50, ando com outras perspectivas, inseguranças, olhares, arrependimentos, vivências, experiências, visões, aprendizados e talvez tenha me silenciado mais, apesar de ter voltado a escrever...

Vendo e revendo fotografias dos últimos 13 meses, me dei conta o quanto me transformei: intimamente, externamente e emocionalmente...

Há treze meses após uma desilusão me obriguei. Me obriguei a amar, continuar autêntica, mas com leveza... sei que a intensidade ainda me afasta das pessoas, de lugares e de hábitos comuns da sociedade de pessoas que vivem sempre os modismos.

Me acolhi e assumi quem eu sou. Dói! Dói muito todas as escolhas que tomei no passado e no presente, pois, sou o reflexo destas escolhas, mas no últimos treze meses não escolhi mais nada, segui no fluxo das marés, sem controle, às vezes com muito otimismo e outras vezes sem esperança...

Me obriguei... a levantar e viver... a viver o que tem para hoje... experimentei o improvável, vivi o inexplicável, recebi amor de onde nunca imaginei, fui rejeitada onde amei, excluída por ser livre e inserida por apenas ser.

Foram 13 meses incríveis! O desapego nos encaminha para destinos inexplorados, por depoimentos, pessoas, vivência e lugares que jamais imaginamos passar. Acredito fielmente na benevolência do desconhecido...

Deus nos abençoa mostrando o seu projeto maior quando apreciamos a sua casa em plenitude, quando nos encontramos em nossos corações, quando vibramos com o Universo e reverenciamos a dádiva de estar aqui e agora em amorosidade com a consciência de que somos todos um.

Ontem este texto tinha um contexto, hoje, abri  o “winchester”  de poucas décadas em fotografias e cheguei à conclusão de que talvez não tenha mudado tanto... nossa essência, nossa alma é o que o Universo sempre nos proporcionará, não tem como fugir de quem somos... escolhemos, mas, o Divino está em nós.

Não adianta julgar um cabelo verde ou um desequilíbrio emocional... eu sou eu e você é você. Não somos apenas uma fração...

A alma busca, e nós, pelo livre arbítrio, escolhemos... na balança do mundo, sinto orgulho do ser quem me tornei em vida...

                                                                                                                           

Por: Lucileyma Carazza


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