CHILIQUENTA
Por vezes a vida nos leva a
caminhos dos quais, talvez, deveriam ser evitados, mas mesmo assim, nos
entregamos ao desconhecido e as aventuras que incluem muitos riscos.
Mas como não arriscar e viver?
Estamos aqui hoje. Vivendo, aprendendo, errando, vibrando e amando.
Dançamos no ciclo do símbolo do
infinito, umas vezes, subindo outras descendo, uma analogia entre a alegria e a
tristeza, a euforia e a melancolia, a abundância e falta, aos amores possíveis
e impossíveis. Durante esta dança
precisamos ter força, coragem, equilíbrio e otimismo para vencermos as
adversidades da vida e de também degustarmos a prosperidade.
Pensei que iria aposentar este
dom da escrita, uma vez que, me consome muita energia, meditação, tempo e até
dor(emocional)... por muitas vezes, é automático escrever, como dizia
antigamente, “apenas vomito os versos”, sem medo e consequências, mas hoje,
toda a escrita advém de uma profunda digestão emocional, existe
responsabilidade, intuição, talvez seja apenas a necessidade de leveza,
respeito e amorosidade.
Existe uma retrospectiva pessoal
que está em ebulição há um tempo. A experiência, a idade e a cobranças internas...
não sei se estou mais calma ou domesticada, mas não vomito mais nada porque sei
o que as palavras podem provocar no outro.
Já me diverti muito com tudo
isso, mas hoje me responsabilizo por minhas palavras e intenções, cada ser
interpreta a sua versão e nunca de fato vão saber a emoção real de um escritor
e de um texto personalíssimo.
Me sinto como uma balança, que na
simbologia significa o equilíbrio, a ponderação. Talvez seja a crise dos 50,
como sempre menciona minha mãe, mas no fundo acredito que precisamos fazer uma retrospectiva,
principalmente as pessoas, que assim como eu, estão sempre à procura de reforma
íntima, de viver em retidão e na incansável busca do autoconhecimento.
Tentei apegar a aprendizados solidificados na minha
essência, mas, na crise dos 50, ando com outras perspectivas, inseguranças,
olhares, arrependimentos, vivências, experiências, visões, aprendizados e
talvez tenha me silenciado mais, apesar de ter voltado a escrever...
Vendo e revendo fotografias dos
últimos 13 meses, me dei conta o quanto me transformei: intimamente,
externamente e emocionalmente...
Há trezes meses após uma
desilusão me obriguei. Me obriguei a amar, continuar autêntica, mas com
leveza... sei que a intensidade ainda me afasta das pessoas, de lugares e de
hábitos comuns da sociedade de pessoas que vivem sempre os modismos.
Me acolhi e assumi quem eu sou.
Dói! Dói muito todas as escolhas que tomei no passado e no presente, pois, sou
o reflexo destas escolhas, mas no últimos treze meses não escolhi mais nada,
segui no fluxo das marés, sem controle, às vezes com muito otimismo e outras
vezes sem esperança...
Me obriguei... a levantar e
viver... a viver o que tem para hoje... experimentei o improvável, vivi o
inexplicável, recebi amor de onde nunca imaginei, fui rejeitada onde amei, excluída
por ser livre e inserida por apenas ser.
Foram 13 meses incríveis! O
desapego nos encaminha para destinos inexplorados, por depoimentos, pessoas,
vivência e lugares que jamais imaginamos passar. Acredito fielmente na
benevolência do desconhecido...
Deus nos abençoa mostrando o seu
projeto maior quando apreciamos a sua casa em plenitude, quando nos encontramos
em nossos corações, quando vibramos com o Universo e reverenciamos a dádiva de
estar aqui e agora em amorosidade com a consciência de que somos todos um.
Ontem este texto tinha um contexto,
hoje, abri o “winchester” de poucas décadas em fotografias e cheguei à
conclusão de que talvez não tenha mudado tanto... nossa essência, nossa alma é
o que o Universo sempre nos proporcionará, não tem como fugir de quem somos... escolhemos,
mas, o Divino está em nós.
Não adianta julgar um cabelo verde
ou um desequilíbrio emocional... eu sou eu e você é você. Não somos apenas uma
fração...
A alma busca, e nós, pelo livre
arbítrio, escolhemos... na balança do mundo, sinto orgulho do ser quem me tornei
em vida...
Por: Lucileyma Carazza
Hoje...
Ontem...
